{"id":447623,"date":"2026-07-12T13:34:30","date_gmt":"2026-07-12T13:34:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/447623\/"},"modified":"2026-07-12T13:34:30","modified_gmt":"2026-07-12T13:34:30","slug":"este-e-o-homem-que-decide-quando-e-para-onde-vai-o-seu-proximo-voo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/447623\/","title":{"rendered":"Este \u00e9 o homem que decide quando e para onde vai o seu pr\u00f3ximo voo"},"content":{"rendered":"<p>                Vai perceber como gerir uma companhia a\u00e9rea \u00e9 como montar um puzzle, daqueles bem complexos<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Cada vez que embarca num voo, \u00e9 como se estivesse a entrar numa teia de escolhas que algu\u00e9m fez por si v\u00e1rias semanas, ou mesmo meses, antes da partida.<\/p>\n<p>A maioria dos viajantes n\u00e3o pensa sequer nestas maquina\u00e7\u00f5es que t\u00eam lugar nos bastidores na hora de colocar a bagagem de m\u00e3o no compartimento superior, de se acomodar no assento e de olhar pela janela para a longa fila de outros avi\u00f5es que aguardam na pista para descolar.<\/p>\n<p>Contudo, a hora da descolagem, o avi\u00e3o em que vai voar e a rota a seguir dependem de decis\u00f5es que s\u00e3o tomadas, com frequ\u00eancia, por uma \u00fanica pessoa, embora com o aux\u00edlio de uma equipa de especialistas.<\/p>\n<p>Em tempos de turbul\u00eancia, quando as subidas nos pre\u00e7os do combust\u00edvel de avia\u00e7\u00e3o est\u00e3o a levar muitas companhias a\u00e9reas a reduzir, de uma forma dr\u00e1stica, os seus servi\u00e7os, o papel desta pessoa torna-se ainda mais importante.<\/p>\n<p>Nos bastidores, o diretor de planeamento \u2014 como costuma ser tratado \u2014 \u00e9 uma figura-chave para a maioria das grandes companhias a\u00e9reas comerciais. \u00c9 quem supervisiona as equipas encarregadas de gerir muitos dos aspetos mais complexos das viagens de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma fun\u00e7\u00e3o extremamente dif\u00edcil e, provavelmente, uma das mais importantes numa companhia a\u00e9rea\u201d, atesta o especialista em avia\u00e7\u00e3o Tony Stanton, da consultora australiana Strategic Air, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 CNN Travel.<\/p>\n<p>Na British Airways, Neil Chernoff \u00e9 a pessoa que assume essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cGerir uma companhia a\u00e9rea \u00e9 como montar um puzzle muito complicado\u201d, compara Chernoff, que supervisiona o planeamento da rede e dos hor\u00e1rios na companhia a\u00e9rea de bandeira do Reino Unido, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 CNN Travel. \u201c\u00c9 preciso fazer concess\u00f5es para garantir que todo o puzzle encaixa na perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Montar o puzzle <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/neil-09.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Neil Chernoff \u00e9 o diretor de planeamento e estrat\u00e9gia da British Airways. Chernoff e a equipa s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpela programa\u00e7\u00e3o e pela tomada de decis\u00f5es na companhia a\u00e9rea (British Airways) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Meses antes do embarque do passageiro, Chernoff e a equipa re\u00fanem-se para definir a log\u00edstica da viagem \u2014 inclusive o n\u00famero de lugares dispon\u00edveis para escolher e a respetiva classe.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, v\u00e3o regressando a essas decis\u00f5es. H\u00e1 que reavaliar que rotas est\u00e3o a funcionar, quais est\u00e3o em decl\u00ednio e \u2013 como foi o caso de muitas companhias a\u00e9reas ap\u00f3s o conflito no Ir\u00e3o \u2013 quais devem ser abandonadas.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dessas decis\u00f5es? Dinheiro. Operar uma aeronave \u00e9 algo dispendioso. E, a n\u00e3o ser que esteja a ser bem usado, um avi\u00e3o pode tornar-se num obst\u00e1culo ao lucro. Para os passageiros, voar num avi\u00e3o quase vazio \u00e9 um sonho. Para as companhias a\u00e9reas, um aut\u00eantico pesadelo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u00a0<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gettyimages-2265526846.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   O hor\u00e1rio de descolagem de cada aeronave, o avi\u00e3o escolhido e a rota s\u00e3o decis\u00f5es geridas com muito cuidado pelas equipas de planeamento e estrat\u00e9gia das companhias a\u00e9reas (Michaela Stache\/Bloomberg\/Getty Images) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u201cA minha equipa \u00e9 respons\u00e1vel por garantir que estamos a gerar lucro com este avi\u00e3o, ou a maximizar os ganhos\u201d, resume Chernoff, que trabalhou num banco de investimento antes de entrar no mundo da avia\u00e7\u00e3o h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 um aumento repentino da procura, a equipa de Chernoff reage depressa. A British Airways, por exemplo, duplicou o n\u00famero de voos di\u00e1rios entre Londres e San Diego e Austin, depois de ambas as rotas terem apresentado um desempenho acima do previsto.<\/p>\n<p>J\u00e1 quando as rotas apresentam um desempenho fraco \u2014 seja porque a hora de chegada do voo n\u00e3o \u00e9 conveniente para os passageiros que necessitam de fazer liga\u00e7\u00f5es, seja porque um destino cai em desuso \u2014 \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o se complica. A equipa tem de analisar os h\u00e1bitos dos clientes e os dados de voo para avaliar o que est\u00e1 a correr mal.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um puzzle mesmo complexo\u201d, diz o consultor de avia\u00e7\u00e3o Tony Stanton. \u201cO que funciona na teoria nem sempre funciona na pr\u00e1tica\u201d, nota.<\/p>\n<p>Os diretores de planeamento das companhias a\u00e9reas costumam trabalhar em conjunto com as equipas de vendas, de modo a se manterem atualizados sobre as tend\u00eancias de f\u00e9rias, que variam \u00e0 medida que os diferentes destinos ganham destaque nos \u2018feeds\u2019 de Instagram dos viajantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 vezes em que a popularidade de um destino ou regi\u00e3o \u00e9 passageira. Noutras, \u00e9 mais duradoura. Ap\u00f3s a pandemia de Covid-19, nota Chernoff, as Cara\u00edbas registaram um aumento do interesse dos viajantes brit\u00e2nicos e mant\u00eam-se populares.<\/p>\n<p>O segredo \u00e9 tentar antecipar essas tend\u00eancias.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/gettyimages-2231540356.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Os diretores de planeamento das companhias a\u00e9reas costumam trabalhar em conjunto com as equipas de vendas, de modo a se manterem atualizados sobre as tend\u00eancias de f\u00e9rias e os interesses dos viajantes. A British Airways, por exemplo, aumentou o n\u00famero de voos para Banguecoque, na Tail\u00e2ndia (na foto), devido \u00e0 sua popularidade entre os passageiros (Peerapon Boonyakiat\/SOPA Images\/LightRocket\/Getty Images) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u201cPercebemos perfeitamente que quem viaja por lazer quer novos destinos, deseja fazer algo diferente, explorar novos mercados\u201d, afirma. A British Airways lan\u00e7ou novas rotas entre Londres, Banguecoque e Colombo, antecipando esta tend\u00eancia.<\/p>\n<p>A equipa tomou a decis\u00e3o de trocar de aeronave para melhor satisfazer a procura.<\/p>\n<p>\u201cSe ficar muito mais cheio, se observamos um aumento da procura, podemos decidir acrescentar um voo extra. Por vezes, fazemos uma troca de aeronaves entre rotas, para disponibilizar mais lugares\u201d, diz Chernoff.<\/p>\n<p>S\u00e3o tamb\u00e9m monitorizados movimentos sociais mais amplos, como a redu\u00e7\u00e3o das viagens de neg\u00f3cios de curta dist\u00e2ncia \u2013 que \u00e9 uma das tend\u00eancias ap\u00f3s a covid-19 -, acompanhada por um \u201caumento das viagens de lazer\u201d.<\/p>\n<p>Para a British Airways, isto implicou retirar avi\u00f5es de destinos cl\u00e1ssicos para viagens de neg\u00f3cios, como Frankfurt, Munique ou Roma, transferindo-os para rotas de f\u00e9rias, como o sul de Espanha, It\u00e1lia ou Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Tempo de voo <\/p>\n<p>As equipas de planeamento n\u00e3o s\u00e3o apenas respons\u00e1veis por escolher para onde vai uma aeronave: decidem tamb\u00e9m quando ela parte.<\/p>\n<p>As companhias n\u00e3o podem pura e simplesmente escolher os seus hor\u00e1rios de partida preferidos nos aeroportos mais movimentados do mundo. T\u00eam de garantir aquilo que \u00e9 conhecido como \u201cslots\u201d \u2013 ou seja, janelas de tempo espec\u00edficas para descolar e aterrar. O mercado das \u201cslots\u201d \u00e9 altamente competitivo \u2013 as melhores t\u00eam pre\u00e7os muito altos.<\/p>\n<p>Se j\u00e1 tentou reservar um voo e acabou a descobrir que o hor\u00e1rio de partida foi alterado de manh\u00e3 para a tarde, \u00e9 bastante prov\u00e1vel que haja alguma quest\u00e3o relacionada com a pol\u00edtica de \u201cslots\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma carteira de \u2018slots\u2019 muito restrita\u201d, reconhece Chernoff. \u201c\u00c0s vezes, \u00e9 preciso fazer concess\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao hor\u00e1rio de determinado voo, com base no resto da programa\u00e7\u00e3o e nas \u2018slots\u2019 que podem ser necess\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/shutterstock-editorial-15217021ad.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   As companhias n\u00e3o podem pura e simplesmente escolher os seus hor\u00e1rios de partida preferidos nos aeroportos mais movimentados do mundo. T\u00eam de garantir aquilo que \u00e9 conhecido como \u201cslots\u201d \u2013 ou seja, janelas de tempo espec\u00edficas para descolar e aterrar. Nesta fotografia, vemos a base da British Airways, o Aeroporto de Heathrow, em Londres (Neil Hall\/EPA-EFE\/Shutterstock) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A disponibilidade \u00e9 limitada, sobretudo em aeroportos movimentados, como o de Heathrow, em Londres, que \u00e9 a base da British Airways. Isto significa que h\u00e1 pouca flexibilidade para alterar os hor\u00e1rios dos voos. Por isso, \u00e9 algo que estes especialistas precisam de ter em conta ao estabelecer novas rotas, muitas vezes com anos de anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAs \u2018slots\u2019 s\u00e3o fixas. \u00c9 muito dif\u00edcil alter\u00e1-las\u201d, conta Chernoff. \u201cSe formos adicionar algum voo \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos pura e simplesmente adicion\u00e1-lo. \u00c9 necess\u00e1rio que aconte\u00e7a quando houver hor\u00e1rio dispon\u00edvel, para que se enquadre nas 350 partidas di\u00e1rias que temos em Heathrow\u201d.<\/p>\n<p>As \u2018slots\u2019 s\u00e3o apenas uma parte da equa\u00e7\u00e3o. As equipas de planeamento tamb\u00e9m precisam de ter em conta a disponibilidade de salas VIP, a capacidade da pista, o espa\u00e7o nas portas de embarque, a log\u00edstica do combust\u00edvel e da assist\u00eancia em terra. \u201cOs aeroportos muito movimentados t\u00eam um limite de tr\u00e1fego que conseguem suportar\u201d, diz o consultor de avia\u00e7\u00e3o Tony Stanton. \u201cS\u00e3o todos fatores a ter em conta\u201d.<\/p>\n<p>Chernoff tamb\u00e9m trabalha em estreita colabora\u00e7\u00e3o com os seus hom\u00f3logos das companhias a\u00e9reas parceiras da British Airways. As companhias a\u00e9reas t\u00eam diferentes tipos de parcerias comerciais. A British Airways, por exemplo, mant\u00e9m uma parceria s\u00f3lida com a American Airlines. As duas empresas discutem com regularidade o planeamento de rotas.<\/p>\n<p>\u201cPodemos coordenar a quantidade de voos que vamos ambos disponibilizar entre Miami e Londres\u201d, explica Chernoff.<\/p>\n<p>O clima tamb\u00e9m \u00e9 um fator. Mesmo que os aumentos sazonais da corrente de jato transatl\u00e2ntica possam agradar aos passageiros que viajam entre Nova Iorque e Londres, reduzindo o tempo de voo, a verdade \u00e9 que podem causar dores de cabe\u00e7a \u00e0s companhias a\u00e9reas.<\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 correntes de jato muito fortes e se chega uma hora mais cedo, os clientes acham \u00f3timo, mas temos de garantir que conseguimos um lugar na pista e que est\u00e1 tudo pronto para dar assist\u00eancia \u00e0 aeronave a tempo e horas\u201d, revela Chernoff. \u201cPor isso, no fim de contas, fazemos um grande esfor\u00e7o para garantir que chega mesmo na hora certa\u201d.<\/p>\n<p>Escolher a aeronave <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A maioria dos passageiros n\u00e3o costuma importar-se com o tipo de avi\u00e3o em que viaja \u2014 at\u00e9 ao momento em que, de repente, esse aspeto passa a ser importante. Ser\u00e1, talvez, no momento em que embarcam e se deparam com uma cabine da classe econ\u00f3mica completamente lotada. Ou quando veem um A380 de dois andares pela janela do terminal e acabam a desejar que aquele seja o seu avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada disto acontece por acaso. Escolher a aeronave certa para uma rota e garantir uma experi\u00eancia perfeita para o cliente faz parte do trabalho de um respons\u00e1vel de planeamento.<\/p>\n<p>\u201cA escolha da aeronave para cada rota pode determinar o sucesso ou o fracasso dessa mesma rota\u201d, nota Stanton. \u201cQual \u00e9 o tamanho certo da aeronave, com um consumo de combust\u00edvel adequado? Qual \u00e9 a capacidade ideal para esta rota?\u201d.<\/p>\n<p>Para a equipa de Chernoff, tudo acaba por se resumir a uma pergunta simples: que aeronaves est\u00e3o dispon\u00edveis?<\/p>\n<p>\u201cPoderia parecer uma resposta relativamente f\u00e1cil\u201d, admite. Contudo, h\u00e1 sempre uma percentagem significativa da frota das companhias a\u00e9reas que est\u00e3o fora de opera\u00e7\u00e3o, com aeronaves a precisar de manuten\u00e7\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed a quest\u00e3o que acaba por se colocar, que \u00e9 a de como utilizar os avi\u00f5es dispon\u00edveis.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2020-07-30t100303z-1038970842-rc2m3i9ki6du-rtrmadp-3-health-coronavirus-aircraft-chateauroux.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   O A380 \u00e9 uma aeronave popular entre os viajantes. A British Airways possui um n\u00famero limitado destes populares jatos superjumbo. Costuma utiliz\u00e1-los em rotas de longa dist\u00e2ncia populares e com elevada procura (Pascal Rossignol\/Reuters) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Olhemos para o A380, o maior avi\u00e3o de passageiros do mundo. A British Airways possui um n\u00famero limitado destes populares jatos superjumbo. S\u00e3o 12, no total. Costuma utiliz\u00e1-los em rotas de longa dist\u00e2ncia populares e com elevada procura.<\/p>\n<p>Mesmo esta decis\u00e3o, que parece \u00f3bvia, tem as suas complica\u00e7\u00f5es. Voos mais longo exigem mais pilotos \u2013 e nem todos os pilotos est\u00e3o treinados para pilotar qualquer tipo de aeronave.<\/p>\n<p>\u201cUm A380 que voa para Boston, por exemplo, tem apenas dois pilotos. J\u00e1 um A380 que voa para Singapura tem quatro pilotos. \u00c9 uma viagem muito longa\u201d, exemplifica Chernoff.<\/p>\n<p>De seguida, surge a quest\u00e3o dos passageiros: n\u00e3o apenas quantos s\u00e3o, mas que tipo de passageiros s\u00e3o. Tal significa encontrar o equil\u00edbrio certo entre as classes \u201cpremium\u201d e econ\u00f3mica, bem como encontrar uma aeronave que tenha o n\u00famero adequado de assentos na classe executiva.<\/p>\n<p>Chernoff d\u00e1 o exemplo de um Boeing 777-300 da British Airways que tem \u201cmuito espa\u00e7o dedicado aos assentos \u2018premium\u2019&#8221;, com oito assentos de primeira classe e 76 de classe executiva. J\u00e1 os Boeing 787-8, os mais pequenos da companhia a\u00e9rea, t\u00eam 31 assentos de classe executiva.<\/p>\n<p>\u201cTentamos adequar o tamanho da aeronave ao que acreditamos que o mercado vai exigir\u201d, explica.<\/p>\n<p>Eventos incontrol\u00e1veis <\/p>\n<p>Mesmo com todas as previs\u00f5es, todas as minuciosas an\u00e1lises de dados e todo o planeamento log\u00edstico, h\u00e1 coisas que s\u00e3o pura e simplesmente imprevis\u00edveis na hora de planear um voo. Lidar com as consequ\u00eancias daquilo a que Chernoff chama de \u201ceventos incontrol\u00e1veis\u201d \u00e9 uma parte importante do trabalho de quem planeia voos numa companhia a\u00e9rea.<\/p>\n<p>\u201cCostumam acontecer mais vezes do que aquilo que as pessoas acham\u201d, vinca.<\/p>\n<p>H\u00e1 vezes em que as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e atmosf\u00e9ricas interferem. \u00c9 o caso da erup\u00e7\u00e3o de um vulc\u00e3o na Isl\u00e2ndia, em 2010, que paralisou a avia\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica durante v\u00e1rios dias, cancelando milhares de voos.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es geopol\u00edticas tamb\u00e9m obrigam as companhias a\u00e9reas a alterar rotas ou a reprogramar servi\u00e7os com pouco aviso pr\u00e9vio, remodelando o mapa global de voos quase da noite para o dia.<\/p>\n<p>Quando isto acontece, o puzzle que a equipa de Chernoff e passou meses a montar tem de ser desmontado e remontado rapidamente.<\/p>\n<p>As equipas de planeamento procuram, tanto quanto poss\u00edvel, preparar-se para o incontrol\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cAs grandes companhias a\u00e9reas n\u00e3o ficam de bra\u00e7os cruzados \u00e0 espera dos acontecimentos\u201d, explica o consultor de avia\u00e7\u00e3o Tony Stanton. \u201c\u00c9 tudo planeado com anteced\u00eancia, h\u00e1 uma gest\u00e3o dos riscos\u201d.<\/p>\n<p>Por exemplo, os hor\u00e1rios de voo costumam incluir uma margem de seguran\u00e7a de cerca de uma hora, de modo a compensar atrasos inesperados, como o encerramento do espa\u00e7o a\u00e9reo. Se uma situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a tornar-se mais permanente, as equipas de planeamento come\u00e7am a recalibrar os hor\u00e1rios de voo ou a cancel\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u00c9 o que prova o conflito no Ir\u00e3o, com um impacto generalizado na avia\u00e7\u00e3o. A equipa de\u00a0 Chernoff teve de responder a uma \u201csitua\u00e7\u00e3o em constante evolu\u00e7\u00e3o e r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o\u201d, nota o respons\u00e1vel.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/shutterstock-editorial-16749574h.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Chernoff afirma que a sua equipa consegue responder rapidamente a situa\u00e7\u00f5es como o conflito no Ir\u00e3o, que causou uma ampla perturba\u00e7\u00e3o nas rotas a\u00e9reas e afetou aeroportos de todo o mundo, como o Aeroporto Internacional Hazrat Shahjalal, em Dhaka, no Bangladesh, que aparece nesta imagem (Syed Mahamudur Rahman\/NurPhoto\/Shutterstock) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A British Airways, tal como muitas outras companhias a\u00e9reas, cancelou voos e organizou servi\u00e7os de repatriamento n\u00e3o programados nos primeiros dias da guerra.<\/p>\n<p>O aumento dos pre\u00e7os do combust\u00edvel para a avia\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas semanas tamb\u00e9m obrigou muitas equipas de planeamento a repensar as suas estrat\u00e9gias, uma vez que se tornaram insustent\u00e1veis as rotas que antes eram marginalmente rent\u00e1veis. O grupo alem\u00e3o Lufthansa, por exemplo, anunciou o cancelamento de 20 mil voos at\u00e9 outubro.<\/p>\n<p>Chernoff reconhece que a incerteza \u00e9 uma \u201csitua\u00e7\u00e3o muito m\u00e1 para os clientes&#8221;, sendo o principal objetivo da companhia a\u00e9rea tentar fornecer o m\u00e1ximo de clareza poss\u00edvel em cen\u00e1rios de dif\u00edcil previs\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, nem todas as surpresas s\u00e3o negativas.<\/p>\n<p>Quando a sele\u00e7\u00e3o masculina de futebol de Inglaterra chegou \u00e0 fase final do Campeonato Europeu de 2024, a equipa de Chernoff conseguiu disponibilizar voos extra para ajudar os adeptos a chegar ao encontro.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o do respons\u00e1vel pelo planeamento de uma companhia a\u00e9rea n\u00e3o passa apenas por lidar com crises e imprevistos. Todos os anos, Chernoff tamb\u00e9m se envolve no planeamento dos cinco anos seguintes da empresa, analisando as perspetivas de crescimento e mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 divertido, diz, reabrir a caixa do puzzle, misturar as pe\u00e7as e come\u00e7ar a mont\u00e1-las de novo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vai perceber como gerir uma companhia a\u00e9rea \u00e9 como montar um puzzle, daqueles bem complexos Cada vez que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":447624,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[609,836,611,1310,27,88,607,608,333,832,604,135,610,476,89,90,3755,301,830,603,570,831,833,62,834,13,835,602,49291,52,32,33,29,1813],"class_list":["post-447623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-aviacao","tag-breaking-news","tag-business","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-ferias","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-planeamento","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-ultimas","tag-voos"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116907270286617964","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/447623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=447623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/447623\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/447624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=447623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=447623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=447623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}