{"id":447847,"date":"2026-07-12T18:03:13","date_gmt":"2026-07-12T18:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/447847\/"},"modified":"2026-07-12T18:03:13","modified_gmt":"2026-07-12T18:03:13","slug":"estudo-revela-fatores-que-levam-jovens-a-tentarem-suicidio-12-07-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/447847\/","title":{"rendered":"Estudo revela fatores que levam jovens a tentarem suic\u00eddio &#8211; 12\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Adolescentes que<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/mortes-de-jovens-por-suicidio-e-uso-de-drogas-ameacam-ganho-com-expectativa-de-vida-no-mundo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> tentaram suic\u00eddio<\/a> frequentemente acumulam experi\u00eancias de viol\u00eancia, conflitos familiares, isolamento social e dificuldades para lidar com emo\u00e7\u00f5es intensas. Sentimentos de abandono, rejei\u00e7\u00e3o e falta de pertencimento tamb\u00e9m fazem parte. \u00c9 o que aponta um estudo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/reeusp\/a\/ByfhFDMSRs9QmFBrNhWtVPH\/?lang=en\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicado <\/a>em abril na revista da Escola de Enfermagem da USP (Universidade de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sao-paulo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a>).<\/p>\n<p>Conduzida por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo) e da UFS (Universidade Federal de Sergipe), a pesquisa ouviu 12 adolescentes entre 14 e 19 anos atendidos em Caps (Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial Infantojuvenil) na capital paulista. Entre os fatores mais citados pelos jovens estavam bullying, neglig\u00eancia emocional, discrimina\u00e7\u00e3o, autoles\u00e3o e sintomas de ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Os relatos mostram que o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/05\/estudos-investigam-se-comportamento-suicida-pode-ter-raizes-evolutivas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sofrimento emocional dos jovens<\/a> nessa faixa et\u00e1ria costuma ser resultado de vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo. &#8220;A escuta ativa permite que se sintam valorizados e protagonistas de suas narrativas&#8221;, diz a enfermeira Rafaela Lima Monteiro, pesquisadora da UFS e uma das autoras do estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas dessas tentativas, por terem baixa letalidade, nunca chegaram aos servi\u00e7os de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a>. O sofrimento ficou invis\u00edvel, sem registro e sem cuidado.&#8221;<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/07\/com-9000-suicidios-por-ano-franca-e-pressionada-a-reforcar-politicas-de-prevencao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">comportamento suicida<\/a> \u00e9 complexo e n\u00e3o pode ser explicado por um \u00fanico fator. &#8220;Quando a gente vai falar sobre suic\u00eddio, n\u00e3o estamos falando de uma coisa pontual, mas sim de um espectro. \u00c9 um fen\u00f4meno que pode estar ligado a diversos transtornos mentais, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 depress\u00e3o, como costuma ser mais associado&#8221;, explica o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia do Espa\u00e7o Einstein de Bem-estar e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude-mental\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade Mental<\/a>, do Einstein Hospital Israelita.<\/p>\n<p>No estudo brasileiro, foram observadas dificuldades dos adolescentes lidarem com sentimentos como raiva, frustra\u00e7\u00e3o e vazio emocional. Em alguns casos, as tentativas de suic\u00eddio ocorreram em momentos de pico emocional e os jovens relataram epis\u00f3dios de explos\u00f5es, sensa\u00e7\u00e3o de perda de controle e comportamentos impulsivos.<\/p>\n<p>\u00c9 importante saber que raiva, frustra\u00e7\u00e3o e oscila\u00e7\u00f5es de humor fazem parte do desenvolvimento na adolesc\u00eancia. &#8220;O desafio \u00e9 perceber quando essas emo\u00e7\u00f5es deixam de ser esperadas para a idade e sinalizam um sofrimento ps\u00edquico mais intenso, marcado por sensa\u00e7\u00e3o de vazio, impulsividade perigosa e dificuldade de pedir ajuda&#8221;, diz Pedrosa. &#8220;\u00c9 diferente um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/adolescente\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">adolescente<\/a> ficar irritado porque discutiu com os pais e outro que come\u00e7a a se cortar para aliviar o sofrimento.&#8221;<\/p>\n<p>Conflitos familiares apareceram em praticamente todos os relatos dos adolescentes ouvidos no estudo. Segundo Monteiro, muitos descreveram falta de di\u00e1logo, aus\u00eancia de acolhimento e sensa\u00e7\u00e3o de invisibilidade em casa. &#8220;A falta de pertencimento era transversal. Atravessava todos os espa\u00e7os que deveriam ser de suporte e afeto&#8221;, relata a pesquisadora.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia exerce papel central tanto na prote\u00e7\u00e3o quanto no agravamento do sofrimento emocional. &#8220;O que protege o adolescente n\u00e3o \u00e9 uma fam\u00edlia perfeita, mas uma parentalidade suficientemente boa. \u00c9 uma fam\u00edlia que seja dispon\u00edvel emocionalmente, onde o adolescente se sinta acolhido, escutado e pertencente ao ambiente familiar. Caso contr\u00e1rio, ele pode entrar em sofrimento&#8221;, alerta o psiquiatra.<\/p>\n<p>Na pesquisa, a escola tamb\u00e9m aparece como um espa\u00e7o de sofrimento. Os adolescentes relatam epis\u00f3dios de bullying, humilha\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o social e discrimina\u00e7\u00e3o relacionada a orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade de g\u00eanero e origem geogr\u00e1fica. Quando essas situa\u00e7\u00f5es se repetem, o jovem pode internalizar uma ideia de n\u00e3o pertencimento, gerando ansiedade, depress\u00e3o, vergonha e desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Romper o sil\u00eancio<\/p>\n<p>Quando se fala em suic\u00eddio, \u00e9 importante diferenciar os termos idea\u00e7\u00e3o suicida, tentativa de suic\u00eddio e autoles\u00e3o. A idea\u00e7\u00e3o geralmente come\u00e7a com pensamentos recorrentes sobre desaparecer ou morrer. J\u00e1 a tentativa envolve uma a\u00e7\u00e3o com inten\u00e7\u00e3o de se matar, mesmo sem les\u00f5es graves. A autoles\u00e3o, por outro lado, busca aliviar sofrimento emocional.<\/p>\n<p>&#8220;Uma autoles\u00e3o n\u00e3o deve ser encarada como drama ou fase. Precisa de interven\u00e7\u00e3o imediata, n\u00e3o necessariamente medicamentosa, mas \u00e9 preciso intervir&#8221;, orienta Thiago Pedrosa.<\/p>\n<p>Em muitos casos analisados na pesquisa brasileira, a autoles\u00e3o apareceu antes das tentativas. &#8220;O estudo interpreta a autoles\u00e3o como indicador de sofrimento ps\u00edquico intenso e mecanismo de habitua\u00e7\u00e3o \u00e0 dor, uma etapa de agravamento progressivo que pode abrir caminho para tentativas de suic\u00eddio. Reconhec\u00ea-la como sinal de alerta, e n\u00e3o apenas como comportamento a ser corrigido, \u00e9 fundamental&#8221;, alerta a enfermeira Girliani Silva de Sousa, pesquisadora da Unifesp que tamb\u00e9m assina o artigo.<\/p>\n<p>Entre as medidas preventivas est\u00e3o criar redes de apoio que envolvam fam\u00edlia, escola e servi\u00e7os de sa\u00fade. &#8220;As circunst\u00e2ncias identificadas no estudo podem ajudar a reconhecer adolescentes em sofrimento. O que os relatos deixam claro \u00e9 a necessidade de espa\u00e7os de escuta, fortalecimento dos v\u00ednculos familiares e constru\u00e7\u00e3o de redes de apoio que atendam o adolescente e sua fam\u00edlia de forma integrada&#8221;, avalia Sousa.<\/p>\n<p>Romper o sil\u00eancio em torno do tema tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. &#8220;Falar sobre suic\u00eddio n\u00e3o incentiva o suic\u00eddio. Isso \u00e9 um mito. A primeira coisa \u00e9 levar o sofrimento do adolescente a s\u00e9rio&#8221;, afirma o m\u00e9dico do Einstein. &#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 psicoterapia, orienta\u00e7\u00e3o parental ou medicamento. O mais importante \u00e9 que o adolescente seja escutado sem julgamento, sem cr\u00edticas ou serm\u00f5es, e que os pais procurem ajuda profissional rapidamente.&#8221;<\/p>\n<p>Veja onde encontrar ajuda<\/p>\n<p><strong>Instituto Vita Alere de Preven\u00e7\u00e3o e Posven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nOferece grupos de apoio aos enlutados e a familiares de pessoas com idea\u00e7\u00e3o suicida, cartilhas informativas sobre preven\u00e7\u00e3o e posven\u00e7\u00e3o e cursos para profissionais.<br \/>&#13;<br \/>\n<a href=\"https:\/\/vitaalere.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">vitaalere.com.br<\/a><\/p>\n<p><strong>Abrases (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Sobrevivente Enlutados por Suic\u00eddio)<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nDisponibiliza materiais informativos, como cartilhas e ebooks, e indica <a href=\"https:\/\/abrases.org.br\/grupos-de-apoio\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">grupos de apoio em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds<\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n<a href=\"https:\/\/abrases.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">abrases.org.br<\/a><\/p>\n<p><strong>CVV (Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida)<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nPresta servi\u00e7o volunt\u00e1rio e gratuito de apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2019\/09\/800-mil-pessoas-se-suicidam-todos-os-anos-uma-a-cada-40-segundos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">suic\u00eddio<\/a> para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato pelo site e telefone 188<br \/>&#13;<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.cvv.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">cvv.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Adolescentes que tentaram suic\u00eddio frequentemente acumulam experi\u00eancias de viol\u00eancia, conflitos familiares, isolamento social e dificuldades para lidar com&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":376380,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4840,6245,4843,4844,1531,236,116,1208,32,33,654,3802,117,1030,896,10382,2969],"class_list":["post-447847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-adolescente","tag-agencia-einstein","tag-ansiedade","tag-antidepressivo","tag-depressao","tag-folha","tag-health","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-sao-paulo","tag-sao-paulo-estado","tag-saude","tag-saude-mental","tag-saude-publica","tag-suicidio","tag-tristeza"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116908327997804872","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/447847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=447847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/447847\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/376380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=447847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=447847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=447847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}