{"id":448453,"date":"2026-07-13T09:18:10","date_gmt":"2026-07-13T09:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/448453\/"},"modified":"2026-07-13T09:18:10","modified_gmt":"2026-07-13T09:18:10","slug":"esclerose-multipla-como-desconfiar-do-quadro-antes-dos-sintomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/448453\/","title":{"rendered":"Esclerose m\u00faltipla: como desconfiar do quadro antes dos sintomas?"},"content":{"rendered":"<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">A <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/esclerose-multipla\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/esclerose-multipla\/\">esclerose m\u00faltipla<\/a> \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica mais comum em adultos jovens. Ela afeta 2,9 milh\u00f5es de pessoas no mundo e cerca de 40 mil no Brasil. Em 2024, foi anunciada uma revis\u00e3o dos \u201cCrit\u00e9rios de McDonald\u201d, que desde 2017 norteiam como detectar e tratar a doen\u00e7a. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Divulgadas oficialmente em 2025, em artigo <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/laneur\/article\/PIIS1474-4422(25)00270-4\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">no <\/a><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/laneur\/article\/PIIS1474-4422(25)00270-4\/abstract\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Lancet Neurology<\/a>, as mudan\u00e7as incorporam novos marcadores e buscam ampliar a precis\u00e3o de exames, favorecendo o in\u00edcio precoce do tratamento. \u201cO objetivo \u00e9 antecipar o diagn\u00f3stico, a fim de prevenir sintomas, para evitar o aparecimento de sequelas\u201d, diz o neurologista Herval Ribeiro Soares Neto, do Einstein Hospital Israelita. <\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico precoce da esclerose m\u00faltipla enfrenta desafios globais\u00a0Foto:  New Africa\/Adobe Stock <\/p>\n<p>A esclerose m\u00faltipla \u00e9 uma doen\u00e7a autoimune em que c\u00e9lulas do sistema de defesa atacam a bainha de mielina, esp\u00e9cie de capa que reveste os neur\u00f4nios e \u00e9 essencial para a transmiss\u00e3o de comandos. Isso causa uma inflama\u00e7\u00e3o e leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de les\u00f5es em locais como nervo \u00f3ptico, medula e cerebelo, provocando sintomas relacionados \u00e0s fun\u00e7\u00f5es dessas regi\u00f5es, como perda visual, emba\u00e7amento, vertigem, desequil\u00edbrio, perda de sensibilidade e perda motora.<\/p>\n<p>Em cerca de 80% dos casos, a condi\u00e7\u00e3o se manifesta em forma de surtos que duram semanas e podem melhorar espontaneamente. Mas nem sempre \u00e9 poss\u00edvel recuperar as fun\u00e7\u00f5es afetadas, j\u00e1 que isso depende da capacidade de remieliniza\u00e7\u00e3o. Nos epis\u00f3dios mais graves, os sintomas s\u00e3o progressivos. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Al\u00e9m de considerar o exame cl\u00ednico e o hist\u00f3rico do paciente, o diagn\u00f3stico \u00e9 feito a partir de exames de imagem, principalmente a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica de cr\u00e2nio e coluna, e do l\u00edquor. A doen\u00e7a produz les\u00f5es t\u00edpicas em determinadas regi\u00f5es do <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cerebro\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cerebro\">c\u00e9rebro<\/a> ao longo do tempo, al\u00e9m do aumento de certas subst\u00e2ncias no l\u00edquido cefalorraquidiano, que circula em torno do c\u00e9rebro e medula espinhal, que funcionam como marcadores. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">A an\u00e1lise considera o n\u00famero de les\u00f5es e os locais afetados, al\u00e9m da presen\u00e7a de marcadores, como um grupo de prote\u00ednas chamadas bandas oligoclonais, e caracter\u00edsticas espec\u00edficas das les\u00f5es, como uma veia central ou dep\u00f3sitos de ferro. A tecnologia contribui para esse processo por meio de equipamentos avan\u00e7ados. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Hoje, h\u00e1 resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas capazes de visualizar essas les\u00f5es em detalhes e exames para detectar marcadores no l\u00edquor. \u201cNo Einstein, criamos um laudo estruturado de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, espec\u00edfico para esclerose m\u00faltipla, que avalia a hip\u00f3tese de forma sistematizada\u201d, conta Soares Neto. Esse recurso se soma \u00e0 an\u00e1lise de biomarcadores mais precisos em exames com o de l\u00edquor, retirado por uma pun\u00e7\u00e3o lombar da coluna. \u201cA qualidade desses exames faz a diferen\u00e7a para um diagn\u00f3stico mais correto e precoce\u201d, destaca o neurologista.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Uma das novidades da \u00faltima revis\u00e3o dos crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos \u00e9 o reconhecimento de uma nova regi\u00e3o t\u00edpica para as les\u00f5es no sistema nervoso central, o nervo \u00f3ptico, que se soma \u00e0s quatro j\u00e1 estabelecidas anteriormente: periventricular, juxtacortical\/cortical, infratentorial e medula espinhal. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Outra mudan\u00e7a \u00e9 a possibilidade de diagnosticar pessoas que t\u00eam les\u00f5es nos exames de imagem e preenchem os crit\u00e9rios para esclerose m\u00faltipla, mas n\u00e3o apresentam sintomas. At\u00e9 ent\u00e3o, esses pacientes eram categorizados como portadores de s\u00edndrome radiol\u00f3gica isolada. \u201cIsso \u00e9 importante porque podemos come\u00e7ar a tratar a doen\u00e7a antes que ela se manifeste, melhorando o progn\u00f3stico\u201d, observa a neurologista Ana Cl\u00e1udia Piccolo, coordenadora do departamento cient\u00edfico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Apesar desses avan\u00e7os, mais de 80% dos pa\u00edses enfrentam dificuldades para fazer o diagn\u00f3stico precoce, segundo a <a href=\"https:\/\/www.msif.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Atlas-3rd-Edition-clinical-management-report-EN-5-5-21.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Esclerose M\u00faltipla<\/a>, divulgado em 2021 pela federa\u00e7\u00e3o internacional dedicada \u00e0 doen\u00e7a. Isso se d\u00e1 tanto pela falta de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre sintomas quanto pela baixa disponibilidade de profissionais especializados e equipamentos. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">O problema \u00e9 que muitas pessoas passam anos com sintomas difusos, como fadiga, perda de equil\u00edbrio ou vis\u00e3o emba\u00e7ada, percorrendo diversos especialistas antes de chegar ao neurologista. \u201cA porta de entrada costuma ser o ortopedista, o otorrino ou o oftalmo\u201d, relata Piccolo. E mesmo quando o indiv\u00edduo chega ao especialista certo, pode ser em raz\u00e3o de outros problemas. \u201c\u00c0s vezes, a doen\u00e7a \u00e9 diagnosticada quando a pessoa vai investigar <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/enxaqueca\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/enxaqueca\/\">enxaqueca<\/a> ou mesmo um traumatismo craniano, por exemplo\u201d, observa o m\u00e9dico do Einstein.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Tratamento de alta efic\u00e1cia<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">O tratamento da esclerose m\u00faltipla \u00e9 individualizado e leva em conta fatores como as caracter\u00edsticas da doen\u00e7a, o n\u00famero de les\u00f5es, o estilo de vida e a rotina do paciente, al\u00e9m da presen\u00e7a de comorbidades, do progn\u00f3stico e da fase da doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"ads-placeholder-label\">CONTiNUA AP\u00d3S PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, os medicamentos se tornaram mais espec\u00edficos, permitindo evitar pioras e com menos efeitos adversos. \u201cA evolu\u00e7\u00e3o do tratamento permitiu maior efic\u00e1cia, com menos chance de novos surtos e novas les\u00f5es no c\u00e9rebro e na medula\u201d, destaca Herval Soares Neto. \u201cConseguem agir de forma bem focada no sistema imunol\u00f3gico, com mais efic\u00e1cia e mantendo a seguran\u00e7a.\u201d <\/p>\n<p>Com o tratamento de alta efic\u00e1cia atual, h\u00e1 mais de 90% de chance de evitar novas les\u00f5es inflamat\u00f3rias no c\u00e9rebro. Existem mais de dez op\u00e7\u00f5es de medicamentos tanto para tratar a fase aguda quanto para a preven\u00e7\u00e3o de recorr\u00eancia das crises e o controle da progress\u00e3o. S\u00e3o principalmente imunomoduladores ou imunossupressores, que podem ser aplicados via endovenosa ou em comprimidos. <\/p>\n<p>Em abril, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/anvisa-agencia-nacional-de-vigilancia-sanitaria\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/anvisa-agencia-nacional-de-vigilancia-sanitaria\">Anvisa<\/a>) aprovou um novo medicamento, o ublituximabe, que ser\u00e1 comercializado com o nome Briumvi. Trata-se de um anticorpo monoclonal que impede os linf\u00f3citos de atacarem a bainha de mielina, reduzindo as crises. \u201c\u00c9 um tratamento de uma classe que j\u00e1 existe no mercado, mais uma alternativa\u201d, observa Soares Neto. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Apesar dos avan\u00e7os, cada caso de esclerose m\u00faltipla ainda precisa ser cuidadosamente avaliado. \u201cN\u00e3o existe um protocolo \u00fanico, uma receita de bolo, o tratamento \u00e9 individualizado\u201d, diz o neurologista. \u201cMas com tratamento de alta efic\u00e1cia, \u00e9 poss\u00edvel silenciar a doen\u00e7a por d\u00e9cadas.\u201d <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A esclerose m\u00faltipla \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica mais comum em adultos jovens. 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