{"id":448526,"date":"2026-07-13T10:48:26","date_gmt":"2026-07-13T10:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/448526\/"},"modified":"2026-07-13T10:48:26","modified_gmt":"2026-07-13T10:48:26","slug":"esta-empresa-diz-que-a-fusao-nuclear-podera-finalmente-abastecer-a-rede-eletrica-e-em-breve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/448526\/","title":{"rendered":"Esta empresa diz que a fus\u00e3o nuclear poder\u00e1 finalmente abastecer a rede el\u00e9trica \u2014 e em breve"},"content":{"rendered":"<p>                Caso alcancem o sucesso, tratar-se-\u00e1 de um feito monumental, ap\u00f3s d\u00e9cadas de desenvolvimento. Nos \u00faltimos anos, cientistas na Europa e nos Estados Unidos conseguiram uma s\u00e9rie de avan\u00e7os na \u00e1rea da fus\u00e3o, demonstrando que \u00e9 poss\u00edvel obter um ganho l\u00edquido de energia<\/p>\n<p>Uma empresa de fus\u00e3o nuclear sediada em Massachusetts deu esta semana mais um passo na corrida para se tornar a primeira a colocar na rede el\u00e9trica dos Estados Unidos a mesma energia que alimenta o Sol e as estrelas.<\/p>\n<p>A Commonwealth Fusion Systems est\u00e1 atualmente a construir uma m\u00e1quina em forma de donut chamada tokamak \u2014 uma c\u00e2mara onde os \u00e1tomos s\u00e3o esmagados num plasma a 100 milh\u00f5es de graus. Ao for\u00e7ar a fus\u00e3o de dois \u00e1tomos, a rea\u00e7\u00e3o de fus\u00e3o nuclear cria energia t\u00e9rmica da mesma forma que o Sol. Trata-se do oposto da energia nuclear convencional, que se baseia numa rea\u00e7\u00e3o de fiss\u00e3o que divide os \u00e1tomos. Este processo poder\u00e1 ser a chave para alcan\u00e7ar uma energia quase ilimitada, sem a produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos nucleares de longa dura\u00e7\u00e3o ou de gases com efeito de estufa que aquecem o planeta. Al\u00e9m disso, o combust\u00edvel para a fus\u00e3o \u00e9 abundante: prov\u00e9m do deut\u00e9rio, presente na \u00e1gua do mar, e do tr\u00edtio, extra\u00eddo do l\u00edtio.<\/p>\n<p>O tokamak de demonstra\u00e7\u00e3o da empresa, em Massachusetts, tem 75% da constru\u00e7\u00e3o conclu\u00edda e dever\u00e1 estar operacional no final do pr\u00f3ximo ano. Se conseguir atingir com sucesso a energia l\u00edquida \u2014 ou seja, produzir mais energia do que aquela que consome para funcionar \u2014, o passo seguinte da Commonwealth ser\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de uma central de fus\u00e3o de 400 megawatts na Virg\u00ednia. A empresa anunciou na passada ter\u00e7a-feira que a infraestrutura se chamar\u00e1 Fall Line Fusion Power Station.<\/p>\n<p>Caso alcancem o sucesso, tratar-se-\u00e1 de um feito monumental, ap\u00f3s d\u00e9cadas de desenvolvimento. Nos \u00faltimos anos, cientistas na Europa e nos Estados Unidos conseguiram uma s\u00e9rie de avan\u00e7os na \u00e1rea da fus\u00e3o, demonstrando que \u00e9 poss\u00edvel obter um ganho l\u00edquido de energia.<\/p>\n<p>O grande desafio atual reside em sustentar essa rea\u00e7\u00e3o o tempo suficiente para abastecer redes el\u00e9tricas e sistemas de aquecimento em todo o mundo. Alguns especialistas acreditam que esse cen\u00e1rio ainda tardar\u00e1 muitos anos, mas o presidente executivo da Commonwealth Fusion, Bob Mumgaard, e outros investigadores defendem que o prazo poder\u00e1 ser mais curto.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da primeira central de fus\u00e3o em escala real significa tamb\u00e9m que a Commonwealth \u00e9 a pioneira na tentativa de introduzir este tipo de produ\u00e7\u00e3o na rede el\u00e9trica norte-americana. Na ter\u00e7a-feira, a empresa revelou ter submetido um pedido \u00e0 PJM, a maior operadora de rede do pa\u00eds, para ligar a futura central \u00e0 rede de cabos e outras infraestruturas que controlam a eletricidade desde as centrais at\u00e9 \u00e0s habita\u00e7\u00f5es e empresas. Este processo de candidatura demorar\u00e1 anos a ser conclu\u00eddo e o objetivo da empresa \u00e9 come\u00e7ar a fornecer energia \u00e0 rede na d\u00e9cada de 2030.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo que a fus\u00e3o pare\u00e7a algo distante, o horizonte temporal n\u00e3o \u00e9 muito diferente daquele que se projeta para qualquer outra fonte de energia de que se fala hoje em dia&#8221;, referiu Bob Mumgaard \u00e0 CNN. Por exemplo, os prazos atuais para construir as turbinas que alimentam as centrais a g\u00e1s superam os cinco anos, devido \u00e0 forte procura que preenche as carteiras de encomendas dos fabricantes.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1783939705_109_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Um diagrama do tokamak em constru\u00e7\u00e3o no campus da Commonwealth Fusion Systems em Devens, no Massachusetts, nos Estados Unidos, a 6 de novembro de 2024. Cassandra Klos\/Bloomberg\/Getty Images <\/p>\n<p>O gestor reconheceu que a viabilidade da energia de fus\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 uma certeza absoluta e que o projeto se encontra em &#8220;fase ativa de desenvolvimento&#8221;. No entanto, sublinhou que &#8220;a maioria das tecnologias com grande impacto passa muito rapidamente do imposs\u00edvel ao inevit\u00e1vel. Basta olhar para o que est\u00e1 a acontecer agora: o que j\u00e1 est\u00e1 a ser constru\u00eddo, para onde se direcionam as mentes mais brilhantes e para onde est\u00e1 a ir o dinheiro&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar de se tratar de uma fonte de energia futurista, o processo de liga\u00e7\u00e3o de uma central de fus\u00e3o \u00e0 rede n\u00e3o difere muito do utilizado para outros tipos de energia, quer seja a nuclear convencional, o carv\u00e3o ou as renov\u00e1veis, explicou Rob Gramlich, presidente executivo da consultora Grid Strategies LLC. Uma central de 400 megawatts &#8220;n\u00e3o \u00e9 muito grande em compara\u00e7\u00e3o com outras centrais do sistema&#8221;, apresentando uma capacidade semelhante \u00e0 de uma central a g\u00e1s e sendo menor do que os reatores de fiss\u00e3o nuclear e a maioria das centrais a carv\u00e3o. Al\u00e9m disso, a eletricidade \u00e9 gerada de forma semelhante \u00e0s tecnologias existentes: a \u00e1gua quente cria vapor para fazer girar as turbinas que produzem a eletricidade. A \u00fanica diferen\u00e7a est\u00e1 no m\u00e9todo utilizado para aquecer a \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o creio que haja algo extremamente complexo&#8221;, afirmou Rob Gramlich. &#8220;N\u00e3o vejo qualquer raz\u00e3o para que a rede n\u00e3o consiga gerir isto.&#8221;<\/p>\n<p>Adicionalmente, a reduzida quantidade de combust\u00edvel necess\u00e1ria para pequenas centrais nucleares \u2014 sejam de fiss\u00e3o ou de fus\u00e3o \u2014 confere-lhes a vantagem de serem mais f\u00e1ceis de construir em \u00e1reas com maior densidade populacional, mais pr\u00f3ximas da infraestrutura de rede existente, acrescentou o consultor. &#8220;Existe a oportunidade de as colocar perto do consumo, junto a centros de dados e, por vezes, mais perto de onde as pessoas vivem. Isto aplica-se quando n\u00e3o se disp\u00f5e da vasta extens\u00e3o de terreno do Texas Ocidental, por exemplo. \u00c9 poss\u00edvel concentrar muita energia numa \u00e1rea reduzida.&#8221;<\/p>\n<p>Bob Mumgaard revelou que a maioria das quest\u00f5es levantadas pela PJM at\u00e9 ao momento centrou-se na quantidade de combust\u00edvel que a central precisar\u00e1 de armazenar no local, na energia e no tempo de prepara\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para arrancar, e no n\u00edvel de intermit\u00eancia da pr\u00f3pria eletricidade.<\/p>\n<p>O processo de candidatura junto da PJM demora entre quatro a seis anos. O respons\u00e1vel explicou que a empresa j\u00e1 colaborava com a operadora h\u00e1 dois anos antes de submeter formalmente o pedido.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1783939706_275_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Trabalhadores montam a estrutura que ir\u00e1 sustentar o sistema de demonstra\u00e7\u00e3o do tokamak da Commonwealth Fusion, no campus da empresa em Devens, no Massachusetts, nos Estados Unidos, a 6 de novembro de 2024. Na parede ao fundo, \u00e9 vis\u00edvel uma proje\u00e7\u00e3o em tamanho real do dispositivo. (Cassandra Klos\/Bloomberg\/Getty Images) <\/p>\n<p>Um porta-voz da PJM n\u00e3o comentou diretamente a candidatura da Commonwealth, mas afirmou que a operadora de rede estava &#8220;entusiasmada com a diversidade de recursos que t\u00eam solicitado a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 rede&#8221;.<\/p>\n<p>A energia que a central de fus\u00e3o da Virg\u00ednia ir\u00e1 gerar j\u00e1 tem dois compradores garantidos: a Google e a empresa de energia Eni. Isto significa que a constru\u00e7\u00e3o da central e da infraestrutura de liga\u00e7\u00e3o \u00e0 rede n\u00e3o ter\u00e1 impacto nas tarifas pagas pelas empresas e consumidores no quotidiano.<\/p>\n<p>&#8220;Isso era realmente importante. Sendo uma central pioneira, n\u00e3o quer\u00edamos que os custos reca\u00edssem sobre os contribuintes&#8221;, concluiu Bob Mumgaard.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Caso alcancem o sucesso, tratar-se-\u00e1 de um feito monumental, ap\u00f3s d\u00e9cadas de desenvolvimento. 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