{"id":448990,"date":"2026-07-13T18:11:25","date_gmt":"2026-07-13T18:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/448990\/"},"modified":"2026-07-13T18:11:25","modified_gmt":"2026-07-13T18:11:25","slug":"sera-que-os-imanes-gigantes-podem-ser-a-salvacao-dos-astronautas-contra-as-tempestades-solares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/448990\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que os \u00edmanes gigantes podem ser a salva\u00e7\u00e3o dos astronautas contra as tempestades solares?"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pueden-los-imanes-gigantes-ser-la-salvacion-de-los-astronautas-contra-las-tormentas-solares-17838680.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"A c\u00e1psula Orion poder\u00e1 ter um campo magn\u00e9tico protetor \u00e0 sua volta. Cr\u00e9dito: NASA\" title=\"Imanes radiaci\u00f3n espacio astronom\u00eda astronautas\" data-image=\"1lys1khvv60k\"\/>A c\u00e1psula Orion poder\u00e1 ter um campo magn\u00e9tico protetor \u00e0 sua volta. Cr\u00e9dito: NASA   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/christian-garavaglia.jpg\" alt=\"Christian Garavaglia\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/christian-garavaglia\/\" title=\"Christian Garavaglia\" data-mrf-recirculation=\"pre_article_author\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Christian Garavaglia<\/a> Meteored Argentina       13\/07\/2026 18:45   6 min   <\/p>\n<p>Enviar astronautas a Marte ou a destinos ainda mais distantes implica resolver um problema t\u00e3o complexo quanto inevit\u00e1vel: <strong>a exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 radia\u00e7\u00e3o espacial<\/strong>. Para al\u00e9m da Terra, onde o campo magn\u00e9tico e a atmosfera oferecem uma prote\u00e7\u00e3o natural, os seres humanos ficam expostos a um ambiente hostil capaz de provocar <strong>danos no sistema nervoso, aumentar o risco de cancro e acelerar a deteriora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tecidos do organismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, os engenheiros t\u00eam avaliado <strong>diferentes estrat\u00e9gias para reduzir esse risco<\/strong>. Uma das mais utilizadas consiste em revestir a nave com materiais capazes de absorver parte da radia\u00e7\u00e3o, como o alum\u00ednio, o polietileno ou at\u00e9 mesmo a \u00e1gua. No entanto, <strong>esta solu\u00e7\u00e3o tem uma desvantagem evidente<\/strong>: o enorme peso adicional que tem de ser lan\u00e7ado para o espa\u00e7o, o que aumenta consideravelmente o custo de qualquer miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra alternativa que tem suscitado grande interesse \u00e9 a <strong>utiliza\u00e7\u00e3o de \u00edmanes supercondutores<\/strong>, capazes de gerar um potente campo magn\u00e9tico em torno da nave para desviar as part\u00edculas carregadas. No entanto, estes sistemas dependem de um fornecimento el\u00e9trico constante e de complexos mecanismos de refrigera\u00e7\u00e3o criog\u00e9nica. Uma falha em qualquer um desses componentes poderia <strong>deixar a tripula\u00e7\u00e3o completamente desprotegida<\/strong>.<\/p>\n<p>A aposta nos \u00edmanes permanentes<\/p>\n<p>Perante estas limita\u00e7\u00f5es, um grupo de investigadores da It\u00e1lia e da Alemanha prop\u00f4s uma solu\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia: <strong>utilizar \u00edmanes permanentes para gerar um escudo magn\u00e9tico sem necessidade de consumir energia<\/strong>.<\/p>\n<p>O trabalho, publicado como pr\u00e9-impress\u00e3o no arXiv, analisa se um conjunto de \u00edmanes de neod\u00edmio, ferro e boro (NdFeB), amplamente utilizados devido \u00e0 sua elevada intensidade magn\u00e9tica, poderia <strong>desviar parte das part\u00edculas emitidas durante uma tempestade solar<\/strong>, um dos eventos mais perigosos para uma miss\u00e3o tripulada.<\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/astronomia\/o-tempo-nao-para-no-espaco-um-estudo-revela-porque-e-que-estar-em-orbita-acelera-o-nosso-relogio-biologico.html\" title=\"O tempo n\u00e3o p\u00e1ra no espa\u00e7o: um estudo revela porque \u00e9 que estar em \u00f3rbita acelera o nosso rel\u00f3gio biol\u00f3gico\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/el-tiempo-no-se-detiene-en-el-espacio-un-estudio-revela-por-que-estar-en-orbita-acelera-nuestro-relo.jpeg\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p>Para testar a ideia, <strong>os cientistas desenvolveram um modelo te\u00f3rico<\/strong> com uma matriz formada por 1 482 \u00edmanes c\u00fabicos com apenas 3 cent\u00edmetros de lado. Todo o conjunto ocupava uma superf\u00edcie de cerca de um metro quadrado e pesava menos de 300 quilogramas, uma massa consideravelmente inferior \u00e0 que seria necess\u00e1ria para uma blindagem passiva equivalente.<\/p>\n<p>Resultados promissores, embora com limita\u00e7\u00f5es importantes<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es mostraram que <strong>o sistema conseguiu desviar aproximadamente 20 % das part\u00edculas solares com energias compreendidas entre 0,1 e 10 MeV<\/strong>. Embora possa parecer uma percentagem modesta, representa uma redu\u00e7\u00e3o significativa da radia\u00e7\u00e3o de menor energia, precisamente aquela que os \u00edmanes permanentes conseguiram desviar com maior efic\u00e1cia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/pueden-los-imanes-gigantes-ser-la-salvacion-de-los-astronautas-contra-las-tormentas-solares-17838681.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Os autores consideram que a nova proposta merece ser objeto de investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada.\" title=\"Imanes radiaci\u00f3n espacio astronom\u00eda astronautas\" data-image=\"yxyhro89i70n\"\/>Os autores consideram que a nova proposta merece ser objeto de investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, <strong>o escudo funciona como uma esp\u00e9cie de filtro<\/strong>. As part\u00edculas com menor energia alteram a sua trajet\u00f3ria ao atravessarem o campo magn\u00e9tico, enquanto <strong>os prot\u00f5es com maior energia praticamente o atravessam sem serem afetados<\/strong>.<\/p>\n<p>Este comportamento deixa claro que <strong>a tecnologia n\u00e3o constitui uma solu\u00e7\u00e3o definitiva<\/strong>, mas sim um complemento potencial no \u00e2mbito de um sistema de prote\u00e7\u00e3o mais abrangente.<\/p>\n<p>O maior obst\u00e1culo continua a ser a radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica gal\u00e1ctica<\/p>\n<p>A principal desvantagem \u00e9 que <strong>este tipo de escudo se revela praticamente in\u00fatil contra os raios c\u00f3smicos gal\u00e1cticos<\/strong>, um dos componentes mais perigosos do ambiente espacial.<\/p>\n<p><strong><strong>Ao contr\u00e1rio das part\u00edculas emitidas durante uma tempestade solar, estes raios chegam de todas as dire\u00e7\u00f5es e possuem energias t\u00e3o elevadas que o campo magn\u00e9tico gerado pelos \u00edmanes mal consegue alterar a sua trajet\u00f3ria.<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>Os investigadores tamb\u00e9m alertam para <strong>outro poss\u00edvel efeito secund\u00e1rio<\/strong>. Quando prot\u00f5es de alta energia colidem diretamente com os \u00edmanes, podem produzir radia\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, como neutr\u00f5es ou raios gama. Em determinadas circunst\u00e2ncias, este fen\u00f3meno<strong> pode aumentar localmente a dose de radia\u00e7\u00e3o, em vez de a reduzir<\/strong>.<\/p>\n<p>A isto acrescenta-se um problema adicional: os \u00edmanes permanentes perdem parte da sua magnetiza\u00e7\u00e3o com o passar do tempo. Essa degrada\u00e7\u00e3o <strong>diminuiria gradualmente a capacidade protetora do sistema durante miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Mais uma pe\u00e7a para proteger os futuros viajantes espaciais<\/p>\n<p>Apesar destas limita\u00e7\u00f5es, os autores consideram que <strong>a proposta merece ser alvo de mais investiga\u00e7\u00e3o<\/strong>. Em vez de substitu\u00edrem as tecnologias existentes, os \u00edmanes permanentes poderiam ser integrados num <strong>sistema h\u00edbrido<\/strong> que combinasse blindagens f\u00edsicas, campos magn\u00e9ticos supercondutores e este novo tipo de prote\u00e7\u00e3o passiva.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 realizar <strong>simula\u00e7\u00f5es muito mais complexas atrav\u00e9s de m\u00e9todos de Monte Carlo para avaliar como o sistema responderia num ambiente espacial real<\/strong>, onde as part\u00edculas chegam de m\u00faltiplas dire\u00e7\u00f5es e com energias muito vari\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer antes de uma nave com destino a Marte incorporar um escudo deste tipo<\/strong>. No entanto, qualquer avan\u00e7o que permita reduzir, mesmo que parcialmente, a exposi\u00e7\u00e3o dos astronautas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o poder\u00e1 fazer a diferen\u00e7a decisiva para tornar poss\u00edveis futuras miss\u00f5es tripuladas ao espa\u00e7o profundo.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia da not\u00edcia<\/p>\n<p class=\"article-reference__body\">Parisi, V., el.al.. (2026). <a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2607.00759\" target=\"_blank\" data-mrf-recirculation=\"end_article_citation\" rel=\"nofollow noopener\">A First-Order Assessment of Permanent Magnet Deflection for Space Radiation Protection<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A c\u00e1psula Orion poder\u00e1 ter um campo magn\u00e9tico protetor \u00e0 sua volta. Cr\u00e9dito: NASA Christian Garavaglia Meteored Argentina&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":448991,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[8071,109,107,108,1008,32,33,10901,105,103,104,106,110,72038],"class_list":["post-448990","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-astronautas","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-espaco","tag-portugal","tag-pt","tag-radiacao","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-tempestades-solares"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116914021564941587","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=448990"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448990\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/448991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=448990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=448990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=448990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}