{"id":450740,"date":"2026-07-15T04:04:40","date_gmt":"2026-07-15T04:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/450740\/"},"modified":"2026-07-15T04:04:40","modified_gmt":"2026-07-15T04:04:40","slug":"o-coelho-que-salta-por-portugal-e-afinal-uma-especie-propria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/450740\/","title":{"rendered":"O coelho que salta por Portugal \u00e9 afinal uma esp\u00e9cie pr\u00f3pria"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:European_rabbit_%28Oryctolagus_cuniculus%29_kitten.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Alexis Lours \/ Wikipedia <\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-754262\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/a0579f6906da3a70268c9d65d75b47d6-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Coelho-europeu (Oryctolagus cuniculus)<\/p>\n<p><strong>Uma nova an\u00e1lise cient\u00edfica re\u00fane evid\u00eancias gen\u00e9ticas, reprodutivas e ecol\u00f3gicas de que os coelhos do sudoeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica formam uma esp\u00e9cie aut\u00f3noma, cujo reconhecimento poder\u00e1 permitir medidas de conserva\u00e7\u00e3o mais adequadas.<\/strong><\/p>\n<p>Afinal, o coelho que salta pelos campos portugueses poder\u00e1 pertencer a uma esp\u00e9cie diferente da que \u00e9 atualmente reconhecida pela ci\u00eancia. Um novo <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0006320726003137\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">artigo<\/a> publicado na semana passada na revista Biological Conservation re\u00fane as evid\u00eancias dispon\u00edveis e defende que o coelho-ib\u00e9rico deve ser reconhecido como uma esp\u00e9cie aut\u00f3noma.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 liderado por <strong>Rafael Villafuerte<\/strong> e Miguel Delibes-Mateos, do grupo TRAMAS do Instituto de Estudos Sociais Avan\u00e7ados (IESA-CSIC), em C\u00f3rdova, e re\u00fane investigadores ligados a institui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo os portugueses do Paulo Alves, Miguel Carneiro, Pedro Esteves, Nuno Ferrand e Jo\u00e3o Queiros, do<a href=\"https:\/\/www.biopolis.pt\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\"> BIOPOLIS<\/a> e do <a href=\"https:\/\/www.cibio.up.pt\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">CIBIO<\/a>.<\/p>\n<p>Atualmente, os coelhos selvagens da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica continuam classificados como uma \u00fanica esp\u00e9cie, o coelho-europeu (<strong>Oryctolagus cuniculus<\/strong>), dividida em duas subesp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os autores prop\u00f5em que a linhagem do sudoeste, atualmente classificada como Oryctolagus cuniculus algirus, passe a ser reconhecida como uma <strong>esp\u00e9cie distinta<\/strong>, com o nome <strong>Oryctolagus algirus<\/strong>, ou coelho-ib\u00e9rico.<\/p>\n<p>As duas linhagens separaram-se h\u00e1 cerca de dois milh\u00f5es de anos, durante as glacia\u00e7\u00f5es do Pleistoc\u00e9nico, quando ficaram isoladas em ref\u00fagios diferentes: um a norte, na regi\u00e3o do vale do Ebro, e outro a sul, junto ao golfo de C\u00e1dis.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, permaneceram largamente isoladas do ponto de vista reprodutivo, embora exista uma estreita zona de contacto entre ambas, onde pode ocorrer alguma hibrida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema, explicam os investigadores, \u00e9 que os dois coelhos s\u00e3o muito semelhantes a olho nu. Os autores consideram estar perante duas esp\u00e9cies cr\u00edpticas: apesar da apar\u00eancia semelhante, apresentam diferen\u00e7as consistentes a n\u00edvel gen\u00e9tico, morfol\u00f3gico, fisiol\u00f3gico, reprodutivo, comportamental e ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A taxonomia tradicional, muito dependente da apar\u00eancia dos animais, n\u00e3o ter\u00e1 conseguido captar plenamente essas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>O coelho-ib\u00e9rico ocorre naturalmente em Portugal continental e no sul e oeste de Espanha. Foi introduzido por a\u00e7\u00e3o humana na Madeira, nos A\u00e7ores e em algumas regi\u00f5es do norte de \u00c1frica.<\/p>\n<p>J\u00e1 a outra linhagem, atualmente classificada como Oryctolagus cuniculus cuniculus, ocorre sobretudo no leste e norte da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e foi introduzida em grande parte da Europa, bem como na Oce\u00e2nia, Argentina e Chile.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ter consequ\u00eancias importantes para a conserva\u00e7\u00e3o. No sudoeste da Pen\u00ednsula, onde vive o coelho-ib\u00e9rico, as popula\u00e7\u00f5es sofreram um decl\u00ednio acentuado, agravado pelo v\u00edrus da<strong> doen\u00e7a hemorr\u00e1gica do coelho de tipo 2<\/strong>, conhecido pela sigla <strong>RHDV2<\/strong>.<\/p>\n<p>Noutras regi\u00f5es, muitas popula\u00e7\u00f5es da outra linhagem permanecem est\u00e1veis ou est\u00e3o a aumentar e, em determinadas zonas agr\u00edcolas, s\u00e3o tratadas como uma praga.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o das duas linhagens como uma \u00fanica esp\u00e9cie esconde, assim, realidades populacionais muito diferentes: uma encontra-se em forte decl\u00ednio no sudoeste, enquanto a outra est\u00e1 est\u00e1vel ou em expans\u00e3o em algumas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o pode dificultar a elabora\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es de risco, regras de ca\u00e7a e programas de recupera\u00e7\u00e3o adaptados a cada linhagem. Os autores alertam tamb\u00e9m para os riscos de repovoamentos ou transloca\u00e7\u00f5es com animais pertencentes \u00e0 linhagem errada.<\/p>\n<p>O reconhecimento do coelho-ib\u00e9rico como esp\u00e9cie aut\u00f3noma poder\u00e1 permitir medidas de conserva\u00e7\u00e3o espec\u00edficas e ajudar a preservar uma linhagem com cerca de dois milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria evolutiva.<\/p>\n<p>\u201cChegar a este ponto ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente gratificante. Ver a ci\u00eancia traduzir-se em consequ\u00eancias concretas para a conserva\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie t\u00e3o importante do ponto de vista ecol\u00f3gico, social e econ\u00f3mico constitui um marco muito especial\u201d, diz o bi\u00f3logo <strong>Nuno Ferrand<\/strong>, em <a href=\"https:\/\/www.cibio.up.pt\/en\/media\/peninsula-iberica-alberga-uma-especie-unica-de-coelho-cientistas-propoem-reclassificacao-urgente\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">comunicado<\/a> do CIBIO.<\/p>\n<p>A separa\u00e7\u00e3o \u00e9, para j\u00e1, uma <strong>proposta cient\u00edfica<\/strong>. Os pr\u00f3prios autores esclarecem que o artigo n\u00e3o constitui uma revis\u00e3o taxon\u00f3mica formal, que ter\u00e1 de ser realizada num trabalho sistem\u00e1tico espec\u00edfico antes de a nova classifica\u00e7\u00e3o obter aceita\u00e7\u00e3o generalizada na comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alexis Lours \/ Wikipedia Coelho-europeu (Oryctolagus cuniculus) Uma nova an\u00e1lise cient\u00edfica re\u00fane evid\u00eancias gen\u00e9ticas, reprodutivas e ecol\u00f3gicas de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":450741,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[1353,2780,4614,27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-450740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-animais","tag-biodiversidade","tag-biologia","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116922015756212295","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/450740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=450740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/450740\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/450741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=450740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=450740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=450740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}