{"id":453559,"date":"2026-07-17T18:23:11","date_gmt":"2026-07-17T18:23:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/453559\/"},"modified":"2026-07-17T18:23:11","modified_gmt":"2026-07-17T18:23:11","slug":"filme-sobre-alaide-costa-discute-delicadeza-e-esquecimento-17-07-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/453559\/","title":{"rendered":"Filme sobre Ala\u00edde Costa discute delicadeza e esquecimento &#8211; 17\/07\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Poucos caminhos, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folhinha\/2026\/01\/conheca-os-artistas-que-fazem-o-mundo-amar-a-musica-brasileira.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">m\u00fasica brasileira<\/a>, s\u00e3o t\u00e3o estranhos quanto o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/musica-em-letras\/2026\/06\/documentario-resgata-trajetoria-apagada-de-alaide-costa-na-bossa-nova.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Ala\u00edde Costa<\/a>. Nos anos 1960, da bossa nova e outras bossas, emergiu como uma das maiores cantoras do pa\u00eds. Depois vieram a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/musica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">m\u00fasica<\/a> de protesto, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rock\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">rock<\/a>, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2026\/03\/tropicalia-ve-tristeza-como-traco-central-da-identidade-brasileira.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">tropicalismo<\/a> \u2014ondas com que n\u00e3o se identificava. Depois foi, aos poucos, desaparecendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sumiu de todo. Era como se fosse lentamente se apagando da mem\u00f3ria, seja de quem ouvia, seja de quem compunha. Ala\u00edde saiu de moda, vamos dizer assim. E a\u00ed est\u00e1 o primeiro ponto de relev\u00e2ncia do document\u00e1rio &#8220;A Noite de Ala\u00edde&#8221;, agora em cartaz nos cinemas.<\/p>\n<p>Talvez, \u00e9 apenas uma hip\u00f3tese, Ala\u00edde Costa seja delicada demais para um tempo t\u00e3o indelicado, t\u00e3o grosseiro quanto o atual. Mas ela j\u00e1 havia sa\u00eddo de moda h\u00e1 anos. Em 1988, ela gravou um \u00e1lbum produzido por ningu\u00e9m menos do que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/milton-nascimento\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Milton Nascimento<\/a>, mas passou longe do sucesso.<\/p>\n<p>Foi desaparecendo, um pouco como sua amiga <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/acontece\/ac18039803.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Claudette Soares<\/a>, um pouco tamb\u00e9m como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2026\/04\/johnny-alf-compositor-que-antecipou-bossa-nova-deixou-disco-inedito-gravado-nos-eua-em-2001.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Johnny Alf<\/a>. Ningu\u00e9m dir\u00e1 que eram pessoas sem talento; apenas n\u00e3o estavam muito de acordo com seu tempo. Ent\u00e3o, &#8220;A Noite de Ala\u00edde&#8221; serve como repara\u00e7\u00e3o ao estranho esquecimento de uma int\u00e9rprete t\u00e3o suave quanto original.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 esse o \u00fanico ponto de interesse. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2023\/11\/historia-de-astrud-gilberto-sera-narrada-em-novo-longa-de-liliane-mutti-e-daniel-zarvos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Liliane Mutti<\/a>, diretora do filme, supriu a defici\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es visuais com um recurso interessante: usou a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/animacao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">anima\u00e7\u00e3o<\/a> para narrar a hist\u00f3ria da cantora, junto com a voz da pr\u00f3pria e cenas de arquivo \u2014por vezes muito ruins, diga-se, j\u00e1 que quase tudo vem de velhos e mal conservados tapes de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/televisao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">TV<\/a>.<\/p>\n<p>Com isso, narra-se a trajet\u00f3ria de Ala\u00edde Costa com alguma leveza, o que inclui mil incurs\u00f5es a programas de calouros, a rejei\u00e7\u00e3o pelo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/webstories\/cultura\/2021\/09\/a-historia-do-copacabana-palace\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Copacabana Palace<\/a> \u2014por ser negra\u2014, o encontro com Johnny Alf, a descoberta por <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/2\/23\/ilustrada\/6.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Aloysio de Oliveira<\/a>, importante produtor musical, o encontro com a turma da bossa nova, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/joao-gilberto\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Jo\u00e3o Gilberto<\/a> e, mais tarde, Vinicius de Moraes \u2014e, finalmente, o sucesso.<\/p>\n<p>Ala\u00edde virou moda. Chegou a cantar no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2026\/06\/theatro-municipal-de-sp-nao-tera-opera-identitaria-ou-politica-afirma-novo-gestor.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo<\/a>, em 1965, no hist\u00f3rico show &#8220;Ala\u00edde e Ala\u00fade&#8221;, encontro de cl\u00e1ssico e popular, moderno e antigo, patrocinado pelo maestro e iconoclasta <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/08\/morre-diogo-pacheco-maestro-que-ajudou-a-popularizar-a-musica-erudita.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Diogo Pacheco<\/a>.<\/p>\n<p>    Maratonar<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Um guia com dicas de filmes e s\u00e9ries para assistir no streaming<\/p>\n<p>Mas tudo isso n\u00e3o apagou algumas m\u00e1goas de Ala\u00edde: com a turma da bossa nova que n\u00e3o a convidou na hora de ir aos Estados Unidos, em 1962, e que, pelas costas, lhe dava um apelido desagrad\u00e1vel. Com o racismo em geral, que deixou suas marcas na cantora.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, momentos como o encontro com Milton Nascimento ou a parceria com Vinicius \u2014que, ali\u00e1s, a presenteou com um piano\u2014 parecem funcionar como recompensas pelos momentos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>O trabalho de Mutti consegue juntar o bom e o ruim, o feliz e o infeliz, o sucesso e o esquecimento \u2014dela e de outros artistas significativos\u2014, sem omitir o canto muito particular de Ala\u00edde e, de passagem, participar de um certo &#8220;revival&#8221; do seu trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, Ala\u00edde mereceu o que se considerou um desagravo por sua aus\u00eancia no show da bossa nova em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nova-york\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Nova York<\/a>, quando cantou no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/09\/bossa-nova-de-volta-ao-carnegie-hall-apos-60-anos-ainda-encanta-o-mundo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Carnegie Hall<\/a> em 2023. E, tamb\u00e9m n\u00e3o por acaso, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/emicida\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Emicida <\/a>a trouxe de volta ao est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o. Afinal, a delicadeza e a suavidade talvez tenham seu lugar no s\u00e9culo. \u00c9 algo que, afinal, nos comunica o bom filme de Liliane Mutti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Poucos caminhos, na m\u00fasica brasileira, s\u00e3o t\u00e3o estranhos quanto o de Ala\u00edde Costa. 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