{"id":45509,"date":"2025-08-26T08:55:12","date_gmt":"2025-08-26T08:55:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45509\/"},"modified":"2025-08-26T08:55:12","modified_gmt":"2025-08-26T08:55:12","slug":"atraso-na-radioterapia-pode-elevar-risco-de-morte-em-ate-29-alerta-sbrt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45509\/","title":{"rendered":"Atraso na radioterapia pode elevar risco de morte em at\u00e9 29%, alerta SBRT"},"content":{"rendered":"<p>A <strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/radioterapia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">radioterapia<\/a><\/strong>, recurso terap\u00eautico essencial para cerca de 60% dos pacientes oncol\u00f3gicos, continua enfrentando gargalos preocupantes no Brasil. Um dos <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC7610021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estudos<\/a> mais robustos j\u00e1 publicados sobre o tema, que \u00e9 a revis\u00e3o sistem\u00e1tica e meta-an\u00e1lise Mortality due to cancer treatment delay mostra que a cada quatro semanas de atraso na radioterapia curativa ocorre um aumento significativo do risco de morte. A an\u00e1lise reuniu 1.272.681 pacientes de 34 estudos de alta validade metodol\u00f3gica e, mesmo publicada h\u00e1 cinco anos, permanece uma refer\u00eancia para o planejamento de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O trabalho revelou que, no caso da radioterapia radical para c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, atrasos de quatro semanas aumentam o risco de morte em 9%. Para as pacientes submetidas \u00e0 radioterapia adjuvante ap\u00f3s cirurgia de c\u00e2ncer de colo do \u00fatero, a probabilidade de \u00f3bito cresce 23% por cada m\u00eas de espera. Al\u00e9m disso, o risco se acumula: oito semanas de atraso na radioterapia de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o representam 19% a mais de mortalidade; doze semanas, cerca de 29%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma an\u00e1lise sem precedentes por traduzir o impacto dos atrasos em n\u00fameros concretos, ajustados para idade, est\u00e1gio da doen\u00e7a e comorbidades\u201d, explica o radio-oncologista Gustavo Nader Marta, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/sbrt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">SBRT<\/a><\/strong>). Ainda de acordo com o especialista, as conclus\u00f5es, ainda que baseadas em dados pr\u00e9-pandemia, seguem v\u00e1lidas, j\u00e1 que os mecanismos biol\u00f3gicos envolvidos no atraso n\u00e3o mudaram.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-37035\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/radioterapia.jpg\" alt=\"\" width=\"853\" height=\"560\"  \/><\/p>\n<p><strong>Brasil em descompasso com a demanda<\/strong><\/p>\n<p>O alerta internacional ressoa de forma preocupante no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), a necessidade da radioterapia no Brasil aumentar\u00e1 nesta d\u00e9cada em 32%, mas a expans\u00e3o da infraestrutura n\u00e3o acompanhou esse ritmo: desde o in\u00edcio do Plano de Expans\u00e3o da Radioterapia no SUS (PER-SUS), o n\u00famero de aceleradores lineares aumentou apenas 17%. Isto \u00e9 ainda mais grave pois antes mesmo do PER-SUS a escassez de oferta j\u00e1 era grande.<\/p>\n<p>\u201cO tempo \u00e9 um fator cr\u00edtico na oncologia. Garantir que o tratamento esteja dispon\u00edvel para todos n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de equidade, \u00e9 uma quest\u00e3o de sobrevida\u201d, afirma Gustavo Nader Marta. O especialista alerta que, al\u00e9m da defasagem na oferta de equipamentos, h\u00e1 um entrave econ\u00f4mico central: o valor atual do reembolso do SUS cobre menos da metade do custo operacional dos procedimentos, comprometendo a sustentabilidade do servi\u00e7o. \u201cA prioridade dos investimentos para a radioterapia est\u00e1 na troca de equipamentos obsoletos, sem previs\u00e3o de aumento significativo de reembolso ou amplia\u00e7\u00e3o efetiva da capacidade de atendimento\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Impacto humano e desigualdade no acesso<\/strong><\/p>\n<p>Um levantamento do projeto RT2030, da SBRT, j\u00e1 havia mostrado que, em 2016, cerca de 5 mil mortes foram atribu\u00eddas \u00e0 falta de acesso oportuno \u00e0 radioterapia no Brasil. A desigualdade geogr\u00e1fica tamb\u00e9m \u00e9 um obst\u00e1culo: a dist\u00e2ncia m\u00e9dia at\u00e9 um centro de radioterapia no pa\u00eds \u00e9 de 167 km, obrigando muitos pacientes a percorrerem longas jornadas para iniciar o tratamento.<\/p>\n<p>Apesar de o PER-SUS ter entregado 51% das solu\u00e7\u00f5es previstas em dez anos, especialistas avaliam que o programa n\u00e3o resolveu os principais entraves: a insufici\u00eancia de oferta, a defasagem de recursos e a falta de sustentabilidade econ\u00f4mica. \u201cApesar das boas inten\u00e7\u00f5es, a expans\u00e3o n\u00e3o acompanhou o aumento da demanda e, sem revis\u00e3o do reembolso, o sistema permanece em risco de colapso\u201d, refor\u00e7a Gustavo Marta, que tamb\u00e9m integra o Latin America Cooperative Oncology Group (LACOG).<\/p>\n<p><strong>Um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Diante do peso das evid\u00eancias cient\u00edficas e da realidade nacional, a mensagem \u00e9 clara: cada semana perdida compromete vidas. A SBRT defende como urg\u00eancia a amplia\u00e7\u00e3o da capacidade instalada, moderniza\u00e7\u00e3o dos equipamentos e treinamento de equipes multiprofissionais, al\u00e9m de pol\u00edticas de financiamento que garantam a sustentabilidade e, como consequ\u00eancia, radioterapia para todos os paciente que recebem a indica\u00e7\u00e3o. Os dados do estudo internacional deixam pouco espa\u00e7o para d\u00favidas: reduzir filas e evitar atrasos na radioterapia n\u00e3o \u00e9 apenas uma medida de efici\u00eancia administrativa, mas uma pol\u00edtica de sa\u00fade que literalmente salva vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A radioterapia, recurso terap\u00eautico essencial para cerca de 60% dos pacientes oncol\u00f3gicos, continua enfrentando gargalos preocupantes no Brasil.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45510,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-45509","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}