{"id":455370,"date":"2026-07-19T16:48:14","date_gmt":"2026-07-19T16:48:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/455370\/"},"modified":"2026-07-19T16:48:14","modified_gmt":"2026-07-19T16:48:14","slug":"o-que-os-mais-velhos-precisam-de-saber-antes-de-tomar-um-medicamento-a-base-de-glp-1-para-perder-peso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/455370\/","title":{"rendered":"O que os mais velhos precisam de saber antes de tomar um medicamento \u00e0 base de GLP-1 para perder peso"},"content":{"rendered":"<p>                A obesidade est\u00e1 na origem de muitas das principais doen\u00e7as associadas ao envelhecimento, incluindo doen\u00e7as card\u00edacas, cancro, dem\u00eancia, artrite e diabetes. Por isso, apesar de caros, estes medicamentos podem representar uma poupan\u00e7a para os servi\u00e7os de sa\u00fade<\/p>\n<p>Durante 35 anos, Barbara Senich s\u00f3 teve cal\u00e7as pretas. \u201cPensava que, de alguma forma, isso me faria parecer menos gorda\u201d, conta Barbara, de 69 anos, que lutou durante a maior parte da sua vida contra a obesidade.\u00a0<\/p>\n<p>No seu peso m\u00e1ximo, Senich, que mede 1,52 metros, chegou a pesar 150 quilos. Por duas vezes, perdeu pelo menos 45 quilos com dietas exclusivamente l\u00edquidas, mas acabou por recuperar o peso. A cirurgia bari\u00e1trica ajudou-a a baixar para 84 quilos, mas os benef\u00edcios revelaram-se tempor\u00e1rios e os quilos come\u00e7aram a voltar a acumular-se mais uma vez.<\/p>\n<p>\u201cTinha roupa em tr\u00eas ou quatro tamanhos diferentes, para o caso de voltar a engordar\u201d, recorda.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de cinco anos, sentiu-se finalmente confiante o suficiente para dar todas as suas \u201croupas de gorda\u201d. O seu peso estabilizou em cerca de 62 quilos &#8211; um n\u00famero que ela n\u00e3o via na balan\u00e7a desde a adolesc\u00eancia &#8211; gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o de medicamentos: o GLP-1 Zepbound; a metformina, que trata a resist\u00eancia \u00e0 insulina; e um terceiro medicamento que ajuda a controlar os epis\u00f3dios de compuls\u00e3o alimentar, chamado Contrave.<\/p>\n<p>Este ver\u00e3o, Barbara est\u00e1 a adorar usar cal\u00e7as brancas e at\u00e9 um novo par em rosa p\u00e1lido.<\/p>\n<p>\u201cO que tem sido um milagre para mim \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<p>Embora os medicamentos a tenham ajudado a manter-se magra, tamb\u00e9m representaram um grande peso no seu or\u00e7amento. Paga o Zepbound atrav\u00e9s do programa LillyDirect da farmac\u00eautica, o que a tem ajudado um pouco, mas tem de arcar com esse custo sozinha, uma vez que o seu plano de sa\u00fade do Medicare n\u00e3o cobre medicamentos para a perda de peso.<\/p>\n<p>No entanto, Barbara espera que isso possa mudar em breve.<\/p>\n<p>Nos EUA, desde o in\u00edcio do m\u00eas de julho, milh\u00f5es de adultos eleg\u00edveis para o Medicare, como Barbara Senich, passaram a ter acesso a medicamentos para a perda de peso com descontos significativos, atrav\u00e9s de um programa federal tempor\u00e1rio denominado \u201cMedicare GLP-1 Bridge\u201d.<\/p>\n<p>Quem preencher os requisitos pode obter a semaglutida (comercializada sob a marca Wegovy), a tirzepatida (comercializada sob a marca Zepbound) e a orforgliprona (ou Foundayo), na forma de comprimidos ou inje\u00e7\u00f5es, por 50 d\u00f3lares por m\u00eas (menos de 44 euros).<\/p>\n<p>Para se qualificar, \u00e9 necess\u00e1rio ter 18 anos ou mais, participar no programa de cobertura de medicamentos da Parte D do Medicare e cumprir determinados crit\u00e9rios de sa\u00fade:<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">Ter um IMC igual ou superior a 35, o limiar para a obesidade grave<\/li>\n<li aria-level=\"1\">Ter um IMC entre 27 e 34,9 e, pelo menos,<a href=\"https:\/\/www.cms.gov\/medicare\/coverage\/prescription-drug-coverage\/medicare-glp-1-bridge\/information-providers\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> uma das complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade<\/a> espec\u00edficas associadas \u00e0 obesidade, de acordo com o seu peso e altura<\/li>\n<\/ul>\n<p>O Bridge \u00e9 uma experi\u00eancia. Por lei, o Medicare n\u00e3o pode cobrir medicamentos utilizados exclusivamente para a perda de peso. No entanto, uma vez que a obesidade est\u00e1 na origem de muitas das principais doen\u00e7as associadas ao envelhecimento, incluindo doen\u00e7as card\u00edacas, cancro, dem\u00eancia, artrite e diabetes, os Centros de Servi\u00e7os Medicare e Medicaid dos EUA consideram que faz sentido realizar um projeto-piloto para verificar se os medicamentos poder\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, poupar dinheiro ao programa e melhorar os resultados de sa\u00fade.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0O programa estar\u00e1 em vigor at\u00e9 dezembro de 2027.<\/p>\n<p>Uma estimativa realizada pelo grupo sem fins lucrativos de pol\u00edticas de sa\u00fade KFF revelou que, com base nos dados de 2023, 3,8 milh\u00f5es de americanos passariam a ser eleg\u00edveis para o programa, embora n\u00e3o se saiba quantas pessoas ir\u00e3o efetivamente participar.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o tem sido um grande obst\u00e1culo ao acesso a estes medicamentos, especialmente para os idosos que vivem com rendimentos fixos. A redu\u00e7\u00e3o dos custos poder\u00e1 finalmente torn\u00e1-los acess\u00edveis.<\/p>\n<p>No entanto, os especialistas alertam que o pre\u00e7o n\u00e3o deve ser o \u00fanico fator a ter em considera\u00e7\u00e3o ao decidir se se deve ou n\u00e3o utilizar um destes potentes medicamentos.\u201cS\u00f3 porque se pode, n\u00e3o significa que se deva\u201d, afirma John Batsis, geriatra e nutricionista da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica Gillings da Universidade da Carolina do Norte.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a efic\u00e1cia dos medicamentos para a perda de peso nos idosos? <\/p>\n<p>As taxas de obesidade nos idosos praticamente duplicaram entre 1988-94 e 2015-18, segundo um <a href=\"https:\/\/www.prb.org\/resource\/tra-rising-obesity-in-an-aging-america\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">relat\u00f3rio <\/a>do Population Reference Bureau. Atualmente, de acordo com <a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/nchs\/products\/databriefs\/db508.htm#:~:text=Examination%20Survey%20(NHANES)-,What%20was%20the%20prevalence%20of%20obesity%20in%20adults%20during%20August,in%20both%20men%20and%20women.\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">dados <\/a>dos Centros de Controlo e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos EUA, cerca de 2 em cada 5 idosos s\u00e3o obesos, se considerarmos o seu \u00edndice de massa corporal, ou IMC, uma rela\u00e7\u00e3o entre o peso e a altura.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil pensar numa doen\u00e7a associada ao envelhecimento em que a obesidade n\u00e3o seja um fator determinante. Dores nas articula\u00e7\u00f5es? A inflama\u00e7\u00e3o causada pelo excesso de gordura corporal tanto desencadeia como agrava a artrite. Ataques card\u00edacos, acidentes vasculares cerebrais, co\u00e1gulos sangu\u00edneos nas pernas ou nos pulm\u00f5es &#8211; todos se tornam muito mais prov\u00e1veis se for obeso, tal como a diabetes, a dem\u00eancia, as doen\u00e7as renais e uma s\u00e9rie de outras doen\u00e7as que limitam a esperan\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>No entanto, uma perda de peso modesta pode reduzir esses riscos. E, nesse aspeto, h\u00e1 not\u00edcias promissoras: estudos recentes mostram que os medicamentos \u00e0 base de GLP-1 parecem funcionar t\u00e3o bem em adultos com mais de 65 anos como nos doentes mais jovens.<\/p>\n<p>Um estudo recentemente publicado, que analisou a perda de peso e os efeitos secund\u00e1rios observados em 358 adultos com 65 anos ou mais que participaram em ensaios cl\u00ednicos com o medicamento semaglutida, ou Wegovy, confirmou que os idosos perderam, em m\u00e9dia, 15,5% do seu peso corporal, enquanto os adultos mais jovens perderam 15,6%, um valor quase id\u00eantico. Os participantes no estudo no grupo do placebo, que seguiram os mesmos planos de dieta e exerc\u00edcio f\u00edsico, mas receberam inje\u00e7\u00f5es de solu\u00e7\u00e3o salina, perderam, em m\u00e9dia, apenas 5% do seu peso corporal.<\/p>\n<p>Da mesma forma, uma <a href=\"https:\/\/dom-pubs.pericles-prod.literatumonline.com\/doi\/10.1111\/dom.70991\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">nova avalia\u00e7\u00e3o <\/a>de sete ensaios cl\u00ednicos aleat\u00f3rios controlados que testaram o medicamento tirzepatida, ou Zepbound, com foco nos resultados em adultos com mais de 65 anos, revelou que, com a dose mais elevada do medicamento, os idosos perderam, em m\u00e9dia, cerca de 23,3% do seu peso inicial, enquanto os adultos mais jovens perderam cerca de 22,6%. Em contrapartida, aqueles que utilizaram um placebo perderam entre 2% e 4% do seu peso inicial.<\/p>\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jamainternalmedicine\/fullarticle\/2845663\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">an\u00e1lise <\/a>de 64 estudos sobre medicamentos \u00e0 base de GLP-1 utilizados para a perda de peso, publicada por investigadores da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica Bloomberg da Universidade Johns Hopkins em mar\u00e7o, chegou \u00e0 mesma conclus\u00e3o: os benef\u00edcios s\u00e3o consistentes, independentemente da idade do doente.<\/p>\n<p>Embora estas conclus\u00f5es sejam encorajadoras, os especialistas alertam que se baseiam em ensaios que envolveram um n\u00famero relativamente reduzido de idosos. Nos estudos sobre a semaglutida para a perda de peso, por exemplo, apenas 358 participantes tinham 65 anos ou mais, e 100 desses estavam no grupo do placebo. Os estudos com tirzepatida inclu\u00edram 575 adultos com mais de 65 anos que n\u00e3o tinham diabetes tipo 2 e 351 que tinham diabetes, o que tende a tornar a perda de peso mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>\u201cQuando se analisam os ensaios cl\u00ednicos, a maioria exclui os idosos ou, caso os inclua, muito poucos t\u00eam mais de 65 anos e ainda menos t\u00eam mais de 75\u201d, sublinha John Batsis.<\/p>\n<p>\u201cUm adulto mais velho \u00e9 muito diferente de um adulto mais jovem. A sua fisiologia \u00e9 diferente, a sua biologia \u00e9 diferente e o que \u00e9 importante do ponto de vista dos resultados tamb\u00e9m \u00e9 diferente\u201d, pelo que \u00e9 importante n\u00e3o tentar extrapolar dados de adultos mais jovens para adultos mais velhos, adverte.<\/p>\n<p>\u201cPenso que os GLP-1, e o que realmente sabemos sobre eles, ainda est\u00e3o, de certa forma, na inf\u00e2ncia\u201d, comenta Jennifer Schrack, diretora do Centro para o Envelhecimento e a Sa\u00fade da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica Bloomberg da Universidade Johns Hopkins. \u201cSer obeso nunca \u00e9 saud\u00e1vel e, se estes medicamentos ajudarem as pessoas a perder peso, isso \u00e9 \u00f3timo\u201d, considera. \u201cMas penso que temos de refletir sobre quais s\u00e3o alguns dos outros problemas potenciais que podem surgir com estes medicamentos.\u201d<\/p>\n<p>Schrack afirma que os idosos que possam ter problemas de equil\u00edbrio ou de densidade \u00f3ssea devem ter em conta que a perda de peso provocada por estes medicamentos pode causar perda de massa muscular, e n\u00e3o apenas de gordura, o que pode afetar a estabilidade e aumentar o risco de fraturas. Por isso, os exerc\u00edcios de resist\u00eancia, ou o levantamento de pesos, s\u00e3o imprescind\u00edveis durante a utiliza\u00e7\u00e3o destes medicamentos.<\/p>\n<p>E quanto aos efeitos secund\u00e1rios? <\/p>\n<p>Nos ensaios cl\u00ednicos, os adultos com 65 anos ou mais que tomavam medicamentos \u00e0 base de GLP-1 apresentaram maior probabilidade de sofrer determinados efeitos secund\u00e1rios do que aqueles com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos.<\/p>\n<p>Nos <a href=\"https:\/\/dom-pubs.pericles-prod.literatumonline.com\/doi\/10.1111\/dom.70991\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudos sobre a tirzepatida<\/a>, por exemplo, os idosos que tomavam o medicamento tinham cerca do dobro da probabilidade de interromper o tratamento devido a efeitos adversos, em compara\u00e7\u00e3o com adultos mais jovens e outros idosos que participaram no mesmo estudo, mas receberam um placebo.<\/p>\n<p>Os efeitos secund\u00e1rios gastrointestinais foram citados por 7% dos participantes como motivo para interromperem o tratamento. Cerca de 1 em cada 4 idosos que utilizavam tirzepatida apresentou n\u00e1useas, cerca de 1 em cada 10 referiu ter vomitado e cerca de 1 em cada 5 relatou diarreia ou obstipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora estas percentagens sejam semelhantes \u00e0s taxas de efeitos secund\u00e1rios como n\u00e1useas, diarreia e obstipa\u00e7\u00e3o observadas em adultos mais jovens, os especialistas salientam que as consequ\u00eancias podem ser mais graves para os idosos.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de sede diminui com a idade, tornando mais dif\u00edcil aos idosos manterem-se hidratados, mesmo nas melhores circunst\u00e2ncias. Se a isso se juntar um epis\u00f3dio de v\u00f3mitos ou se tiver em conta uma digest\u00e3o mais lenta, a desidrata\u00e7\u00e3o pode rapidamente transformar-se num problema m\u00e9dico, como uma doen\u00e7a renal ou uma obstru\u00e7\u00e3o intestinal.<\/p>\n<p>Mas, apesar de a hidrata\u00e7\u00e3o ser crucial, outros receios relativos \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do GLP-1 em idosos t\u00eam-se revelado mais te\u00f3ricos do que reais.<\/p>\n<p>Por exemplo, os m\u00e9dicos temiam que os idosos, que j\u00e1 est\u00e3o a perder massa muscular devido \u00e0 idade, pudessem enfrentar maior risco de quedas e, talvez, de fraturas ao tomarem medicamentos para a perda de peso. A investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada, mas, at\u00e9 agora, isso n\u00e3o parece confirmar-se.<\/p>\n<p>\u201cQuando se perde peso, perde-se gordura, mas tamb\u00e9m se perde m\u00fasculo e osso\u201d, explica Batsis. Isto acontece com todos os tipos de perda de peso, n\u00e3o apenas com a perda de peso induzida por medicamentos \u00e0 base de GLP-1. \u201cNo entanto, s\u00f3 porque se perde m\u00fasculo n\u00e3o significa necessariamente que se esteja a perder fun\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/dom-pubs.pericles-prod.literatumonline.com\/doi\/10.1111\/dom.70991\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">ensaios cl\u00ednicos<\/a>, os idosos que tomavam tirzepatida tinham a mesma probabilidade de sofrer quedas do que aqueles que tomavam um placebo e eram menos propensos a fraturar uma costela, a anca, um bra\u00e7o ou uma perna. O quadro foi, em grande parte, o mesmo para aqueles que tomavam semaglutida. Os idosos que utilizaram o Wegovy apresentaram uma probabilidade ligeiramente menor de sofrer les\u00f5es \u00f3sseas ou articulares em compara\u00e7\u00e3o com os que tomaram um placebo, embora os utilizadores do Wegovy fossem ligeiramente mais propensos a quedas do que os que foram designados para tomar um placebo (4,4% do grupo do Wegovy registou uma queda documentada, em compara\u00e7\u00e3o com 3,6% do grupo do placebo).<\/p>\n<p>O que deve fazer quando toma um GLP-1 <\/p>\n<p>Em primeiro lugar, fale com o seu m\u00e9dico ou enfermeiro.<\/p>\n<p>\u201cQualquer pessoa que esteja a tomar estes medicamentos deve ter cuidados m\u00e9dicos de excel\u00eancia e ser acompanhada, especialmente no in\u00edcio do tratamento\u201d, aconselha Melanie Jay, diretora do Programa Abrangente sobre Obesidade do Centro M\u00e9dico Langone da NYU.<\/p>\n<p>Com base nas suas circunst\u00e2ncias m\u00e9dicas individuais, o seu profissional de sa\u00fade pode dizer-lhe se se iniciar um tratamento com GLP-1 poder\u00e1 ser uma boa ideia.<\/p>\n<p>\u201cOs idosos s\u00e3o os que mais beneficiam com este medicamento, porque, por exemplo, se j\u00e1 tiver uma doen\u00e7a card\u00edaca, tomar estes medicamentos pode prevenir ataques card\u00edacos e a mortalidade cardiovascular. Pode reduzir esse risco em 20% ao longo de um per\u00edodo de quatro ano\u201d, considera Melanie Jay, \u201cpor isso, s\u00e3o eles que mais t\u00eam a ganhar, mas tamb\u00e9m precisam de acompanhamento.\u201d<\/p>\n<p>Jay refere que j\u00e1 viu doentes pr\u00e9-diab\u00e9ticos normalizarem os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue com um GLP-1, mas tamb\u00e9m teve alguns casos de insufici\u00eancia renal ap\u00f3s o in\u00edcio do tratamento, o que torna essencial um bom acompanhamento m\u00e9dico e an\u00e1lises sangu\u00edneas de acompanhamento.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, beba mais \u00e1gua.<\/p>\n<p>Alison Moore, geriatra e internista na Universidade da Calif\u00f3rnia, em San Diego, aconselha os doentes a certificarem-se de que est\u00e3o a beber \u00e1gua suficiente se estiverem a tomar um GLP-1.<\/p>\n<p>\u201cTenho muitos, muitos doentes que vivem num estado de desidrata\u00e7\u00e3o ligeira a moderada, porque n\u00e3o sentem necessidade de beber. Digo-lhes para beberem sempre um copo cheio de \u00e1gua em cada refei\u00e7\u00e3o e, idealmente, dois ou mais.\u201d Aconselha tamb\u00e9m as pessoas a tentarem beber a maior parte da \u00e1gua logo no in\u00edcio do dia, para que a bexiga cheia n\u00e3o perturbe o sono.<\/p>\n<p>A \u00e1gua tamb\u00e9m pode ajudar a combater outro efeito secund\u00e1rio significativo dos medicamentos GLP-1 que afeta os idosos: a obstipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA obstipa\u00e7\u00e3o era um problema enorme para mim. Sei que n\u00e3o parece nada atraente, mas ficar obstipada pode ser fatal\u201d, diz Barbara Senich, que mudou do Wegovy para o Zepbound, em parte devido \u00e0 obstipa\u00e7\u00e3o que estava a sentir. Qualquer medicamento \u00e0 base de GLP-1 pode causar obstipa\u00e7\u00e3o, mas a efic\u00e1cia destes medicamentos e os efeitos secund\u00e1rios que as pessoas sentem variam muito de pessoa para pessoa. Senich descobriu que, para ela, a obstipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era um problema t\u00e3o grave com a tirzepatida como com a semaglutida.<\/p>\n<p>Nos ensaios cl\u00ednicos com tirzepatida, 19% dos idosos sofreram de obstipa\u00e7\u00e3o enquanto tomavam o medicamento, em compara\u00e7\u00e3o com cerca de 6% dos que receberam um placebo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso estar muito atento a isso\u201d, diz Senich. \u201cDigo a toda a gente que come\u00e7a a tomar estes medicamentos: \u2018Anotem sempre que forem \u00e0 casa de banho. E com isto quero dizer, anotem literalmente no vosso calend\u00e1rio\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, e isto tamb\u00e9m ajudar\u00e1 com a obstipa\u00e7\u00e3o: procure aconselhamento nutricional.<\/p>\n<p>\u201cCertas dietas podem agravar os efeitos secund\u00e1rios, por isso \u00e9 importante garantir que tem boas informa\u00e7\u00f5es nutricionais e que est\u00e1 a receber um bom aconselhamento\u201d, diz Melanie Jay, da NYU.<\/p>\n<p>Alimentos gordurosos e refei\u00e7\u00f5es pesadas podem provocar n\u00e1useas e v\u00f3mitos.<\/p>\n<p>A prote\u00edna, por outro lado, \u00e9 fundamental. Ingerir prote\u00edna suficiente pode ajudar a preservar a massa muscular, o que ajuda as pessoas a manterem-se fortes e ativas. Como \u00e9 f\u00e1cil sentir-se saciado quando se toma um medicamento \u00e0 base de GLP-1, Melanie Jay aconselha as pessoas a come\u00e7arem as refei\u00e7\u00f5es com prote\u00edna. \u201c\u00c9 muito importante comer prote\u00ednas primeiro e s\u00f3 depois frutas e legumes, para garantir que se obt\u00eam nutrientes suficientes destes alimentos\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Por fim, estabele\u00e7a objetivos realistas.<\/p>\n<p>Pode haver um n\u00famero de h\u00e1 d\u00e9cadas que gostaria de ver novamente quando subir \u00e0 balan\u00e7a, mas talvez seja necess\u00e1rio reconsiderar se esse peso seria saud\u00e1vel para si neste momento.<\/p>\n<p>Em vez de pensar no peso que quer ter, os especialistas aconselham que \u00e9 melhor pensar no que vai ser capaz de fazer. \u201cNo caso dos idosos, precisamos de nos afastar de uma abordagem centrada no peso para uma abordagem mais centrada na funcionalidade&#8221;, afirma John Batsis, da Escola Gillings da UNC.<\/p>\n<p>Perder peso pode ajudar as pessoas a ganhar n\u00e3o s\u00f3 esperan\u00e7a de vida, mas tamb\u00e9m esperan\u00e7a de vida saud\u00e1vel, considera Batsis. As articula\u00e7\u00f5es ficam menos doloridas. Movimentar-se tamb\u00e9m se torna mais f\u00e1cil e agrad\u00e1vel ap\u00f3s a perda de peso.<\/p>\n<p>Basta ter cuidado para n\u00e3o exagerar.<\/p>\n<p>Com a idade surge o paradoxo da obesidade. Diferentes estudos t\u00eam demonstrado que os idosos que t\u00eam alguns quilos a mais &#8211; mesmo que seja apenas o suficiente para que o seu IMC entre na categoria de excesso de peso &#8211; tendem a ser mais saud\u00e1veis do que aqueles que est\u00e3o abaixo do peso.<\/p>\n<p>Acredita-se que isto acontece em parte porque as pessoas que est\u00e3o muito doentes muitas vezes n\u00e3o se alimentam bem e podem tornar-se magras e fr\u00e1geis. A magreza \u00e9 um consequ\u00eancia da doen\u00e7a, e n\u00e3o a sua causa.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m parece ser verdade que ter alguns quilos a mais pode ajudar as pessoas a lidar um pouco melhor com doen\u00e7as e outros desafios de sa\u00fade, diz Alison Moore, da UC-San Diego. \u201cSe estivermos demasiado magros, \u00e0 medida que envelhecemos, isso n\u00e3o ser\u00e1\u00a0 bom.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tami Luhby, da CNN, contribuiu para este artigo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A obesidade est\u00e1 na origem de muitas das principais doen\u00e7as associadas ao envelhecimento, incluindo doen\u00e7as card\u00edacas, cancro, dem\u00eancia,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":455371,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[609,836,611,27,607,608,333,832,604,135,4124,610,476,6991,11625,301,830,116,3385,603,570,831,833,62,834,13,1022,835,602,52,32,33,117,29],"class_list":["post-455370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-dieta","tag-direto","tag-economia","tag-emagrecer","tag-glp-1","tag-governo","tag-guerra","tag-health","tag-idosos","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-obesidade","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116947668695200439","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/455370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=455370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/455370\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/455371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=455370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=455370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=455370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}