{"id":455645,"date":"2026-07-19T21:31:13","date_gmt":"2026-07-19T21:31:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/455645\/"},"modified":"2026-07-19T21:31:13","modified_gmt":"2026-07-19T21:31:13","slug":"depressao-resistente-pode-ter-origem-inflamatoria-19-07-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/455645\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o resistente pode ter origem inflamat\u00f3ria &#8211; 19\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>A psiquiatria tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de tratar as doen\u00e7as mentais com medicamentos desenvolvidos originalmente para outros fins.<\/p>\n<p>O caso dos antidepressivos \u00e9 emblem\u00e1tico: o primeiro deles foi criado para tratar a tuberculose. A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/virada-psicodelica\/2025\/09\/cetamina-indica-caminho-para-psicodelicosnosus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">cetamina<\/a>, um dos tratamentos mais recentes, surgiu como anest\u00e9sico. Agora, os cientistas est\u00e3o investigando se medicamentos anti-inflamat\u00f3rios tamb\u00e9m podem favorecer alguns pacientes.<\/p>\n<p>Um rem\u00e9dio usado contra artrite reumatoide foi o foco de um pequeno estudo publicado no m\u00eas passado, que se baseia em d\u00e9cadas de pesquisa sobre a rela\u00e7\u00e3o entre inflama\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/depressao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">depress\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nCerca de 25% das pessoas que sofrem de depress\u00e3o apresentam um n\u00edvel alto de prote\u00ednas inflamat\u00f3rias no sangue, e h\u00e1 ind\u00edcios de que a inflama\u00e7\u00e3o surge antes dos sintomas depressivos. Em experimentos nos quais ingeriram uma subst\u00e2ncia para impulsionar a inflama\u00e7\u00e3o, os participantes relataram que, logo a seguir, tiveram sentimentos de depress\u00e3o e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ansiedade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ansiedade<\/a>.<\/p>\n<p>Aqueles que apresentam n\u00edveis mais altos de inflama\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tendem a se beneficiar menos dos antidepressivos tradicionais.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acho que isso seja relevante para todas as pessoas com depress\u00e3o&#8221;, diz David Goldsmith, professor associado de psiquiatria e ci\u00eancias comportamentais da Faculdade de Medicina da Universidade Emory.<\/p>\n<p>Mas, segundo Goldsmith, a inflama\u00e7\u00e3o &#8220;pode ajudar a explicar por que muita gente n\u00e3o responde aos tratamentos de primeira linha para a depress\u00e3o, como os inibidores seletivos da recapta\u00e7\u00e3o de serotonina&#8221;.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nA inflama\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ajudar a explicar a associa\u00e7\u00e3o entre depress\u00e3o e certos problemas de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> f\u00edsica, como doen\u00e7as metab\u00f3licas e autoimunes, afirma John Matthews, psiquiatra s\u00eanior do Instituto Benson-Henry de Medicina Mente-Corpo, do Hospital Geral Brigham, em Massachusetts.<\/p>\n<p>Matthews diz que o mesmo racioc\u00ednio pode valer para traumas na inf\u00e2ncia e estresse cr\u00f4nico. Embora o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/07\/depressao-cronica-altera-forma-como-as-redes-cerebrais-se-comunicam.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">aumento do risco de depress\u00e3o<\/a> nesses casos provavelmente decorra de diversos fatores, um deles pode ser justamente o fato de essas experi\u00eancias elevarem os n\u00edveis de inflama\u00e7\u00e3o no organismo.<\/p>\n<p>Os especialistas acreditam que a liga\u00e7\u00e3o entre inflama\u00e7\u00e3o e depress\u00e3o passa pela a\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas inflamat\u00f3rias no c\u00e9rebro. Elas podem reduzir os n\u00edveis de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, essenciais para a regula\u00e7\u00e3o do humor, e tamb\u00e9m alterar a atividade de regi\u00f5es cerebrais envolvidas em recompensa e motiva\u00e7\u00e3o \u2014\u00e1reas frequentemente afetadas na depress\u00e3o.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nPessoas com depress\u00e3o e n\u00edvel alto de inflama\u00e7\u00e3o costumam apresentar um conjunto particular de sintomas, conhecidos como sintomas som\u00e1ticos, que refletem parte dessas altera\u00e7\u00f5es cerebrais. Entre eles est\u00e3o a fadiga, a perda de apetite, os dist\u00farbios do sono e a diminui\u00e7\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o para buscar experi\u00eancias prazerosas (quadro \u00e0s vezes chamado de anedonia).<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 determinadas caracter\u00edsticas que distinguem esse grupo de outros casos de depress\u00e3o&#8221;, diz Golam Khandaker, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Bristol, na Inglaterra. Segundo ele, esse subgrupo pode ser descrito como uma forma de &#8220;depress\u00e3o inflamat\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>Em um dos primeiros estudos que testaram um medicamento anti-inflamat\u00f3rio para a depress\u00e3o, os participantes receberam um f\u00e1rmaco normalmente usado para tratar a<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/10\/entenda-o-que-e-doenca-de-crohn-e-quais-sao-os-sintomas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> doen\u00e7a de Crohn <\/a>ou um placebo.<\/p>\n<p>Quando os pesquisadores analisaram todos os 60 pacientes em conjunto, o rem\u00e9dio n\u00e3o apresentou desempenho melhor do que o placebo. Mas, ao restringirem a an\u00e1lise para incluir apenas os pacientes que apresentavam os n\u00edveis basais mais elevados de inflama\u00e7\u00e3o, observou-se uma melhora maior nos sintomas da depress\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00e1rios outros estudos de menor porte chegaram a conclus\u00f5es semelhantes. Apenas os participantes que apresentavam sinais de inflama\u00e7\u00e3o ou hist\u00f3rico de trauma obtiveram benef\u00edcios significativos.<\/p>\n<p>O novo estudo, que usou um medicamento para artrite reumatoide, incluiu 30 pessoas com depress\u00e3o, todas com um n\u00edvel de inflama\u00e7\u00e3o elevado.<\/p>\n<p>Os participantes que tomaram o medicamento apresentaram uma redu\u00e7\u00e3o pequena em sua pontua\u00e7\u00e3o em uma an\u00e1lise de depress\u00e3o, particularmente em quest\u00f5es relacionadas a sintomas som\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Mas o benef\u00edcio n\u00e3o foi estatisticamente significativo quando comparado com a pontua\u00e7\u00e3o daqueles que receberam um placebo.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nKhandaker, que liderou o estudo, disse que o trabalho foi uma &#8220;prova de conceito&#8221; e pequeno demais para produzir resultados significativos. O objetivo era identificar quais sintomas da depress\u00e3o poderiam responder ao tratamento e em que momento os pacientes come\u00e7ariam a melhorar, de modo a orientar um estudo de maior escala.<\/p>\n<p>Alguns cientistas da \u00e1rea est\u00e3o perplexos com a inconsist\u00eancia dos resultados nos diferentes estudos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um quadro contradit\u00f3rio, e realmente n\u00e3o sei por qu\u00ea. Os estudos de tratamento deveriam estar funcionando, porque os dados experimentais que mostram que a inflama\u00e7\u00e3o estimula esse tipo de depress\u00e3o s\u00e3o bastante convincentes&#8221;, diz Michael Irwin, professor de psiquiatria e ci\u00eancias biocomportamentais da Faculdade de Medicina David Geffen, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles.<\/p>\n<p>Goldsmith concordou que h\u00e1 ind\u00edcios de um subtipo inflamat\u00f3rio de depress\u00e3o, mas ponderou: &#8220;Qual ser\u00e1, no fim das contas, o medicamento certo para combater a inflama\u00e7\u00e3o? Essa continua sendo uma quest\u00e3o em aberto.&#8221;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dos especialistas, ainda \u00e9 cedo para prescrever anti-inflamat\u00f3rios para a depress\u00e3o. Mas alguns psiquiatras, incluindo Khandaker, come\u00e7aram a medir o n\u00edvel de prote\u00ednas inflamat\u00f3rias no sangue dos pacientes e a recomendar mudan\u00e7as no estilo de vida, como exerc\u00edcios e dieta, na tentativa de reduzi-lo.<\/p>\n<p>Pode demorar um pouco at\u00e9 que a hip\u00f3tese de que a inflama\u00e7\u00e3o causa depress\u00e3o se torne amplamente aceita.<\/p>\n<p>Para Moira Rynn, catedr\u00e1tica do departamento de psiquiatria e ci\u00eancias comportamentais da Faculdade de Medicina da Universidade Duke, que n\u00e3o \u00e9 especialista em pesquisas sobre psiquiatria inflamat\u00f3ria, a ideia \u00e9 &#8220;convincente&#8221;.<\/p>\n<p>Sua cl\u00ednica, que cuida de pessoas com depress\u00e3o resistente ao tratamento, ainda n\u00e3o incorpora sistematicamente a inflama\u00e7\u00e3o na avalia\u00e7\u00e3o dos pacientes, mas isso est\u00e1 sendo considerado.<\/p>\n<p>&#8220;O desafio \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 claro como conduzir o tratamento, dado o estado atual das informa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma Rynn.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A psiquiatria tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de tratar as doen\u00e7as mentais com medicamentos desenvolvidos originalmente para outros fins.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":455646,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4844,1031,1029,1531,236,116,32,22940,9825,33,117,1030,896,1822,2969],"class_list":["post-455645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-antidepressivo","tag-autocuidado","tag-cuide-se","tag-depressao","tag-folha","tag-health","tag-portugal","tag-psiquiatra","tag-psiquiatria","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-saude-publica","tag-the-new-york-times","tag-tristeza"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116948781368116541","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/455645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=455645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/455645\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/455646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=455645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=455645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=455645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}