{"id":45597,"date":"2025-08-26T10:19:07","date_gmt":"2025-08-26T10:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45597\/"},"modified":"2025-08-26T10:19:07","modified_gmt":"2025-08-26T10:19:07","slug":"danca-de-marlene-monteiro-freitas-tem-forca-transformadora-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45597\/","title":{"rendered":"Dan\u00e7a de Marlene Monteiro Freitas tem &#8220;for\u00e7a transformadora&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Um livro sobre a obra coreogr\u00e1fica de Marlene Monteiro Freitas, cujas cria\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo a marcar a cena internacional da dan\u00e7a pelo \u201cimpacto transformador\u201d, vai ser lan\u00e7ado em setembro em Lisboa e no Porto pela Dafne Editora.<\/p>\n<p>Intitulado \u201cDan\u00e7a Fora de Si. A Obra Coreogr\u00e1fica de Marlene Monteiro Freitas\u201d, o livro da investigadora, curadora e professora Alexandra Balona <strong>mergulha no universo da premiada core\u00f3grafa cabo-verdiana<\/strong>, e ser\u00e1 lan\u00e7ado a 13 de setembro, na Culturgest, em Lisboa, e no dia 19 de setembro, no Rivoli.<\/p>\n<p>O estudo concentra-se em cinco pe\u00e7as consideradas \u201cfulgurantes\u201d pela autora: \u201cGuintche\u201d (2010), \u201cPara\u00edso \u2014 cole\u00e7\u00e3o privada\u201d (2012), \u201cJaguar\u201d (2015), \u201cBacantes \u2014 prel\u00fadio para uma purga\u201d (2017) e \u201cMal \u2014\u00a0embriaguez divina\u201d (2020).<\/p>\n<p>Alexandra Balona <strong>explora a forma como Monteiro Freitas tem constru\u00eddo coreografias que abrem \u201cespa\u00e7os de estranheza e contradi\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, onde corpos e materiais em di\u00e1spora se transformam em busca de sentidos plurais, aponta a investigadora sobre a core\u00f3grafa e bailarina galardoada em 2018 com o Le\u00e3o de Prata pela Bienal de Veneza de Dan\u00e7a.<\/p>\n<p>O livro prop\u00f5e-se seguir as pistas da \u201cabertura, impureza e intensidade\u201d que atravessam a cria\u00e7\u00e3o de Monteiro Freitas, para traduzir sensibilidades e viol\u00eancias que escapam ao discurso racional, oferecendo um olhar sobre uma \u201cobra fulgurante, cuja ousadia abala as estruturas dos teatros por onde passa\u201d, segundo a autora.<\/p>\n<p>As cria\u00e7\u00f5es de Marlene Monteiro Freitas, que unem muitas vezes o drama e a com\u00e9dia, t\u00eam sido elogiadas pela cr\u00edtica internacional pela expressividade, originalidade e criatividade.<\/p>\n<p>Alexandra Balona refere que a obra \u2014 de 256 p\u00e1ginas \u2014 nasceu do \u201cespanto do desejo, dos encontros euf\u00f3ricos e da intensidade da obra\u201d de Freitas, provocados pelo \u201cdesfasamento entre o ver, o sentir e o pensar\u201d, desde o dia 21 de setembro de 2012, data do primeiro encontro da investigadora com a obra \u201cPara\u00edso-cole\u00e7\u00e3o privada\u201d, em estreia absoluta no Festival Circular, em Vila do Conde.<\/p>\n<p>\u201cDiante do palco, deparei-me com um universo coreogr\u00e1fico ins\u00f3lito e informe. For\u00e7as que me capturavam sem se deixarem inscrever num discurso fixo ou coerente. E, nesse instante, ocorreu-me que, depois de mais de uma d\u00e9cada a questionar a ontologia da dan\u00e7a contempor\u00e2nea, eis que os corpos que dan\u00e7am furiosos e fulgurantes, regressam definitivamente ao palco num renovado e visceral di\u00e1logo com a m\u00fasica\u201d, recorda, no livro, a curadora de diversos projetos de pensamento, performance e artes visuais.<\/p>\n<p>Balona assegura que o trabalho de Marlene Monteiro Freitas \u2014 cuja carreira come\u00e7ou como fundadora do grupo de dan\u00e7a Compass, em Cabo Verde \u2014 lhe \u201cdesassossegou o pensamento\u201d com uma multitude de \u201csensa\u00e7\u00f5es sem nome, pensamentos dispersos, ideias em suspens\u00e3o que come\u00e7aram a agregar-se, numa negocia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de opostos: o sagrado e o profano, o erotismo e a viol\u00eancia, o animal humano e o n\u00e3o-humano, o desejo e a submiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da an\u00e1lise cr\u00edtica, a autora convoca o arquivo pessoal da core\u00f3grafa e coloca-a em di\u00e1logo com obras da hist\u00f3ria da arte<\/strong>, construindo uma leitura que funciona como um \u201cAtlas\u201d para sustentar m\u00faltiplas refer\u00eancias e imagin\u00e1rios.<\/p>\n<p>O livro lan\u00e7a um olhar atento sobre m\u00e9todos, processos e mecanismos da artista que estruturam a cria\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica, oferecendo ao leitor pequenas \u201cm\u00e1quinas cr\u00edticas para ler o ileg\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Em 2018, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Lusa, Marlene Monteiro Freitas contava ter crescido a ver um poster\u00a0de uma bailarina que a irm\u00e3, dez anos mais velha, tinha colocado no quarto, porque ambas gostavam de dan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Marlene praticou gin\u00e1stica r\u00edtmica entre os 6 e os 13 anos, mas deixou este desporto porque n\u00e3o gostava do lado competitivo, e juntou-se a um grupo de amigos com quem come\u00e7ou a dan\u00e7ar e a criar coreografias, dando origem \u00e0 Compass.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, foi conhecendo v\u00e1rias figuras da dan\u00e7a, bailarinos e core\u00f3grafos, alguns deles portugueses, como Clara Andermatt, que lhe come\u00e7aram a \u201cfazer acreditar\u201d que seria poss\u00edvel viver da dan\u00e7a, e que a influenciaram profundamente nos seus trabalhos, repletos de refer\u00eancias \u00e0 m\u00fasica, cinema, pintura e literatura.<\/p>\n<p>\u201cA obra da core\u00f3grafa e bailarina cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas \u00e9 de uma politicalidade sismogr\u00e1fica: abala os teatros por onde passa, deixando um rasto em que o fasc\u00ednio e a estranheza, o choque e a perplexidade, se tornam mat\u00e9ria sens\u00edvel de negocia\u00e7\u00e3o\u201d, afirma no livro Alexandra Balona, considerando a artista \u201cmagn\u00e9tica e vertiginosa\u201d, devido a cria\u00e7\u00f5es que est\u00e3o \u201clonge de se submeter \u00e0 l\u00f3gica de uma narrativa linear ou \u00e0 exig\u00eancia de um sentido fechado\u201d, mas sim a \u201cuniversos que deslocam os territ\u00f3rios do reconhecimento\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse terceiro espa\u00e7o, entre o palco e a plateia, \u201conde as for\u00e7as da performance colidem, ressoam ou se entrela\u00e7am com as for\u00e7as de cada pessoa presente que, para Marlene Monteiro Freitas, a dan\u00e7a acontece\u201d, num \u201cacontecimento irrepet\u00edvel, enraizado nas intensidades do aqui e agora\u201d, considera a doutorada em Estudos de Cultura, tamb\u00e9m arquiteta e docente na Escola das Artes da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa.<\/p>\n<p>Publicado pela Dafne Editora, o livro ter\u00e1 uma vers\u00e3o em ingl\u00eas lan\u00e7ada em simult\u00e2neo pela Lenz Press, ampliando a circula\u00e7\u00e3o internacional de um estudo que se apresenta como refer\u00eancia para compreender a \u201cfor\u00e7a transformadora\u201d da obra de Marlene Monteiro Freitas.<\/p>\n<p>Em ambas as datas, os lan\u00e7amentos v\u00e3o acontecer ap\u00f3s a estreia naquelas cidades da nova cria\u00e7\u00e3o da core\u00f3grafa cabo-verdiana, \u201cN\u00f4t\u201d, sendo que o lan\u00e7amento em Lisboa contar\u00e1 com a presen\u00e7a da autora, de Marlene Monteiro Freitas e da professora Gabriele Brandstetter, prefaciadora do livro, especialista em estudos de teatro e dan\u00e7a da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um livro sobre a obra coreogr\u00e1fica de Marlene Monteiro Freitas, cujas cria\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo a marcar a 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