{"id":456076,"date":"2026-07-20T10:27:17","date_gmt":"2026-07-20T10:27:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/456076\/"},"modified":"2026-07-20T10:27:17","modified_gmt":"2026-07-20T10:27:17","slug":"crise-de-almada-relanca-plano-para-levar-agua-via-ponte-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/456076\/","title":{"rendered":"Crise de Almada relan\u00e7a plano para levar \u00e1gua via ponte \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>E porque n\u00e3o se avan\u00e7ou para sul? O presidente da \u00c1guas de Portugal admite que n\u00e3o ter\u00e1 havido abertura por parte das c\u00e2maras locais. \u201cNada se faz contra os munic\u00edpios. Eles \u00e9 que t\u00eam a compet\u00eancia legal no abastecimento de \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>O projeto de uma liga\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de conduta de \u00e1gua, de Lisboa a Almada, chegou a constar das propostas dos deputados socialistas da FAUL (Federa\u00e7\u00e3o da \u00c1rea Urbana de Lisboa) \u00e0s legislativas de 2022, mas n\u00e3o teve desenvolvimentos.<\/p>\n<p>Na discuss\u00e3o suscitada por causa da crise de Almada, o foco volta a estar nos munic\u00edpios da margem sul. \u00c9 preciso perceber que concelhos est\u00e3o interessados, at\u00e9 para se decidir qual a melhor solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f3mica e qual a localiza\u00e7\u00e3o mais adequada para ponto de amarra\u00e7\u00e3o de uma futura conduta.<\/p>\n<p>Se Almada n\u00e3o quiser, a ponte 25 de Abril deixaria de ser uma hip\u00f3tese para a passagem da conduta, exemplifica Carmona Rodrigues.<\/p>\n<p>As infraestruturas j\u00e1 existentes que atravessam o rio s\u00e3o uma hip\u00f3tese para instalar as condutas que levam a \u00e1gua, sendo que no caso da Vasco da Gama j\u00e1 l\u00e1 est\u00e3o \u201cos negativos\u201d, os buracos feitos no bet\u00e3o que permitem colocar as tubagens. Segundo o presidente da \u00c1guas de Portugal, <strong>o peso destas tubagens e da \u00e1gua que transportam \u00e9 \u201cirrelevante\u201d<\/strong> em infraestruturas como estas pontes, mas tamb\u00e9m admite que as condutas possam ser colocadas <strong>no fundo do rio<\/strong>, embora essa op\u00e7\u00e3o possa ser mais complicada no estu\u00e1rio, onde o rio Tejo \u00e9 mais largo.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         Projeto de abastecer margem sul a partir de Vila Franca caiu quando se descobriu o &#8220;maior aqu\u00edfero da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica&#8221; <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>O primeiro estudo de 1980 sobre a capacidade das \u00e1guas subterr\u00e2neas de Set\u00fabal <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000046494\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pode ser consultado no site<\/a> da UNESCO (foi financiado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas). Nele \u00e9 analisado um projeto da d\u00e9cada de 1970 para refor\u00e7ar o abastecimento a Lisboa via uma nova conduta a partir de Castelo de Bode, que teria um desvio para abastecer a Pen\u00ednsula de Set\u00fabal. O desvio seria constru\u00eddo a partir de Vila Franca de Xira, passando o Tejo at\u00e9 ao Porto Alto (n\u00e3o se refere se pela ponte Marechal Carmona ou pelo leito do rio). A partir daqui, a conduta contornaria o estu\u00e1rio para chegar aos concelhos de Alcochete, Montijo, Moita, Barreiro, Seixal e Almada.<\/p>\n<p>O projeto foi posto na gaveta quando, a partir de um modelo in\u00e9dito que analisou quase 10 mil pontos de \u00e1gua, o estudo concluiu que o sistema aqu\u00edfero da pen\u00ednsula de Set\u00fabal era provavelmente um dos maiores de toda a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. As previs\u00f5es feitas conclu\u00edram que o sistema estava a ser usado em menos 10% do seu potencial e que poderia responder \u00e0s necessidades estimadas da regi\u00e3o at\u00e9 2010 sem esgotar mais de 20% do seu potencial h\u00eddrico e sem amea\u00e7ar a qualidade da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mais de quarenta anos depois, \u00e9 preciso reavaliar o aqu\u00edfero.<\/p>\n<p>Mais do que a solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9 importante que haja uma solu\u00e7\u00e3o empresarial que envolva os v\u00e1rios munic\u00edpios da Pen\u00ednsula de Set\u00fabal, sinaliza Carmona Rodrigues, que aponta para a parceria multimunicipal que existe entre a \u00c1guas de Portugal e autarquias de muitas regi\u00f5es do pa\u00eds na capta\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos em alta.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque n\u00e3o faz sentido do ponto de vista econ\u00f3mico fazer um investimento desta dimens\u00e3o apenas para abastecer um concelho. Mas, mais uma vez, diz, a decis\u00e3o tem de vir de baixo para cima porque as autarquias t\u00eam compet\u00eancias exclusivas na distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. O presidente da \u00c1guas de Portugal lembra que as autarquias da regi\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o unidas num sistema multimunicipal para o saneamento.<\/p>\n<p>Para que avan\u00e7em as solu\u00e7\u00f5es ser\u00e1 tamb\u00e9m importante o resultado da avalia\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a ser feita ao estado do aqu\u00edfero Tejo-Sado, que serve uma enorme \u00e1rea que chega quase at\u00e9 Gr\u00e2ndola. Este estudo, indica Carmona Rodrigues, j\u00e1 estava a ser realizado no quadro da estrat\u00e9gia a \u00c1gua que Une, aprovada no ano passado. N\u00e3o tem uma liga\u00e7\u00e3o direta com o problema de Almada, mas os seus resultados podem contribuir para a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos abastecem em exclusivo os concelhos da Pen\u00ednsula de Set\u00fabal e \u00e9 urgente conhecer o seu potencial para responder \u00e0s necessidades futuras. Para al\u00e9m da din\u00e2mica urbana, tur\u00edstica e agr\u00edcola, h\u00e1 tamb\u00e9m o desafio dos grandes projetos, sejam os industriais na Mitrena (Set\u00fabal), sejam de infraestruturas como o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete (CTA).<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/aeroporto-de-alcochete-impacto-nos-recursos-hidricos-e-na-floresta-sao-pontos-negativos-apontados\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">parecer emitido<\/a> sobre o relat\u00f3rio da comiss\u00e3o t\u00e9cnica independente que recomendou o Campo de Tiro de Alcochete para a constru\u00e7\u00e3o do novo aeroporto de Lisboa, a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente (APA) considerou que esta era a localiza\u00e7\u00e3o \u201cmais preocupante\u201d para os recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>A APA avisou que a massa de \u00e1gua da bacia do Tejo-Sado estava numa situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica porque os n\u00edveis estavam abaixo do percentil 20 j\u00e1 h\u00e1 bastante tempo e, \u201cn\u00e3o obstante alguns eventos pluviosos, o sistema n\u00e3o tem conseguido recuperar\u201d. Este diagn\u00f3stico \u00e9 anterior \u00e0s chuvas do \u00faltimo ano. Alertou que o aeroporto e a constru\u00e7\u00e3o associada de cidades-sat\u00e9lite exigem grandes volumes de \u00e1gua, o que \u201cconstitui uma press\u00e3o significativa para o estado quantitativo das massas de \u00e1gua subterr\u00e2neas, caso estas sejam escolhidas como a origem da \u00e1gua\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"E porque n\u00e3o se avan\u00e7ou para sul? 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