{"id":456363,"date":"2026-07-20T14:56:10","date_gmt":"2026-07-20T14:56:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/456363\/"},"modified":"2026-07-20T14:56:10","modified_gmt":"2026-07-20T14:56:10","slug":"cancer-biopsia-liquida-quadruplica-deteccao-precoce-20-07-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/456363\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer: bi\u00f3psia l\u00edquida quadruplica detec\u00e7\u00e3o precoce &#8211; 20\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Um exame de sangue capaz de detectar sinais de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer<\/a> antes mesmo do aparecimento dos sintomas identificou quatro vezes mais casos da doen\u00e7a do que as estrat\u00e9gias convencionais de rastreamento em um grande estudo internacional.<\/p>\n<p>Realizada no Reino Unido, a pesquisa acompanhou quase 143 mil pessoas atendidas pelo Servi\u00e7o Nacional de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a> brit\u00e2nico (NHS, na sigla em ingl\u00eas) e mostrou que a tecnologia, conhecida como bi\u00f3psia l\u00edquida, tamb\u00e9m reduziu o n\u00famero de tumores descobertos apenas ap\u00f3s o surgimento dos sintomas ou durante atendimentos de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>A pesquisa <a href=\"https:\/\/ascopubs.org\/doi\/10.1200\/JCO.2026.44.17_suppl.LBA100\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">NHS-Galleri<\/a> foi apresentada durante as sess\u00f5es dedicadas a preven\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de risco e gen\u00e9tica da reuni\u00e3o anual da Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica (ASCO, na sigla em ingl\u00eas), o maior congresso de oncologia cl\u00ednica do mundo, realizado em junho nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O estudo integra uma s\u00e9rie de pesquisas que buscam ampliar o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/sus-incorpora-exame-mais-facil-e-eficaz-para-detectar-cancer-colorretal.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">diagn\u00f3stico precoce<\/a> por meio de exames menos invasivos, capazes de identificar sinais da doen\u00e7a antes do aparecimento dos sintomas e, potencialmente, antes que o c\u00e2ncer alcance fases mais avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>O trabalho incluiu volunt\u00e1rios com idades entre 50 e 79 anos que n\u00e3o apresentavam<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/07\/brasileiro-sabe-identificar-sinais-do-cancer-colorretal-mas-exame-de-rastreamento-e-pouco-conhecido.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> sintomas sugestivos de c\u00e2ncer<\/a>. Os participantes foram divididos em dois grupos: um realizou, anualmente, um exame de sangue para detectar fragmentos de DNA liberados por poss\u00edveis tumores, enquanto o outro fez apenas os exames de rastreamento normalmente recomendados para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo de tr\u00eas anos, os pesquisadores compararam os resultados para verificar se a nova estrat\u00e9gia permitia encontrar mais c\u00e2nceres e identific\u00e1-los antes que a doen\u00e7a se tornasse avan\u00e7ada ou provocasse sintomas.<\/p>\n<p>Ao longo do per\u00edodo de acompanhamento, foram diagnosticados 3.637 casos de c\u00e2ncer entre os participantes que realizaram anualmente o exame de sangue e 3.400 entre aqueles que seguiram apenas os programas convencionais de rastreamento. Entre os que realizaram a bi\u00f3psia l\u00edquida, 1.173 tumores foram identificados antes do diagn\u00f3stico, contra 290 no grupo controle, quadruplicando o n\u00famero de casos detectados antes do aparecimento de sintomas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores observaram redu\u00e7\u00e3o nos c\u00e2nceres diagnosticados apenas ap\u00f3s manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas da doen\u00e7a e nos casos identificados durante atendimentos de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Com a bi\u00f3psia l\u00edquida, tamb\u00e9m houve uma mudan\u00e7a no est\u00e1gio em que os tumores foram diagnosticados: detectou-se aumento de 16% nos c\u00e2nceres identificados nos est\u00e1gios 1 e 2, quando a doen\u00e7a costuma estar restrita ao \u00f3rg\u00e3o de origem; e cresceram 19% os diagn\u00f3sticos realizados entre os est\u00e1gios 1 e 3. J\u00e1 os tumores detectados em est\u00e1gio 4, quando o c\u00e2ncer j\u00e1 se espalhou para outros \u00f3rg\u00e3os do corpo, diminu\u00edram 14%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da capacidade de antecipar o diagn\u00f3stico, o exame de sangue apresentou elevada precis\u00e3o. A especificidade foi de 99,55%, indicando baixa probabilidade de resultados falso-positivos. Quando identificava um sinal compat\u00edvel com c\u00e2ncer, tamb\u00e9m conseguia apontar corretamente o prov\u00e1vel \u00f3rg\u00e3o de origem em 92,5% dos casos ao considerar as duas principais hip\u00f3teses diagn\u00f3sticas.<\/p>\n<p>A tecnologia j\u00e1 vem sendo estudada em outras etapas da jornada do paciente com c\u00e2ncer, como ap\u00f3s a cirurgia, durante o acompanhamento da doen\u00e7a e para orientar mudan\u00e7as de tratamento. Agora, os resultados apresentados na ASCO indicam que ela tamb\u00e9m poder\u00e1 ser utilizada para identificar precocemente diferentes tipos de tumores em pessoas aparentemente saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>&#8220;<\/b>Ainda somos muito limitados em rela\u00e7\u00e3o ao rastreamento do c\u00e2ncer. Existem v\u00e1rios tumores para os quais n\u00e3o temos exames capazes de reduzir a mortalidade. A possibilidade de identificar altera\u00e7\u00f5es antes mesmo de o tumor aparecer nos exames representa uma mudan\u00e7a muito importante&#8221;, afirma a oncologista cl\u00ednica Jana\u00edna Pontes, do Einstein Hospital Israelita.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Apesar do nome, a bi\u00f3psia l\u00edquida n\u00e3o consiste na retirada de um fragmento do tumor, como na bi\u00f3psia convencional. O exame procura pequenas quantidades de DNA liberadas pelas c\u00e9lulas cancer\u00edgenas na corrente sangu\u00ednea (da\u00ed o termo &#8220;l\u00edquida&#8221;). Esses fragmentos, chamados DNA tumoral circulante (ctDNA), podem indicar a presen\u00e7a de um tumor antes de ele ser identificado em exames convencionais.<b> <\/b><\/p>\n<p>Os novos testes ainda n\u00e3o substituem programas de rastreamento j\u00e1 consolidados. An\u00e1lises como mamografia, colonoscopia, pesquisa do HPV para preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero e tomografia computadorizada de baixa dose para fumantes s\u00e3o estrat\u00e9gias que continuam recomendadas, j\u00e1 que t\u00eam benef\u00edcios comprovados na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados ainda s\u00e3o muito recentes. N\u00e3o podemos dizer que algu\u00e9m deixar\u00e1 de fazer mamografia ou colonoscopia porque realizou uma bi\u00f3psia l\u00edquida&#8221;, diz Pontes.<\/p>\n<p>Os quatro &#8220;Ps&#8221; da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">medicina<\/a> de precis\u00e3o<\/p>\n<p>A possibilidade de identificar o c\u00e2ncer antes dos sintomas faz parte de uma mudan\u00e7a mais ampla na oncologia. Ao lado dos avan\u00e7os na bi\u00f3psia l\u00edquida, a ASCO tamb\u00e9m reuniu estudos que refor\u00e7am o papel da chamada medicina de precis\u00e3o, abordagem que considera as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas de cada indiv\u00edduo, o ambiente em que vive e fatores relacionados ao estilo de vida, para estimar o risco de desenvolver c\u00e2ncer, orientar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e selecionar tratamentos mais individualizados.<\/p>\n<p>O conceito \u00e9 frequentemente representado pelos chamados quatro &#8220;Ps&#8221; da medicina de precis\u00e3o: predi\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o, personaliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o. A predi\u00e7\u00e3o consiste em identificar pessoas com maior predisposi\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de determinados tumores, principalmente por meio da avalia\u00e7\u00e3o do hist\u00f3rico familiar e, quando indicado, da realiza\u00e7\u00e3o de testes gen\u00e9ticos. A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel estimar de forma mais precisa a probabilidade de surgimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse conhecimento permite colocar em pr\u00e1tica a preven\u00e7\u00e3o. Dependendo do risco identificado, o paciente pode ser acompanhado com exames mais frequentes, protocolos espec\u00edficos de rastreamento e, em algumas situa\u00e7\u00f5es, cirurgias redutoras de risco.<\/p>\n<p>&#8220;O c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a gen\u00e9tica, mas isso n\u00e3o significa que seja heredit\u00e1rio. Entre 85% e 90% dos tumores s\u00e3o espor\u00e1dicos, ou seja, surgem ao longo da vida em consequ\u00eancia do envelhecimento e da exposi\u00e7\u00e3o a fatores ambientais, como tabagismo, obesidade, consumo de \u00e1lcool e sedentarismo. Apenas de 5% a 10% dos casos est\u00e3o relacionados a muta\u00e7\u00f5es herdadas da fam\u00edlia&#8221;, explica Pontes.<\/p>\n<p>O terceiro P corresponde \u00e0 personaliza\u00e7\u00e3o do tratamento. Nesse modelo, as decis\u00f5es terap\u00eauticas deixam de considerar apenas o \u00f3rg\u00e3o onde o c\u00e2ncer surgiu e incorporam as altera\u00e7\u00f5es moleculares presentes no tumor, permitindo selecionar medicamentos direcionados \u00e0s caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas de cada paciente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o quarto P \u00e9 o da participa\u00e7\u00e3o. Nele, o paciente deixa de ser apenas receptor das decis\u00f5es m\u00e9dicas e participa ativamente da defini\u00e7\u00e3o do tratamento, considerando seus valores, prefer\u00eancias e objetivos ao longo da jornada contra o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>&#8220;Quando falamos em medicina de precis\u00e3o, consideramos a gen\u00e9tica de cada indiv\u00edduo, o ambiente em que ele vive e seu estilo de vida. A partir disso, conseguimos predizer o risco, prevenir melhor, personalizar o tratamento e envolver o paciente em todas as decis\u00f5es&#8221;, diz Pontes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um exame de sangue capaz de detectar sinais de c\u00e2ncer antes mesmo do aparecimento dos sintomas identificou quatro&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":456364,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[6245,1776,236,116,2196,1208,32,33,2197,2198,117],"class_list":["post-456363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-agencia-einstein","tag-cancer","tag-folha","tag-health","tag-leucemia","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-quimioterapia","tag-radioterapia","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116952890425097149","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=456363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/456364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=456363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=456363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=456363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}