{"id":45701,"date":"2025-08-26T11:38:09","date_gmt":"2025-08-26T11:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45701\/"},"modified":"2025-08-26T11:38:09","modified_gmt":"2025-08-26T11:38:09","slug":"uroginecologia-a-nova-subespecialidade-que-vem-dar-resposta-a-uma-lacuna-na-saude-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45701\/","title":{"rendered":"Uroginecologia: a nova subespecialidade que vem dar resposta a uma lacuna na sa\u00fade da mulher"},"content":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o da subespecialidade de Uroginecologia marca um passo decisivo na evolu\u00e7\u00e3o da Ginecologia em Portugal. Quem o diz \u00e9\u00a0<strong><strong>Bercina Candoso<\/strong><\/strong>, atual presidente da Sec\u00e7\u00e3o de Uroginecologia da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, que defende o seguinte: com o reconhecimento formal desta \u00e1rea, d\u00e1-se resposta a uma necessidade antiga, oferecendo \u00e0s mulheres uma abordagem estruturada e multidisciplinar aos problemas do pavimento p\u00e9lvico. Leia o artigo de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>A subespecialidade de Uroginecologia foi criada para responder \u00e0 necessidade de cuidados mais especializados no diagn\u00f3stico e tratamento das disfun\u00e7\u00f5es do pavimento p\u00e9lvico feminino, tais como prolapsos e incontin\u00eancia urin\u00e1ria, problemas cada vez mais prevalentes devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Como tal, sinto a responsabilidade de explicar as raz\u00f5es, o impacto esperado e os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n<p><strong><strong>\u201cFaltava uma resposta integrada \u00e0s doen\u00e7as do pavimento p\u00e9lvico\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>A Ginecologia sempre respondeu a muitos aspectos da sa\u00fade da mulher, mas havia um dom\u00ednio pouco valorizado: a sa\u00fade do pavimento p\u00e9lvico. Patologias como a incontin\u00eancia urin\u00e1ria, os prolapsos genitais ou algumas disfun\u00e7\u00f5es sexuais s\u00e3o extremamente frequentes e t\u00eam impacto direto na qualidade de vida. No entanto, at\u00e9 agora n\u00e3o existia um percurso formativo ou cl\u00ednico estruturado que garantisse cuidados uniformes e diferenciados.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, as doentes muitas vezes circulavam entre v\u00e1rias especialidades \u2014 Ginecologia, Urologia, Fisiatria \u2014 sem uma vis\u00e3o integrada. A cria\u00e7\u00e3o da subespecialidade vem precisamente colmatar essa lacuna, trazendo diferencia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica e oferecendo uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar.<\/p>\n<p><strong><strong>\u201cFoi um processo conjunto, com sociedades cient\u00edficas, universidades e associa\u00e7\u00f5es de doentes\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>Este processo s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos parceiros. Tivemos a colabora\u00e7\u00e3o\u00a0 activa da Sociedades Portuguesa de Ginecologia, o envolvimento do Col\u00e9gio da Especialidade da Ordem dos M\u00e9dicos, com a Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa de Uroginecologia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi essencial ouvir as doentes, que nos transmitiram de forma muito clara as dificuldades vividas no dia a dia. Por fim, houve uma aproxima\u00e7\u00e3o a entidades internacionais, como a\u00a0European Urogynaecological Association, que nos ajudaram a alinhar os crit\u00e9rios de forma\u00e7\u00e3o e de pr\u00e1tica cl\u00ednica com os padr\u00f5es europeus.<\/p>\n<p><strong><strong>\u201cO impacto ser\u00e1 maior rapidez no diagn\u00f3stico, tratamentos mais eficazes e melhores resultados cir\u00fargicos\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>O impacto desta subespecialidade ser\u00e1 profundo. Em primeiro lugar, permitir\u00e1 diagn\u00f3sticos mais r\u00e1pidos e precisos, evitando anos de sofrimento e encaminhamentos sucessivos. Em segundo lugar, possibilitar\u00e1 tratamentos personalizados, que combinam cirurgia, terap\u00eauticas conservadoras e reabilita\u00e7\u00e3o, sempre com foco na qualidade de vida da mulher.<\/p>\n<p>Do ponto de vista hospitalar, haver\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia em centros especializados, o que aumenta a seguran\u00e7a dos procedimentos e melhora os resultados funcionais. A nova subespecialidade ser\u00e1 tamb\u00e9m um motor de investiga\u00e7\u00e3o, incentivando o desenvolvimento de t\u00e9cnicas cir\u00fargicas minimamente invasivas e novas abordagens terap\u00eauticas.<\/p>\n<p><strong><strong>\u201cQueremos organizar uma rede: centros de refer\u00eancia e hospitais secund\u00e1rios a trabalhar em articula\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>A nossa vis\u00e3o \u00e9 de uma rede organizada e hierarquizada. Nos hospitais centrais e universit\u00e1rios dever\u00e3o surgir unidades especializadas de Uroginecologia, capazes de tratar os casos mais complexos e de funcionar como polos de forma\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o. Estes centros trabalhar\u00e3o em estreita colabora\u00e7\u00e3o com hospitais secund\u00e1rios, que poder\u00e3o acompanhar casos menos complexos, e com os Cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios, que ter\u00e3o um papel crucial no rastreio e referencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro aspeto essencial ser\u00e1 a interdisciplinaridade. A Uroginecologia exige a colabora\u00e7\u00e3o de ginecologistas, urologistas, fisiatras, fisioterapeutas especializados em pavimento p\u00e9lvico, psic\u00f3logos e outros profissionais. S\u00f3 assim se conseguir\u00e1 responder de forma completa a patologias multifatoriais.<\/p>\n<p><strong><strong>\u201cOs pr\u00f3ximos passos passam pela forma\u00e7\u00e3o e pela comunica\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos s\u00e3o claros. Na \u00e1rea da forma\u00e7\u00e3o, vamos lan\u00e7ar programas de\u00a0fellowship\u00a0em Uroginecologia, bem como cursos acreditados dirigidos a ginecologistas. Paralelamente, vamos apostar na sensibiliza\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos de fam\u00edlia, pois s\u00e3o muitas vezes o primeiro contacto das doentes e t\u00eam um papel determinante na referencia\u00e7\u00e3o precoce e adequada a esta subespecialidade<\/p>\n<p>No campo da comunica\u00e7\u00e3o, queremos atuar em duas frentes. Por um lado, junto da comunidade m\u00e9dica, atrav\u00e9s de congressos,\u00a0webinars\u00a0e publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, para uniformizar pr\u00e1ticas e divulgar conhecimento. Por outro lado, junto da popula\u00e7\u00e3o em geral, com campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o que ajudem a quebrar tabus, sobretudo em torno da incontin\u00eancia urin\u00e1ria e do prolapso genital. S\u00f3 assim conseguiremos que mais mulheres procurem ajuda de forma atempada.<\/p>\n<p><strong><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da subespecialidade de Uroginecologia \u00e9 mais do que uma conquista m\u00e9dica: \u00e9 um compromisso com a sa\u00fade e dignidade das mulheres. Ao reconhecer a especificidade das doen\u00e7as do pavimento p\u00e9lvico e ao oferecer uma resposta estruturada, diferenciada e multidisciplinar, abre-se uma nova etapa na pr\u00e1tica cl\u00ednica, na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e na investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Imagem: Atlas da Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cria\u00e7\u00e3o da subespecialidade de Uroginecologia marca um passo decisivo na evolu\u00e7\u00e3o da Ginecologia em Portugal. 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