{"id":457731,"date":"2026-07-21T17:39:13","date_gmt":"2026-07-21T17:39:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/457731\/"},"modified":"2026-07-21T17:39:13","modified_gmt":"2026-07-21T17:39:13","slug":"robos-humanoides-dao-passo-inedito-para-levar-cirurgias-a-regioes-sem-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/457731\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4s humanoides d\u00e3o passo in\u00e9dito para levar cirurgias a regi\u00f5es sem m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>Estudo mostra que rob\u00f4s mais baratos e compactos podem ampliar o acesso a cirurgias em \u00e1reas remotas, sempre sob o comando de cirurgi\u00f5es humanos.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, dois rob\u00f4s humanoides trabalharam juntos para realizar uma cirurgia em animais de grande porte com sucesso. Embora cada movimento tenha sido comandado \u00e0 dist\u00e2ncia por cirurgi\u00f5es humanos, o estudo representa um avan\u00e7o importante porque mostra que rob\u00f4s menores, mais baratos e f\u00e1ceis de transportar poder\u00e3o ampliar o acesso a procedimentos cir\u00fargicos em locais onde hoje faltam m\u00e9dicos, hospitais equipados e tecnologia.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram duas cirurgias para retirar a ves\u00edcula biliar. Na primeira, um rob\u00f4 humanoide trabalhou ao lado de um cirurgi\u00e3o humano. Na segunda, dois rob\u00f4s humanoides atuaram juntos durante todo o procedimento. Em ambos os casos, as cirurgias foram realizadas em su\u00ednos e todos os movimentos dos rob\u00f4s foram controlados, em tempo real, por cirurgi\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia. O objetivo do estudo n\u00e3o foi substituir o m\u00e9dico, mas mostrar que esse tipo de rob\u00f4 poder\u00e1 funcionar como uma extens\u00e3o das m\u00e3os do cirurgi\u00e3o, permitindo que especialistas operem pacientes mesmo estando a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A pesquisa foi publicada em 8 de julho na revista cient\u00edfica Nature e re\u00fane engenheiros e cirurgi\u00f5es da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego (UC San Diego), nos Estados Unidos. Em entrevista \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Americana para o Avan\u00e7o da Ci\u00eancia (American Association for the Advancement of Science \u2013 AAAS), publicada na mesma data, Michael Yip, professor do Departamento de Engenharia El\u00e9trica e de Computa\u00e7\u00e3o da universidade e um dos autores s\u00eaniores do estudo, afirmou que a escassez de cirurgi\u00f5es cresce em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, enquanto aumenta a demanda por atendimento. Como consequ\u00eancia, os pacientes enfrentam filas maiores, dificuldade de acesso e desigualdade na assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Hoje, os principais sistemas rob\u00f3ticos usados em hospitais s\u00e3o equipamentos desenvolvidos exclusivamente para cirurgia. Eles possuem v\u00e1rios bra\u00e7os rob\u00f3ticos, utilizam instrumentos espec\u00edficos, dependem de programas exclusivos e ocupam grande espa\u00e7o dentro do centro cir\u00fargico. Al\u00e9m disso, pesam cerca de 816 quilos, exigem equipes especializadas para instala\u00e7\u00e3o e custam milh\u00f5es de d\u00f3lares, o que limita sua utiliza\u00e7\u00e3o a grandes hospitais.<\/p>\n<p>J\u00e1 os rob\u00f4s humanoides utilizados no estudo t\u00eam caracter\u00edsticas muito diferentes. Medem cerca de 1,52 metro de altura, pesam apenas 27 quilos e custam aproximadamente US$ 20 mil, uma pequena fra\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos sistemas cir\u00fargicos convencionais. Como s\u00e3o compactos e podem caminhar, s\u00e3o mais f\u00e1ceis de transportar e instalar em praticamente qualquer ambiente.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, essa mobilidade abre possibilidades para o uso da tecnologia em comunidades isoladas, regi\u00f5es rurais, \u00e1reas atingidas por desastres naturais, opera\u00e7\u00f5es militares, miss\u00f5es de busca e salvamento e at\u00e9 futuras miss\u00f5es espaciais. Nesses locais, muitas vezes o maior desafio n\u00e3o \u00e9 apenas a falta de equipamentos, mas a aus\u00eancia f\u00edsica de um cirurgi\u00e3o especializado. \u201cO maior problema \u00e9 a presen\u00e7a f\u00edsica. Um rob\u00f4 humanoide que pode ser teleoperado por um especialista a milhares de quil\u00f4metros pode ajudar a superar essa barreira\u201d, explicou Michael Yip \u00e0 AAAS.<\/p>\n<p>Para a equipe, o estudo representa o primeiro passo para incorporar rob\u00f4s humanoides \u00e0 rotina das salas de cirurgia. Inicialmente, eles poder\u00e3o auxiliar os profissionais durante os procedimentos. No futuro, poder\u00e3o realizar cirurgias cada vez mais complexas, sempre sob a supervis\u00e3o e o comando de cirurgi\u00f5es.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam, por\u00e9m, que a tecnologia ainda precisa evoluir antes de chegar aos hospitais. Durante os testes, os rob\u00f4s precisaram ser recalibrados v\u00e1rias vezes, o que tornou as cirurgias mais demoradas do que aquelas realizadas com os sistemas rob\u00f3ticos especializados dispon\u00edveis atualmente.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 reduzir a lat\u00eancia, nome dado ao pequeno atraso entre o movimento feito pelo cirurgi\u00e3o no controle e a resposta do rob\u00f4. Quanto maior a dist\u00e2ncia entre o m\u00e9dico e o equipamento, maior tende a ser esse intervalo. A equipe trabalha para diminuir esse tempo de resposta e tornar as opera\u00e7\u00f5es remotas mais r\u00e1pidas e precisas.<\/p>\n<p>Na entrevista, Michael Yip informa que a evolu\u00e7\u00e3o desse tipo de tecnologia costuma ser r\u00e1pida. Segundo ele, as primeiras cirurgias rob\u00f3ticas por videolaparoscopia levavam cerca de seis horas para serem conclu\u00eddas. Hoje, procedimentos semelhantes podem durar aproximadamente 30 minutos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de participar das cirurgias, os pesquisadores imaginam que, no futuro, os rob\u00f4s humanoides tamb\u00e9m possam atuar como assistentes dentro do centro cir\u00fargico, buscando instrumentos, organizando equipamentos e auxiliando a equipe m\u00e9dica em tarefas f\u00edsicas.<\/p>\n<p>\u201cNossa meta \u00e9 criar uma sala de cirurgia do futuro, onde rob\u00f4s humanoides e seres humanos trabalhem lado a lado, como uma equipe integrada, para realizar procedimentos tanto em hospitais quanto em cen\u00e1rios desafiadores, como a medicina de campo\u201d, afirmou Michael Yip \u00e0 reportagem da AAAS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo mostra que rob\u00f4s mais baratos e compactos podem ampliar o acesso a cirurgias em \u00e1reas remotas, sempre&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":457732,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[109,107,108,5953,59269,73315,9830,933,32,33,2321,11268,117,105,103,104,73316,106,110,73317,73318],"class_list":["post-457731","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-cirurgia","tag-cirurgioes","tag-comunidades-remotas","tag-inovacao-medica","tag-inteligencia-artificial","tag-portugal","tag-pt","tag-robos","tag-robos-humanoides","tag-saude","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-suinos","tag-technology","tag-tecnologia","tag-teleoperacao","tag-uc-san-diego"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116959193901141549","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/457731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=457731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/457731\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/457732"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=457731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=457731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=457731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}