{"id":45826,"date":"2025-08-26T13:19:00","date_gmt":"2025-08-26T13:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45826\/"},"modified":"2025-08-26T13:19:00","modified_gmt":"2025-08-26T13:19:00","slug":"a-prova-de-que-o-socialismo-nunca-funcionara-esta-no-buffet-do-seu-hotel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/45826\/","title":{"rendered":"A prova de que o socialismo nunca funcionar\u00e1 est\u00e1 no buffet do seu hotel"},"content":{"rendered":"<p>Existem geralmente duas formas de estudar como as pessoas vivem em socialismo: lendo os cl\u00e1ssicos que o descreveram, da n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o de um Solzhenitsyn \u00e0 fic\u00e7\u00e3o de uma Ayn Rand, ou visitando pa\u00edses como Venezuela ou Cuba. Nesta cr\u00f3nica presto-me a inaugurar uma terceira: observando um buffet \u00e0 discri\u00e7\u00e3o para centenas de pessoas, qual David Attenborough no BBC Vida Selvagem.<\/p>\n<p>O comportamento das pessoas perante um buffet \u00e0 discri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma verdadeira experi\u00eancia sociol\u00f3gica, que nos ajuda a perceber porque \u00e9 que o socialismo n\u00e3o funciona. Este comportamento \u00e9 verdadeiramente universal: atravessa culturas e etnias diferentes, religi\u00f5es conflituantes e nacionalidades beligerantes. No fundo, toda a humanidade junta no mesmo prop\u00f3sito de a\u00e7ambarcar comida em volumes apreci\u00e1veis para o seu prato.<\/p>\n<p>Este comportamento n\u00e3o depende de fatores culturais ou societais porque \u00e9 uma caracter\u00edstica intrinsecamente humana, ou seja, \u00e9 natural, \u00e9 biol\u00f3gico, est\u00e1-nos nos genes \u2013 conceito que os socialistas, e todos os sortidos de esquerda, sempre tiveram algum rebu\u00e7o em reconhecer. \u00c9 da natureza humana reagir a incentivos e decidir em fun\u00e7\u00e3o disso, e n\u00e3o h\u00e1 maior incentivo do que coisas gr\u00e1tis, especialmente se envolver uma pir\u00e2mide de camar\u00f5es e sobremesas que nem sabiam existir, mas que, em caso de d\u00favida, conv\u00e9m servir em triplicado.<\/p>\n<p>Um buffet \u00e0 discri\u00e7\u00e3o tem v\u00e1rias coisas similares ao socialismo: em primeiro lugar, tudo \u00e9 \u2018gratuito\u2019; segundo, n\u00e3o existem pre\u00e7os a atrapalhar. Pelo menos em teoria, n\u00e3o h\u00e1 luta de classes entre as massas \u2013 h\u00e1 luta pelas massas. \u00c9 a m\u00e1xima de Marx \u2018a cada um de acordo com as suas necessidades\u2019 aplicada \u00e0s duas vitrines dos gelados.<\/p>\n<p>Ora, acontece que as necessidades de algo gratuito s\u00e3o ilimitadas, pelo que o principal efeito, empiricamente observ\u00e1vel em mesa alheia, s\u00e3o pratos e pratos a abarrotar de comida, metade da qual n\u00e3o ser\u00e1 consumida. O leitor atento poder\u00e1 argumentar que a analogia falha: o buffet representa a abund\u00e2ncia, o socialismo a escassez. Contudo, a abund\u00e2ncia inicial do buffet \u00e9 precisamente o que nos permite observar, em c\u00e2mara lenta, o processo que gera essa mesma escassez: n\u00e3o havendo freios \u00e0 procura, sendo tudo gratuito, toda a gente consome de forma desmesurada e a\u00e7ambarca o que pode, tamb\u00e9m por receio que outros o fa\u00e7am primeiro e lhes levem o quinh\u00e3o. A cada um de acordo com os seus olhos, mais do que barriga.<\/p>\n<p>O outro motivo pelo qual se gera escassez em economias socialistas \u00e9 a inexist\u00eancia de pre\u00e7os. Os pre\u00e7os, para l\u00e1 de moderarem este comportamento desbragado e introduzirem racionalidade na decis\u00e3o de consumir ou n\u00e3o, permitem que milhares de pessoas que nunca se conheceram, que porventura nem sequer partilham nada em comum, se consigam coordenar e prover os consumidores. Pre\u00e7o alto significa escassez, mas tamb\u00e9m significa oportunidade de lucro, pelo que incentiva mais gente a tentar providenciar aquele bem ou servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Num buffet n\u00e3o h\u00e1 pre\u00e7os. O p\u00e3o e a lagosta \u2018custam\u2019 o mesmo para o consumidor.<\/p>\n<p>Efeito? Uma corrida desenfreada \u00e0 lagosta. Quem chega primeiro leva tudo ou quase tudo. E \u00e9 geralmente aqui que o pr\u00f3prio hotel tem de introduzir mecanismos de racionamento, embora em moldes diferentes dos socialistas. Em Cuba, cada pessoa recebe cerca de 3 quilos de arroz por m\u00eas. Carne, raramente. E quando recebe s\u00e3o uns derivados ultraprocessados que fazem as salsichas parecer bife do lombo. J\u00e1 no buffet, o racionamento capitalista neste simulacro de socialismo \u00e9 bem mais generoso: dois lavagantes por pessoa.<\/p>\n<p>No buffet tamb\u00e9m s\u00f3 h\u00e1 uma aparente igualdade. Ao in\u00edcio, bandejas cheias. No entanto, os primeiros a chegar ganham vantagem. Os que conhecem os empregados do hotel tamb\u00e9m. E houvesse tempo suficiente, seria institu\u00eddo um pequeno mercado negro, em que uma pequena gorjeta daria lugar a um prato reservado que n\u00e3o circula no banquete dos comuns \u2013 tal como acontece nos regimes socialistas.<\/p>\n<p>\u00c9 por tudo isto que os socialistas falam da necessidade de se criar o Homem novo, porque o Homem, como ele \u00e9, n\u00e3o serve. Na ideologia cartesiana, puramente racionalizada do socialismo, se o ser humano n\u00e3o encaixa na teoria n\u00e3o se muda a teoria, muda-se o ser humano. E \u00e9 nesse momento que a analogia adequada deixa de ser buffet \u00e0 discri\u00e7\u00e3o e passa a ser o Hunger Games.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Existem geralmente duas formas de estudar como as pessoas vivem em socialismo: lendo os cl\u00e1ssicos que o descreveram,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45827,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33,13876],"class_list":{"0":"post-45826","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-socialismo"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45826\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}