{"id":458514,"date":"2026-07-22T11:08:17","date_gmt":"2026-07-22T11:08:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/458514\/"},"modified":"2026-07-22T11:08:17","modified_gmt":"2026-07-22T11:08:17","slug":"vacina-do-hpv-reduz-infeccao-mesmo-entre-nao-imunizadas-22-07-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/458514\/","title":{"rendered":"Vacina do HPV reduz infec\u00e7\u00e3o mesmo entre n\u00e3o imunizadas &#8211; 22\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Uma \u00fanica<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/06\/vacinacao-contra-hpv-para-jovens-de-15-a-19-anos-e-prorrogada-ate-dezembro-em-todo-o-pais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> dose da vacina contra o HPV<\/a> protege tanto quanto duas ou tr\u00eas doses, e a imuniza\u00e7\u00e3o de parte da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 basta para reduzir a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus entre quem nunca foi vacinado. S\u00e3o essas as principais conclus\u00f5es de uma <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41541-026-01495-9\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pesquisa brasileira<\/a>, a maior j\u00e1 feita sobre o impacto populacional do imunizante na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O estudo do Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ministerio-da-saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>, comparou dados de mais de 16 mil brasileiros com idade entre 16 e 25 anos coletados em duas pesquisas nacionais \u2014uma realizada em 2016 e 2017, logo ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da vacina no SUS, e outra feita entre 2020 e 2023. O trabalho, batizado POP-Brasil, ser\u00e1 publicado na revista cient\u00edfica npj Vaccines, do grupo Nature.<\/p>\n<p>Entre as mulheres vacinadas, a preval\u00eancia dos tipos de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/sus-lanca-campanha-para-vacinacao-de-criancas-e-adolescentes-de-ate-15-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">HPV<\/a> cobertos pela vacina caiu 81% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/vacinacao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">vacina\u00e7\u00e3o<\/a> (de 15,6% para 3,1%). Mas o achado que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a vacina\u00e7\u00e3o teve um impacto populacional.<\/p>\n<p>Mesmo entre as mulheres que nunca tomaram a vacina houve queda de 33% na circula\u00e7\u00e3o desses tipos de HPV, um efeito indireto, de prote\u00e7\u00e3o coletiva, que s\u00f3 se sustenta onde a cobertura vacinal \u00e9 alta, afirma Eliana Wendland, pesquisadora do Hospital Moinhos de Vento e autora principal do estudo.<\/p>\n<p>O mecanismo \u00e9 simples, diz ela. &#8220;Isso se explica pela<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/06\/em-um-relacionamento-ter-hpv-significa-traicao-entenda-como-virus-age.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> quantidade de v\u00edrus circulante<\/a>. Quando eu tenho menos v\u00edrus circulante, eu tenho menos contatos e, portanto, eu come\u00e7o a diminuir as taxas de preval\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o em geral.&#8221;<\/p>\n<p>Esse efeito coletivo, por\u00e9m, s\u00f3 apareceu entre mulheres. Nos homens, que t\u00eam cobertura vacinal bem menor no pa\u00eds, o fen\u00f4meno n\u00e3o se repetiu. Tamb\u00e9m depende da idade: a prote\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 vis\u00edvel at\u00e9 os 20-21 anos, faixa com as maiores coberturas, mas desaparece nas faixas seguintes.<\/p>\n<p>Um dos achados com maior potencial pr\u00e1tico \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de que uma dose protege tanto quanto o esquema de duas ou tr\u00eas. &#8220;A efetividade foi a mesma&#8221;, diz Wendland. O resultado refor\u00e7a a decis\u00e3o do Minist\u00e9rio da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a>, que migrou o esquema vacinal brasileiro para dose \u00fanica em 2024.<\/p>\n<p>Segundo Ana Goretti Maranh\u00e3o, do Departamento do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es, a mudan\u00e7a j\u00e1 vinha respaldada por evid\u00eancia internacional. &#8220;Quando a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oms\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">OMS<\/a> [Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade] tomou essa decis\u00e3o, ela j\u00e1 vinha acompanhando tr\u00eas grandes estudos de mais de dez anos, onde mostrou que a dose \u00fanica tinha o mesmo impacto das outras. Esse \u00e9 o primeiro que a gente tem aqui no pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>A dose \u00fanica tamb\u00e9m n\u00e3o depende de coberturas t\u00e3o altas quanto o esquema de duas doses. Historicamente, a ades\u00e3o \u00e0 primeira dose sempre foi maior do que o retorno para a segunda.<\/p>\n<p>A ressalva fica para grupos espec\u00edficos. Pessoas com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/aids\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">HIV<\/a>, imunossuprimidos e quem j\u00e1 teve les\u00e3o de alto grau ou <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/cancer-de-colo-do-utero-matou-20-mulheres-por-dia-em-2025-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">c\u00e2ncer de colo do \u00fatero<\/a> seguem no esquema de tr\u00eas doses. &#8220;Quanto mais precoce a vacina, maior a efic\u00e1cia. Ela diminui depois dos 18 e principalmente depois dos 26 anos&#8221;, explica Wendland.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o mediu cobertura por regi\u00e3o, mas dados do minist\u00e9rio mostram um pa\u00eds heterog\u00eaneo. A cobertura nacional est\u00e1 em 86%, mas no Acre \u2014que tem pior desempenho\u2014 cai para 43% entre meninas e 36% entre meninos. Para Ana Goretti Maranh\u00e3o, o cen\u00e1rio \u00e9 heran\u00e7a de uma onda de desinforma\u00e7\u00e3o entre 2018 e 2019 da qual o estado nunca se recuperou. &#8220;A cobertura nunca voltou ao que era antes&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A desigualdade n\u00e3o se resume a um ranking entre estados. &#8220;N\u00e3o adianta a gente ter uma m\u00e9dia nacional \u00f3tima se, por exemplo, o Rio de Janeiro t\u00eam ainda coberturas piores que o Acre.&#8221; O minist\u00e9rio investe em microplanejamento com estados e munic\u00edpios para corrigir bols\u00f5es de baixa cobertura mesmo em estados com m\u00e9dia boa.<\/p>\n<p>Um estudo com o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/unicef\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Unicef<\/a> (Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia) comparou Rio Branco, capital acreana com cobertura de cerca de 52%, a Ariquemes, em Rond\u00f4nia, de perfil socioecon\u00f4mico semelhante, mas cobertura acima de 90%. A diferen\u00e7a esteve na integra\u00e7\u00e3o com as escolas \u2014h\u00e1 tr\u00eas anos o minist\u00e9rio promove <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/06\/oito-anos-apos-lei-pioneira-estados-ainda-enfrentam-desafios-de-vacinar-dentro-da-escola.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">campanhas de vacina\u00e7\u00e3o nas escolas<\/a> em abril e maio.<\/p>\n<p>Se entre as mulheres participantes do estudo a cobertura chegou a 61,8%, entre os homens ficou em 31,1%, reflexo de uma desigualdade hist\u00f3rica. A vacina\u00e7\u00e3o de meninas come\u00e7ou em 2014, a de meninos s\u00f3 em 2017, e as faixas et\u00e1rias s\u00f3 foram equalizadas em 2022.<\/p>\n<p>Hoje, tr\u00eas estados j\u00e1 t\u00eam cobertura acima de 90% entre meninos, mas a m\u00e9dia nacional segue distante.<\/p>\n<p>&#8220;A menina, quando entra na adolesc\u00eancia, a m\u00e3e j\u00e1 leva no ginecologista. O pai, o menino, n\u00e3o&#8221;, diz Maranh\u00e3o. O minist\u00e9rio trabalha com a Sociedade Brasileira de Urologia e ONGs para reverter isso, al\u00e9m de manter busca ativa entre 15 e 19 anos \u2014 meta de 640 mil jovens, da qual s\u00f3 metade foi alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Wendland v\u00ea nesse desequil\u00edbrio um problema de percep\u00e7\u00e3o a corrigir com urg\u00eancia. &#8220;Ficou muito no consciente coletivo que \u00e9 uma<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/10\/nova-tecnologia-promete-detectar-hpv-de-forma-rapida-e-barata.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> vacina para proteger o c\u00e2ncer de colo uterino<\/a>. A gente vacina os meninos para proteger as meninas. Mas precisamos desmistificar isso. A gente vacina os meninos para proteger os meninos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Hoje, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer<\/a> mais associado ao HPV entre homens \u00e9 o de<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/quase-perdi-a-lingua-por-um-cancer-e-agora-alerto-outros-homens-sobre-o-risco-do-hpv.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> cabe\u00e7a e pesco\u00e7o<\/a>, sobretudo o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/vacina-nonavalente-contra-hpv-ganha-indicacao-para-tumores-de-cabeca-e-pescoco.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">orofaringe<\/a>, que vem crescendo e, segundo estimativas do grupo, j\u00e1 \u00e9 quase t\u00e3o prevalente no Brasil quanto o de colo do \u00fatero.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m identificou redu\u00e7\u00f5es em outros tipos de HPV n\u00e3o inclu\u00eddos na vacina, ind\u00edcio de prote\u00e7\u00e3o cruzada que refor\u00e7a o benef\u00edcio da imuniza\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos quatro tipos-alvo originais.<\/p>\n<p>Uma ressalva importante: o estudo mede preval\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o incid\u00eancia de c\u00e2ncer, que leva d\u00e9cadas para aparecer ou desaparecer nas estat\u00edsticas. &#8220;Eu preciso prevenir essa infec\u00e7\u00e3o para que toda a gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegue l\u00e1 sem c\u00e2ncer&#8221;, resume Wendland.<\/p>\n<p>Para ela, duas frentes v\u00e3o determinar se o Brasil se aproxima de pa\u00edses como Austr\u00e1lia e Dinamarca, que caminham para eliminar os c\u00e2nceres ligados ao HPV: refor\u00e7ar a vacina\u00e7\u00e3o at\u00e9 80% de cobertura em todos os estados e introduzir o<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/10\/nova-tecnologia-promete-detectar-hpv-de-forma-rapida-e-barata.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> rastreamento <\/a>por HPV-DNA, capaz de reduzir a mortalidade por c\u00e2ncer de colo do \u00fatero mais r\u00e1pido que a pr\u00f3pria vacina.<\/p>\n<p>A meta da OMS \u00e9 90% de cobertura entre meninas de at\u00e9 14 anos at\u00e9 2030. O Brasil j\u00e1 tem 11 estados nesse patamar e mant\u00e9m otimismo quanto ao prazo, mas com ambi\u00e7\u00e3o maior do que a definida pela OMS, diz Maranh\u00e3o. &#8220;N\u00f3s queremos alcan\u00e7ar nas meninas e nos meninos tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Um dado chamou aten\u00e7\u00e3o mesmo entre as pesquisadoras: a preval\u00eancia geral de HPV, somando todos os tipos, vacinais e n\u00e3o vacinais, aumentou de forma discreta entre as duas pesquisas, puxada por tipos fora da cobertura da vacina e por mudan\u00e7as de comportamento sexual, como o aumento da propor\u00e7\u00e3o de pessoas com dois ou mais parceiros no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>O achado n\u00e3o contradiz o impacto da vacina, dizem as autoras, mas refor\u00e7a que a queda nos tipos vacinais \u2014os mais associados ao c\u00e2ncer\u2014 n\u00e3o seria explicada por uma redu\u00e7\u00e3o geral da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, e sim pelo efeito espec\u00edfico da imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"tagline\">O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/projeto-saude-publica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">projeto Sa\u00fade P\u00fablica<\/a> tem apoio da Umane, associa\u00e7\u00e3o civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma \u00fanica dose da vacina contra o HPV protege tanto quanto duas ou tr\u00eas doses, e a imuniza\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":458515,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1776,236,116,12231,1208,2778,32,1494,4802,33,117,896,25520,13942,2820],"class_list":["post-458514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cancer","tag-folha","tag-health","tag-hpv","tag-medicina","tag-oms","tag-portugal","tag-producao-todas","tag-projeto-saude-publica","tag-pt","tag-saude","tag-saude-publica","tag-unicef","tag-vacina-hpv","tag-vacinacao"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116963318618296474","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/458514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=458514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/458514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/458515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=458514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=458514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=458514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}