{"id":459540,"date":"2026-07-23T08:29:47","date_gmt":"2026-07-23T08:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/459540\/"},"modified":"2026-07-23T08:29:47","modified_gmt":"2026-07-23T08:29:47","slug":"grave-e-reiterada-negligencia-ordem-dos-medicos-investiga-queixa-contra-oncologista-apos-morte-em-evora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/459540\/","title":{"rendered":"&#8220;Grave e reiterada neglig\u00eancia&#8221;: Ordem dos M\u00e9dicos investiga queixa contra oncologista ap\u00f3s morte em \u00c9vora"},"content":{"rendered":"<p>                Doente de 64 anos tinha sido diagnosticado com cancro na orofaringe e chegou ao hospital com um epis\u00f3dio de febre, acabando por morrer uma semana depois<\/p>\n<p>A Ordem dos M\u00e9dicos (OM) est\u00e1 a analisar uma queixa contra um m\u00e9dico oncologista do hospital de \u00c9vora, com acusa\u00e7\u00f5es de neglig\u00eancia, apresentada pela fam\u00edlia de um homem que morreu nas urg\u00eancias daquela unidade hospitalar.<\/p>\n<p>Esta queixa, a que a ag\u00eancia Lusa teve acesso esta quarta-feira, refere que a conduta do cl\u00ednico \u201cindicia grave e reiterada neglig\u00eancia\u201d e \u201cerro de crit\u00e9rio com desvaloriza\u00e7\u00e3o de sintomatologia cr\u00edtica (febre em doente oncol\u00f3gico)\u201d.<\/p>\n<p>A \u201comiss\u00e3o grav\u00edssima do dever de assist\u00eancia imediata em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia e uma conduta manifestamente violadora do respeito e humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade\u201d s\u00e3o outras das acusa\u00e7\u00f5es, pode ler-se no documento.<\/p>\n<p>Contactada pela Lusa, uma fonte da OM confirmou a rece\u00e7\u00e3o da queixa, limitando-se a adiantar que o caso ser\u00e1 analisado pelo Conselho Disciplinar da ordem.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Gabinete de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing da Unidade Local de Sa\u00fade do Alentejo Central (ULSAC), numa resposta por escrito \u00e0 Lusa, indicou ter recebido \u201cuma reclama\u00e7\u00e3o formal\u201d por parte da fam\u00edlia \u201csobre o atendimento prestado ao utente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA reclama\u00e7\u00e3o encontra-se atualmente em an\u00e1lise pelas inst\u00e2ncias competentes, com vista ao rigoroso apuramento dos factos\u201d, adiantou a ULSAC, na qual est\u00e1 integrado o Hospital do Esp\u00edrito Santo de \u00c9vora (HESE).<\/p>\n<p>O doente, de 64 anos, diagnosticado com cancro na orofaringe morreu, no dia 15 deste m\u00eas, nas urg\u00eancias do HESE.<\/p>\n<p>C\u00e9lia Caleiro, mulher do utente, explicou \u00e0 Lusa que, cerca de uma semana antes de morrer, o seu marido apresentava sinais de febre e que contactou o Servi\u00e7o de Oncologia do hospital, depois de o m\u00e9dico lhes ter pedido para evitarem as urg\u00eancias.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o pediu que o doente se deslocasse ao hospital para uma consulta com o oncologista, tendo o cl\u00ednico prescrito an\u00e1lises cl\u00ednicas e a toma de anti-inflamat\u00f3rio e dito que, \u201cse for uma bact\u00e9ria, lhe enviaria a receita por \u2018e-mail\u2019 e, se n\u00e3o dissesse nada, era porque os resultados estavam bons\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Nos dias seguintes, referiu a mulher, o marido manteve os tratamentos de radioterapia num hospital de Lisboa, uma vez que este servi\u00e7o no HESE est\u00e1 temporariamente fechado devido a obras, fazendo diariamente um total de 400 quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>Segundo C\u00e9lia Caleiro, na v\u00e9spera do \u00f3bito, o marido voltou a ter febre, pelo que telefonou para o Servi\u00e7o de Oncologia, tendo-lhe sido dito que o m\u00e9dico pedia para que continuasse os tratamentos e agendou uma consulta para o dia seguinte.<\/p>\n<p>A mulher contou que, na manh\u00e3 desse dia, se deslocou com o marido, que continuava com febre e tamb\u00e9m com falta de ar, para a consulta no Servi\u00e7o de Oncologia do HESE, situado no Edif\u00edcio do Patroc\u00ednio, onde chegaram por volta das 09:00.<\/p>\n<p>Enquanto aguardavam na sala de entrada do servi\u00e7o, C\u00e9lia Caleiro disse ter alertado os profissionais de sa\u00fade para o estado de sa\u00fade do marido e necessidade de ser assistido, que lhe responderam que \u201ctinham de aguardar por ordens do m\u00e9dico\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o relato, o marido esteve \u201cuma hora \u00e0 espera na oncologia\u201d, at\u00e9 que o m\u00e9dico o auscultou, colocando-o a oxig\u00e9nio, e, depois, ordenou que fosse transportado de ambul\u00e2ncia para as urg\u00eancias, situadas no outro edif\u00edcio do hospital.<\/p>\n<p>\u201cQuando entrou na urg\u00eancia j\u00e1 eram 10:42 e eu s\u00f3 tive tempo de ir ao guich\u00e9 com a carta [\u2026] Foi chegar \u00e0 urg\u00eancia e morrer\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>C\u00e9lia Caleiro considerou que \u201cn\u00e3o foram feitas todas as dilig\u00eancias\u201d e acusou o m\u00e9dico de neglig\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o digo que ele n\u00e3o morresse do problema oncol\u00f3gico, mas eu dizia assim: \u2018O meu marido teve toda a assist\u00eancia de que precisou\u2019\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Doente de 64 anos tinha sido diagnosticado com cancro na orofaringe e chegou ao hospital com um 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