{"id":459784,"date":"2026-07-23T13:44:07","date_gmt":"2026-07-23T13:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/459784\/"},"modified":"2026-07-23T13:44:07","modified_gmt":"2026-07-23T13:44:07","slug":"quais-sao-os-fatores-geneticos-relacionados-ao-borderline-segundo-maior-estudo-sobre-o-tema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/459784\/","title":{"rendered":"Quais s\u00e3o os fatores gen\u00e9ticos relacionados ao borderline, segundo maior estudo sobre o tema"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores encontraram evid\u00eancias de poss\u00edveis fatores gen\u00e9ticos de risco relacionados ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), em grande estudo publicado nesta segunda-feira (20) no peri\u00f3dico <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41588-026-02654-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener sponsored nofollow\">Nature Genetics<\/a>.<\/p>\n<p>Reunindo dados de mais de 1 milh\u00e3o de pessoas em 14 pa\u00edses, a nova an\u00e1lise representa o maior estudo de associa\u00e7\u00e3o do genoma completo (Genome-wide association study, GWAS) j\u00e1 feito sobre o tema. Nesse tipo de pesquisa, especialistas analisam sequ\u00eancias completas de DNA em busca de varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que possam estar relacionadas a algum tra\u00e7o espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Os perigos ocultos dos pept\u00eddeos para as mulheres<\/p>\n<p>A equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Instituto Central de Sa\u00fade Mental de Mannheim (Alemanha) foi capaz de identificar 11 regi\u00f5es de risco dentro do genoma humano, abrangendo nove genes funcionais possivelmente relacionados ao desenvolvimento do borderline.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, poucas pesquisas haviam explorado as bases biol\u00f3gicas que poderiam contribuir para o desenvolvimento da condi\u00e7\u00e3o. Nenhuma em grande escala.<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo mostra pela primeira vez em n\u00edvel gen\u00e9tico que o TPB est\u00e1 associado a uma variedade de outras doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas e f\u00edsicas. Isso abre novos caminhos para compreender melhor suas causas e, a longo prazo, aprimorar o cuidado prestado \u00e0s pessoas afetadas\u201d, afirma, em comunicado, o pesquisador Fabian Streit, membro do instituto alem\u00e3o e principal autor do estudo.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o complexa que prejudica de maneira severa o controle das emo\u00e7\u00f5es, podendo levar a comportamentos impulsivos, dificuldades com relacionamentos e distor\u00e7\u00f5es na percep\u00e7\u00e3o do portador sobre sua auto-imagem. Os sintomas costumam surgir durante a adolesc\u00eancia, e o diagn\u00f3stico \u00e9 feito a partir da observa\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es emocionais, cognitivos e comportamentais recorrentes ao longo da vida.<\/p>\n<p>O Borderline pode impactar consideravelmente a qualidade de vida de uma pessoa. Portadores s\u00e3o mais propensos \u00e0 autoles\u00e3o e a idea\u00e7\u00f5es suicidas ou tentativas de suic\u00eddio, podendo apresentar tamb\u00e9m sintomas relacionados a outros quadros cl\u00ednicos, como depress\u00e3o, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar e transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, assim como uma propens\u00e3o maior ao abuso de subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses ocidentais, a condi\u00e7\u00e3o afeta entre 0,9% a 1,9% da popula\u00e7\u00e3o, ao passo que mulheres tendem a receber o diagn\u00f3stico aproximadamente tr\u00eas vezes mais que homens (em parte, por conta de um vi\u00e9s diagn\u00f3stico).<\/p>\n<p>Os fatores que levam ao desenvolvimento da condi\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o pouco compreendidos. Estudos passados identificaram certos fatores ambientais (isto \u00e9, aspectos da experi\u00eancia de vida de cada pessoa) que podem contribuir para o surgimento do TPB. Com destaque, portadores do transtorno tendem a relatar experi\u00eancias adversas ocorridas durante a inf\u00e2ncia, incluindo casos de abuso e neglig\u00eancia, com maior frequ\u00eancia. Mesmo quando comparados a pacientes com outros transtornos psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Ainda assim, muitos indiv\u00edduos com o mesmo diagn\u00f3stico <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/acps.13256\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">n\u00e3o relatam<\/a> qualquer experi\u00eancia desse tipo, indicando que o borderline pode surgir por vias n\u00e3o relacionadas ao trauma. Estudos feitos com <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41380-019-0442-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener sponsored nofollow\">fam\u00edlias<\/a> e <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1053\/comp.2000.16560\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">irm\u00e3os g\u00eameos<\/a> mostraram que a hereditariedade do transtorno fica entre 46% e 69%<\/p>\n<p>Ainda assim, poucas pesquisas focaram nos poss\u00edveis fatores para o desenvolvimento do TPB contidos na biologia e na gen\u00e9tica. \u201cO Transtorno de Personalidade Borderline \u00e9 um dos transtornos mentais mais graves \u2013 e, mesmo assim, sabemos surpreendentemente pouco sobre sua base biol\u00f3gica\u201d, diz Streit.<\/p>\n<p>O novo artigo re\u00fane dados de 27 estudos diferentes, que recrutaram pessoas com TPB ou analisaram registros m\u00e9dicos e gen\u00e9ticos armazenados em biobancos. Os pesquisadores procuraram por mais de seis milh\u00f5es de marcadores gen\u00e9ticos no genoma de mais de um milh\u00e3o de indiv\u00edduos. No total, eram 12.339 pessoas com TPB, e 1.041.717 pessoas sem o transtorno.<\/p>\n<p>Inicialmente, os autores identificaram seis regi\u00f5es do genoma (chamadas \u201clocis\u201d) com varia\u00e7\u00f5es comuns entre pessoas com Borderline. Para confirmar os resultados, a mesma an\u00e1lise foi refeita em outro grupo, com 685 pessoas com TPB, e 107.750 pessoas sem. As varia\u00e7\u00f5es continuaram significativas. De b\u00f4nus, a combina\u00e7\u00e3o das duas an\u00e1lises tamb\u00e9m permitiu com que os cientistas identificassem mais cinco regi\u00f5es com esse tipo de varia\u00e7\u00e3o, totalizando 11 locis associados ao TPB.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A partir desses resultados, o estudo sugere que as varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas identificadas correspondem a cerca de 17% do risco heredit\u00e1rio de TPB. Um dado que, segundo os pesquisadores, est\u00e1 de acordo com os resultados dos estudos feitos com fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, algumas das varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas encontradas pelos pesquisadores tamb\u00e9m correspondem a marcadores de outros transtornos, como depress\u00e3o, transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (<a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/saude\/tdah-o-que-o-tiktok-nao-conta\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">TDAH<\/a>) e comportamentos antissociais, assim como condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, como doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC) e diabetes. A coincid\u00eancia gen\u00e9tica mais forte ocorria com o transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico (TEPT).<\/p>\n<p>\u201cO novo estudo fornece um importante \u00edmpeto para uma melhor compreens\u00e3o das causas biol\u00f3gicas e das op\u00e7\u00f5es de tratamento delas decorrentes. Os resultados se alinham muito bem \u00e0 nossa abordagem cada vez mais transdiagn\u00f3stica e refor\u00e7am a import\u00e2ncia de adaptar os planos terap\u00eauticos \u00e0s comorbidades\u201d, afirma Christian Schmahl, co-autor do estudo, no comunicado.<\/p>\n<p>Com a descoberta dos m\u00faltiplos genes ligados ao Borderline, Fabian Streit tra\u00e7a um paralelo entre os novos achados e os estudos de associa\u00e7\u00e3o do genoma completo (GWAS) que encontraram os primeiros marcadores relacionados \u00e0 <a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/comportamento\/esquizofrenia-realidade-partida\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">esquizofrenia<\/a>, e assim impulsionaram as pesquisas gen\u00e9ticas sobre a condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>\u201cEsses achados evidenciam a natureza altamente polig\u00eanica do transtorno de personalidade borderline. Eles se assemelham aos primeiros resultados dos GWAS sobre esquizofrenia, realizados h\u00e1 cerca de 15 anos, que inicialmente identificaram apenas alguns loci de risco \u2013 antes que colabora\u00e7\u00f5es internacionais e coortes cada vez maiores levassem a um crescimento exponencial das descobertas. Podemos esperar uma trajet\u00f3ria semelhante para o borderline\u201d, afirma Streit.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 ampliar a pesquisa para estudos ainda maiores e mais diversificados. O estudo atual, por exemplo, s\u00f3 contou com indiv\u00edduos de ancestralidade europeia. \u201cSer\u00e1 fundamental ampliar os estudos para incluir popula\u00e7\u00f5es com ancestralidades mais diversas e integrar os achados gen\u00e9ticos a fen\u00f3tipos cl\u00ednicos e exposi\u00e7\u00f5es ambientais, como traumas\u201d, continua o pesquisador.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se tem registro de nenhum medicamento capaz de tratar o borderline. Atualmente, o tratamento mais indicado s\u00e3o as interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. A Terapia Comportamental Dial\u00e9tica (TCD) foi desenvolvida especificamente para o tratamento de borderline, e foi uma das primeiras a demonstrar efic\u00e1cia por meio de estudos cl\u00ednicos. A Terapia do Esquema, Terapia Focada em Mentaliza\u00e7\u00e3o (MBT) e Terapia Focada na Transfer\u00eancia (TFP) tamb\u00e9m apresentam evid\u00eancias de efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>AS MAIS LIDAS DA SEMANA<\/p>\n<p>\n                            Toda sexta, uma sele\u00e7\u00e3o das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.<br \/>\n                                <strong><br \/>\n                                    Inscreva-se aqui<br \/>\n                                <\/strong><\/p>\n<p>                            Cadastro efetuado com sucesso!<\/p>\n<p>Voc\u00ea receber\u00e1 nossas newsletters pela manh\u00e3 de segunda a sexta-feira.<\/p>\n<p>    Continua ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores encontraram evid\u00eancias de poss\u00edveis fatores gen\u00e9ticos de risco relacionados ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), em grande&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":459785,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[73698,2217,14656,116,32,33,117,1030,73699],"class_list":["post-459784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-gene","tag-genetica","tag-genoma","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-transtorno-psiquiatrico"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/459784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=459784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/459784\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/459785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=459784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=459784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=459784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}