{"id":46027,"date":"2025-08-26T15:59:08","date_gmt":"2025-08-26T15:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/46027\/"},"modified":"2025-08-26T15:59:08","modified_gmt":"2025-08-26T15:59:08","slug":"estamos-a-envelhecer-mais-rapido-por-causa-das-sucessivas-ondas-de-calor-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/46027\/","title":{"rendered":"Estamos a envelhecer mais r\u00e1pido por causa das sucessivas ondas de calor | Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Actualmente, \u00e9 j\u00e1 imposs\u00edvel ignorar o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na sa\u00fade p\u00fablica. Os alertas s\u00e3o constantes. Agora, um estudo publicado na revista Nature Climate Change conclui que a exposi\u00e7\u00e3o a sucessivos anos de ondas de calor pode tamb\u00e9m acelerar o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Os cientistas identificaram alguns grupos que correm maior risco, como pessoas que executam trabalhos manuais que exigem esfor\u00e7o f\u00edsico, residentes rurais e pessoas de comunidades desfavorecidas com menos acesso a aparelhos de ar condicionado.<\/p>\n<p>\u201cAs altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o desafios globais urgentes. No entanto, a interac\u00e7\u00e3o entre eles, como as associa\u00e7\u00f5es entre a exposi\u00e7\u00e3o prolongada a ondas de calor e a Acelera\u00e7\u00e3o da Idade Biol\u00f3gica (AIB), ainda n\u00e3o est\u00e1 clara\u201d, come\u00e7am por referir os autores <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-025-02407-w\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">do artigo<\/a> intitulado: \u201cImpactos a longo prazo das ondas de calor na acelera\u00e7\u00e3o do envelhecimento\u201d.<\/p>\n<p>Durante 15 anos, os cientistas analisaram dados de 24 922 adultos, com uma idade biol\u00f3gica m\u00e9dia de 46,3 anos, numa coorte longitudinal em Taiwan (entre 2008 e 2022). \u201cAs ondas de calor foram definidas utilizando limiares relativos e absolutos. A AIB foi calculada como a diferen\u00e7a entre a idade biol\u00f3gica e a idade cronol\u00f3gica\u201d, explicam no resumo da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Resultado? A exposi\u00e7\u00e3o prolongada a calor excessivo est\u00e1 associada a um aumento da idade biol\u00f3gica, mas de forma desigual, afectando mais alguns grupos da popula\u00e7\u00e3o do que outros. Designadamente, pessoas que trabalham ao ar livre, agricultores e membros de comunidades desfavorecidas com menos acesso a aparelhos de ar condicionado.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A popula\u00e7\u00e3o sem acesso a ar condicionado \u00e9 um dos grupos de risco identificados no estudo que associa o calor \u00e0 a acelera\u00e7\u00e3o do envelhecimento&#13;<br \/>\nMaria Korneeva\/GettyImages                    &#13;<\/p>\n<p>Os mais vulner\u00e1veis<\/p>\n<p>A acelera\u00e7\u00e3o na idade biol\u00f3gica pode parecer pouco expressiva: \u201cCada aumento do intervalo interquartil na exposi\u00e7\u00e3o cumulativa a ondas de calor [a diferen\u00e7a entre os n\u00edveis do terceiro e do primeiro quartil] foi associado a um aumento associado na acelera\u00e7\u00e3o da idade de 0,023 a 0,031 anos na AIB\u201d.<\/p>\n<p>Isto significa que os autores deste estudo conclu\u00edram que a idade biol\u00f3gica aumentava entre oito a 12 dias em pessoas que passaram por mais de quatro dias de onda de calor ao longo de um per\u00edodo de dois anos. Ou seja, pode parecer pouco, mas estamos tamb\u00e9m a falar de um curto per\u00edodo de dois anos. Falta saber se existe um efeito cumulativo e qual ser\u00e1.<\/p>\n<p>Em alguns casos de pessoas mais vulner\u00e1veis como, por exemplo, os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/22\/azul\/noticia\/calor-excesso-trabalho-mata-onu-insta-patroes-governos-agir-2144617\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">trabalhadores manuais <\/a>que fazem um esfor\u00e7o f\u00edsico e que muitas vezes \u00e9 desempenhado ao ar livre, esta associa\u00e7\u00e3o pode significar um aumento de 33 dias na idade biol\u00f3gica num per\u00edodo de dois anos. \u201cEste estudo destaca a necessidade de pol\u00edticas e interven\u00e7\u00f5es direccionadas para fortalecer a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, retardar o envelhecimento e promover um envelhecimento saud\u00e1vel\u201d, concluem os autores do estudo.<\/p>\n<p>As <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/15\/azul\/noticia\/armadilhas-calor-morrem-tantos-idosos-termometros-disparam-2140271\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pessoas mais velhas <\/a>tamb\u00e9m est\u00e3o no grupo das mais vulner\u00e1veis, mas h\u00e1 outros factores como atravessar estes per\u00edodos de calor extremo sem acesso a ar condicionado que podem acelerar o envelhecimento. Estima-se que a popula\u00e7\u00e3o com mais de 65 anos aumente de cerca de 10% em 2022 para 16% em 2050.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A idade biol\u00f3gica e a cronol\u00f3gica<\/p>\n<p>Os autores esclarecem, no entanto, que esta acelera\u00e7\u00e3o do envelhecimento n\u00e3o \u00e9 o mesmo que perder literalmente dias da sua vida. \u201cReflecte uma mudan\u00e7a mensur\u00e1vel nos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/02\/27\/azul\/noticia\/calor-extremo-acelerar-relogio-biologico-pessoas-velhas-2124035\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">marcadores biol\u00f3gicos de envelhecimento<\/a>, n\u00e3o no calend\u00e1rio\u201d. H\u00e1 uma idade cronol\u00f3gica, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma idade biol\u00f3gica que se poder\u00e1 medir pelos danos em alguns dos nossos principais \u00f3rg\u00e3os quando comparados com os de uma pessoa saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>A idade biol\u00f3gica foi calculada utilizando biomarcadores cl\u00ednicos que reflectem o estado funcional do organismo, sendo certo que o envelhecimento est\u00e1 associado a riscos mais elevados de resultados adversos para a sa\u00fade, incluindo doen\u00e7as cardiovasculares e mortalidade.<\/p>\n<p>    &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                33&#13;<br \/>\n                33 dias, num per\u00edodo de dois anos, \u00e9 quanto a idade biol\u00f3tica pode aumentar em pessoas que fazem trabalhos que implicam esfor\u00e7os ao ar livre durante ondas de calor&#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;\n        <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n        &#13;<\/p>\n<p>Cerca 25 mil adultos, com idades entre 25 e 80 anos, participaram no estudo, tendo sido realizadas um total de 33.701 observa\u00e7\u00f5es entre 2008 e 2022. Os dados recolhidos inclu\u00edram medi\u00e7\u00f5es antropom\u00e9tricas, espirometria, an\u00e1lises ao sangue, informa\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas, factores de estilo de vida e o historial m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Os investigadores alertam no artigo que calculam que o impacto total nas popula\u00e7\u00f5es em todo o mundo \u00e9 significativo e que pode ter uma influ\u00eancia no aumento de risco de morte. &#8220;Se a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ondas de calor se acumular durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, o impacto na sa\u00fade ser\u00e1 muito maior do que o que relat\u00e1mos&#8221;, afirma o Dr. Cui Guo, da Universidade de Hong Kong, que liderou a investiga\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2025\/aug\/25\/heatwaves-making-people-age-faster-study-suggests\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">citado pelo The Guardian<\/a>. &#8220;As ondas de calor tamb\u00e9m est\u00e3o a tornar-se <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/16\/azul\/noticia\/ondas-calor-80-dias-podem-passar-comuns-norte-centro-pais-2144035\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mais frequentes e duradouras<\/a>, pelo que os impactos na sa\u00fade poder\u00e3o ser muito maiores [no futuro].&#8221;<\/p>\n<p>Pol\u00edticas para reduzir desigualdades<\/p>\n<p>Um coment\u00e1rio publicado com o artigo lembra que estudos anteriores j\u00e1 tinham \u201cdemonstrado os efeitos negativos das ondas de calor nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade relacionadas com a idade, particularmente entre os idosos, eles se concentraram principalmente na exposi\u00e7\u00e3o de curto prazo ao calor prolongado\u201d. Compreender como a exposi\u00e7\u00e3o prolongada ao calor ao longo de v\u00e1rios anos pode ajudar a explicar o potencial impacto a longo prazo das ondas de calor no envelhecimento humano.<\/p>\n<p>No mesmo coment\u00e1rio, destaca-se que o estudo revelou ainda que, \u201cembora os participantes parecessem adaptar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de ondas de calor ao longo do per\u00edodo de 15 anos, os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/08\/18\/azul\/reportagem\/saude-clima-ha-20-anos-ninguem-admitia-morria-calor-mudou-2059967\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">efeitos nocivos para a sa\u00fade<\/a> n\u00e3o desapareceram\u201d. As conclus\u00f5es, insiste a an\u00e1lise destes resultados, \u201csublinham a necessidade de pol\u00edticas que reduzam as desigualdades ambientais e melhorem a resili\u00eancia \u00e0s ondas de calor, especialmente entre os grupos vulner\u00e1veis, orientando protec\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e uma aloca\u00e7\u00e3o eficiente dos recursos de sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2025\/aug\/25\/heatwaves-making-people-age-faster-study-suggests\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">not\u00edcia<\/a> do The Guardian cita tamb\u00e9m Paul Beggs, da Universidade Macquarie em Sydney, Austr\u00e1lia, que n\u00e3o fez parte deste estudo: &#8220;Muitos de n\u00f3s j\u00e1 pass\u00e1mos por ondas de calor e sobrevivemos ilesos \u2014 ou assim pens\u00e1vamos. [Esta investiga\u00e7\u00e3o] mostra agora que a exposi\u00e7\u00e3o a ondas de calor afecta a velocidade com que envelhecemos&#8221;.<\/p>\n<p>E acrescenta: \u201cEm 2024, [os cientistas] descobriram que a exposi\u00e7\u00e3o ao calor na inf\u00e2ncia afecta negativamente o desenvolvimento da mat\u00e9ria branca do c\u00e9rebro em crian\u00e7as. Juntamente com a nova descoberta de que a exposi\u00e7\u00e3o a ondas de calor acelera o envelhecimento em adultos, temos uma mudan\u00e7a de paradigma na nossa compreens\u00e3o da extens\u00e3o e gravidade do impacto do calor na nossa sa\u00fade. O impacto pode ocorrer em qualquer idade e pode ser vital\u00edcio.\u201d<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial lan\u00e7am na semana passada um alerta a governos e empresas em todo o mundo, com pistas sobre como combater o stress t\u00e9rmico no trabalho, que afecta 2400 milh\u00f5es de pessoas &#8211; ou <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/22\/azul\/noticia\/calor-excesso-trabalho-mata-onu-insta-patroes-governos-agir-2144617\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">70% da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora <\/a>em todo o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Actualmente, \u00e9 j\u00e1 imposs\u00edvel ignorar o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na sa\u00fade p\u00fablica. Os alertas s\u00e3o constantes. 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