{"id":460845,"date":"2026-07-24T13:31:12","date_gmt":"2026-07-24T13:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/460845\/"},"modified":"2026-07-24T13:31:12","modified_gmt":"2026-07-24T13:31:12","slug":"desinformacao-na-saude-deixou-desafios-mostra-pesquisa-24-07-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/460845\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o na sa\u00fade deixou desafios, mostra pesquisa &#8211; 24\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/tec\/2026\/06\/perfis-criam-medicos-falsos-e-lucram-com-desinformacao-nas-redes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> desinforma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade <\/a>n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;ru\u00eddo&#8221; digital. Ela se traduz em atrasos de diagn\u00f3stico, abandono de tratamento e conflitos em fam\u00edlia. Al\u00e9m de decis\u00f5es cl\u00ednicas mais dif\u00edceis no dia a dia porque o paciente chega ao atendimento com a informa\u00e7\u00e3o j\u00e1 &#8220;pronta&#8221;, embalada em linguagem emocional e em formatos f\u00e1ceis de compartilhar.<\/p>\n<p>Na porta de entrada dos sistemas de sa\u00fade, especialmente na<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/05\/a-cada-3-minutos-uma-pessoa-e-internada-no-brasil-por-falhas-na-saude-primaria-diz-levantamento.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade <\/a>(APS), essa onda ganha um efeito amplificador. Aquilo que circula em grupos de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/whatsapp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">WhatsApp<\/a> e m\u00eddias sociais aparece, poucas horas depois, no balc\u00e3o da unidade, na visita domiciliar ou na sala de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente na APS que o v\u00ednculo entre profissionais e comunidade tende a ser mais est\u00e1vel. Agentes Comunit\u00e1rios de Sa\u00fade (ACS), enfermeiros e m\u00e9dicos de fam\u00edlia n\u00e3o lidam apenas com sintomas e exames, mas lidam com confian\u00e7a. E confian\u00e7a \u00e9 um insumo essencial para qualquer pol\u00edtica p\u00fablica em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Quando a informa\u00e7\u00e3o falsa se espalha, ela n\u00e3o s\u00f3 confunde, mas reorganiza prioridades, desestrutura rotinas e fragiliza a autoridade t\u00e9cnica de quem orienta a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/ecos.unb.br\/praxis\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo comparado<\/a> com pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa e espanhola, incluindo Angola, Argentina, Brasil, Cabo Verde, Chile, Col\u00f4mbia, Espanha, Guin\u00e9-Bissau, M\u00e9xico, Mo\u00e7ambique, Peru, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, descreve como a desinforma\u00e7\u00e3o desafia simultaneamente a gest\u00e3o do conhecimento e a confian\u00e7a nas autoridades sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ao olhar para diferentes contextos sociopol\u00edticos e n\u00edveis de acesso digital, a an\u00e1lise ajuda a entender por que, em certos lugares, a desinforma\u00e7\u00e3o &#8220;cola&#8221; com mais facilidade e como ela reconfigura o trabalho das equipes de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Onde a ci\u00eancia encontra o territ\u00f3rio<\/p>\n<p>Participamos do <a href=\"https:\/\/ecos.unb.br\/pesquisadores\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">projeto Estudos Comparados sobre a Desinforma\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade<\/a>, coordenado pelo Laborat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o, Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Universidade de Bras\u00edlia (ECoS\/UnB), uma rede nacional e internacional, e fomos investigar a comunica\u00e7\u00e3o na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria. Entre as institui\u00e7\u00f5es brasileiras que participam do projeto est\u00e3o as universidades do Estado do Rio de Janeiro e as federais de Goi\u00e1s, Para\u00edba e do Vale do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Em grandes hospitais, a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o costuma estar mediada por protocolos, equipes numerosas e estruturas formais de comunica\u00e7\u00e3o. Na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria, a l\u00f3gica \u00e9 outra. A infraestrutura cognitiva do sistema de sa\u00fade se organiza perto da vida cotidiana. A orienta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e valida\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es deveriam ocorrer de forma cont\u00ednua, personalizada e ancorada na realidade local.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, nosso estudo indica fragilidades importantes. Uma delas \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria dos profissionais no territ\u00f3rio. Os profissionais de sa\u00fade da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria relatam o desafio recorrente de corrigir mensagens falsas que chegam por aplicativos de mensagens e m\u00eddias sociais \u2014muitas vezes encaminhadas &#8220;por algu\u00e9m de confian\u00e7a&#8221; (um parente, um vizinho, um l\u00edder comunit\u00e1rio).<\/p>\n<p>Quando a<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2025\/11\/stf-e-urnas-sao-principais-alvos-de-desinformacao-no-whatsapp-diz-relatorio.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> informa\u00e7\u00e3o falsa<\/a> vem carregada de medo ou indigna\u00e7\u00e3o, a corre\u00e7\u00e3o factual, sozinha, costuma ser insuficiente. \u00c9 preciso escuta, habilidade de conversa e tempo, recursos mais escassos em servi\u00e7os sobrecarregados.<\/p>\n<p>Outra fragilidade \u00e9 o d\u00e9ficit de literacia (letramento) informacional e digital. Muitos profissionais usam intensamente a internet para se atualizar, mas relatam inseguran\u00e7a ao avaliar a confiabilidade de fontes na web.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 relevante porque desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reconhece apenas pelo &#8220;conte\u00fado&#8221; (o que \u00e9 dito), mas tamb\u00e9m pela forma de circula\u00e7\u00e3o (quem publica, como \u00e9 compartilhado, quais sinais de credibilidade s\u00e3o simulados).<\/p>\n<p>Em outras palavras, n\u00e3o basta ter acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio ter repert\u00f3rio para julgar a qualidade do que se l\u00ea, v\u00ea e escuta.<\/p>\n<p>Por que a vacina\u00e7\u00e3o vira alvo preferencial<\/p>\n<p>Um achado que atravessa pa\u00edses e cen\u00e1rios \u00e9 o epicentro vacinal, em que<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/01\/desinformacao-sobre-vacinas-um-efeito-colateral-duradouro-da-covid-19.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> imunizantes surgem como os principais tema da desinforma\u00e7\u00e3o<\/a>, alimentando hesita\u00e7\u00e3o vacinal por meio de narrativas de medo, suspeita e desconfian\u00e7a institucional.<\/p>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es estruturais para isso. Vacinas s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es coletivas (dependem de ades\u00e3o ampla), envolvem crian\u00e7as (o que mobiliza emo\u00e7\u00f5es fortes), s\u00e3o aplicadas em campanhas de massa (vis\u00edveis e politizadas) e, frequentemente, exigem confian\u00e7a em institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e governamentais.<\/p>\n<p>Quando uma corrente diz que &#8220;a vacina faz mal&#8221;, &#8220;n\u00e3o foi testada&#8221;, &#8220;tem interesses ocultos&#8221; ou &#8220;causa efeitos graves&#8221;, n\u00e3o precisa provar nada com rigor. Basta introduzir<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2024\/12\/descrenca-e-principal-motivo-que-leva-pessoas-a-nao-se-vacinarem-contra-a-covid-diz-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> d\u00favida suficiente <\/a>para adiar a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse adiamento, em escala populacional, reduz coberturas vacinais e reabre espa\u00e7o para doen\u00e7as j\u00e1 controladas. Esse cen\u00e1rio provoca impacto direto sobre a seguran\u00e7a do paciente e a capacidade de resposta do sistema.<\/p>\n<p>Risco de desinforma\u00e7\u00e3o e literacia em sa\u00fade<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de relatos, a pesquisa buscou mapear um &#8220;Risco de Desinforma\u00e7\u00e3o&#8221; (R) ao cruzar dados de circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias com n\u00edveis de literacia em sa\u00fade. A ideia \u00e9 simples, mas poderosa. A probabilidade de dano n\u00e3o depende apenas do volume de conte\u00fado enganoso, e sim da capacidade de pessoas e institui\u00e7\u00f5es reconhecerem, filtrarem e responderem a esse conte\u00fado.<\/p>\n<p>No recorte apresentado, aparecem pa\u00edses com alto risco, como a Argentina (R=0,92), onde a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2026\/07\/pesquisa-datafolha-desafia-polarizacao-ideologica.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">polariza\u00e7\u00e3o <\/a>e a desconfian\u00e7a institucional intensificam a vulnerabilidade informacional. A Col\u00f4mbia tamb\u00e9m surge com alto risco (R=0,74), com necessidade de estrat\u00e9gias mais direcionadas a popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. Portugal aparece com risco m\u00e9dio (R=0,54) e, apesar de literacia moderada, h\u00e1 car\u00eancia de foco em compet\u00eancias digitais espec\u00edficas para sa\u00fade.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>O Brasil figura como risco m\u00e9dio (R=0,52), mas com um detalhe cr\u00edtico que s\u00e3o os baixos n\u00edveis de literacia na popula\u00e7\u00e3o. Com isso, tendem a transferir para o agente de sa\u00fade o papel de &#8220;tradutor&#8221; permanente do conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Ler esses n\u00fameros como ranking seria pouco produtivo uma vez que o valor anal\u00edtico est\u00e1 em mostrar que a vulnerabilidade \u00e9 multifatorial e envolve contexto pol\u00edtico, confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, desigualdade educacional, caracter\u00edsticas do ecossistema digital e qualidade da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>O indicador funciona como um term\u00f4metro para orientar prioridades: onde refor\u00e7ar forma\u00e7\u00e3o profissional, investir em comunica\u00e7\u00e3o oficial, intensificar monitoramento e onde aproximar ci\u00eancia e comunidade.<\/p>\n<p>Elo fr\u00e1gil: a experi\u00eancia do usu\u00e1rio nos sites oficiais<\/p>\n<p>Um resultado particularmente revelador do estudo \u00e9 que, em muitos casos, os pr\u00f3prios sites oficiais do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ministerio-da-saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a> falham em oferecer resposta r\u00e1pida e utiliz\u00e1vel quando a popula\u00e7\u00e3o procura orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Problemas de navegabilidade, atualiza\u00e7\u00e3o irregular e falta de clareza tornam essas plataformas pouco atraentes no momento em que o usu\u00e1rio precisa de uma resposta simples e imediata.<\/p>\n<p>O efeito \u00e9 quase paradoxal. Quanto mais confuso e lento \u00e9 o canal oficial, maior a chance de a pessoa voltar para onde a resposta &#8220;parece&#8221; mais acess\u00edvel: as redes sociais e os aplicativos de mensagens. Justamente onde a desinforma\u00e7\u00e3o circula com mais velocidade.<\/p>\n<p>Esse ponto tem implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Enfrentar a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/fake-news\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">desinforma\u00e7\u00e3o <\/a>n\u00e3o \u00e9 apenas publicar notas t\u00e9cnicas ou desmentidos. \u00c9 desenhar caminhos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel que sejam t\u00e3o f\u00e1ceis de usar quanto as mensagens enganosas.<\/p>\n<p>Se a not\u00edcia falsa chega em um \u00e1udio curto, o contraponto oficial precisa existir em formato compat\u00edvel com o cotidiano, em linguagem clara, respostas diretas, materiais compartilh\u00e1veis, orienta\u00e7\u00e3o por etapas e atualiza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida.<\/p>\n<p>O que os profissionais fazem quando recebem uma fake news<\/p>\n<p>No Brasil, dados coletados evidenciam comportamentos variados entre profissionais diante de conte\u00fados falsos. Uma parcela significativa relata a\u00e7\u00f5es proativas. Mais de 30% afirmam que, ao receberem uma informa\u00e7\u00e3o falsa, apagam o conte\u00fado e alertam quem o compartilhou, numa tentativa de interromper a cadeia de encaminhamentos.<\/p>\n<p>A maioria (51,2%) diz verificar previamente se o site que publicou a not\u00edcia \u00e9 fonte confi\u00e1vel antes de agir, o que indica a busca por crit\u00e9rios de valida\u00e7\u00e3o. E sinaliza uma demanda por instrumentos mais objetivos, r\u00e1pidos e padronizados para checagem. H\u00e1 ainda uma fra\u00e7\u00e3o menor (aproximadamente 9,9%) que adota postura passiva e apenas ignora a mensagem, sem apagar ou repassar.<\/p>\n<p>Essas respostas n\u00e3o devem ser lidas isoladamente como &#8220;certas&#8221; ou &#8220;erradas&#8221;. Elas refletem condi\u00e7\u00f5es concretas de trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao tempo dispon\u00edvel, clareza de protocolos, forma\u00e7\u00e3o para avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de fontes e, sobretudo, suporte institucional.<\/p>\n<p>Sem diretrizes claras, o enfrentamento vira uma tarefa individual e, no limite, desigual; acaba dependendo do repert\u00f3rio e da disposi\u00e7\u00e3o de cada profissional.<\/p>\n<p>O estudo converge para uma conclus\u00e3o central: desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se enfrenta apenas com corre\u00e7\u00e3o factual.<\/p>\n<p>A disputa \u00e9 tamb\u00e9m por confian\u00e7a, tempo de aten\u00e7\u00e3o e capacidade institucional de responder com agilidade. Nesse contexto, fortalecer compet\u00eancias profissionais torna-se t\u00e3o importante quanto aprimorar canais oficiais de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este texto foi publicado no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/the-conversation\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>. Clique <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/pesquisa-revela-os-desafios-gerados-pela-desinformacao-no-trabalho-de-profissionais-de-saude-287144\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui <\/a>para ler a vers\u00e3o original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A desinforma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;ru\u00eddo&#8221; digital. 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