{"id":461489,"date":"2026-07-25T00:22:17","date_gmt":"2026-07-25T00:22:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/461489\/"},"modified":"2026-07-25T00:22:17","modified_gmt":"2026-07-25T00:22:17","slug":"ha-dez-anos-o-assassinato-de-hamel-padre-bour-da-sua-morte-uma-semente-de-perdao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/461489\/","title":{"rendered":"H\u00e1 dez anos, o assassinato de Hamel, padre Bour: da sua morte, uma semente de perd\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dez anos, em 26 de julho de 2016, o padre Jacques Hamel, p\u00e1roco de Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray, no norte da Fran\u00e7a, foi assassinado enquanto celebrava a Santa Missa, tendo a garganta cortada por dois terroristas que juraram lealdade ao Estado Isl\u00e2mico. Um paroquiano que participava da celebra\u00e7\u00e3o ficou gravemente ferido.<\/p>\n<p><b>Jean-Charles Putzolu \u2013 Cidade do Vaticano<\/b><\/p>\n<p>Diversas homenagens est\u00e3o sendo prestadas na Fran\u00e7a no 10\u00ba anivers\u00e1rio do assassinato do padre Jacques Hamel em sua igreja, em 26 de julho de 2016. Iniciativas inter-religiosas focadas na compreens\u00e3o entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, exposi\u00e7\u00f5es e momentos de ora\u00e7\u00e3o e partilha est\u00e3o sendo organizados, principalmente em Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray. O cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Francesa, presidir\u00e1 uma Missa, transmitida no domingo por canais de televis\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Embora a mem\u00f3ria seja importante para as gera\u00e7\u00f5es mais jovens de hoje, tamb\u00e9m \u00e9 preciso reconhecer que, em 10 anos, as rela\u00e7\u00f5es entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos na Fran\u00e7a evolu\u00edram, embora ainda exista um longo caminho a percorrer e que a desconfian\u00e7a seja suscet\u00edvel \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Irm\u00e3o Jean-Fran\u00e7ois Bour, como o assassinato do padre Hamel contribuiu para o avan\u00e7o do di\u00e1logo crist\u00e3o-mu\u00e7ulmano?\u00a0<\/b><\/p>\n<p>O di\u00e1logo entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, pelo menos na Fran\u00e7a, n\u00e3o se resume a uma simples rela\u00e7\u00e3o de cortesia, mesmo antes de 2016. Essa rela\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha se desenvolvendo desde a d\u00e9cada de 1950. A Igreja na Fran\u00e7a criou um servi\u00e7o espec\u00edfico em 1973 para as rela\u00e7\u00f5es com os mu\u00e7ulmanos, permitindo que crist\u00e3os e cat\u00f3licos aprendessem sobre o Isl\u00e3 e se aprofundassem nas complexidades da hist\u00f3ria mu\u00e7ulmana e no funcionamento da religi\u00e3o. Mas, se quisermos identificar um verdadeiro ponto de virada, devemos situ\u00e1-lo por volta de 2001. O ataque ao World Trade Center em Nova York gerou um despertar significativo. A partir daquele momento, as pessoas passaram a buscar compreender por que alguns grupos optam pela viol\u00eancia terrorista, e ent\u00e3o teve in\u00edcio todo um processo de reflex\u00e3o.<\/p>\n<p><b>E o que mudou? Qual \u00e9 a nova abordagem ap\u00f3s esse ponto de virada inicial em 2001 e na sequ\u00eancia dos ataques da d\u00e9cada de 2010 na Fran\u00e7a?<\/b><\/p>\n<p>Da parte dos mu\u00e7ulmanos, por exemplo, houve uma esp\u00e9cie de choque, e para muitos, \u00e9 uma experi\u00eancia dolorosa porque muitas vezes n\u00e3o receberam, das gera\u00e7\u00f5es anteriores, uma educa\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica que fosse voltada \u00e0 viol\u00eancia ou ao caos. Est\u00e3o se tornando extremamente conscientes da exist\u00eancia de grupos jihadistas e terroristas. Ap\u00f3s o assassinato do padre Hamel, vimos delega\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel chegarem \u00e0 Fran\u00e7a, que foram a Paris para conversar com bispos e depois viajando para Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray para apresentar suas condol\u00eancias e expressar sua condena\u00e7\u00e3o ao ataque.<\/p>\n<p><b>Este Isl\u00e3, que n\u00e3o \u00e9 reconhecido pela viol\u00eancia, tomou, em certa medida, a iniciativa no di\u00e1logo?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o creio que possamos dizer que tomou formalmente a iniciativa do di\u00e1logo. Mas compreendeu que era necess\u00e1rio dar in\u00edcio a uma nova etapa no processo existente, no qual os crist\u00e3os, em geral, se mostraram bastante proativos. O secret\u00e1rio-geral da Liga Mundial Mu\u00e7ulmana, que \u00e9 o porta-voz do wahabismo da Ar\u00e1bia Saudita em n\u00edvel global, tamb\u00e9m esteve em Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray. Participou, com o bispo Lebrun, de uma vig\u00edlia em mem\u00f3ria das v\u00edtimas. Estas figuras ilustres compreenderam que, mesmo sendo defensores de um certo conservadorismo isl\u00e2mico, um certo rigorismo que pode ser prop\u00edcio a uma forma bastante agressiva de Isl\u00e3, era absolutamente essencial desenvolver uma mensagem diferente.<\/p>\n<p><b>N\u00e3o existe tamb\u00e9m, entre os crist\u00e3os, quem sabe, uma esp\u00e9cie de incompreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos outros, o que torna bastante f\u00e1cil erguer muros de desconfian\u00e7a?<\/b><\/p>\n<p>Vemos, na sequ\u00eancia destas trag\u00e9dias, pessoas \u2014 por vezes at\u00e9 mesmo cidad\u00e3os comuns \u2014 manifestarem-se para dizer que esta viol\u00eancia n\u00e3o lhes diz respeito. Vemos isso entre mu\u00e7ulmanos, entre crist\u00e3os tamb\u00e9m, e at\u00e9 mesmo entre n\u00e3o crentes. Essas pessoas dizem que n\u00e3o querem essa tend\u00eancia continue. Muitas delas entenderam que precisam participar de grupos de di\u00e1logo e demonstrar apoio. Fiquei muito comovido, por exemplo, com a forma como um mu\u00e7ulmano de origem comoriana criou e doou uma pintura retratando o padre Hamel rezando em sua igreja. Mu\u00e7ulmanos foram ao cemit\u00e9rio em Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray para depositar flores.<\/p>\n<p><b>Dez anos depois, para muitos jovens, o assassinato do padre Hamel pode parecer um evento abstrato e distante. Qual a import\u00e2ncia da transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria?<\/b><\/p>\n<p>Este \u00e9 certamente o aspecto mais complexo. Na hist\u00f3ria do padre Hamel, como os mu\u00e7ulmanos claramente perceberam, a trag\u00e9dia da morte de um homem \u00e9 agravada pela trag\u00e9dia de um homem assassinado durante a ora\u00e7\u00e3o. Muitos mu\u00e7ulmanos expressaram seu horror e profunda repulsa por essa viol\u00eancia durante uma celebra\u00e7\u00e3o religiosa. Para muitos jovens crist\u00e3os na Fran\u00e7a hoje, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel de inquieta\u00e7\u00e3o. Na Fran\u00e7a atual, tanto na comunidade crist\u00e3 quanto entre os n\u00e3o crist\u00e3os, existe uma esp\u00e9cie de ansiedade que permeia o clima pol\u00edtico do pa\u00eds. Portanto, o desafio educacional de hoje \u00e9 muito significativo.<\/p>\n<p><b>A mensagem de di\u00e1logo, de perd\u00e3o, de reconcilia\u00e7\u00e3o, enviada no dia seguinte ao assassinato do padre Hamel pela Igreja de Fran\u00e7a, tamb\u00e9m surpreendeu e aliviou grandemente as autoridades francesas.<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas que constru\u00edmos uma reflex\u00e3o sobre o Isl\u00e3, sobre o di\u00e1logo isl\u00e2mico-crist\u00e3o em Fran\u00e7a. N\u00e3o remonta a 2016. E a Igreja de Fran\u00e7a est\u00e1 fazendo o seu trabalho ao recordar que n\u00e3o pode aceitar que responsabilizemos todos os mu\u00e7ulmanos pela morte do padre Hamel, nem respons\u00e1veis \u200b\u200bpor todos os atos terroristas cometidos por pessoas que mergulharam numa ideologia mortal.<\/p>\n<p><b>Quais seriam os obst\u00e1culos que ainda retardariam um di\u00e1logo inter-religioso plenamente pac\u00edfico dez anos ap\u00f3s esta trag\u00e9dia?<\/b><\/p>\n<p>O que hoje realmente retarda o di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 pensar que temos outras coisas a fazer numa \u00e9poca que nos confronta com numerosos desafios que j\u00e1 n\u00e3o dizem respeito apenas ao di\u00e1logo inter-religioso. Somos um pouco tentados a desistir e abra\u00e7ar quase uma forma de resist\u00eancia, fazendo da nossa vida crist\u00e3 ou evangeliza\u00e7\u00e3o um baluarte contra os mu\u00e7ulmanos. Acontece que ouvimos esse discurso. N\u00e3o para todos, felizmente. Acredito que precisamos ir al\u00e9m disso. Eu realmente encorajaria todos a arrega\u00e7ar as mangas hoje e acreditar que podemos conversar e nos entender. Na minha opini\u00e3o, precisamos colocar um pouco de esfor\u00e7o na m\u00e1quina, um pouco de comprometimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 dez anos, em 26 de julho de 2016, o padre Jacques Hamel, p\u00e1roco de Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray, no norte&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":461490,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[996,27,28,17712,741,15,16,208,14,63154,25,26,21,22,62,12,13,19,20,6668,23,24,20092,8270,17,18,29,30,31,3097,63,64,65],"class_list":["post-461489","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-aniversario","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cristaos","tag-entrevista","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-franca","tag-headlines","tag-isla","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-ordens-religiosas","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-sacerdotes","tag-terrorismo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-violencia","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/461489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=461489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/461489\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/461490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=461489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=461489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=461489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}