{"id":462329,"date":"2026-07-25T21:32:09","date_gmt":"2026-07-25T21:32:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/462329\/"},"modified":"2026-07-25T21:32:09","modified_gmt":"2026-07-25T21:32:09","slug":"dna-no-esgoto-revela-habitos-alimentares-da-populacao-25-07-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/462329\/","title":{"rendered":"DNA no esgoto revela h\u00e1bitos alimentares da popula\u00e7\u00e3o &#8211; 25\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A dieta \u00e9 um dos fatores mais importantes para a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a>, mas \u00e9 surpreendentemente dif\u00edcil para os pesquisadores descobrir o que as pessoas comem.<\/p>\n<p>As ferramentas comuns dos pesquisadores, como question\u00e1rios de frequ\u00eancia alimentar ou pedir \u00e0s pessoas que lembrem o que comeram no dia anterior, s\u00e3o tediosas e caras, afirma Christopher Gardner, cientista nutricional da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> Stanford. Esses esfor\u00e7os dependem de as pessoas serem sinceras e precisas; as pessoas esquecem cerca de 15% a 20% do que comeram ap\u00f3s alguns dias.<\/p>\n<p>\u00c9 uma das raz\u00f5es pelas quais a pesquisa nutricional \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil e por que as melhores evid\u00eancias v\u00eam de pequenos estudos em c\u00e2maras metab\u00f3licas, diz Gardner. Nesses estudos, os pesquisadores essencialmente &#8220;encarceram algu\u00e9m&#8221;, acrescenta. &#8220;A pessoa n\u00e3o pode sair. Voc\u00ea cozinha a comida para ela, passa por baixo da porta, sabe se ela n\u00e3o terminou.&#8221;<\/p>\n<p>Mas um novo estudo, <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/full\/10.1073\/pnas.2530704123\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicado <\/a>na segunda-feira (20) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, aponta para um tesouro de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/fatores-sociais-afetam-o-consumo-de-alimentos-ultraprocessados-por-criancas-diz-unicef.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">dados nutricionais<\/a>: o esgoto. Usando \u00e1guas residuais da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, pesquisadores procuraram vest\u00edgios de DNA alimentar que sobreviveram \u00e0 digest\u00e3o. Por menos de um centavo por pessoa, identificaram centenas de alimentos que haviam sido consumidos \u2014como chocolate, alface, peru, mirtilos, pimenta-do-reino\u2014 e puderam at\u00e9 inferir o perfil socioecon\u00f4mico de uma comunidade.<\/p>\n<p>Durante a pandemia da Covid-19, o monitoramento de \u00e1guas residuais tornou-se uma ferramenta comum na sa\u00fade p\u00fablica, ajudando cidades a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/05\/deteccao-de-variantes-de-coronavirus-no-esgoto-pode-antecipar-alta-de-internacoes-por-covid.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">rastrear surtos virais sem testar cada morador<\/a>. Mas os cientistas est\u00e3o cada vez mais usando essa mesma infraestrutura para medir o uso de drogas il\u00edcitas, resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos, horm\u00f4nios do estresse e, agora, a dieta.<\/p>\n<p>Com esses dados, pesquisadores poderiam avaliar se as necessidades nutricionais est\u00e3o sendo atendidas em uma comunidade e como mudan\u00e7as de pol\u00edticas p\u00fablicas, como cortes em programas de aux\u00edlio alimentar, alteram o comportamento alimentar quase em tempo real. Mas a tecnologia tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es delicadas sobre privacidade, vigil\u00e2ncia e riscos de potencial comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os dias, 8 bilh\u00f5es de pessoas fazem aproximadamente tr\u00eas experimentos diet\u00e9ticos&#8221;, afirma Lawrence David, microbiologista da Universidade Duke e um dos autores do novo estudo. &#8220;E nenhum desses dados \u00e9 capturado.&#8221;<\/p>\n<p>As pessoas geralmente ingerem at\u00e9 1 g de DNA alimentar todos os dias. A maior parte \u00e9 decomposta durante a digest\u00e3o, mas uma pequena fra\u00e7\u00e3o \u00e9 excretada, diz David, deixando para tr\u00e1s milh\u00f5es de fragmentos que os pesquisadores podem analisar.<\/p>\n<p>No novo estudo, pesquisadores examinaram amostras de \u00e1guas residuais de 2,1 milh\u00f5es de pessoas na Carolina do Norte, cerca de um quinto da popula\u00e7\u00e3o do estado. Essas amostras foram coletadas e concentradas no in\u00edcio da pandemia, e algumas foram preservadas no freezer do laborat\u00f3rio, afirma Rachel Noble, microbiologista ambiental da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e tamb\u00e9m autora do estudo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s descongelar esse concentrado de \u00e1guas residuais, os pesquisadores sequenciaram o DNA alimentar contido nele, procurando material gen\u00e9tico de mitoc\u00f4ndrias animais e cloroplastos vegetais, a maquinaria celular por tr\u00e1s da fotoss\u00edntese. Descobriram que os padr\u00f5es alimentares variavam por comunidade: feij\u00e3o-fradinho estava associado a \u00e1reas rurais, ingredientes de cerveja com aflu\u00eancia, mangas e cocos com grandes popula\u00e7\u00f5es imigrantes.<\/p>\n<p>No entanto, o sequenciamento tem seus limites, j\u00e1 que alguns alimentos deixam sinais de DNA mais fortes do que outros. Por exemplo, folhas verdes s\u00e3o repletas de mais cloroplastos do que batatas, diz Mengyi Dong, cientista de alimentos da Virginia Tech que liderou o estudo, enquanto o a\u00e7\u00facar refinado cont\u00e9m pouco DNA de sua fonte original, cana-de-a\u00e7\u00facar ou beterraba. Tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil distinguir entre as muitas vidas industriais de um \u00fanico alimento \u2014como xarope de milho, chips de milho ou milho na espiga.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que alguns pesquisadores est\u00e3o adotando uma abordagem diferente, procurando assinaturas qu\u00edmicas da dieta, como compostos de fibras, tra\u00e7os de vitaminas e outros subprodutos da digest\u00e3o e do metabolismo. Por exemplo, em vez de avaliar o consumo de cerveja atrav\u00e9s de l\u00fapulo e cevada, pesquisadores analisaram o etil sulfato, um qu\u00edmico formado quando o corpo decomp\u00f5e o \u00e1lcool e \u00e9 eliminado na urina.<\/p>\n<p>Embora essa abordagem n\u00e3o consiga identificar alimentos espec\u00edficos, pode fornecer observa\u00e7\u00f5es \u00fateis sobre nutrientes e toxinas espec\u00edficos que importam para a sa\u00fade, diz Devin Bowes, professor de ci\u00eancias da sa\u00fade ambiental da Universidade da Carolina do Sul.<\/p>\n<p>A contrapartida \u00e9 que \u00e9 bastante trabalhoso, e pode exigir um pouco de &#8220;trabalho de detetive&#8221; para determinar qual qu\u00edmico \u00e9 significativo e mensur\u00e1vel, afirma Bowes.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa quais sinais os pesquisadores rastreiem, o esgoto ainda \u00e9 uma fonte de dados confusa. \u00c0 medida que o DNA alimentar ou os qu\u00edmicos entram nos canos, parte \u00e9 degradada ou fica presa, diz Noble, especialmente em sistemas de esgoto mais antigos com tubos de terracota ou concreto.<\/p>\n<p>As \u00e1guas residuais tamb\u00e9m carregam mais do que fezes humanas: fezes de gado, restos de restaurantes e folhas ca\u00eddas, tudo isso turva o sinal, diz Kyle Bibby, engenheiro ambiental da Universidade de Notre Dame.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tentaram contabilizar esse ru\u00eddo processando as amostras &#8220;o mais r\u00e1pido poss\u00edvel&#8221; para limitar a degrada\u00e7\u00e3o. Eles tamb\u00e9m exclu\u00edram DNA de plantas e animais que as pessoas n\u00e3o comem (como aparas de grama ou lobos), mas essas fontes n\u00e3o alimentares representaram apenas um quarto do DNA vegetal e 1% do DNA animal sequenciado.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m compararam os achados das \u00e1guas residuais com um pequeno conjunto de amostras individuais de fezes, descobrindo que as duas fontes produziram padr\u00f5es de DNA semelhantes.<\/p>\n<p>Ainda assim, mais trabalho \u00e9 necess\u00e1rio para ancorar a vigil\u00e2ncia diet\u00e9tica por \u00e1guas residuais a uma &#8220;verdade de base&#8221;, diz Jordan Peccia, engenheiro ambiental de Yale, semelhante a como os dados de \u00e1guas residuais da Covid-19 foram validados contra contagens de casos locais e interna\u00e7\u00f5es hospitalares. Apesar disso, acrescenta, as \u00e1guas residuais provavelmente seriam melhores para detectar padr\u00f5es ao longo do tempo em vez de medidas absolutas de ingest\u00e3o alimentar.<\/p>\n<p>Mesmo com as limita\u00e7\u00f5es, os cientistas est\u00e3o esperan\u00e7osos de que as \u00e1guas residuais possam ajudar a transformar a pesquisa sobre dieta.<\/p>\n<p>Por exemplo, em vez de recrutar milh\u00f5es de pessoas e pedir que completem pesquisas repetidas, os pesquisadores poderiam monitorar sinais diet\u00e9ticos ao longo do tempo de forma barata, diz Gardner, o cientista nutricional de Stanford.<\/p>\n<p>Isso poderia revelar como mudan\u00e7as de pol\u00edticas, como tarifas e programas de merenda escolar gratuita, afetam a nutri\u00e7\u00e3o. Vinculados a dados m\u00e9dicos, esses sinais tamb\u00e9m poderiam ajudar os pesquisadores a conectar padr\u00f5es diet\u00e9ticos com a sa\u00fade da comunidade e trajet\u00f3rias de doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A dieta \u00e9 um dos fatores mais importantes para a sa\u00fade, mas \u00e9 surpreendentemente dif\u00edcil para os pesquisadores&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":462330,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[2369,547,1468,4533,65082,236,116,1863,32,33,117,1822],"class_list":["post-462329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-alimentacao","tag-alimentacao-saudavel","tag-alimentos","tag-comida","tag-esgoto","tag-folha","tag-health","tag-nutricao","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-the-new-york-times"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116982759183262855","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/462329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=462329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/462329\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/462330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=462329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=462329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=462329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}