{"id":462993,"date":"2026-07-26T14:07:15","date_gmt":"2026-07-26T14:07:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/462993\/"},"modified":"2026-07-26T14:07:15","modified_gmt":"2026-07-26T14:07:15","slug":"chegou-a-casa-pos-um-filme-no-videogravador-e-desapareceu-decadas-depois-a-policia-ainda-nao-desistiu-de-procurar-carla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/462993\/","title":{"rendered":"Chegou a casa, p\u00f4s um filme no videogravador e desapareceu. D\u00e9cadas depois, a pol\u00edcia ainda n\u00e3o desistiu de procurar Carla"},"content":{"rendered":"<p>                Carla Beth Anderson, de 23 anos, vivia em Wadena, no estado norte-americano do Minnesota. Desapareceu em novembro de 1987<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u201cAlgu\u00e9m a levou? Estar\u00e1 noutro lugar? Estar\u00e1 viva?\u201d<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as perguntas que t\u00eam assombrado Dan Anderson nas quase quatro d\u00e9cadas desde que a irm\u00e3 mais nova, Carla Anderson, ent\u00e3o com 23 anos, desapareceu do apartamento onde vivia em Wadena, no Minnesota.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia de ambos ainda lhe surgem na mente com a regularidade de um rel\u00f3gio: o clique de uma c\u00e2mara quando Carla, com nove anos, segurava uma esp\u00e1tula junto ao fog\u00e3o da caravana no Alasca, ou o som do ugira-discos enquanto ela cantava, a plenos pulm\u00f5es, \u2018Delta Dawn\u2019 repetidamente no quarto, antes de os irm\u00e3os baterem \u00e0 porta a pedir-lhe que baixasse o volume.<\/p>\n<p>E depois a mem\u00f3ria mais perturbadora de todas &#8211; quando Carla desapareceu em novembro de 1987, com um filme alugado ainda no videogravador e a porta do apartamento trancada com a sua bolsa l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p>A cozinheira do Hardee\u2019s, carinhosamente conhecida como \u2018Spud\u2019, tinha acabado de passar a noite fora com a m\u00e3e e o padrasto a celebrar o facto de ter sido escolhida como funcion\u00e1ria do m\u00eas.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, incluindo os tr\u00eas irm\u00e3os e os pais de Carla, viu-se subitamente a espalhar-se com um ex\u00e9rcito de volunt\u00e1rios para distribuir cartazes com a sua foto, \u00e0 espera desesperadamente de buscas a\u00e9reas, a falar com jornalistas no meio de um frenesim medi\u00e1tico e \u00e0 procura do seu rosto nas multid\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, ano ap\u00f3s ano, as buscas n\u00e3o deram em nada. O seu paradeiro tem escapado aos investigadores e suscitado teorias, tanto plaus\u00edveis como bizarras, entre a comunidade de 4 mil pessoas, \u00e0 medida que os habitantes da cidade tentavam compreender o que poderia ter acontecido \u00e0 jovem.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que \u00e1libis e testes de pol\u00edgrafo desmentiam as teorias da pol\u00edcia e o caso passava de um investigador para outro, as entrevistas de jornal dos anos 80 e 90 captam o apelo desesperado da fam\u00edlia por respostas, que se transformou numa aceita\u00e7\u00e3o sombria e na esperan\u00e7a de que Carla n\u00e3o estivesse algures por a\u00ed a sofrer.<\/p>\n<p>\u201cA minha m\u00e3e ficou convencida muito cedo de que ela j\u00e1 n\u00e3o estava viva\u201d, disse Dan Anderson \u00e0 CNN na sexta-feira. Antes da sua morte, a m\u00e3e de Carla, Roberta Wells, tinha providenciado uma l\u00e1pide partilhada para Carla e o seu irm\u00e3o Scott, que faleceu em 2007.<\/p>\n<p>Mas, por vezes, ele deixa a esperan\u00e7a entrar.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que ela simplesmente n\u00e3o consegue entrar em contacto?\u201d, perguntou o irm\u00e3o numa confer\u00eancia de imprensa recente ao lado de autoridades. \u201cEla j\u00e1 n\u00e3o teria o n\u00famero de telefone de ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Uma nova recompensa de 25 mil d\u00f3lares por informa\u00e7\u00f5es sobre o seu desaparecimento renovou a esperan\u00e7a de que os habitantes desta pequena cidade, muito unida, ajudem a reconstituir o que aconteceu naquela noite de novembro.<\/p>\n<p>A chefe da pol\u00edcia de Wadena, Naomi Plautz, tem a certeza de uma coisa: \u201cAlgu\u00e9m sabe o que aconteceu\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um daqueles casos que simplesmente nos assombra\u201d, disse a respons\u00e1vel \u00e0 CNN na quinta-feira. \u201cN\u00e3o est\u00e1vamos a trabalhar no caso desde o in\u00edcio, mas o peso no cora\u00e7\u00e3o passou de um chefe para outro, ou de um investigador para outro, \u00e0 medida que se reformavam\u2026 esses fantasmas, esses medos, ficam connosco\u201d.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"800\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/6a5f81e2d34e511da0b2ec9a.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Carla Anderson desapareceu depois de celebrar um pr\u00e9mio concedido pela sua entidade patronal, em 1987. (Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal do Minnesota) <\/p>\n<p>\u201cSoube, naquele momento, que a vida nunca mais seria a mesma\u201d <\/p>\n<p>Embora a fam\u00edlia de Carla se preocupasse com o facto de a sua estatura e uma dificuldade de aprendizagem a tornarem vulner\u00e1vel ao viver sozinha, Dan Anderson descreveu a irm\u00e3 de 1,47m e 41 quilos como \u201cferozmente independente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDepois do ensino secund\u00e1rio, ela estava ansiosa por seguir o seu pr\u00f3prio caminho, e foi o que fez\u2026 arranjou um emprego, tinha a sua pr\u00f3pria casa\u201d, recordou o irm\u00e3o. \u201cEla estava simplesmente entusiasmada com o que estava por vir. Estava como muitas outras jovens\u2026 ansiosa por encontrar a pessoa certa e, quem sabe, constituir fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>Carla tinha sa\u00eddo para jantar naquela fria sexta-feira \u00e0 noite com a m\u00e3e e o padrasto, antes de alugar filmes e ser deixada nos Greenwood Apartments por volta das 20:00, segundo a pol\u00edcia. Era suposto ter ficado com os pais, mas estes estavam a trabalhar na sua nova casa junto a um lago, a cerca de uma hora de dist\u00e2ncia, e Carla n\u00e3o queria ir, de acordo com Dan.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, de quem ela era incrivelmente pr\u00f3xima, planeava arranjar o cabelo de Carla para a foto de \u201cfuncion\u00e1ria do m\u00eas\u201d na segunda-feira. Naquele fim de semana, ligou v\u00e1rias vezes para Carla, mas ningu\u00e9m atendeu, contou Roberta ao Brainerd Daily Dispatch, em 2007.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que Roberta Wells, preocupada, foi ao apartamento da filha, onde o encontrou estranhamente intacto. N\u00e3o havia sinais de arrombamento, segundo a pol\u00edcia. As chaves dela e um casaco arco-\u00edris da Hardee\u2019s, que acabara de receber por ter sido a funcion\u00e1ria do m\u00eas, eram os \u00fanicos pertences que faltavam, disse Plautz.<\/p>\n<p>\u201cSoube naquele momento que a vida nunca mais seria a mesma. Imediatamente, chamei o meu marido e fomos at\u00e9 \u00e0 esquadra da pol\u00edcia\u201d, contou a m\u00e3e, Roberta Wells, ao The Dispatch.<\/p>\n<p>Naquela segunda-feira de manh\u00e3, por volta das 09:00, Dan recebeu uma chamada da m\u00e3e. Carla, que adorava o seu trabalho na cadeia de fast-food, n\u00e3o tinha aparecido no trabalho, o que n\u00e3o era habitual. Ele fez imediatamente as malas e conduziu cerca de tr\u00eas horas desde Eagan, onde trabalhava, at\u00e9 Wadena.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o a vez dele de fazer a chamada angustiante: contou ao pai deles, Marvin Anderson, que apanhou um avi\u00e3o a partir da sua casa no Alasca para ir \u00e0 procura da filha.<\/p>\n<p>Carla, que tinha vindo a participar num programa de compet\u00eancias para a vida e a reunir-se com uma assistente social, era v\u00edtima de bullying por parte de algumas pessoas da cidade e a m\u00e3e disse ao jornal que receava que se aproveitassem dela. Sabendo que ela era vulner\u00e1vel, os tr\u00eas irm\u00e3os estavam sempre atentos \u00e0 jovem, conta Dan Anderson.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitas pessoas mal-intencionadas por a\u00ed, mas n\u00e3o se pode proteger algu\u00e9m o tempo todo, por mais que se queira acreditar que \u00e9 poss\u00edvel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Dan, que estava na casa dos 20 anos, quando a irm\u00e3 desapareceu, descreveu Carla como uma amante de m\u00fasica, atenciosa, alegre e cheia de vida, que gostava de passar tempo com a fam\u00edlia, era leal aos amigos e \u201cnunca tinha nada de mal a dizer sobre ningu\u00e9m\u201d. Dan Anderson recorda com carinho os ver\u00f5es a nadar no lago junto \u00e0 cabana dos av\u00f3s e as caminhadas nas viagens ao Alasca com Carla e os seus dois irm\u00e3os mais novos.<\/p>\n<p>\u201cO caso mais frustrante em que j\u00e1 trabalhei\u201d <\/p>\n<p>Sem sinais de luta no apartamento de Carla, Lane Waldahl, um investigador respons\u00e1vel pelo caso na altura, acreditou inicialmente que ela tivesse sa\u00eddo de l\u00e1 por vontade pr\u00f3pria, de acordo com uma reportagem do Brainerd Daily Dispatch de 1987.<\/p>\n<p>Na noite em que desapareceu, havia um inc\u00eandio a arder no p\u00e2ntano nas proximidades e ela pode ter ido ver, teorizou Lane Waldahl, de acordo com o Grand Forks Herald. Naomi Plautz disse que o inc\u00eandio poderia ter sido vis\u00edvel do apartamento dela, mas n\u00e3o h\u00e1 provas que sugiram que ela tenha ido v\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos se ela saiu para dar um passeio, n\u00e3o sabemos se algu\u00e9m estava \u00e0 porta da frente e ela foi com essa pessoa. N\u00e3o sabemos nada disso\u201d, diz Dan.<\/p>\n<p>Mais tarde, a pol\u00edcia suspeitou que pudesse ter havido crime \u201cporque ela nunca teria escolhido desaparecer e permanecer desaparecida\u201d, diz Naomi Plautz \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas ap\u00f3s o desaparecimento, havia esperan\u00e7a: a fam\u00edlia ofereceu uma recompensa de 10 mil d\u00f3lares e foram distribu\u00eddos cartazes num raio de 100 quil\u00f3metros, debaixo de fortes nev\u00f5es.<\/p>\n<p>O pequeno apartamento dos pais de Carla estava abarrotado de familiares e amigos que apareciam constantemente para levar refei\u00e7\u00f5es e oferecer o seu apoio, enquanto todos choravam juntos, recorda Dan Anderson.<\/p>\n<p>O desaparecimento foi \u201cabsolutamente devastador\u201d para a m\u00e3e, que passava muito tempo com Carla e mantinha contacto regular com ela, conta.<\/p>\n<p>O namorado da Carla e os membros da fam\u00edlia foram descartados ap\u00f3s passarem nos testes do pol\u00edgrafo, de acordo com Naomi Plautz.<\/p>\n<p>\u201cEra ca\u00f3tico\u2026 tentar recuar\u2026 Do que te lembras? H\u00e1 alguma pequena informa\u00e7\u00e3o que nos ocorra e que talvez conduza a algo?\u201d. Dan lembra-se de a fam\u00edlia se questionar assim.<\/p>\n<p>Mas pouco depois, a ent\u00e3o chefe da pol\u00edcia Joyce Kopp revelou que os investigadores n\u00e3o tinham pistas, referindo-se ao caso como \u201co mais frustrante em que j\u00e1 trabalhei\u201d, de acordo com uma reportagem de dezembro de 1987 do jornal The Brainerd Daily Dispatch.<\/p>\n<p>Volunt\u00e1rios ajudaram numa busca terrestre e a\u00e9rea que n\u00e3o revelou nada. Mais tarde, o FBI envolveu-se na investiga\u00e7\u00e3o do que as autoridades acreditavam ser possivelmente um rapto.<\/p>\n<p>A certa altura, os investigadores analisaram se um carro castanho roubado perto do pr\u00e9dio de apartamentos de Carla nesse mesmo fim de semana &#8211; e que nunca foi recuperado &#8211; poderia estar relacionado com o caso. A atual chefe da pol\u00edcia de Wadena revela \u00e0 CNN que, at\u00e9 hoje, a pol\u00edcia n\u00e3o encontrou quaisquer provas que indiquem que assim fosse.<\/p>\n<p>\u201cPode ter sido apenas uma coincid\u00eancia, embora tamb\u00e9m possa ter estado relacionado com o desaparecimento de Carla\u201d, afirma.<\/p>\n<p>As buscas infrut\u00edferas agravaram as tens\u00f5es na fam\u00edlia, disse Marvin Anderson ao jornal Brainerd Daily Dispatch, em dezembro de 1987.<\/p>\n<p>Dois anos mais tarde, acreditavam que Carla tinha morrido.<\/p>\n<p>\u201cTenho uma esperan\u00e7a muito t\u00e9nue de que ela esteja viva\u201d, disse a m\u00e3e ao The Wadena Pioneer Journal, em 1989.<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o abrandaram nem um pouco\u201d <\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas que se seguiram ao seu desaparecimento, suspeito ap\u00f3s suspeito foi interrogado, mas nenhuma pista conseguiu aproximar os investigadores da resolu\u00e7\u00e3o do caso.<\/p>\n<p>\u201cHavia simplesmente muitas inc\u00f3gnitas\u201d, recorda Dan Anderson.<\/p>\n<p>Nos anos 90, um homem que Roberta Wells denunciou \u00e0 pol\u00edcia por ter assediado Carla foi ouvido no \u00e2mbito da investiga\u00e7\u00e3o, de acordo com uma reportagem de 1995 do Wadena Pioneer Journal. Admitiu ter estado na zona naquela noite com um amigo, mas disse \u00e0 pol\u00edcia que ela n\u00e3o atendeu quando lhe ligou \u00e0s 21:30. Tanto ele como o seu amigo passaram nos testes do pol\u00edgrafo.<\/p>\n<p>Em 1995, Lane Waldahl mandou fazer uma proje\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia de Carla com a idade dessa altura, leu todas as descri\u00e7\u00f5es de corpos encontrados e enviou os registos dent\u00e1rios dela at\u00e9 Boston, revelou ao Wadena Pioneer Journal na altura.<\/p>\n<p>\u201cA Carla provavelmente est\u00e1 morta\u201d, disse ent\u00e3o. \u201cO mais importante agora \u00e9 que o corpo dela seja encontrado\u201d.<\/p>\n<p>O assassino condenado Floyd Tapson tamb\u00e9m foi inicialmente considerado suspeito, porque tinha como alvo mulheres com defici\u00eancias mentais, de acordo com uma reportagem de 1999 do Minnesota Star Tribune. Tapson tinha, no entanto, um \u00e1libi que o ilibou do desaparecimento de Carla, segundo o Grand Forks Herald.<\/p>\n<p>voltando \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o atual, Naomi Plautz afirma que o departamento n\u00e3o est\u00e1 a descartar quaisquer suspeitos anteriores que tenham sido ilibados no passado. Com um olhar renovado e novas tecnologias, como a an\u00e1lise de ADN, a pol\u00edcia est\u00e1 a seguir pistas antigas e novas.<\/p>\n<p>\u201cTemos, sem d\u00favida, algumas pistas que estamos a investigar com mais intensidade do que outras\u201d, admitiu.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia tem-se sentido reconfortada pelo facto de todos os novos chefes de pol\u00edcia e investigadores que se ocuparam do caso ao longo dos anos se terem empenhado em trazer Carla de volta para casa, agradece Dan Anderson.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bastante surpreendente ver que essa dedica\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m intacta e que n\u00e3o abrandaram nem um pouco\u201d.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"800\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/6a5f81e1d34ef04b4f3f7f9c.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O Departamento de Pol\u00edcia de Wadena est\u00e1 a retomar a investiga\u00e7\u00e3o sobre o desaparecimento de Carla Anderson. (Gabinete de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal do Minnesota) <\/p>\n<p>\u201cNunca imaginei que ela n\u00e3o estivesse connosco para sempre\u201d <\/p>\n<p>As mem\u00f3rias que a fam\u00edlia tem de Carla, que hoje teria 62 anos, foram-se desvanecendo com o tempo, embora ainda falem dela sempre que se re\u00fanem.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se quer esquecer as coisas, mas chega-se a esta idade e, obviamente, esquece-se o que aconteceu h\u00e1 muito tempo\u201d, admite Dan Anderson.<\/p>\n<p>A possibilidade de Carla ainda estar algures por a\u00ed tornou-se \u201ccada vez mais remota\u201d \u00e0 medida que os anos foram passando e a espera tem-se feito sentir na fam\u00edlia Anderson.<\/p>\n<p>De acordo com Dan Anderson, passados todos estes anos, ainda \u00e9 demasiado doloroso para o pai, que tem agora 87 anos, falar sobre Carla. O que aconteceu tornou Dan mais cauteloso como pai quando o pr\u00f3prio filho, de 35 anos, estava a crescer.<\/p>\n<p>\u201cIsso mudou certamente a forma como provavelmente cri\u00e1mos o nosso filho, na medida em que n\u00e3o tenho a certeza de que o ter\u00edamos deixado sair e pedalar pela berma da estrada para ir at\u00e9 \u00e0 casa de um amigo a meia d\u00fazia de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Carla n\u00e3o esteve presente nem nos nascimentos nem nas mortes: cinco dos seus sete sobrinhos e sobrinhas nasceram depois de ela ter desaparecido e a sua m\u00e3e, o padrasto e o irm\u00e3o morreram todos sem a terem encontrado.<\/p>\n<p>\u201cO \u00fanico consolo \u00e9 que todos acreditamos que ela est\u00e1 agora com a Carla\u201d, diz Dan Anderson sobre a morte da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Naomi Plautz, que apelidou Anderson de \u201ca queridinha de Wadena\u201d, diz que a pol\u00edcia est\u00e1 a entrevistar moradores locais e a analisar as in\u00fameras pistas que tem vindo a receber desde que a nova recompensa foi anunciada.<\/p>\n<p>\u201cQualquer pequena pista pode levar \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o\u201d, sublinha. \u201cAcredito do fundo do cora\u00e7\u00e3o que algu\u00e9m que sabe o que aconteceu ainda est\u00e1 entre n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Os membros da fam\u00edlia de Carla que ainda est\u00e3o vivos est\u00e3o prontos para encerrar este cap\u00edtulo, mas n\u00e3o conseguem deixar de imaginar a vida que Carla poderia ter tido.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito prov\u00e1vel que, a esta altura, ela j\u00e1 tivesse os seus pr\u00f3prios filhos. Como seria a vida dela? \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar nisso\u201d, tenta adivinhar o irm\u00e3o de Carla.<\/p>\n<p>Um ano antes da sua morte e cerca de 20 anos ap\u00f3s o desaparecimento de Carla, Roberta Wells falou ao The Brainerd Daily Dispatch sobre a dor que carregava h\u00e1 tanto tempo.<\/p>\n<p>\u201cPor mais vulner\u00e1vel que eu soubesse que ela era, nunca imaginei que ela n\u00e3o estivesse connosco para sempre\u201d, disse. \u201cSempre soube que ela seria a minha filha. Sempre soube que seria m\u00e3e enquanto vivesse, porque tinha a Carla\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carla Beth Anderson, de 23 anos, vivia em Wadena, no estado norte-americano do Minnesota. 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