{"id":463619,"date":"2026-07-27T03:29:24","date_gmt":"2026-07-27T03:29:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/463619\/"},"modified":"2026-07-27T03:29:24","modified_gmt":"2026-07-27T03:29:24","slug":"aquecimento-global-acelera-sexta-extincao-em-massa-26-07-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/463619\/","title":{"rendered":"Aquecimento global acelera sexta extin\u00e7\u00e3o em massa &#8211; 26\/07\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2023\/07\/colecoes-cientificas-ajudam-a-entender-vida-na-terra-mas-correm-risco-por-falta-de-verba.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">hist\u00f3ria da vida na Terra<\/a> tem cerca de 4,5 bilh\u00f5es de anos, e os humanos modernos viveram em apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o desse per\u00edodo, nos <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2020\/02\/hominideo-superarcaico-pode-ser-novo-galho-na-arvore-evolutiva-humana.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">\u00faltimos 300 mil anos<\/a>. No entanto, diferentemente das outras esp\u00e9cies que habitam ou j\u00e1 habitaram este planeta, a nossa \u00e9 a \u00fanica que est\u00e1 pavimentando o pr\u00f3prio caminho rumo \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o do paleont\u00f3logo Michael J. Benton.<\/p>\n<p>Benton, professor da Universidade de Bristol (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/reino-unido\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reino Unido<\/a>), \u00e9 autor do livro &#8220;Extin\u00e7\u00f5es: Como a Vida Resiste, se Adapta e Evolui&#8221; (Edi\u00e7\u00f5es Sesc), rec\u00e9m-publicado no Brasil.<\/p>\n<p>Em pouco mais de 300 p\u00e1ginas, o brit\u00e2nico desafia a l\u00f3gica do leitor: as <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/12\/as-6-grandes-extincoes-em-massa-do-planeta-e-por-que-estamos-passando-por-uma-delas-agora.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">extin\u00e7\u00f5es em massa<\/a> representam destrui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m abriram caminho para o surgimento de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/01\/definicao-do-que-e-uma-especie-ainda-divide-biologos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">esp\u00e9cies <\/a>por meio da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/evolucao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">evolu\u00e7\u00e3o<\/a>, moldando a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/04\/cientistas-descobrem-especie-de-passaro-em-ilha-no-japao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">biodiversidade<\/a>.<\/p>\n<p>Embora possa parecer otimista, de um ponto de vista adaptativo, isso n\u00e3o deve ser interpretado como argumento para simplesmente &#8220;sair matando tudo&#8221;, disse Benton, \u00e0 <b>Folha<\/b>. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o estaremos aqui para ver, uma vez que os humanos ser\u00e3o uma dessas esp\u00e9cies que v\u00e3o desaparecer. O erro seria imaginar que a mensagem \u00e9: podemos continuar matando as esp\u00e9cies porque tudo dar\u00e1 certo depois.&#8221;<\/p>\n<p>A primeira das cinco grandes extin\u00e7\u00f5es ocorreu no fim do per\u00edodo Ordoviciano, cerca de 444 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. A Terra atravessou uma intensa era glacial, os mares recuaram e aproximadamente 85% das esp\u00e9cies desapareceram. Como quase toda a vida ainda estava restrita aos oceanos, os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/05\/como-os-ancestrais-das-modernas-centopeias-conquistaram-a-terra.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">principais afetados foram organismos marinhos<\/a>.<\/p>\n<p>Depois veio o evento do Devoniano tardio, h\u00e1 cerca de 372 milh\u00f5es de anos. Diferentemente de uma cat\u00e1strofe s\u00fabita, foi uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/07\/sobreviventes-da-pior-extincao-em-massa-suportaram-melhor-aquecimento-global.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">crise prolongada que durou milh\u00f5es de anos<\/a>. Cientistas dizem acreditar que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2025\/12\/mudanca-climatica-deixa-eventos-mais-extremos-em-2025-e-expoe-desigualdade.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">mudan\u00e7as ambientais profundas<\/a>, incluindo altera\u00e7\u00f5es no clima e redu\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio nos mares, levaram ao desaparecimento de cerca de tr\u00eas quartos das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O terceiro grande evento de extin\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 hoje, o maior de todos, foi ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/tv\/2026\/04\/fossil-de-250-milhoes-de-anos-prova-que-pre-mamiferos-botavam-ovos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">final do Permiano<\/a> (252 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), quando 95% de todas as esp\u00e9cies \u2014sobretudo marinhas\u2014 desapareceram. A extin\u00e7\u00e3o do final do Permiano afetou tamb\u00e9m organismos terrestres que tinham surgido no per\u00edodo anterior, incluindo alguns r\u00e9pteis e os primeiros ancestrais da linhagem que originaria os mam\u00edferos, e a vida levou cerca de 5 milh\u00f5es de anos para se recuperar.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, pesquisadores discutiram suas causas, mas hoje a principal hip\u00f3tese envolve gigantescas erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas na regi\u00e3o que corresponde \u00e0 atual Sib\u00e9ria. O evento lan\u00e7ou grandes n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) na atmosfera, o que provocou o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/07\/sobreviventes-da-pior-extincao-em-massa-suportaram-melhor-aquecimento-global.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">aumento da temperatura global<\/a> e a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, alterando profundamente o planeta.<\/p>\n<p>Para Benton, esse evento talvez seja o mais importante para <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/reinaldojoselopes\/2024\/06\/novo-livro-conta-como-humanidade-remodelou-e-empobreceu-biodiversidade-do-planeta.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">entender o presente<\/a>. &#8220;O modelo mais comum n\u00e3o \u00e9 o impacto de asteroide. \u00c9 o hipertermal&#8221;, explica. Em vez de um ataque s\u00fabito de um asteroide, esse evento foi a consequ\u00eancia prolongada de aquecimento global e mudan\u00e7as ambientais por milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>A quarta extin\u00e7\u00e3o foi na passagem do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2023\/08\/novo-fossil-brasileiro-e-mais-completo-ancestral-de-pterossauros-ja-descrito.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Tri\u00e1ssico ao Jur\u00e1ssico<\/a> (201 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), eliminando aproximadamente 75% das esp\u00e9cies, tanto nos ambientes marinho quanto terrestre. Mais uma vez, grandes eventos vulc\u00e2nicos parecem ter desencadeado mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p>A quinta e mais conhecida de todas foi a extin\u00e7\u00e3o do final do Cret\u00e1ceo (66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), quando a queda de um meteoro com cerca de 10 quil\u00f4metros de di\u00e2metro gerou efeitos no mundo todo, como inc\u00eandios, bloqueio da luz solar e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Os organismos que antes dominavam os ecossistemas terrestres, os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2023\/05\/como-dinossauros-pescocudos-se-tornaram-os-maiores-animais-ja-existentes-na-terra.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">dinossauros<\/a> e os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/04\/cientistas-ingleses-contestam-a-descoberta-de-pterossauro-filtrador-brasileiro-achado-em-vomito-fossil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pterossauros<\/a>, e marinhos, lagartos gigantes aqu\u00e1ticos conhecidos como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/07\/fossil-de-animal-que-devorava-filhote-de-dinossauro-pode-ajudar-a-desvendar-origem-das-serpentes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">mosassauros<\/a>, se extinguiram. Estima-se que 75% das esp\u00e9cies, sobretudo aquelas com 40 kg ou mais, foram eliminadas.<\/p>\n<p>Segundo Benton, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima, as outras quatro extin\u00e7\u00f5es foram associadas a eventos hipertermais, ou seja, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2024\/01\/entenda-por-que-e-consenso-cientifico-que-acao-humana-causa-mudancas-climaticas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">aumento da temperatura global<\/a> provocou \u2014direta ou indiretamente\u2014 essas extin\u00e7\u00f5es. Por essa raz\u00e3o, os n\u00edveis alarmantes de aquecimento global p\u00f3s era industrial preocupam, levando muitos climatologistas e especialistas a defender que estamos vivendo uma sexta extin\u00e7\u00e3o em massa. &#8220;Muitos desses estudiosos dir\u00e3o que vivemos hoje algo parecido com o observado nesses eventos passados, com um agravante: a taxa de intensidade e a velocidade hoje s\u00e3o muito maiores.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o paleont\u00f3logo, a atual crise da biodiversidade, com dezenas de esp\u00e9cies desaparecendo, seja por a\u00e7\u00e3o direta humana ou por mudan\u00e7as ambientais, provavelmente n\u00e3o dar\u00e1 tempo para a adapta\u00e7\u00e3o da vida. &#8220;Algumas esp\u00e9cies conseguem viver em condi\u00e7\u00f5es extremas de calor e seca, temos <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/animais\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">animais<\/a> especializados vivendo nos ambientes des\u00e9rticos, mas eles n\u00e3o s\u00e3o felizes. Pode ter certeza que prefeririam viver em climas mais \u00famidos e amenos, com mais recursos dispon\u00edveis&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, acredito que est\u00e1 claro para todos os paleont\u00f3logos que essas extin\u00e7\u00f5es foram ocasionadas por ciclos da Terra (muitos dos eventos hipertermais foram provocados por vulcanismo). Se podemos prever quando a pr\u00f3xima vai acontecer, n\u00e3o fa\u00e7o ideia, mas sabemos que o aumento da temperatura leva \u00e0 acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos \u2013e isso j\u00e1 estamos observando em nosso tempo.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folhinha\/2026\/04\/todo-mundo-pode-ser-cientista-e-voce-ja-comecou-a-ser.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Apaixonado pela sua \u00e1rea<\/a> desde crian\u00e7a \u2014come\u00e7ou a estudar geologia antes de migrar para a zoologia e, mais tarde, \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/paleontologia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">paleontologia<\/a>\u2014, o docente afirma que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/11\/primeiro-liquen-conhecido-no-registro-fossil-ajudou-a-estruturar-ecossistemas-terrestres.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">olhar para o passado<\/a> n\u00e3o serve apenas para procurar sinais de cat\u00e1strofes futuras. O registro f\u00f3ssil tamb\u00e9m guarda segredos de qu\u00e3o extraordin\u00e1ria foi a vida na Terra e o quanto h\u00e1 ainda para descobrir sobre ela.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das fun\u00e7\u00f5es da paleontologia \u00e9 maravilhar. Achamos que conhecemos a vida olhando para o presente, mas quando olhamos para o passado encontramos coisas para as quais n\u00e3o existe nada parecido hoje&#8221;, diz Benton.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A hist\u00f3ria da vida na Terra tem cerca de 4,5 bilh\u00f5es de anos, e os humanos modernos viveram&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":463620,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1353,43980,5291,3504,2780,65708,109,107,108,3920,445,11310,20655,236,220,6393,9326,6951,32,30230,33,105,103,104,106,110,74545],"class_list":["post-463619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-animais","tag-animais-pre-historicos","tag-aquecimento-global","tag-arqueologia","tag-biodiversidade","tag-biologia-evolutiva","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-dinossauro","tag-europa","tag-evolucao-humana","tag-extincao","tag-folha","tag-humanos","tag-mudanca-climatica","tag-mudancas-climaticas","tag-paleontologia","tag-portugal","tag-pre-historia","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-teoria-da-evolucao"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116989825137882482","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=463619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/463620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=463619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=463619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=463619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}