{"id":463781,"date":"2026-07-27T09:13:14","date_gmt":"2026-07-27T09:13:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/463781\/"},"modified":"2026-07-27T09:13:14","modified_gmt":"2026-07-27T09:13:14","slug":"prestacao-da-casa-pode-subir-7-ate-ao-natal-guerra-bce-e-impacto-nos-creditos-a-habitacao-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/463781\/","title":{"rendered":"Presta\u00e7\u00e3o da casa pode subir 7% at\u00e9 ao Natal: guerra, BCE e impacto nos cr\u00e9ditos \u00e0 habita\u00e7\u00e3o em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>O custo em juros da maioria dos cr\u00e9ditos \u00e0 habita\u00e7\u00e3o que ainda faltam saldar vai aumentar de forma substancial, eventualmente 7% ou mais, at\u00e9 final deste ano, na sequ\u00eancia do agravamento entretanto esperado nas taxas de juro diretoras da Zona Euro, definidas pelo Banco Central Europeu (BCE). O encargo mensal adicional que se pode imputar \u00e0 guerra, se o BCE subir a sua taxa de juro de 2,25% para 2,75%, mais do que duplica.<\/p>\n<p>Com o regresso das hostilidades no Ir\u00e3o e no M\u00e9dio Oriente e de uma nova vaga inflacionista que est\u00e1 novamente a caminho (o custo do contrato futuro do barril de petr\u00f3leo Brent voltou a furar os 101 d\u00f3lares na semana passada), a taxa de dep\u00f3sito do BCE, principal instrumento de pol\u00edtica monet\u00e1ria da \u00e1rea do euro, ter\u00e1 de subir pelo menos mais duas vezes em 2026, dos atuais 2,25% (para 2,75% no final deste ano).<\/p>\n<p>Se a guerra se mantiver acesa desta forma, muitos investidores do mercado monet\u00e1rio e analistas j\u00e1 antecipam, at\u00e9, uma terceira subida \u201cna primavera de 2027&#8243;.<\/p>\n<p>O BCE sobe as taxas de juro para arrefecer os pre\u00e7os, atrav\u00e9s do encarecimento do cr\u00e9dito banc\u00e1rio, que assim faz cair o investimento e o consumo e, ato cont\u00ednuo, a infla\u00e7\u00e3o. Frankfurt tem por miss\u00e3o ancorar a infla\u00e7\u00e3o em torno dos 2%.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas meses consecutivos que a press\u00e3o em alta dos pre\u00e7os no consumidor est\u00e1 perto de 3%, apesar do al\u00edvio moment\u00e2neo do pseudo cessar-fogo que marcou o m\u00eas de junho.<\/p>\n<p><strong>Em julho, tudo de desmoronou outra vez. O pr\u00e9-acordo entre os EUA e o Ir\u00e3o \u201cacabou\u201d (termo usado por Donald Trump, o Presidente norte-americano), e Frankfurt prepara-se para entrar num novo \u201cciclo de subidas\u201d de taxas de juro.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com dados do Banco de Portugal (BdP), o valor m\u00e9dio dos novos empr\u00e9stimos para compra de habita\u00e7\u00e3o rondar\u00e1 os 175 mil euros, sendo que o prazo mais comum \u00e9 pagar o cr\u00e9dito em 30 anos.<\/p>\n<p>Rompendo com o que era h\u00e1bito no passado, hoje a esmagadora maioria dos novos cr\u00e9ditos hipotec\u00e1rio (quase 85%) est\u00e1 indexada a taxas de juro mistas (taxa fixa negociada com o banco nos primeiros um a cinco anos e depois a Euribor, normalmente a seis meses, at\u00e9 \u00e0 maturidade do contrato).<\/p>\n<p>No entanto, considerando todos os cr\u00e9ditos que atualmente ainda est\u00e3o por pagar, o cen\u00e1rio muda de figura e cerca de metade deles ainda depende apenas da Euribor, logo, este enorme conjunto de devedores em Portugal est\u00e1 diretamente vulner\u00e1vel face \u00e0s subidas do BCE.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso tamb\u00e9m que a pol\u00edtica monet\u00e1ria funciona em Portugal. Se o BCE sobe juros, os portugueses sentem quase imediatamente.<\/p>\n<p>De acordo com um levantamento feito pelo DN e os dados oficiais de v\u00e1rios bancos e do Banco de Portugal, considerando todo o capital em d\u00edvida por motivos de habita\u00e7\u00e3o, o valor do empr\u00e9stimo m\u00e9dio que ainda est\u00e1 por saldar rondar\u00e1 os 80 mil euros.<\/p>\n<p><strong>Uma simula\u00e7\u00e3o com este \u00faltimo valor em d\u00edvida indexado a uma Euribor a seis meses e uma margem de ganho para o banco (spread) de 0,85% (o valor mais comum, segundo as estat\u00edsticas do banco central) indica-nos que, hoje, com a taxa de refer\u00eancia do BCE em 2,25%, a presta\u00e7\u00e3o m\u00e9dia mensal a pagar por uma fam\u00edlia associada \u00e0quela d\u00edvida remanescente de 80 mil euros est\u00e1 nos 362 euros.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com c\u00e1lculos do DN, percebe-se que cada acr\u00e9scimo de 0,25 pontos percentuais (p.p.) na taxa do BCE tem um reflexo diretamente proporcional na Euribor usada.<\/p>\n<p>Assim, se o BCE subir a taxa de juro principal para 2,5%, cuja probabilidade de acontecer ronda agora os 90%, segundo a esmagadora maioria dos operadores do mercado monet\u00e1rio, ent\u00e3o a presta\u00e7\u00e3o mensal correspondente \u00e0quele cr\u00e9dito de 80 mil euros associada a uma Taxa Anual Nominal ou TAN (soma do indexante Euribor e spread, e ainda sem incluir despesas com seguros e comiss\u00f5es) que vai subir de 3,5% hoje para 3,8% em setembro, elevar\u00e1 a presta\u00e7\u00e3o 312 euros agora para <strong>374 euros<\/strong> mensais no fim do ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a guerra continuar, a indefini\u00e7\u00e3o e o caminho err\u00e1tico e ca\u00f3tico dos EUA a lidar com o problema persistir, ent\u00e3o o BCE ter\u00e1 de subir novamente em dezembro (90% de probabilidade neste momento), para 2,75%.<\/p>\n<p>O departamento de estudos do grupo BPI referiu na quinta-feira (23 de julho) que, ap\u00f3s a reuni\u00e3o em Frankfurt, os mercados come\u00e7aram \u201ca descontar um aumento das taxas em setembro (taxa de dep\u00f3sito para 2,5%, com 90% de probabilidade), outro aumento em dezembro (taxa de dep\u00f3sito para 2,75%, tamb\u00e9m com 90% de probabilidade) e um aumento final na primavera de 2027 (taxa de dep\u00f3sito para 3%, com 70% de probabilidade)\u201d.<\/p>\n<p>Se a taxa subir para 2,75%, o que parece quase certo agora, o agravamento do custo imputado \u00e0 guerra duplica para 24 euros, colocando a presta\u00e7\u00e3o mensal em <strong>386 euros<\/strong>, isto \u00e9, mais 7% face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual (sem mais aumentos do BCE).<\/p>\n<p>Se o conflito persistir e o petr\u00f3leo e o resto n\u00e3o acalmar, \u00e9 prov\u00e1vel que o BCE tenha de subir a taxa de dep\u00f3sito uma terceira vez, para 3% em dezembro (segundo operadores do mercado, essa probabilidade j\u00e1 mais nos 20% quando h\u00e1 poucas semanas era praticamente nula).<\/p>\n<p><strong>Neste cen\u00e1rio inflacionista e de forte aperto aos endividados, a mesma fam\u00edlia que em Portugal estava apagar hoje 362 euros em juros ao banco por causa da casa, passa a pagar mais 36 euros, ou seja, uma presta\u00e7\u00e3o de 398 euros por m\u00eas. \u00c9 mais 10%, segundo c\u00e1lculos tamb\u00e9m do DN.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O custo em juros da maioria dos cr\u00e9ditos \u00e0 habita\u00e7\u00e3o que ainda faltam saldar vai aumentar de 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