{"id":463913,"date":"2026-07-27T11:34:19","date_gmt":"2026-07-27T11:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/463913\/"},"modified":"2026-07-27T11:34:19","modified_gmt":"2026-07-27T11:34:19","slug":"projeto-de-250-milhoes-em-aljustrel-exclui-ramal-ferroviario-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/463913\/","title":{"rendered":"Projeto de 250 milh\u00f5es em Aljustrel exclui ramal ferrovi\u00e1rio \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A Almina, empresa portuguesa que explora as minas de Aljustrel, quer investir 250 milh\u00f5es de euros na explora\u00e7\u00e3o de um novo jazigo. O Gavi\u00e3o vai permitir a extra\u00e7\u00e3o de cobre e prolongar a vida desta mina por 20 anos, de acordo com a informa\u00e7\u00e3o que consta do estudo de impacte ambiental que foi colocado em consulta p\u00fablica.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um investimento isolado e est\u00e1 enquadrado num projeto de 400 milh\u00f5es de euros \u2014 Feeding the Global Energy Transition [\u201cAlimentar a Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica Global\u201d em portugu\u00eas] \u2014 apresentado em junho pela empresa numa cerim\u00f3nia que contou com a<a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/06\/16\/montenegro-inaugura-investimento-de-400-milhoes-na-mina-de-aljustrel-e-promete-simplificacao-na-mineracao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> presen\u00e7a do primeiro-ministro<\/a>. Este projeto combina desenvolvimento industrial com sustentabilidade energ\u00e9tica e foi apoiado por fundos do PRR (Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia) destinados \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante a Almina destacar o papel da extra\u00e7\u00e3o mineira na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e na revolu\u00e7\u00e3o digital, <strong>o transporte de min\u00e9rio a partir da mina de Aljustrel vai continuar a ser feito por cami\u00e3o.<\/strong> Isto apesar de existir um ramal ferrovi\u00e1rio que em tese permitiria o escoamento da produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio atrav\u00e9s de comboio at\u00e9 aos portos de exporta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que acontece na explora\u00e7\u00e3o da maior mina portuguesa, Neves Corvo, que fica no concelho vizinho de Castro Verde e cuja produ\u00e7\u00e3o segue por comboio para o porto de Set\u00fabal.<\/p>\n<p><strong>Ao contr\u00e1rio do ramal que serve a Somincor, o de Aljustrel est\u00e1 desativado h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas<\/strong>. Parou em 1993 devido \u00e0s dificuldades da empresa p\u00fablica que ent\u00e3o explorava a mina \u2014 a Pirites Alentejanas. A explora\u00e7\u00e3o mineira foi retomada em 2007\/8 e desde ent\u00e3o os partidos \u00e0 esquerda \u2014 PCP e Bloco \u2014 t\u00eam reclamado a reativa\u00e7\u00e3o do ramal. Mas n\u00e3o h\u00e1 planos para reabilitar a liga\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, apesar do investimento avultado que est\u00e1 anunciado para a mina.<\/p>\n<p>Em resposta ao Observador, a Almina justifica que o \u201cantigo ramal ferrovi\u00e1rio sofreu, ao longo dos anos, diversas altera\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do seu corredor, <strong>verificando-se atualmente a exist\u00eancia de ocupa\u00e7\u00f5es e infraestruturas que condicionam significativamente uma eventual reativa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A empresa esclarece ainda que est\u00e1 a implementar um conjunto de medidas para descarbonizar a atividade. Uma dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 a <strong>\u201cintrodu\u00e7\u00e3o progressiva a partir de 2027 de cami\u00f5es el\u00e9tricos<\/strong> em substitui\u00e7\u00e3o da atual frota a diesel, prevendo-se que esta transi\u00e7\u00e3o esteja conclu\u00edda at\u00e9 2028\u2033. A iniciativa \u201cpermitir\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o estimada de cerca de 4.200 toneladas de CO2 por ano, contribuindo para a diminui\u00e7\u00e3o da pegada carb\u00f3nica associada a esta atividade.\u201d<\/p>\n<p>Os documentos de dezembro de 2025 submetidos ao estudo de impacte ambiental do projeto Gavi\u00e3o, que entrou em consulta p\u00fablica, n\u00e3o referem a inten\u00e7\u00e3o de recorrer a uma frota el\u00e9trica. A quantifica\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO2 geradas pelo volume de tr\u00e1fego associado \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do projeto \u2014 que \u00e9 um dos indicadores exigidos em avalia\u00e7\u00f5es de impacte ambiental \u2014 <strong>\u00e9 calculada a partir do consumo de gas\u00f3leo<\/strong> usado nos equipamentos de explora\u00e7\u00e3o da mina consumido no transporte do min\u00e9rio para os portos de Huelva e Set\u00fabal.<\/p>\n<p>Nestas contas s\u00e3o assumidos dois trajetos para as cerca de 85.000 toneladas de concentrado a transportar. No cen\u00e1rio de extra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, verifica-se que as emiss\u00f5es anuais totalizam 530 toneladas de CO2e (di\u00f3xido de carbono equivalente). No final do per\u00edodo de explora\u00e7\u00e3o do complexo mineiro, as emiss\u00f5es totalizar\u00e3o 7.954 toneladas de CO2e. Os c\u00e1lculos foram realizados assumindo um fator de emiss\u00e3o de cami\u00f5es pesados movidos a gas\u00f3leo de 566,94 gCO2e\/km.<\/p>\n<p>Estima-se que sejam realizadas 623 viagens de cami\u00e3o por ano a partir de Aljustrel, no distrito de Beja, para Set\u00fabal num trajeto de 130 quil\u00f3metros, o que perfaz quase 162 mil quil\u00f3metros por ano. O n\u00famero mais do que triplica para Huelva. S\u00e3o cerca de duas mil viagens por ano durante 186 quil\u00f3metros, o que totaliza 773.388 quil\u00f3metros por ano.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         Estado vendeu a investidores internacionais que venderam a empres\u00e1rios portugueses <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>As minas de Ajustrel eram exploradas por uma empresa belga quando foram nacionalizadas em 1975, dando origem \u00e0 empresa p\u00fablica Pirites Alentejanas. No in\u00edcio dos anos de 1990 foram feitos investimentos numa lavaria industrial e no ramal ferrovi\u00e1rio, mas a produ\u00e7\u00e3o foi suspensa em 1993 devido \u00e0 queda dos pre\u00e7os do cobre e do zinco.<\/p>\n<p>Em 2008, a empresa canadiana Lundin Mining, ent\u00e3o dona da Somincor, comprou por um euro a Pirites Alentejanas. O neg\u00f3cio envolveu um perd\u00e3o da d\u00edvida da Pirites \u00e0 Somincor. Apesar de j\u00e1 ser conhecida a exist\u00eancia de um jazigo de cobre por explorar \u2014 o Gavi\u00e3o \u2014 a Lundin desistiu da opera\u00e7\u00e3o mineira poucos meses depois e vendeu a Pirites Alentejanas aos irm\u00e3os Martins, da Martifer. Atualmente, a Almina tem tamb\u00e9m como acionistas a fam\u00edlia Costa Leite da empresa Vicaima, sendo o seu presidente Humberto Costa Leite.<\/p>\n<p>\u00c9 um contraste com a explora\u00e7\u00e3o de Neves Corvo onde quase 100% da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 escoada atrav\u00e9s da ferrovia, gra\u00e7as a um ramal de cerca de 30 quil\u00f3metros que se liga \u00e0 linha do Alentejo e que permite chegar ao Porto de Set\u00fabal. As duas empresas mineiras assinaram uma concess\u00e3o de 10 anos para usarem em exclusivo o terminal portu\u00e1rio de Praias do Sado.<\/p>\n<p>Num projeto de resolu\u00e7\u00e3o apresentado em mar\u00e7o de 2025 a recomendar a reabertura do ramal de transporte de min\u00e9rio de Aljustrel, o Bloco de Esquerda situa em 1993 o in\u00edcio do processo de degrada\u00e7\u00e3o desta infraestrutura. Alerta ainda para as consequ\u00eancias do recurso exclusivo ao transporte rodovi\u00e1rio pesado nas estradas da regi\u00e3o \u2014 nomeadamente EN2, de Aljustrel a Castro Verde, N123 de Castro Verde a M\u00e9rtola, N122\/IC 27 de M\u00e9rtola ao n\u00f3 da A22 em Castro Marim, A22 e ponte internacional de VRSA\/Castro Marim e Ayamonte.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que saiam diariamente da mina de Aljustrel cerca de 30 cami\u00f5es carregados de concentrado de cobre, zinco e chumbo, com um peso de 45 toneladas cada um. Esta escolha tem levado \u00e0 sucessiva degrada\u00e7\u00e3o das estradas e pontes neste percurso, n\u00e3o dimensionadas inicialmente para suportar este tipo de peso e tr\u00e1fego\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Almina, empresa portuguesa que explora as minas de Aljustrel, quer investir 250 milh\u00f5es de euros na explora\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":463914,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[288,88,476,89,90,2270,6155,57,32,33,58,18784,2588],"class_list":["post-463913","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alentejo","tag-business","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-energia","tag-minas","tag-pau00eds","tag-portugal","tag-pt","tag-sociedade","tag-transporte-ferroviu00e1rio","tag-transportes"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116991732314915772","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=463913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463913\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/463914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=463913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=463913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=463913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}