{"id":464147,"date":"2026-07-27T15:03:14","date_gmt":"2026-07-27T15:03:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/464147\/"},"modified":"2026-07-27T15:03:14","modified_gmt":"2026-07-27T15:03:14","slug":"o-que-sao-os-incendios-de-sexta-geracao-e-porque-serao-cada-vez-mais-frequentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/464147\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o os inc\u00eandios de sexta gera\u00e7\u00e3o e porque ser\u00e3o cada vez mais frequentes"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Pedro Sarmento Costa \/ LUSA<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-694223 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/c51b8faa37d15cdcddb400dfc7dbda57-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Energia libertada pelas chamas \u00e9 cada vez maior; h\u00e1 dois eventuais trav\u00f5es. Portugal continental est\u00e1 em perigo m\u00e1ximo ou muito elevado de inc\u00eandio, com temperaturas a atingirem os 40\u00baC. Relat\u00f3rio aponta tr\u00eas grandes causas dos inc\u00eandios no pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>O investigador Domingos <strong>Xavier Viegas<\/strong> alertou este domingo que os inc\u00eandios de sexta gera\u00e7\u00e3o, como os que est\u00e3o <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/pior-incendio-madrid-756610\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a afetar Espanha e Fran\u00e7a<\/a> e t\u00eam obrigado a evacuar v\u00e1rias cidades, ser\u00e3o cada vez mais frequentes, devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 ag\u00eancia Lusa, o especialista em inc\u00eandios florestais disse que a designa\u00e7\u00e3o de sexta gera\u00e7\u00e3o se deve \u201c\u00e0 energia que \u00e9 libertada\u201d pelas chamas, que \u00e9 cada vez maior.<\/p>\n<p>\u201cOs inc\u00eandios cada vez est\u00e3o a libertar mais energia. E quando os inc\u00eandios libertam mais do que 10 megawatt por metro j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 capacidade de os suprimir por meio de um ataque direto\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo o professor em\u00e9rito da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra, nos \u00faltimos anos t\u00eam-se registado \u201cinc\u00eandios que, em alguma parte, na frente, chegaram a ter 20, 30, 40 e at\u00e9 60 megawatt\u201d.<\/p>\n<p>Quando a energia libertada \u00e9 de 60 ou mais megawatts por metro, o que \u201ctem sido observado sobretudo nos \u00faltimos anos\u201d, s\u00e3o chamados de inc\u00eandios de sexta gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 per\u00edodos do inc\u00eandio em que a energia libertada \u00e9 muito grande. \u00c9 o que certamente deve estar a acontecer nestes inc\u00eandios em Fran\u00e7a e no centro de Espanha, em que as <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/pior-incendio-madrid-756610\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">autoridades dizem que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel control\u00e1-los<\/a>\u201d, afirmou Xavier Viegas.<\/p>\n<p>Inc\u00eandio gera o seu pr\u00f3prio vento: aconteceu em Portugal, em 2017<\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, tamb\u00e9m os tr\u00e1gicos inc\u00eandios ocorridos em Portugal em 2017 (em junho e em outubro) podem ser classificados de sexta gera\u00e7\u00e3o porque \u201ctiveram energias na frente de fogo dessa ordem de grandeza\u201d.<\/p>\n<p>O investigador referiu que, neste tipo de inc\u00eandio, \u201cs\u00e3o criadas condi\u00e7\u00f5es que modificam o comportamento do fogo\u201d, ou seja, \u201cmesmo que n\u00e3o haja vento, o inc\u00eandio gera o seu pr\u00f3prio vento\u201d, alterando o comportamento e tornando-o \u201cbastante dif\u00edcil de prever e de controlar\u201d.<\/p>\n<p>Estes inc\u00eandios s\u00f3 podem ser combatidos \u201ceventualmente na cauda e nos flancos\u201d, se houver condi\u00e7\u00f5es para tal, \u201cmas na frente principal n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es, nem sequer com meios a\u00e9reos pesados se conseguem parar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Dois eventuais trav\u00f5es<\/p>\n<p>Xavier Viegas disse que, \u201cquanto muito, consegue-se criando zonas de descontinuidade, com m\u00e1quinas de rasto, criando uma barreira, admitindo que o fogo n\u00e3o faz proje\u00e7\u00f5es e n\u00e3o ultrapassa essas faixas de conten\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Outra forma de parar estes inc\u00eandios poder\u00e1 ser o contrafogo, mas se houver vento, como tem acontecido com frequ\u00eancia, \u201ctamb\u00e9m \u00e9 extremamente arriscado e n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPor isso \u00e9 que ouvimos dizer que as autoridades est\u00e3o a dar prioridade a proteger e retirar as pessoas, para salvaguardar a vida delas\u201d, esclareceu.<\/p>\n<p>Tr\u00eas grandes causas dos inc\u00eandios em Portugal<\/p>\n<p>Investigadores da Universidade de Coimbra j\u00e1 alertaram para o ritmo das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poder ultrapassar os esfor\u00e7os para adaptar a paisagem florestal e preparar a popula\u00e7\u00e3o contra os fogos, pedindo mais investimento na gest\u00e3o do risco de inc\u00eandios.<\/p>\n<p>O alerta foi deixado no \u00e2mbito das conclus\u00f5es do relat\u00f3rio \u201cInc\u00eandios florestais em Portugal: Mais de 80 anos mostram que o pa\u00eds tem de mudar\u201d, divulgado no final de junho pela organiza\u00e7\u00e3o ambientalista internacional Greenpeace e elaborado por uma equipa de especialistas, entre os quais Domingos Xavier Viegas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta tr\u00eas grandes causas para Portugal ter sido nas \u00faltimas d\u00e9cadas um dos pa\u00edses europeus com mais \u00e1rea ardida: as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a organiza\u00e7\u00e3o da paisagem e a insuficiente gest\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>Portugal continental em perigo m\u00e1ximo ou muito elevado<\/p>\n<p>Todos os distritos do norte e centro de Portugal continental e Faro apresentam esta segunda-feira um risco m\u00e1ximo de inc\u00eandio, estando o resto do territ\u00f3rio com perigo muito elevado.<\/p>\n<p>De acordo com o c\u00e1lculo do Instituto Portugu\u00eas do Mar e da Atmosfera (IPMA) dos 278 concelhos de Portugal continental, apenas cerca de 40 junto ao litoral enfrentam um risco elevado ou moderado, nomeadamente nos distritos de Braga, Porto, Aveiro, Leiria, Lisboa, Set\u00fabal e Faro.<\/p>\n<p>O perigo de inc\u00eandio dever\u00e1 manter-se alto ao longo da semana, de acordo com a previs\u00e3o do IPMA.<\/p>\n<p>Todos os distritos, com exce\u00e7\u00e3o de Faro, est\u00e3o hoje e at\u00e9 ter\u00e7a-feira com aviso amarelo devido ao calor, com as temperaturas m\u00e1ximas a chegarem aos 40 graus celsius em Santar\u00e9m e \u00c9vora, enquanto em Lisboa vai chegar aos 37 graus e o Porto 31 graus.<\/p>\n<p>O aviso amarelo, o menos grave, \u00e9 emitido quando h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de risco para determinadas atividades dependentes da situa\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O IPMA prev\u00ea para esta segunda-feira pequena subida da temperatura m\u00ednima, em especial na regi\u00e3o Norte e interior Centro e subida da temperatura m\u00e1xima, que ser\u00e1 acentuada no litoral Norte e Centro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pedro Sarmento Costa \/ LUSA Energia libertada pelas chamas \u00e9 cada vez maior; h\u00e1 dois eventuais trav\u00f5es. 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