{"id":46482,"date":"2025-08-26T21:47:24","date_gmt":"2025-08-26T21:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/46482\/"},"modified":"2025-08-26T21:47:24","modified_gmt":"2025-08-26T21:47:24","slug":"livro-analisa-forca-transformadora-da-danca-de-marlene-monteiro-freitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/46482\/","title":{"rendered":"Livro analisa for\u00e7a transformadora da dan\u00e7a de Marlene Monteiro Freitas"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t\t\tPublica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>\n                        Um livro sobre a obra coreogr\u00e1fica de Marlene Monteiro Freitas, cujas cria\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo a marcar a cena internacional da dan\u00e7a pelo &#8220;impacto transformador&#8221;, vai ser lan\u00e7ado em setembro em Lisboa e no Porto pela Dafne Editora.                        <\/p>\n<p>    <strong>Intitulado &#8220;Dan\u00e7a Fora de Si. A Obra Coreogr\u00e1fica de Marlene Monteiro Freitas&#8221;, o livro da investigadora, curadora e professora Alexandra Balona mergulha no universo da premiada core\u00f3grafa cabo-verdiana, e ser\u00e1 lan\u00e7ado a 13 de setembro, na Culturgest, em Lisboa, e no dia 19 de setembro, no Rivoli.<br \/><\/strong><br \/>O estudo concentra-se em cinco pe\u00e7as consideradas &#8220;fulgurantes&#8221; pela autora: &#8220;Guintche&#8221; (2010), &#8220;Para\u00edso \u2013 cole\u00e7\u00e3o privada&#8221; (2012), &#8220;Jaguar&#8221; (2015), &#8220;Bacantes \u2013 prel\u00fadio para uma purga&#8221; (2017) e &#8220;Mal \u2013 embriaguez divina&#8221; (2020).<br \/>Alexandra Balona explora a forma como Monteiro Freitas tem constru\u00eddo coreografias que abrem \u201cespa\u00e7os de estranheza e contradi\u00e7\u00e3o\u201d, onde corpos e materiais em di\u00e1spora se transformam em busca de sentidos plurais, aponta a investigadora sobre a core\u00f3grafa e bailarina galardoada em 2018 com o Le\u00e3o de Prata pela Bienal de Veneza de Dan\u00e7a.<br \/>O livro prop\u00f5e-se seguir as pistas da \u201cabertura, impureza e intensidade\u201d que atravessam a cria\u00e7\u00e3o de Monteiro Freitas, para traduzir sensibilidades e viol\u00eancias que escapam ao discurso racional, oferecendo um olhar sobre a uma &#8220;obra fulgurante, cuja ousadia abala as estruturas dos teatros por onde passa&#8221;, segundo a autora.<br \/>As cria\u00e7\u00f5es de Marlene Monteiro Freitas, que unem muitas vezes o drama e a com\u00e9dia, t\u00eam sido elogiadas pela cr\u00edtica internacional pela expressividade, originalidade e criatividade.<br \/>Alexandra Balona refere que a obra &#8211; de 256 p\u00e1ginas &#8211; nasceu do &#8220;espanto do desejo, dos encontros euf\u00f3ricos e da intensidade da obra&#8221; de Freitas, provocados pelo &#8220;desfasamento entre o ver, o sentir e o pensar&#8221;, desde o dia 21 de setembro de 2012, data do primeiro encontro da investigadora com a obra &#8220;Para\u00edso-cole\u00e7\u00e3o privada&#8221;, em estreia absoluta no Festival Circular, em Vila do Conde.<br \/>&#8220;Diante do palco, deparei-me com um universo coreogr\u00e1fico ins\u00f3lito e informe. For\u00e7as que me capturavam sem se deixarem inscrever num discurso fixo ou coerente. E, nesse instante, ocorreu-me que, depois de mais de uma d\u00e9cada a questionar a ontologia da dan\u00e7a contempor\u00e2nea, eis que os corpos que dan\u00e7am furiosos e fulgurantes, regressam definitivamente ao palco num renovado e visceral di\u00e1logo com a m\u00fasica&#8221;, recorda, no livro, a curadora de diversos projetos de pensamento, performance e artes visuais.<br \/>Balona assegura que o trabalho de Marlene Monteiro Freitas \u2013 cuja carreira come\u00e7ou como fundadora do grupo de dan\u00e7a Compass, em Cabo Verde &#8211; lhe &#8220;desassossegou o pensamento&#8221; com uma multitude de &#8220;sensa\u00e7\u00f5es sem nome, pensamentos dispersos, ideias em suspens\u00e3o que come\u00e7aram a agregar-se, numa negocia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de opostos: o sagrado e o profano, o erotismo e a viol\u00eancia, o animal humano e o n\u00e3o-humano, o desejo e a submiss\u00e3o&#8221;.<br \/>Al\u00e9m da an\u00e1lise cr\u00edtica, a autora convoca o arquivo pessoal da core\u00f3grafa e coloca-a em di\u00e1logo com obras da hist\u00f3ria da arte, construindo uma leitura que funciona como um \u201cAtlas\u201d para sustentar m\u00faltiplas refer\u00eancias e imagin\u00e1rios.<br \/>O livro lan\u00e7a um olhar atento sobre m\u00e9todos, processos e mecanismos da artista que estruturam a cria\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica, oferecendo ao leitor pequenas \u201cm\u00e1quinas cr\u00edticas para ler o ileg\u00edvel\u201d.<br \/>Em 2018, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Lusa, Marlene Monteiro Freitas contava ter crescido a ver um &#8216;poster&#8217; de uma bailarina que a irm\u00e3, dez anos mais velha, tinha colocado no quarto, porque ambas gostavam de dan\u00e7ar.<br \/>Marlene praticou gin\u00e1stica r\u00edtmica entre os 6 e os 13 anos, mas deixou este desporto porque n\u00e3o gostava do lado competitivo, e juntou-se a um grupo de amigos com quem come\u00e7ou a dan\u00e7ar e a criar coreografias, dando origem \u00e0 Compass.<br \/>Ao longo dos anos, foi conhecendo v\u00e1rias figuras da dan\u00e7a, bailarinos e core\u00f3grafos, alguns deles portugueses, como Clara Andermatt, que lhe come\u00e7aram a \u201cfazer acreditar\u201d que seria poss\u00edvel viver da dan\u00e7a, e que a influenciaram profundamente nos seus trabalhos, repletos de refer\u00eancias \u00e0 m\u00fasica, cinema, pintura e literatura.<br \/>&#8220;A obra da core\u00f3grafa e bailarina cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas \u00e9 de uma politicalidade sismogr\u00e1fica: abala os teatros por onde passa, deixando um rasto em que o fasc\u00ednio e a estranheza, o choque e a perplexidade, se tornam mat\u00e9ria sens\u00edvel de negocia\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma no livro Alexandra Balona, considerando a artista &#8220;magn\u00e9tica e vertiginosa&#8221;, devido a cria\u00e7\u00f5es que est\u00e3o &#8220;longe de se submeter \u00e0 l\u00f3gica de uma narrativa linear ou \u00e0 exig\u00eancia de um sentido fechado&#8221;, mas sim a &#8220;universos que deslocam os territ\u00f3rios do reconhecimento&#8221;.<br \/>\u00c9 nesse terceiro espa\u00e7o, entre o palco e a plateia, &#8220;onde as for\u00e7as da performance colidem, ressoam ou se entrela\u00e7am com as for\u00e7as de cada pessoa presente que, para Marlene Monteiro Freitas, a dan\u00e7a acontece&#8221;, num &#8220;acontecimento irrepet\u00edvel, enraizado nas intensidades do aqui e agora&#8221;, considera a doutorada em Estudos de Cultura, tamb\u00e9m arquiteta e docente na Escola das Artes da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa.<br \/>Publicado pela Dafne Editora, o livro ter\u00e1 uma vers\u00e3o em ingl\u00eas lan\u00e7ada em simult\u00e2neo pela Lenz Press, ampliando a circula\u00e7\u00e3o internacional de um estudo que se apresenta como refer\u00eancia para compreender a &#8220;for\u00e7a transformadora&#8221; da obra de Marlene Monteiro Freitas.<br \/>Em ambas as datas, os lan\u00e7amentos v\u00e3o acontecer ap\u00f3s a estreia naquelas cidades da nova cria\u00e7\u00e3o da core\u00f3grafa cabo-verdiana, &#8220;N\u00f4t&#8221;, sendo que o lan\u00e7amento em Lisboa contar\u00e1 com a presen\u00e7a da autora, de Marlene Monteiro Freitas e da professora Gabriele Brandstetter, prefaciadora do livro, especialista em estudos de teatro e dan\u00e7a da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.Fonte: LUSA | 25 de agosto de 2025                    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Publica\u00e7\u00f5es Um livro sobre a obra coreogr\u00e1fica de Marlene Monteiro Freitas, cujas cria\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo a marcar a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":46483,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[9226,207,169,10650,470,315,3144,114,115,10648,170,150,10649,419,32,33,2387],"class_list":{"0":"post-46482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-agenda-cultural","9":"tag-arte","10":"tag-books","11":"tag-centro-nacional-de-cultura","12":"tag-cinema","13":"tag-cultura","14":"tag-danca","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-exposicoes","18":"tag-livros","19":"tag-musica","20":"tag-obras-de-referencia","21":"tag-patrimonio","22":"tag-portugal","23":"tag-pt","24":"tag-teatro"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}