{"id":464891,"date":"2026-07-28T03:23:15","date_gmt":"2026-07-28T03:23:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/464891\/"},"modified":"2026-07-28T03:23:15","modified_gmt":"2026-07-28T03:23:15","slug":"rios-atmosfericos-mudam-clima-da-antartica-e-ameacam-elevar-o-nivel-dos-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/464891\/","title":{"rendered":"Rios atmosf\u00e9ricos mudam clima da Ant\u00e1rtica e amea\u00e7am elevar o n\u00edvel dos oceanos"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica\n                            <\/p>\n<p>                            Rios atmosf\u00e9ricos mudam clima da Ant\u00e1rtica e amea\u00e7am elevar o n\u00edvel dos oceanos<\/p>\n<p class=\"summary\">Pesquisa revela que correntes de umidade tropical respondem por 80% das ondas de calor no continente, aceleram o degelo e podem impactar diretamente cidades litor\u00e2neas do Brasil; tema foi destaque na 78\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC<\/p>\n<p>\n                                 Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica\n                            <\/p>\n<p>                                                        Rios atmosf\u00e9ricos mudam clima da Ant\u00e1rtica e amea\u00e7am elevar o n\u00edvel dos oceanos<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Pesquisa revela que correntes de umidade tropical respondem por 80% das ondas de calor no continente, aceleram o degelo e podem impactar diretamente cidades litor\u00e2neas do Brasil; tema foi destaque na 78\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/58789.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(58789,'files\/post\/58789.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Instalado em 2012, o Criosfera 1 \u00e9 o primeiro laborat\u00f3rio cient\u00edfico remoto e aut\u00f4nomo do Brasil no continente ant\u00e1rtico (foto: Centro Polar e Clim\u00e1tico\/UFRGS)<\/p>\n<p><strong>Elton Alisson, de Niter\u00f3i | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Na atmosfera terrestre, uma rede complexa de corredores invis\u00edveis a olho nu transporta diariamente calor e umidade das regi\u00f5es tropicais para os confins da Ant\u00e1rtica, alterando drasticamente o clima do continente gelado. Conhecidos como \u201crios atmosf\u00e9ricos\u201d, esses sistemas est\u00e3o sendo apontados por pesquisadores brasileiros como um dos principais motores do degelo no setor oeste do continente e na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>A acelera\u00e7\u00e3o desse processo pode causar uma significativa eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel global dos oceanos e impactar diretamente o Brasil. O pa\u00eds est\u00e1 entre os mais vulner\u00e1veis a esse cen\u00e1rio: das 136 cidades portu\u00e1rias no mundo com popula\u00e7\u00e3o acima de 1 milh\u00e3o de pessoas expostas \u00e0 subida do mar, dez est\u00e3o em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>O alerta foi feito por Heitor Evangelista da Silva, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador de um projeto de monitoramento de rios atmosf\u00e9ricos da Ant\u00e1rtica. O pesquisador apresentou os dados em palestra durante a <strong><a href=\"https:\/\/ra.sbpcnet.org.br\/78RA\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">78\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia<\/a><\/strong> (SBPC).<\/p>\n<p>Com o tema \u201cCi\u00eancia para todos: soberania, desenvolvimento e inclus\u00e3o\u201d, o evento acontece at\u00e9 o pr\u00f3ximo s\u00e1bado (01\/08) no campus Gragoat\u00e1 da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niter\u00f3i.<\/p>\n<p>De acordo com Silva, que tamb\u00e9m coordena o Criosfera 1 \u2013 o primeiro laborat\u00f3rio cient\u00edfico remoto e aut\u00f4nomo do Brasil no continente ant\u00e1rtico, instalado em 2012 \u2013, a a\u00e7\u00e3o dos rios atmosf\u00e9ricos ultrapassa as bordas do continente e penetra profundamente no interior da Ant\u00e1rtica. \u201cCerca de 90% de toda a umidade que \u00e9 transportada dos tr\u00f3picos para as \u00e1reas polares \u00e9 decorrente da a\u00e7\u00e3o dos rios atmosf\u00e9ricos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Localizada na latitude 84 Sul, a 1.200 metros de altitude, a esta\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada Criosfera 1 tem permitido monitorar o alcance desses eventos. Segundo dados coletados pelo laborat\u00f3rio e calibrados com modelos clim\u00e1ticos, a frequ\u00eancia de ondas de calor associadas aos rios atmosf\u00e9ricos no interior ant\u00e1rtico disparou nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Se no in\u00edcio do monitoramento esses eventos representavam 25% dos epis\u00f3dios de aquecimento, hoje quase 80% das ondas de calor detectadas no centro da Ant\u00e1rtica est\u00e3o diretamente atreladas a essas correntes a\u00e9reas.<\/p>\n<p>Em 2022, na esta\u00e7\u00e3o Conc\u00f3rdia, um desses eventos causou um aumento s\u00fabito de temperatura de 43 \u00b0C em rela\u00e7\u00e3o ao esperado para a \u00e9poca. \u201cEsse fen\u00f4meno de aumento s\u00fabito de temperatura nesses n\u00edveis nunca tinha sido observado em nenhum registro hist\u00f3rico meteorol\u00f3gico da Ant\u00e1rtica. Foi uma coisa absolutamente in\u00e9dita\u201d, afirmou o professor.<\/p>\n<p>Embora os efeitos sejam mais vis\u00edveis na borda do continente, os pesquisadores constataram que os rios atmosf\u00e9ricos est\u00e3o avan\u00e7ando cada vez mais fundo. J\u00e1 foram observadas, na latitude 84 Sul, temperaturas de at\u00e9 -3 \u00b0C \u2013 muito pr\u00f3ximas ao ponto em que o gelo come\u00e7a a derreter (-1 \u00b0C naquela regi\u00e3o). \u201cSe esses eventos se tornarem mais frequentes no ver\u00e3o, haver\u00e1 derretimento de gelo superficial em \u00e1reas extremamente remotas da Ant\u00e1rtica\u201d, avaliou Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/riosatmosfericos-cred-eltonalisson-heitorevangelistadasilva.jpg\" style=\"height:575px; width:800px\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nHeitor Evangelista da Silva \u00e9 professor da Uerj e coordenador do laborat\u00f3rio Criosfera 1 (foto: Elton Alisson\/Ag\u00eancia FAPESP)<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n<strong>Amea\u00e7as \u00e0s \u00e2ncoras do gelo continental<\/strong><\/p>\n<p>O impacto mais dram\u00e1tico dessa din\u00e2mica recai sobre o setor oeste da Ant\u00e1rtica, considerado um dos pontos de inflex\u00e3o (tipping points, ou &#8220;pontos de n\u00e3o retorno&#8221;) mais sens\u00edveis do sistema clim\u00e1tico global. Regi\u00f5es como as geleiras Thwaites e Pine Island apresentam fluxos incomuns de umidade e superf\u00edcies altamente vulner\u00e1veis ao derretimento. Essas massas de gelo funcionam como verdadeiras &#8220;\u00e2ncoras&#8221; que seguram todo o gelo do interior do continente. &#8220;A perda dessas geleiras frontais pode ser muito cr\u00edtica para a perda do gelo continental que viria logo depois&#8221;, alertou Silva.<\/p>\n<p>O processo de degrada\u00e7\u00e3o nessas geleiras tem ocorrido de forma silenciosa e &#8220;de baixo para cima&#8221;: a \u00e1gua oce\u00e2nica mais quente transportada para a regi\u00e3o acaba minando a estrutura de sustenta\u00e7\u00e3o das geleiras a partir de sua base. Estima-se que o colapso apenas da geleira Thwaites poderia elevar o n\u00edvel do mar global em 63 cent\u00edmetros, chegando a 1 metro se somado ao derretimento da geleira Pine Island.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do projeto apontam para uma mudan\u00e7a estrutural na Ant\u00e1rtica, similar \u00e0 que j\u00e1 ocorre no \u00c1rtico. O pesquisador ressalta que, desde 2015, o gelo marinho ao redor do continente entrou em uma fase de queda brutal. \u201cEssa diminui\u00e7\u00e3o de gelo marinho equivale a duas vezes a \u00e1rea da Groenl\u00e2ndia em perda de massa. \u00c9 uma coisa que n\u00e3o aparece prevista em nenhum modelo num\u00e9rico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O degelo causado por esses sistemas altera o chamado &#8220;albedo&#8221; \u2013 a capacidade que a superf\u00edcie branca do gelo tem de refletir a luz solar de volta para o espa\u00e7o. Com a perda do gelo marinho, a \u00e1gua escura do oceano fica exposta e absorve muito mais calor da radia\u00e7\u00e3o solar. Isso cria um ciclo vicioso de aquecimento acelerado, indicando o in\u00edcio de uma nova e preocupante fase clim\u00e1tica conhecida como Amplifica\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica (Antarctica Amplification).<\/p>\n<p><strong>Monitoramento \u00fanico<\/strong><\/p>\n<p>O monitoramento cont\u00ednuo realizado pelo Brasil \u00e9 considerado \u00fanico, pois o Criosfera 1 \u00e9 a \u00fanica esta\u00e7\u00e3o geof\u00edsica autom\u00e1tica operando bem no centro do continente gelado. Esses dados s\u00e3o fundamentais para calibrar e corrigir modelos clim\u00e1ticos globais \u2013 como o ERA-5 \u2013, que, segundo as observa\u00e7\u00f5es em campo feitas pelos cientistas brasileiros, ainda tendem a subestimar as temperaturas extremas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar no entendimento dessas fronteiras clim\u00e1ticas, os pr\u00f3ximos passos do projeto liderado pela Uerj \u2013 com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), por meio do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT) da Criosfera, e do Centro Espacial Goddard da Nasa\u00a0\u2013 envolvem a expans\u00e3o tecnol\u00f3gica e o monitoramento cont\u00ednuo no cora\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtica. Com o uso de sistemas de transmiss\u00e3o de dados em tempo real via sat\u00e9lite, a equipe busca aprimorar o registro de aeross\u00f3is (part\u00edculas microsc\u00f3picas suspensas no ar), gases de efeito estufa e o ac\u00famulo de neve.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pr\u00f3xima miss\u00e3o do Criosfera 1 prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de um telesc\u00f3pio brasileiro na Ant\u00e1rtica.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica Rios atmosf\u00e9ricos mudam clima da Ant\u00e1rtica e amea\u00e7am elevar o n\u00edvel dos oceanos Pesquisa revela que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":464892,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[3860,109,107,108,11578,6393,32,33,74719,105,103,104,106,110],"class_list":["post-464891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-antartica","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-degelo","tag-mudanca-climatica","tag-portugal","tag-pt","tag-sbpc","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116995464686789293","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/464891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=464891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/464891\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/464892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=464891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=464891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=464891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}