{"id":4669,"date":"2025-07-28T00:01:07","date_gmt":"2025-07-28T00:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4669\/"},"modified":"2025-07-28T00:01:07","modified_gmt":"2025-07-28T00:01:07","slug":"professor-de-danca-despedido-e-acusado-noutras-tres-escolas-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4669\/","title":{"rendered":"Professor de dan\u00e7a despedido \u00e9 acusado noutras tr\u00eas escolas \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA atmosfera de sala de aula era confusa\u201d, descreve. \u201cLembro-me de expressarmos como turma muitas vezes o desconforto que sent\u00edamos, mas ainda assim, ele continuava a ser sempre o primeiro da lista a prontificar-se para cobrir faltas de outros formadores\u2026 Ainda assim, ningu\u00e9m gostava das aulas dele. Sempre que nos vinham comunicar uma mudan\u00e7a de hor\u00e1rio j\u00e1 sab\u00edamos que era garantido mais uma tarde extra com ele e apesar das tentativas de expressar o nosso ponto de vista e desconforto com as aulas de movimento, acho que o assunto nunca foi visto como algo al\u00e9m de \u2018a turma do primeiro ano est\u00e1 a implicar com o professor de dan\u00e7a outra vez\u2019\u201d, diz, frustrada.<\/p>\n<p>Um dos epis\u00f3dios \u201cmais marcantes\u201d, recorda Rita, ter\u00e1 acontecido durante o segundo per\u00edodo do mesmo ano letivo, quando o professor resolveu introduzir uma nova coreografia. \u201cEra uma coreografia com toalhas, uma dan\u00e7a espec\u00edfica em que ele tinha participado com efeitos de luz e splashes de \u00e1gua. At\u00e9 a\u00ed tudo bem, ningu\u00e9m achou estranho, come\u00e7amos ent\u00e3o a aprender a coreografia como faz\u00edamos em todas as aulas. Sab\u00edamos que durante esta performance os bailarinos participantes estavam completamente despidos, foi uma das primeiras coisas que o professor mencionou\u201d, conta. \u201cAinda assim, tudo bem, no meio adulto art\u00edstico este tipo de performance consegue ser apreciado com respeito e at\u00e9 \u00e0 data est\u00e1vamos apenas a aprender a dan\u00e7a utilizando uma pequena toalha de adere\u00e7o e as nossas roupas normais de treino.\u201d \u201cAt\u00e9 que certo dia o professor chega \u00e0 sala de aula com o seu computador pessoal com a finalidade de demonstrar o efeito dos tais splashes de \u00e1gua na coreografia. A turma logo de in\u00edcio recusou a proposta pois sab\u00edamos que o professor fazia parte da dan\u00e7a e que todos os bailarinos estavam completamente despidos. J\u00e1 na altura do ocorrido ach\u00e1mos que seria estranho e pouco saud\u00e1vel, n\u00e3o s\u00f3 para a din\u00e2mica de sala de aula, mas tamb\u00e9m para a rela\u00e7\u00e3o professor-aluno. O professor insistiu diversas vezes e n\u00f3s dissemos que n\u00e3o quer\u00edamos ver o v\u00eddeo. Ele come\u00e7ou a aula, a marcar a coreografia como de costume, mas logo voltou a tocar no assunto do v\u00eddeo. O professor insistiu, alegando que com as luzes n\u00e3o dava para ver nada, o que se comprovou ser mentira, dava perfeitamente para ver tudo explicitamente, e para que n\u00e3o houvesse d\u00favidas ainda apontou para mostrar qual dos bailarinos era ele! Lembro-me que a grande maioria da turma, na \u00e9poca composta maioritariamente de menores de idade, ficou bastante desconfort\u00e1vel com a situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cRita\u201d diz nunca ter sido abordada nas redes sociais enquanto era aluna na escola. \u201cNa \u00e9poca era uma pessoa mais privada do que sou hoje em dia, nem sequer seguia todos os meus colegas de classe nas redes sociais\u201d, lembra. Mas este ano, sem motivo aparente, recebeu uma mensagem no Instagram. \u201cEra uma resposta a um story a dizer \u2018super linda\u2019 com uns emojis de uns cora\u00e7\u00f5es apaixonados. Rapidamente reconheci o nome e a minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi pensar \u2018este gajo passou-se\u2019. Ainda pensei que ele n\u00e3o me tivesse reconhecido ou que fosse engano. Fiquei um pouco confusa, mas n\u00e3o seria poss\u00edvel n\u00e3o saber que sou uma ex-aluna da escola\u2026 Temos demasiados seguidores em comum. Este senhor nunca me seguiu nas redes sociais, mas sem sombra de d\u00favidas abriu os meus stories com plena certeza de que eu seria uma antiga aluna. Apesar de atualmente j\u00e1 ser maior de idade, algo nesta mensagem deixou-me completamente desconfort\u00e1vel. Pessoalmente, achei estranho ter algu\u00e9m que me deu aulas e que me conheceu com 15 anos t\u00e3o casualmente, slide into my DMs, como se simplesmente tivesse dado um trambolh\u00e3o no perfil de uma antiga colega de faculdade com uma idade aproximada.\u201d<\/p>\n<p>Rita fotografou a tela do telem\u00f3vel. \u201cPubliquei o print no meu close friends como forma de compartilhar com alguns amigos muito chegados esta bizarrice. Foi a\u00ed que uma amiga me contactou e vi que a situa\u00e7\u00e3o era reincidente com este cidad\u00e3o. A partir desse momento bloqueei-o automaticamente.\u201d<\/p>\n<p>A \u201creincid\u00eancia\u201d \u00e9 atestada pelas dezenas de testemunhos que chegaram \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/naotenhasmedo_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">p\u00e1gina de Instagram @n\u00e3otenhasmedo<\/a>. \u201cTodos os dias recebo prints e testemunhos diferentes\u201d, afirma ao Observador a respons\u00e1vel pela conta de Instagram que come\u00e7ou a partilhar relatos de jovens que dizem ter recebido mensagens constantes por parte do mesmo professor. \u201cS\u00e3o mulheres, geralmente antigas alunas, alunas na \u00e9poca\u201d, descreve. Todas escolhem o anonimato, por receio de repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>Grande parte dos testemunhos divulgados nas redes sociais s\u00e3o de alunas e ex-alunas da Academia de Artes do Espet\u00e1culo (ACE) de Famalic\u00e3o. Ap\u00f3s as partilhas por parte de personalidades digitais com dezenas de milhares de seguidores, a institui\u00e7\u00e3o de ensino reagiu com um comunicado nas redes sociais, esclarecendo que \u201cpor decis\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o, o mesmo [professor] cessou o seu v\u00ednculo com a escola em abril de 2025\u201d. A mesma publica\u00e7\u00e3o refere que na ACE \u201cest\u00e3o implementados v\u00e1rios mecanismos de despiste e preven\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de abuso, ass\u00e9dio e discrimina\u00e7\u00e3o, tais como a Comiss\u00e3o de \u00c9tica e o Canal de Den\u00fancia\u201d. No mesmo comunicado, em que refere o nome do professor, a ACE diz que assume \u201cde forma inequ\u00edvoca, o respeito pelas pessoas da sua comunidade escolar, agindo de forma clara e decisiva perante qualquer informa\u00e7\u00e3o ou den\u00fancia\u201d. A conta de Instagram da escola desativou os coment\u00e1rios em todas as publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O professor era \u201cum dos rostos da escola\u201d, como descreve a diretora pedag\u00f3gica e art\u00edstica da institui\u00e7\u00e3o, Helena Machado, numa publica\u00e7\u00e3o no seu Facebook pessoal, em 2022, descrevendo o mesmo professor como \u201cintenso, generoso e criativo\u201d. \u201cTrabalha comigo h\u00e1 12 anos\u201d, escreveu na legenda de uma fotografia de ambos.<\/p>\n<p>Contactada pelo Observador, a ACE Famalic\u00e3o n\u00e3o esclarece o motivo da cess\u00e3o do v\u00ednculo com o dito professor, mas o Observador sabe que os professores da institui\u00e7\u00e3o foram informados em abril, aquando do afastamento, de que \u201ctinha havido um contacto inform\u00e1tico com uma aluna\u201d e que foi isso que ditou o despedimento. A comunidade docente ter\u00e1 sido \u201capanhada de surpresa\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um caso falado h\u00e1 anos naquela escola. Toda a gente sabe como \u00e9 que ele \u00e9, que ele lan\u00e7a olhares muito desconfort\u00e1veis. Isto \u00e9 um caso conhecido na ACE Famalic\u00e3o\u201d, acusa \u201cSofia\u201d (nome fict\u00edcio). \u201cA escola podia ter agido muito mais cedo do que agiu. Ningu\u00e9m nos ouviu\u201d.<\/p>\n<p>A ACE Famalic\u00e3o n\u00e3o respondeu a nenhuma das quest\u00f5es colocadas por este jornal, nomeadamente se receberam queixas, ao longo dos anos, relativas ao mesmo docente, ou como funciona a Comiss\u00e3o de \u00c9tica e o Canal de Den\u00fancia referidos na nota publicada. O Observador contactou o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o sobre o conhecimento de eventuais casos de ass\u00e9dio a alunos da ACE Famalic\u00e3o. Em resposta, o gabinete do minist\u00e9rio tutelado por Fernando Alexandre assegura que \u201csegundo a Inspe\u00e7\u00e3o-Geral de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia (IGEC) n\u00e3o deu entrada nenhuma queixa ou den\u00fancia sobre a ACE \u2014 Academia Contempor\u00e2nea do Espet\u00e1culo, polo de Famalic\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Sofia entrou na ACE em 2020. Tinha 14 anos. Foi uma das alunas que durante as provas de aptid\u00e3o conseguiu via r\u00e1pida para a entrada na escola de ensino art\u00edstico. \u201cAs provas da ACE implicam prova de interpreta\u00e7\u00e3o, entrevista, prova de ingl\u00eas, de portugu\u00eas e de movimento. S\u00e3o atribu\u00eddas v\u00e1rias notas. E algu\u00e9m pode p\u00f4r-nos uma estrela. Atribuir-nos uma estrela significa que j\u00e1 entr\u00e1mos na escola, n\u00e3o precisamos do resto das notas.\u201d<\/p>\n<p>A jovem, que \u201cat\u00e9 j\u00e1 tinha notas suficientes para entrar\u201d, garantiu entrada direta na ACE Famalic\u00e3o com uma estrela atribu\u00edda pelo professor agora acusado por v\u00e1rias alunas. Mas a estrela, esse passaporte que tanta felicidade lhe trouxe, haveria de jogar contra a pr\u00f3pria. \u201cEle usava uma t\u00e9cnica de manipula\u00e7\u00e3o que era o facto de me ter dado uma estrela. E a verdade \u00e9 que eu sentia-me muito mal por impor limites\u201d, recorda. \u201cAcho que n\u00e3o quis ver o grave da situa\u00e7\u00e3o\u201d. Relata olhares insistentes e comportamentos que reconhece como \u201cestranhos\u201d. \u201cA minha turma comentava que ele tinha comportamentos estranhos. Falava connosco s\u00f3 de boxers, vestia-se na sala. Mas o que nos era dito era que isso era normal no mundo art\u00edstico.\u201d<\/p>\n<p>O professor seguia-a nas redes sociais, mas quando Sofia saiu da escola as mensagens \u201ccome\u00e7aram a ser de outro teor\u201d. \u201cA dizer que ele me queria ver e se queria declarar a mim, coisas desse g\u00e9nero. O que me fazia confus\u00e3o \u00e9 que, mesmo n\u00e3o tendo resposta, ele continuava a insistir nas mensagens\u201d, descreve. \u201cEu n\u00e3o lhe respondia e ele insistia.\u201d O Observador teve acesso \u00e0s mensagens. \u201cAmo-te\u201d, \u201cA maior gata de Famalic\u00e3o\u201d, \u201cQueres namorar comigo?\u201d, \u201cMatas-me\u201d, foram algumas das mensagens recebidas. Outras eram conte\u00fados como um v\u00eddeo onde se diz: \u201cMe empresta um beijo que eu te pago depois\u201d.<\/p>\n<p>Sofia diz que nunca ponderou reportar \u00e0 escola e que desconhecia, como todas as alunas e ex-alunas que falaram com este jornal, qualquer canal de den\u00fancias. \u201cAchei que se tivesse alguma a\u00e7\u00e3o contra ele poderia piorar a minha carreira art\u00edstica, mas acabei por ter s\u00f3 de o bloquear mesmo, comecei a ficar assustada\u201d, conta. \u201cTenho medo de ser processada.\u201d<\/p>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA atmosfera de sala de aula era confusa\u201d, descreve. \u201cLembro-me de expressarmos como turma muitas vezes o desconforto&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4670,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[2674,27,28,604,315,2673,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,58,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-4669","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-assu00e9dio-sexual","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-crime","12":"tag-cultura","13":"tag-danu00e7a","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-portugal","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-sociedade","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4669"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4669\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}