{"id":46780,"date":"2025-08-27T02:17:07","date_gmt":"2025-08-27T02:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/46780\/"},"modified":"2025-08-27T02:17:07","modified_gmt":"2025-08-27T02:17:07","slug":"uso-de-aparelhos-auditivos-reduz-risco-de-demencia-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/46780\/","title":{"rendered":"Uso de aparelhos auditivos reduz risco de dem\u00eancia, mostra estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"autor\">Por Ac\u00e1cio Moraes\/FolhaPress<\/p>\n<p>Um novo estudo americano mostrou que o uso de aparelhos para o tratamento para perda auditiva \u00e9 capaz de reduzir significativamente o risco de dem\u00eancias. Entre os participantes que fizeram uso dos dispositivos, houve uma diminui\u00e7\u00e3o de 60% dos casos de doen\u00e7as neurodegenerativas.<\/p>\n<p>O trabalho, publicado na prestigiada revista cient\u00edfica Jama (Journal of American Medical Society), refor\u00e7a a import\u00e2ncia do uso dos aparelhos, que ainda \u00e9 pouco difundido. Estima-se que apenas 17% das pessoas com perda auditiva moderada ou grave os usam.<\/p>\n<p>A correla\u00e7\u00e3o entre dem\u00eancia e a perda auditiva j\u00e1 \u00e9 conhecida pelos pesquisadores h\u00e1 alguns anos, sendo esta considerada um dos principais fatores de risco para o decl\u00ednio neurol\u00f3gico. Raquel Molina, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) diz que h\u00e1 algumas hip\u00f3teses que podem explicar essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a audi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fonte importante de informa\u00e7\u00f5es sensoriais, e contribui para manter as conex\u00f5es cerebrais ativas e funcionais. Al\u00e9m disso, com maior dificuldade para ouvir, o paciente pode acabar interagindo menos, socialmente, e se isolando, sendo este outro fator de risco para a dem\u00eancia.<\/p>\n<p>Na nova pesquisa, os especialistas analisaram dados de uma coorte com 3.000 participantes com perda auditiva leve, moderada ou grave, e com menos de 70 anos. O uso de aparelho auditivo foi determinado a partir do relato dos pr\u00f3prios pacientes e n\u00e3o foi avaliado o tempo de tratamento.<\/p>\n<p>Entre as limita\u00e7\u00f5es do estudo, os pesquisadores n\u00e3o avaliaram tamb\u00e9m se a redu\u00e7\u00e3o do risco de dem\u00eancia estava relacionada \u00e0 interven\u00e7\u00e3o precoce ou a gravidade dos problemas auditivos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os autores do trabalho apontam que, nos Estados Unidos, pessoas que podem pagar pelos aparelhos geralmente t\u00eam acesso a melhores cuidados de sa\u00fade. No Brasil, o SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) fornece aparelhos auditivos, lembra a professora Raquel Molina, embora haja uma fila de espera.<\/p>\n<p>Neste ano, foram publicados os resultados de um estudo que revela evid\u00eancia dos efeitos da perda auditiva no agravamento do decl\u00ednio cognitivo dentro da popula\u00e7\u00e3o brasileira. O trabalho incluiu 800 brasileiros com idade m\u00e9dia de 50 anos e mostrou que a dificuldade de audi\u00e7\u00e3o aumenta a progress\u00e3o do decl\u00ednio cognitivo.<\/p>\n<p>Pesquisas como essa refor\u00e7am a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o. Silvana Maziviero, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), afirma que existem perdas que s\u00e3o trat\u00e1veis com muita simplicidade, como a presen\u00e7a de rolha de cerume no canal auditivo.<\/p>\n<p>&#8220;Tem pessoas que convivem com esse cerume por anos sem perceber&#8221;. Infec\u00e7\u00f5es e otites tamb\u00e9m s\u00e3o causas trat\u00e1veis e revers\u00edveis.<\/p>\n<p>Por outro lado, perdas auditivas progressivas e lentas que ocorrem com o envelhecimento exigem o uso de aparelhos auditivos ou cirurgias com pr\u00f3teses implant\u00e1veis. Nesses casos, a especialista ressalta a import\u00e2ncia de detectar e intervir o quanto antes no problema. &#8220;Quanto mais precoce a gente reabilitar, melhor. Quando o paciente chega mais tarde, \u00e9 mais dif\u00edcil&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para fazer o diagn\u00f3stico ainda nos primeiros est\u00e1gios do problema, \u00e9 preciso que a fam\u00edlia fique atenta aos sinais, como a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o. Isso porque o paciente, quase sempre, n\u00e3o consegue perceber as pr\u00f3prias dificuldades. Para contribuir com a identifica\u00e7\u00e3o de problemas auditivos, a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) tamb\u00e9m disponibilizou neste ano um aplicativo para celular, o hearWHO, que avalia a capacidade de audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda auditiva, a preven\u00e7\u00e3o da dem\u00eancia no final da vida envolve a aten\u00e7\u00e3o a outros fatores de risco. Segundo um estudo brasileiro do ano passado, por meio do tratamento e preven\u00e7\u00e3o de 12 fatores de risco, quase metade dos casos de dem\u00eancia no pa\u00eds seriam evitados. Entre eles, baixa escolaridade, obesidade e hipertens\u00e3o tamb\u00e9m figuram como causas importantes de neurodegenera\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Maziviero, tamb\u00e9m \u00e9 preciso reduzir o preconceito contra o uso de aparelhos auditivos, ainda cheio de estigmas. Segundo ela, o cuidado com a audi\u00e7\u00e3o, especialmente nos dias atuais, \u00e9 fundamental para termos um envelhecimento mais saud\u00e1vel. &#8220;\u00c9 uma poupan\u00e7a que a gente est\u00e1 fazendo, uma reserva auditiva para daqui a alguns anos.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Ac\u00e1cio Moraes\/FolhaPress Um novo estudo americano mostrou que o uso de aparelhos para o tratamento para perda&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":46781,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[14023,11492,2041,14026,1347,116,1464,12545,14024,32,33,117,4806,4483,14025,14022],"class_list":{"0":"post-46780","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-aparelhos-auditivos","9":"tag-declinio-cognitivo","10":"tag-demencia","11":"tag-doencas-neurodegenerativas","12":"tag-estudo","13":"tag-health","14":"tag-infeccoes","15":"tag-organizacao-mundial-de-saude","16":"tag-perda-auditiva","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-saude","20":"tag-sistema-unico-de-saude","21":"tag-sus","22":"tag-universidade-federal-do-para","23":"tag-universidade-federal-fluminense"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46780\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}