{"id":468000,"date":"2026-07-30T22:17:29","date_gmt":"2026-07-30T22:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/468000\/"},"modified":"2026-07-30T22:17:29","modified_gmt":"2026-07-30T22:17:29","slug":"meritocracia-limitada-peso-de-sindicatos-ou-forte-protecao-contra-o-desemprego-estudo-de-nobel-da-economia-aponta-problemas-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/468000\/","title":{"rendered":"Meritocracia limitada, peso de sindicatos ou forte prote\u00e7\u00e3o contra o desemprego. Estudo de Nobel da Economia aponta problemas de Portugal"},"content":{"rendered":"<p>                Autores do estudo \u201cDesbloquear o crescimento de Portugal&#8221; sugerem ao Governo que anuncie que &#8220;no futuro, os acordos coletivos apenas se aplicar\u00e3o a quem estiver diretamente representado pelos parceiros sociais&#8221;<\/p>\n<p>Os acordos coletivos s\u00f3 se deviam aplicar a quem estiver representado pelos parceiros sociais, sugere um estudo do Pr\u00e9mio Nobel da Economia James A. Robinson e pelo professor Nuno Palma, defendendo que a medida fomentaria a representatividade destas entidades.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o faz parte do estudo \u201cDesbloquear o crescimento de Portugal \u2013 Reformas estruturais e desafios \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f3micas\u201d, encomendado pela CIP &#8211; Confedera\u00e7\u00e3o Empresarial de Portugal e pelo IDL &#8211; Instituto Amaro da Costa, e que \u00e9 hoje apresentado no Museu do Oriente, em Lisboa.<\/p>\n<p>&#8220;Em Portugal, sindicatos que n\u00e3o s\u00e3o representativos participam regularmente em decis\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o coletiva que afetam todos os trabalhadores&#8221;, aponta o estudo, que defende que o Governo deve &#8220;envidar esfor\u00e7os para fomentar a representatividade dos sindicatos e das associa\u00e7\u00f5es patronais&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse sentido, os autores sugerem que o executivo deveria &#8220;promover a descentraliza\u00e7\u00e3o dos acordos de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, para aumentar o alinhamento entre os trabalhadores e os seus representantes, e entre as empresas e os seus representantes&#8221;.<\/p>\n<p>Como tal, para James A. Robinson e Nuno Palma, &#8220;um passo importante&#8221; para atingir estes objetivos seria &#8220;tornar a extens\u00e3o administrativa dos acordos coletivos a trabalhadores n\u00e3o sindicalizados condicional \u00e0 representatividade dos parceiros sociais&#8221;.<\/p>\n<p>Por outras palavras os autores sugerem ao Governo que anuncie que &#8220;no futuro, os acordos coletivos apenas se aplicar\u00e3o a quem estiver diretamente representado pelos parceiros sociais&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, defendem que se passe a produzir &#8220;estat\u00edsticas regulares sobre o n\u00famero de trabalhadores filiados em cada sindicato e de empresas filiadas em cada associa\u00e7\u00e3o patronal&#8221;, bem como que se torne &#8220;o acesso aos fundos europeus \u2014 nomeadamente os do FSE+ relacionados com forma\u00e7\u00e3o profissional e apoio social \u00e0s empresas \u2014 condicional ao grau da sua representatividade&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda no que concerne aos parceiros sociais, sugerem &#8220;rever a composi\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo social tripartido, \u00e0 luz de indicadores de representatividade quantitativos, atualizados e transparentes&#8221;, bem como refor\u00e7ar os incentivos para que centrais sindicais e associa\u00e7\u00f5es empresariais &#8220;aumentem a sua representatividade&#8221; e rompam os &#8220;la\u00e7os remanescentes com os partidos pol\u00edticos&#8221;.<\/p>\n<p>Retomando alguns dos temas que versavam nas altera\u00e7\u00f5es \u00e0 lei laboral propostas pelo Governo, o estudo insta ainda o executivo a &#8220;aprovar legisla\u00e7\u00e3o que preveja a expans\u00e3o dos requisitos de servi\u00e7os m\u00ednimos, reduzindo o custo social das greves&#8221;, nomeadamente na \u00e1rea dos servi\u00e7os p\u00fablicos e transportes.<\/p>\n<p>Por outro lado, ainda no que toca ao mercado laboral, a an\u00e1lise assinala que &#8220;Portugal tem mercados de trabalho segmentados, em que os trabalhadores por dentro do sistema enfrentam uma forte prote\u00e7\u00e3o contra o desemprego (tipicamente trabalhadores mais velhos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos), em contraste com a dos trabalhadores tempor\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p>Defendem, por isso, regras mais flex\u00edveis ao n\u00edvel da contrata\u00e7\u00e3o e dos despedimentos, &#8220;com uma forte seguran\u00e7a social e pol\u00edticas ativas de mercado de trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria fiscal, o estudo defende a aboli\u00e7\u00e3o da derrama estadual, argumentando que &#8220;funciona como um imposto progressivo sobre as grandes empresas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O governo pode compensar a receita perdida recorrendo a outros tipos de impostos menos distorcivos&#8221;, sugerem.<\/p>\n<p>De recordar que no programa eleitoral, a AD sugeria &#8220;caminhar-se no sentido de eliminar, de forma gradual, a progressividade da derrama estadual, e de eliminar a derrama municipal em sede de IRC&#8221;.<\/p>\n<p>No estudo, os autores referem ainda que Portugal enfrenta seis &#8220;principais bloqueios&#8221;, que penalizam o crescimento econ\u00f3mico do pa\u00eds: &#8220;uma justi\u00e7a administrativa e fiscal lenta, rendas e fraca contestabilidade nos setores n\u00e3o transacion\u00e1veis, meritocracia e gest\u00e3o do desempenho limitadas na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d, uma utiliza\u00e7\u00e3o ineficiente dos fundos da Uni\u00e3o Europeia, um sistema fiscal complexo e &#8220;incentivos desalinhados com o investimento produtivo&#8221;, bem como &#8220;estrat\u00e9gias de capital humano que subvalorizam a excel\u00eancia e desincentivam a difus\u00e3o tecnol\u00f3gica&#8221;, enumeram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Autores do estudo \u201cDesbloquear o crescimento de Portugal&#8221; 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