{"id":470522,"date":"2026-08-01T19:46:55","date_gmt":"2026-08-01T19:46:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/470522\/"},"modified":"2026-08-01T19:46:55","modified_gmt":"2026-08-01T19:46:55","slug":"bombardeamento-atomico-de-hiroshima-criou-um-material-insolito-cientistas-acabam-de-o-descobrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/470522\/","title":{"rendered":"Bombardeamento at\u00f3mico de Hiroshima criou um material ins\u00f3lito. Cientistas acabam de o descobrir"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"> Science Advances<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-757613\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/c81e728d9d4c2f636f067f89cc14862c-49-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Liga multicomponente forjada pela explos\u00e3o at\u00f3mica de Hiroshima<\/p>\n<p><strong>As condi\u00e7\u00f5es extremas geradas pelas explos\u00f5es at\u00f3micas criam \u201cmicroexperi\u00eancias descontroladas\u201d. Em Hiroshima, uma delas produziu uma liga met\u00e1lica nunca antes observada.<\/strong><\/p>\n<p>Quando uma bomba at\u00f3mica explode, gera um ambiente qu\u00edmico \u00fanico, quase imposs\u00edvel de reproduzir em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No meio da destrui\u00e7\u00e3o, a explos\u00e3o tamb\u00e9m pode <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/a-primeira-explosao-nuclear-do-mundo-originou-um-cristal-impossivel-742314\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">criar algo inteiramente novo<\/a>.<\/p>\n<p>Uma das explos\u00f5es mais devastadoras de que h\u00e1 registo, o bombardeamento at\u00f3mico de <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/tag\/hiroshima\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Hiroshima<\/a>, em 1945, produziu um material met\u00e1lico que nunca tinha sido observado na natureza nem criado em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Luca Bindi<\/strong>, geocientista da Universidade de Floren\u00e7a, em It\u00e1lia, encontrou a liga enquanto analisava detritos microsc\u00f3picos recolhidos nas praias da ba\u00eda de Hiroshima.<\/p>\n<p>\u201cMesmo d\u00e9cadas mais tarde, um gr\u00e3o com apenas alguns micr\u00f3metros pode conservar um registo detalhado das condi\u00e7\u00f5es que existiram durante apenas fra\u00e7\u00f5es de segundo\u201d, explica o investigador, citado pela <a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/bizarre-new-material-discovered-in-hiroshima-bombing-debris\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Scientific American<\/a>. \u201cEstas part\u00edculas n\u00e3o s\u00e3o apenas detritos derretidos. S\u00e3o <strong>arquivos f\u00edsicos da explos\u00e3o<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Uma explos\u00e3o nuclear afeta o ambiente de forma semelhante a um rel\u00e2mpago ou ao impacto de um meteorito. O ar atinge temperaturas compar\u00e1veis \u00e0s da superf\u00edcie do Sol e arrefece pouco depois. Diferentes materiais vaporizam-se e combinam-se de formas que, em circunst\u00e2ncias normais, n\u00e3o ocorreriam.<\/p>\n<p>Como todo este processo decorre a uma velocidade extrema, os metais vaporizados n\u00e3o t\u00eam tempo para estabilizar como habitualmente fariam. Assim, \u201ccada pequena got\u00edcula transforma-se, na pr\u00e1tica, numa experi\u00eancia independente\u201d, afirma Bindi.<\/p>\n<p>Neste caso, uma das milhares, ou talvez milh\u00f5es, de \u201c<strong>microexperi\u00eancias<\/strong>\u201d provocadas pela explos\u00e3o de Hiroshima deu origem a uma liga met\u00e1lica composta sobretudo por ferro, cr\u00f3mio, n\u00edquel, mangan\u00eas, molibd\u00e9nio, sil\u00edcio e alum\u00ednio, distribu\u00eddos por uma rede cristalina c\u00fabica homog\u00e9nea.<\/p>\n<p>Nunca tinha sido observada uma composi\u00e7\u00e3o material e estrutural deste g\u00e9nero. Em condi\u00e7\u00f5es normais, esta combina\u00e7\u00e3o de elementos estabilizaria numa estrutura cristalina mais simples e com menos componentes. Mas a liga encontrada preservou uma forma c\u00fabica complexa.<\/p>\n<p>Os cientistas j\u00e1 tinham descoberto outras subst\u00e2ncias formadas em explos\u00f5es nucleares ou sob condi\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n<p>Entre elas encontra-se a <strong>trinitite<\/strong>, um material v\u00edtreo criado durante o teste nuclear Trinity, realizado em julho de 1945.<\/p>\n<p>A trinitite cont\u00e9m um novo tipo de <strong>cristal clatrato<\/strong>, com uma estrutura semelhante a uma gaiola, e <strong>quasicristais<\/strong>, materiais raros que durante muito tempo foram considerados imposs\u00edveis e cujas estruturas at\u00f3micas n\u00e3o se repetem de forma regular.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 foram encontrados quasicristais em meteoritos.<\/p>\n<p>Embora a liga descoberta na ba\u00eda de Hiroshima n\u00e3o seja um quasicristal, a sua estrutura poder\u00e1 ajudar os investigadores a compreender melhor estes materiais, explica Bindi, uma vez que apresenta semelhan\u00e7as com algumas das disposi\u00e7\u00f5es at\u00f3micas existentes em materiais quasiperi\u00f3dicos.<\/p>\n<p>A descoberta, <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aeg8299\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">publicada<\/a> na quarta-feira na revista Science Advances, levanta novas quest\u00f5es sobre os tipos de subst\u00e2ncias que podem nascer durante acontecimentos extremos e sobre se estes materiais s\u00e3o \u201ccuriosidades isoladas\u201d ou fazem parte de uma \u201cclasse mais geral de materiais\u201d, acrescenta Bindi.<\/p>\n<p>\u201cSe esse padr\u00e3o mais abrangente for real, os detritos de explos\u00f5es at\u00f3micas poder\u00e3o ajudar-nos a descobrir princ\u00edpios de forma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria que tamb\u00e9m se aplicam a impactos de meteoritos, descargas atmosf\u00e9ricas e outros fen\u00f3menos violentos da natureza.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Michael Widom, f\u00edsico da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, a descoberta revela \u201ctodo um mundo praticamente inexplorado\u201d de materiais dif\u00edceis de produzir em condi\u00e7\u00f5es de estabilidade termodin\u00e2mica e igualmente dif\u00edceis de encontrar em locais com hist\u00f3rias menos extraordin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Widom, que n\u00e3o participou no estudo, mas j\u00e1 trabalhou anteriormente com Bindi, considera que o investigador \u201creconhece, e bem, que, para encontrar novos materiais, \u00e9 necess\u00e1rio procur\u00e1-los em lugares invulgares\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Science Advances Liga multicomponente forjada pela explos\u00e3o at\u00f3mica de Hiroshima As condi\u00e7\u00f5es extremas geradas pelas explos\u00f5es at\u00f3micas criam&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":470523,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,8514,15,16,121,14,6808,461,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-470522","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-ciencia-dos-materiais","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-fisica","tag-headlines","tag-hiroshima","tag-japao","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117021983027357911","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=470522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/470522\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/470523"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=470522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=470522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=470522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}