{"id":472160,"date":"2026-08-03T05:47:20","date_gmt":"2026-08-03T05:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/472160\/"},"modified":"2026-08-03T05:47:20","modified_gmt":"2026-08-03T05:47:20","slug":"esta-ilha-italiana-e-um-paraiso-sem-estradas-e-rede-de-telemovel-e-quase-nao-tem-turistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/472160\/","title":{"rendered":"Esta ilha italiana \u00e9 um para\u00edso sem estradas e rede de telem\u00f3vel &#8211; e quase n\u00e3o tem turistas"},"content":{"rendered":"<p>                Palmarola \u00e9 uma bonita e acidentada ilha no Mar Tirreno, ao largo da costa oeste de It\u00e1lia continental<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Palmarola n\u00e3o tem cidade nem estradas. N\u00e3o h\u00e1 eletricidade, rede de telem\u00f3vel ou terminal de ferry. Na maior parte dos dias, a \u00fanica forma de chegar \u00e0 ilha \u00e9 de barco a partir de Ponza, a oito quil\u00f3metros, atrav\u00e9s do Mar Tirreno.<\/p>\n<p>Localizada a oeste de Roma, Palmarola est\u00e1 perto o suficiente para ser visitada numa viagem de um dia, mas longe o suficiente para que o tr\u00e2nsito, as multid\u00f5es e o movimento constante da capital italiana pare\u00e7am uma coisa de outro planeta. Se os f\u00f3runs, as fontes e as pra\u00e7as de Roma atraem milh\u00f5es de visitantes, Palmarola continua praticamente ausente dos roteiros tur\u00edsticos. Muitos turistas nunca ouviram falar dela. Muitos romanos nunca a visitam.<\/p>\n<p>Aquilo que atrai quem faz a travessia n\u00e3o s\u00e3o as infraestruturas ou o conforto, antes a aus\u00eancia de ambas. Palmarola ergue-se da \u00e1gua de uma forma abrupta em fal\u00e9sias vulc\u00e2nicas, que s\u00e3o recortadas por grutas marinhas e enseadas estreitas. H\u00e1 uma \u00fanica praia, uma rede de trilhos que conduzem ao interior da ilha e muito poucos sinais de desenvolvimento moderno.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 ilha a partir de Roma, \u00e9 necess\u00e1rio apanhar um comboio at\u00e9 ao porto de Anzio, um ferry at\u00e9 Ponza e depois negociar com um pescador ou propriet\u00e1rio de um barco privado para conseguir uma boleia de ida e volta. Sem residentes permanentes, Palmarola \u00e9 um destino moldado mais pelo clima, pela geologia e pelas esta\u00e7\u00f5es do ano do que pelo turismo.<\/p>\n<p>S\u00f3 existe um restaurante, o O\u2019Francese, que serve peixe fresco e disponibiliza um n\u00famero limitado de quartos simples, que s\u00e3o escavados em antigas grutas de pescadores ao longo das fal\u00e9sias. Os h\u00f3spedes t\u00eam de reservar com meses de anteced\u00eancia. E ficam em regime de pens\u00e3o completa, com tarifas a partir de 150 euros.<\/p>\n<p>Maria Andreini, de 44 anos, natural de Treviso, no norte de It\u00e1lia, que \u00e9 uma profissional da \u00e1rea das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e trabalha remotamente, visita Palmarola todos os ver\u00f5es com o marido, Mario, que \u00e9 gerente banc\u00e1rio, e o filho de 15 anos, Patrizio.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tanto para fazer e, ao mesmo tempo, t\u00e3o pouco\u201d, diz. \u201cPassamos os dias a fazer snorkeling e a apanhar sol na praia em frente ao restaurante. \u00c9 uma praia feita de seixos de coral cor-de-rosa. \u00c0 noite, deitamo-nos na praia para observar as estrelas e caminhamos com tochas. Ao amanhecer, os donos acordam-nos para nos levar num trilho at\u00e9 ao pico mais alto da ilha para admirar o nascer do sol. \u00c9 deslumbrante\u201d.<\/p>\n<p>Ru\u00ednas antigas <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gettyimages-1217972905.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   A ilha tem um restaurante, que tamb\u00e9m disponibiliza quartos simples para pernoitar (Nicola Severino\/iStockphoto\/Getty Images) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Os trilhos levam do litoral para o interior, subindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ru\u00ednas de um mosteiro medieval e aos vest\u00edgios de uma povoa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>\u201cNo jantar, comemos peixe fresco, capturado da rede. Durante uma semana inteira, sentimo-nos como se estiv\u00e9ssemos a viver uma experi\u00eancia primitiva, como se f\u00f4ssemos n\u00e1ufragos, um pouco como a fam\u00edlia Flintstones em f\u00e9rias\u201d, brinca Andreini, que aconselha os visitantes a levarem botas de caminhada, bem como roupa de praia.<\/p>\n<p>Esta mulher j\u00e1 viajou bastante, inclusive para as Maldivas, mas considera Palmarola incompar\u00e1vel. A paisagem \u00e9 &#8220;fascinante e fica muito perto de casa \u2014 em It\u00e1lia. Custa a acreditar que temos um lugar t\u00e3o fant\u00e1stico\u201d, junta.<\/p>\n<p>Para l\u00e1 da praia principal, a melhor forma de explorar a costa da ilha \u00e9 de bote. As fal\u00e9sias formam rochedos, t\u00faneis e grutas. As \u00e1guas atraem praticantes de snorkeling, canoagem e mergulho. Os \u00fanicos animais que os visitantes poder\u00e3o encontrar em terra s\u00e3o as cabras selvagens, que se abrigam entre as palmeiras baixas que d\u00e3o o nome \u00e0 ilha.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma viagem de regresso a tempos pr\u00e9-hist\u00f3ricos, quando os homens das cavernas acorreram a este local em busca da preciosa pedra de obsidiana negra, que ainda \u00e9 vis\u00edvel nas estrias escuras do penhasco, e que \u00e9 usada para fazer armas e utens\u00edlios\u201d, diz o historiador local Silverio Capone \u00e0 CNN. \u201cDesde ent\u00e3o, muito pouco mudou na paisagem\u201d.<\/p>\n<p>Capone vive em Ponza, a ilha mais pr\u00f3xima e ponto de partida para Palmarola, que costuma visitar com regularidade. \u00c0s vezes, deixa l\u00e1 o filho adolescente, para que ele possa passar um fim de semana a fazer um acampamento selvagem com os amigos. Este historiador conta que a ilha permanece desabitada h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>\u201cPalmarola sempre foi uma ilha deserta &#8211; e \u00e9 isso que a torna especial\u201d, diz. \u201cOs antigos romanos usavam-na como posto de observa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gico mar\u00edtimo no Mar Tirreno para a sua frota imperial, mas nunca a colonizaram\u201d.<\/p>\n<p>Um ritual sagrado <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gettyimages-1217973496.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Para chegar \u00e0 ilha, \u00e9 necess\u00e1rio arranjar boleia junto de um pescador ou dono de um barco privado (Nicola Severino\/iStockphoto\/Getty Images) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A propriedade da ilha remonta ao s\u00e9culo XVIII, quando as fam\u00edlias napolitanas enviadas para colonizar Ponza foram autorizadas a dividir Palmarola entre si. Hoje, a ilha \u00e9 uma propriedade privada, dividida em v\u00e1rios lotes, que pertencem a fam\u00edlias que ainda vivem em Ponza.<\/p>\n<p>Nas fal\u00e9sias, pequenas grutas foram transformadas em habita\u00e7\u00f5es particulares, de grande simplicidade, algumas pintadas de branco e azul. Antigamente, os pescadores utilizavam-nas como abrigo durante as tempestades. Muitos propriet\u00e1rios ainda as mant\u00eam abastecidas de mantimentos caso o mau tempo impe\u00e7a o regresso a Ponza.<\/p>\n<p>Uma pequena capela branca dedicada a S\u00e3o Silv\u00e9rio ergue-se no topo de um rochedo \u00e0 beira-mar. Silv\u00e9rio, um papa do s\u00e9culo VI, foi exilado para Palmarola. Acredita-se que ter\u00e1 morrido ali.<\/p>\n<p>Em junho, os pescadores navegam de Ponza at\u00e9 Palmarola para a festa de S\u00e3o Silv\u00e9rio, levando flores para a capela e desfilando com uma est\u00e1tua de madeira do santo num dos barcos. Os participantes revezam-se a subir os \u00edngremes degraus de pedra at\u00e9 ao nicho mais alto, onde se encontra o altar principal, para rezar e meditar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um ritual sagrado. Rezamos para ele todos os dias\u201d, diz Capone. \u201cMuitos homens de Ponza, como eu, t\u00eam o seu nome como uma homenagem ao santo, que \u00e9 o nosso padroeiro. Acreditamos que o seu esp\u00edrito ainda habita as \u00e1guas de Palmarola\u201d.<\/p>\n<p>As lendas locais contam que existiram marinheiros que, ao serem apanhados por tempestades, rezaram a S\u00e3o Silv\u00e9rio e acabaram salvos.<\/p>\n<p>\u201cUma apari\u00e7\u00e3o do santo, emergindo das \u00e1guas, resgatou-os, guiando os marinheiros em seguran\u00e7a de volta a Palmarola, onde sobreviveram durante semanas nos abrigos da gruta\u201d, conta Capone.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Palmarola \u00e9 uma bonita e acidentada ilha no Mar Tirreno, ao largo da costa oeste de It\u00e1lia continental&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":472161,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,333,832,604,135,610,476,15,16,301,830,14,10160,75692,233,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,75691,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-472160","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-guerra","tag-headlines","tag-ilha","tag-ilha-secreta","tag-italia","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-palmarola","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=472160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472160\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/472161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=472160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=472160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=472160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}