{"id":472294,"date":"2026-08-03T09:02:29","date_gmt":"2026-08-03T09:02:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/472294\/"},"modified":"2026-08-03T09:02:29","modified_gmt":"2026-08-03T09:02:29","slug":"o-supervulcao-da-europa-tremeu-foi-o-sismo-mais-forte-alguma-vez-medido-nos-campos-flegreos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/472294\/","title":{"rendered":"O supervulc\u00e3o da Europa tremeu. Foi o sismo mais forte alguma vez medido nos Campos Fl\u00e9greos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Wutky-Fumarole.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Web Gallery of Art \/ Wikimedia<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-142536\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ae769df3be9397339c81820248223f55-783x450.jpeg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Os Campos Fl\u00e9greos, na regi\u00e3o de N\u00e1poles, pintura de Michael Wutky, 1780<\/p>\n<p><strong>O que faz tremer os Campos Fl\u00e9greos n\u00e3o \u00e9 uma falha tect\u00f3nica, mas o bradissismo: o ch\u00e3o da caldeira sobe e desce ao longo de anos ou d\u00e9cadas, \u00e0 medida que varia a press\u00e3o dos fluidos no subsolo.<\/strong><\/p>\n<p>O supervulc\u00e3o da Europa registou na sexta-feira o abalo mais forte alguma vez medido pelos seus instrumentos.<\/p>\n<p>O sismo, de magnitude Md 4,7, ocorreu \u00e0s 19h46 de 31 de julho nos <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/tag\/campos-flegreos\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Campos Fl\u00e9greos<\/a>, a caldeira vulc\u00e2nica a oeste de N\u00e1poles, e foi localizado pela Sala Operativa do Observat\u00f3rio Vesuviano a apenas tr\u00eas quil\u00f3metros de profundidade.<\/p>\n<p>Causou <strong>26 feridos<\/strong>, dois deles graves, provocando derrocadas em Pozzuoli, cortes de energia em v\u00e1rios bairros e a suspens\u00e3o de comboios e metro em N\u00e1poles.<\/p>\n<p>O Instituto Nacional de Geof\u00edsica e Vulcanologia italiano (INGV) <a href=\"https:\/\/ingvterremoti.com\/2026\/08\/01\/sciame-sismico-ai-campi-flegrei-comunicato-di-aggiornamento-del-1-agosto-2026\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">contabilizou<\/a> 169 sismos at\u00e9 \u00e0s 11h28 de s\u00e1bado, o segundo mais forte de magnitude 3,8.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de alerta manteve-se em amarelo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhuma varia\u00e7\u00e3o que justifique um aumento do n\u00edvel de alerta\u201d, declarou ao <a href=\"https:\/\/napoli.repubblica.it\/cronaca\/2026\/08\/01\/news\/terremoto_campi_flegrei_lucia_pappalardo_osservatorio_vesuviano_magnitudo_record_legata_al_bradisismo_avremo_altre_scos-425505690\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">La Repubblica<\/a> a diretora do Observat\u00f3rio Vesuviano, <strong>Lucia Pappalardo<\/strong>, que acrescentou n\u00e3o existirem sinais de subida de magma.<\/p>\n<p>O que faz tremer os Campos Fl\u00e9greos n\u00e3o \u00e9 uma falha tect\u00f3nica, mas o <strong>bradissismo<\/strong>: o ch\u00e3o da caldeira sobe e desce ao longo de anos ou d\u00e9cadas, \u00e0 medida que muda a press\u00e3o dos fluidos no subsolo. A crosta deforma-se, fratura-se e liberta a tens\u00e3o em sismos superficiais.<\/p>\n<p>Desde novembro de 2005, <strong>o solo subiu cerca de 1,67 metros<\/strong> na esta\u00e7\u00e3o GNSS de RITE, no centro hist\u00f3rico de Pozzuoli \u2014 quase 30 cent\u00edmetros s\u00f3 desde janeiro de 2025.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que <strong>os n\u00fameros surpreendem<\/strong>: a velocidade de eleva\u00e7\u00e3o est\u00e1 em 10 \u00b1 3 mil\u00edmetros por m\u00eas desde o in\u00edcio de fevereiro, o valor mais baixo desde o enxame s\u00edsmico de fevereiro de 2025. Chegou a 30 mil\u00edmetros por m\u00eas na primavera desse ano.<\/p>\n<p>O sismo recorde n\u00e3o ocorreu durante o per\u00edodo de maior velocidade de eleva\u00e7\u00e3o da caldeira, mas na fase em que o terreno subia mais devagar em doze meses.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que um 4,7 fez tanto estrago<\/p>\n<p>A magnitude n\u00e3o conta a hist\u00f3ria toda. Num sismo tect\u00f3nico t\u00edpico, o foco situa-se a dezenas de quil\u00f3metros e a energia dissipa-se antes de chegar \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Neste caso, o hipocentro ficou a tr\u00eas quil\u00f3metros: a <a href=\"https:\/\/terremoti.ingv.it\/event\/46725592\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">tabela detalhada do INGV<\/a> indica 2,6 km, praticamente debaixo dos p\u00e9s de quem vive em Pozzuoli.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/ingvterremoti.com\/2026\/07\/31\/evento-sismico-md-4-7-ai-campi-flegrei-e-comunicato-di-sciame-31-luglio-2026\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">ShakeMap<\/a> do INGV estimou n\u00edveis de agita\u00e7\u00e3o do solo at\u00e9 ao grau VII da escala Mercalli-Cancani-Sieberg. Os relatos recolhidos junto da popula\u00e7\u00e3o indicam que o sismo foi s<strong>entido at\u00e9 ao grau VI<\/strong>, incluindo em N\u00e1poles, \u00cdsquia e na pen\u00ednsula sorrentina.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma nota t\u00e9cnica: o INGV mede estes eventos em magnitude de dura\u00e7\u00e3o (Md), que d\u00e1 4,7, mas converte para magnitude de momento (Mw) 4,4. Cat\u00e1logos internacionais registaram 4,5. S\u00e3o escalas diferentes, n\u00e3o erros de medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O INGV atribui a agita\u00e7\u00e3o ao desgaseificamento da caldeira: gases magm\u00e1ticos que sobem de v\u00e1rios quil\u00f3metros e pressurizam o sistema hidrotermal.<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s43247-023-00842-1\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> da Universidade de Stanford publicado em maio de 2025 na Science Advances defende o contr\u00e1rio: a culpa seria da press\u00e3o de um reservat\u00f3rio geot\u00e9rmico alimentado por \u00e1gua da chuva e selado por uma camada de rocha imperme\u00e1vel.<\/p>\n<p>Num estudo de 2023, investigadores do University College London e do INGV estimaram que a resist\u00eancia efetiva \u00e0 tra\u00e7\u00e3o na zona de rutura poder\u00e1 ser atualmente 2,5 a tr\u00eas vezes inferior \u00e0 registada antes da crise de 1984.<\/p>\n<p>Christopher Kilburn, autor principal do estudo, sublinhou ent\u00e3o que a rutura n\u00e3o garante erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Circula desde abril uma pr\u00e9-publica\u00e7\u00e3o no arXiv, ainda sem revis\u00e3o por pares, que projeta uma <strong>\u201ctransi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica\u201d para o intervalo 2030-2034<\/strong>. Os pr\u00f3prios autores escrevem que n\u00e3o encontraram ind\u00edcios de erup\u00e7\u00e3o iminente e que esse intervalo n\u00e3o corresponde necessariamente a qualquer evento.<\/p>\n<p>Na crise de 1982-84, a \u00faltima grande convuls\u00e3o dos Campos Fl\u00e9greos, o solo subiu <strong>179 cent\u00edmetros em dois anos<\/strong>. O abalo mais forte, em outubro de 1983, foi de magnitude 4,0.<\/p>\n<p>Milhares de habitantes de Pozzuoli sa\u00edram de casa e muitos nunca regressaram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Web Gallery of Art \/ Wikimedia Os Campos Fl\u00e9greos, na regi\u00e3o de N\u00e1poles, pintura de Michael Wutky, 1780&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":472295,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,75700,445,15,16,7833,14,233,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,11166,63,64,65],"class_list":["post-472294","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-campos-flegreos","tag-europa","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-geologia","tag-headlines","tag-italia","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-vulcoes","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117030771458151027","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=472294"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472294\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/472295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=472294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=472294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=472294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}