{"id":47337,"date":"2025-08-27T13:12:15","date_gmt":"2025-08-27T13:12:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/47337\/"},"modified":"2025-08-27T13:12:15","modified_gmt":"2025-08-27T13:12:15","slug":"descoberta-fissura-em-placa-tectonica-que-pode-explicar-grandes-sismos-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/47337\/","title":{"rendered":"Descoberta fissura em placa tect\u00f3nica que pode explicar grandes sismos de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>A Plan\u00edcie Abissal da Ferradura, uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica no oceano Atl\u00e2ntico n\u00e3o muito distante da montanha submarina do Banco de Gorringe, na fronteira entre as placas tect\u00f3nicas Euro-asi\u00e1tica e Africana, \u00e9 a origem geogr\u00e1fica do sismo de intensidade pr\u00f3xima de 8 na escala de Richter que em 1969 abalou Lisboa e outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">O facto de ser uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica plana, sem grandes falhas s\u00edsmicas conhecidas, alimentava &#8220;um enigma&#8221; na comunidade cient\u00edfica de como poderia ter sido poss\u00edvel uma regi\u00e3o com estas caracter\u00edsticas provocar sismos de grande magnitude, mas um estudo da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa hoje publicado na revista &#8220;Nature Geosciences&#8221; traz uma nova poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naquela zona nunca tinha sido encontrada &#8220;nenhuma falha \u00f3bvia&#8221; que explicasse um sismo com a magnitude do de 1969, disse Jo\u00e3o Duarte, um dos investigadores coautores do estudo, ge\u00f3logo, professor da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto Dom Luiz.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\">A juntar a este enigma como motiva\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m o facto de nunca se ter encontrado &#8220;uma falha com dimens\u00f5es suficientes para gerar um sismo como o de 1755&#8221;, que se acredita ter tido uma intensidade pr\u00f3xima de 9 na escala de Richter.<\/p>\n<p>De acordo Jo\u00e3o Duarte, o que agora \u00e9 revelado e que pode ser a explica\u00e7\u00e3o da origem de ambos os sismos \u00e9 que &#8220;h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o da placa tect\u00f3nica que est\u00e1 a separar-se&#8221;, num processo chamado delamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">Essa &#8220;delamina\u00e7\u00e3o&#8221; implica que a placa esteja a sofrer uma fratura horizontal, como se a rocha fosse separada por uma l\u00e2mina, abrindo uma fissura que leva a que a parte inferior esteja a afundar, tendo j\u00e1 atingido uma profundidade de 200 quil\u00f3metros em dire\u00e7\u00e3o ao manto da Terra, quando o normal \u00e9 situarem-se nos 100 quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>A parte superior da placa mant\u00e9m-se numa posi\u00e7\u00e3o horizontal inalterada, tornando imposs\u00edvel perceber pela observa\u00e7\u00e3o do fundo do mar qualquer altera\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica naquele local, explicou o investigador \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">Este processo de separa\u00e7\u00e3o horizontal da placa, que est\u00e1 a acontecer de forma lenta h\u00e1 j\u00e1 cinco a 10 milh\u00f5es de anos, foi identificado com recurso a uma esp\u00e9cie de &#8220;ecografia da Terra&#8221;, explicou o professor sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de tomografias s\u00edsmicas e do som captado, o som dos pr\u00f3prios sismos, para perceber o que se passa abaixo do fundo do mar.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos um estudo que colocou sism\u00f3metros no fundo do mar durante oito meses a registar pequenos sismos. Percebemos que naquela zona havia um &#8220;cluster&#8221;, um conjunto de pequenos sismos a grande profundidade, a cerca de 30 a 40 quil\u00f3metros de profundidade, o que \u00e9 um bocadinho anormal. E, portanto, h\u00e1 aqui uma combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias observa\u00e7\u00f5es que apontam para que est\u00e1 ali a acontecer um processo que est\u00e1 a gerar sismicidade&#8221;, explicou o investigador.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro4\">Ao trabalho de observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de dados juntou-se a cria\u00e7\u00e3o de modelos computacionais que permitiram simular o processo de &#8220;delamina\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 o atrito criado e a energia libertada no movimento das placas tect\u00f3nicas que explicam os sismos. O facto de esta estrutura geol\u00f3gica descrita no estudo, n\u00e3o sendo uma falha s\u00edsmica, ter capacidade de gerar sismos explica-se pelo facto de o espa\u00e7o criado pelo corte laminado na placa n\u00e3o ficar vazio.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro5\">&#8220;Sabemos que a placa Africana est\u00e1 tamb\u00e9m a mover-se muito lentamente, a convergir com a placa Euroasi\u00e1tica. \u00c9 como se n\u00f3s imagin\u00e1ssemos que temos dois livros e um come\u00e7a a entrar por dentro do outro. As placas est\u00e3o a convergir e, na realidade, essa zona onde a placa come\u00e7a a separar, ela comporta-se um bocadinho como uma folha, porque come\u00e7a a meter-se por dentro da outra placa. H\u00e1 sempre um contacto, mas \u00e9 um contacto mais horizontal. Ou seja, n\u00e3o fica um buraco, n\u00e3o fica um espa\u00e7o. Esse espa\u00e7o depois \u00e9 ocupado por outra rocha&#8221;, explicou Jo\u00e3o Duarte.<\/p>\n<p>Deste estudo, Jo\u00e3o Duarte espera resultem investiga\u00e7\u00f5es futuras mais detalhadas sobre aquela zona. Com o que j\u00e1 se sabe diz ser inevit\u00e1vel que este processo de &#8220;delamina\u00e7\u00e3o&#8221; venha a ser tido em conta &#8220;na caracteriza\u00e7\u00e3o da perigosidade e do risco s\u00edsmico&#8221; no pa\u00eds, j\u00e1 considerado numa \u00e1rea de risco elevado, pela conflu\u00eancia das duas placas tect\u00f3nicas nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro6\">Na instala\u00e7\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cabos submarinos, cabos de comunica\u00e7\u00f5es que ligam os dois lados do Atl\u00e2ntico, passando pelos arquip\u00e9lagos dos A\u00e7ores e da Madeira e tamb\u00e9m pela zona da Plan\u00edcie Abissal da Ferradura, o investigador v\u00ea uma oportunidade.<\/p>\n<p>&#8220;Eles v\u00e3o ter sensores s\u00edsmicos, portanto, os cabos v\u00e3o passar naquela zona, vai ser poss\u00edvel monitorizar melhor e caracterizar aquela sismicidade. E, provavelmente, podemos ter tamb\u00e9m mais dados, mais registos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A previsibilidade dos sismos continua a ser uma quimera, mas Jo\u00e3o Duarte acredita que a intelig\u00eancia artificial pode vir a permitir um passo em frente, mesmo que o modelo de aprendizagem com base em eventos e dados anteriores seja neste caso uma dificuldade, por os grandes sismos serem fen\u00f3menos raros.<\/p>\n<p>A chave poder\u00e1 estar num estudo mais sistem\u00e1tico dos sismos mais pequenos, que acontecem todos os dias, inclusivamente em Portugal, &#8220;com alguma esperan\u00e7a&#8221; de conhecer o processo de sismicidade e &#8220;fazer algumas infer\u00eancias e usar a estat\u00edstica para compreender os sismos de maior magnitude&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Plan\u00edcie Abissal da Ferradura, uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica no oceano Atl\u00e2ntico n\u00e3o muito distante da montanha submarina do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":47338,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-47337","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47337\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}