{"id":474303,"date":"2026-08-04T18:23:32","date_gmt":"2026-08-04T18:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/474303\/"},"modified":"2026-08-04T18:23:32","modified_gmt":"2026-08-04T18:23:32","slug":"foguete-falcon-9-da-spacex-vai-se-espatifar-na-lua-04-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/474303\/","title":{"rendered":"Foguete Falcon 9, da SpaceX, vai se espatifar na Lua &#8211; 04\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A humanidade est\u00e1 mais uma vez espalhando lixo no nosso vizinho celeste mais pr\u00f3ximo. Nesta quarta-feira (5), parte de um foguete Falcon 9, da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/spacex\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">SpaceX<\/a>, cair\u00e1 na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/lua\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lua<\/a>.<\/p>\n<p>O choque deve ocorrer \u00e0s 3h35 (de Bras\u00edlia), em um ponto perto da linha divis\u00f3ria entre os lados pr\u00f3ximo e oculto. O clar\u00e3o ser\u00e1 fraco demais para ser observado a olho nu, mas talvez seja vis\u00edvel com o uso de telesc\u00f3pio.<\/p>\n<p>&#8220;O objeto atingir\u00e1 um ponto onde temos alguma esperan\u00e7a de que podemos observ\u00e1-lo&#8221;, disse Bill Gray, desenvolvedor do Projeto Pluto, um conjunto de softwares astron\u00f4micos usados para calcular as \u00f3rbitas de asteroides e cometas, e o primeiro a perceber que poderia haver a colis\u00e3o.<\/p>\n<p>O est\u00e1gio de foguete de quatro toneladas atingir\u00e1 a Lua a 8.600 quil\u00f4metros por hora, mais que o dobro da velocidade de uma bala disparada por um rifle, gerando calor suficiente para produzir um clar\u00e3o. Em seguida, a pluma de detritos e poeira iluminada pelo Sol subir\u00e1 e cair\u00e1 durante v\u00e1rios minutos.<\/p>\n<p>Segundo Gray, \u00e9 bastante incerto que tudo isso ser\u00e1 vis\u00edvel. O clar\u00e3o talvez n\u00e3o seja muito intenso, e a pluma pode n\u00e3o subir o suficiente, ficando ofuscada pelo brilho da superf\u00edcie lunar.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos, o ve\u00edculo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/07\/spacex-lanca-starship-com-sucesso-e-abre-caminho-para-voo-orbital.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Starship<\/a>, tamb\u00e9m da empresa de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/elon-musk\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Elon Musk<\/a>, dever\u00e1 transportar regularmente astronautas e cargas da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nasa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nasa<\/a> para a superf\u00edcie lunar. Mas, at\u00e9 agora, nada constru\u00eddo pela SpaceX chegou \u00e0 Lua ou sequer entrou em sua \u00f3rbita.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, partes de espa\u00e7onaves v\u00eam deixando a superf\u00edcie lunar marcada por crateras.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, a Nasa lan\u00e7ou deliberadamente contra a Lua o terceiro est\u00e1gio dos foguetes Saturn V que levaram os astronautas das<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/01\/como-foi-a-ultima-vez-que-humanos-estiveram-na-lua-mais-de-50-anos-atras.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> miss\u00f5es Apollo ao espa\u00e7o<\/a>.<\/p>\n<p>O primeiro impacto proposital ocorreu durante a Apollo 13, a fat\u00eddica miss\u00e3o que teve de ser interrompida devido \u00e0 explos\u00e3o de um tanque de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Quando o controle da miss\u00e3o informou aos astronautas que as vibra\u00e7\u00f5es do impacto haviam sido registradas por um sism\u00f3grafo deixado na superf\u00edcie pelos astronautas da Apollo 12, o comandante da Apollo 13, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/08\/jim-lovell-comandante-da-missao-lunar-apollo-13-morre-aos-97-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Jim Lovell<\/a>, comentou com ironia: &#8220;Bem, pelo menos alguma coisa funcionou neste voo&#8221;.<\/p>\n<p>Mais recentemente, o bombardeio se intensificou. As tentativas de empresas privadas de pousar espa\u00e7onaves na Lua t\u00eam, na maioria das vezes, produzido novas crateras. Em 2022, parte de um foguete chin\u00eas atingiu o lado oculto lunar.<\/p>\n<p>O Falcon 9 cujo est\u00e1gio deve cair na Lua<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/01\/foguete-da-spacex-lanca-de-uma-vez-so-duas-missoes-privadas-a-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> deixou a Terra em 15 de janeiro do ano passado<\/a>, transportando dois m\u00f3dulos lunares: o Blue Ghost, da americana Firefly Aerospace; e o Resilience, da japonesa Ispace.<\/p>\n<p>Mais tarde, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/03\/firefly-se-torna-a-segunda-empresa-na-historia-a-pousar-na-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Blue Ghost pousou no lado pr\u00f3ximo da Lua<\/a>, enquanto o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/06\/empresa-ispace-perde-contato-em-segunda-tentativa-de-pouso-na-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Resilience se chocou contra a superf\u00edcie<\/a>.<\/p>\n<p>Depois que o segundo est\u00e1gio do Falcon 9 colocou as duas espa\u00e7onaves em suas trajet\u00f3rias rumo \u00e0 Lua, ele continuou orbitando a Terra. Astr\u00f4nomos amadores o localizaram rapidamente, e Gray continuou a monitor\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8220;Estava claro que a \u00f3rbita do objeto cruzaria a da Lua&#8221;, disse Gray. &#8220;Portanto, era prov\u00e1vel que, em algum momento, ele passasse muito perto dela ou colidisse com sua superf\u00edcie.&#8221;<\/p>\n<p>Gray disse que, no ano passado, os c\u00e1lculos indicavam ser bastante prov\u00e1vel uma colis\u00e3o com a Lua. Mas ele n\u00e3o divulgou nada at\u00e9 abril, quando se sentiu seguro de que poderia determinar onde ocorreria o impacto: perto da cratera Einstein, de 177 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, no hemisf\u00e9rio norte da Lua.<\/p>\n<p>Isso despertou o interesse de pesquisadores como David Goldstein, professor de engenharia da Universidade do Texas em Austin, e seu aluno de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, William Jo. Este \u00faltimo fez a pesquisa de sua tese de doutorado sobre uma colis\u00e3o lunar anterior, na miss\u00e3o Lcross, da Nasa.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Falcon 9, Jo produziu simula\u00e7\u00f5es do material que seria lan\u00e7ado caso o est\u00e1gio ca\u00edsse verticalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos tratando esse cen\u00e1rio como o melhor caso poss\u00edvel, aquele que produzir\u00e1 a maior quantidade de detritos vis\u00edveis&#8221;, disse Goldstein.<\/p>\n<p>A simula\u00e7\u00e3o indicou que, embora uma coluna de detritos subisse e descesse em linha reta, uma quantidade muito maior seria lan\u00e7ada em um \u00e2ngulo baixo, percorrendo talvez at\u00e9 160 quil\u00f4metros antes de voltar \u00e0 superf\u00edcie alguns minutos depois. &#8220;\u00c9 uma pluma bastante grande&#8221;, afirmou Jo.<\/p>\n<p>Compreender a f\u00edsica desses impactos pode ser crucial para as pessoas que eventualmente se mudem para a Lua um dia. Se um impacto ocorresse nas proximidades, os detritos, viajando a centenas de quil\u00f4metros por hora, poderiam atingir m\u00e1quinas, habitats e astronautas como um jato de areia.<\/p>\n<p>As part\u00edculas em alta velocidade poderiam perfurar o traje espacial de um astronauta, fazendo com que todo o ar em seu interior escapasse e n\u00e3o restasse nada para respirar. &#8220;Voc\u00ea estar\u00e1 tentando respirar no v\u00e1cuo&#8221;, afirmou Goldstein.<\/p>\n<p>Simula\u00e7\u00f5es computacionais conduziadas por outra equipe, liderada por Benjamin Fernando, pesquisador de p\u00f3s-doutorado do Laborat\u00f3rio Nacional de Los Alamos, no Novo M\u00e9xico, chegaram a conclus\u00f5es semelhantes. Segundo as previs\u00f5es da equipe, o impacto do Falcon 9 criar\u00e1 uma nova cratera de 20 a 30 metros de largura.<\/p>\n<p>Como a for\u00e7a da gravidade da Lua corresponde a um sexto da terrestre, algumas das part\u00edculas menores provavelmente ser\u00e3o lan\u00e7adas no espa\u00e7o. &#8220;Eu ficaria muito surpreso se parte desse material n\u00e3o acabasse em \u00f3rbita&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Fernando disse estar esperan\u00e7oso de que os astr\u00f4nomos consigam observar alguma coisa. Mas, ainda que isso n\u00e3o aconte\u00e7a, o impacto lhes proporcionar\u00e1 novos conhecimentos, porque n\u00e3o h\u00e1 cilindros met\u00e1licos ocos naturais circulando em alta velocidade pelo sistema solar. &#8220;De qualquer forma, aprenderemos algo sobre a din\u00e2mica desse processo.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo que os astr\u00f4nomos n\u00e3o detectem o impacto na manh\u00e3 desta quarta-feira, as espa\u00e7onaves em \u00f3rbita da Lua quase certamente o far\u00e3o.<\/p>\n<p>A espa\u00e7onave sul-coreana Danuri deve sobrevoar o local do impacto em torno deoito horas ap\u00f3s a colis\u00e3o. A Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, que fotografou com sucesso a maioria dos locais de colis\u00f5es anteriores, passar\u00e1 sobre o local seis dias ap\u00f3s o impacto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A humanidade est\u00e1 mais uma vez espalhando lixo no nosso vizinho celeste mais pr\u00f3ximo. 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