{"id":475045,"date":"2026-08-05T08:49:13","date_gmt":"2026-08-05T08:49:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/475045\/"},"modified":"2026-08-05T08:49:13","modified_gmt":"2026-08-05T08:49:13","slug":"uma-bizarra-enzima-crispr-reconhece-o-arn-de-uma-celula-e-tritura-lhe-o-adn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/475045\/","title":{"rendered":"Uma bizarra enzima CRISPR reconhece o ARN de uma c\u00e9lula e tritura-lhe o ADN"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/Iy7QyzOs1bo\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Sangharsh Lohakare \/ Unsplash<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-536611\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ed8556c11a25462963c28838a61c3a60-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Os primeiros testes sugerem que a prote\u00edna pode ser dirigida a alvos com muta\u00e7\u00f5es causadoras de tumores.<\/strong><\/p>\n<p>Uma equipa de cientistas est\u00e1 a estudar uma enzima <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/tag\/CRISPR\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">CRISPR<\/a> peculiar que pode combater o cancro ao despeda\u00e7ar o ADN das c\u00e9lulas cancerosas, levando-as \u00e0 autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A enzima pode ser programada para reconhecer um <strong>ARN mensageiro<\/strong> espec\u00edfico, como o produzido por uma <strong>c\u00e9lula cancerosa<\/strong>. Assim que encontra o seu parceiro, corta o genoma da c\u00e9lula em peda\u00e7os.<\/p>\n<p>O \u201cdespeda\u00e7amento do ADN\u201d, descrito em dois artigos na revista Nature, poder\u00e1 dar aos cientistas uma forma de matar c\u00e9lulas cancerosas que expressam prote\u00ednas mutantes \u201cn\u00e3o medic\u00e1veis\u201d, dif\u00edceis de atingir com os medicamentos convencionais, explica a <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-026-02268-z\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Nature<\/a>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um interruptor molecular de autodestrui\u00e7\u00e3o que reconhece um ARN espec\u00edfico\u201d, diz <strong>Yang Liu<\/strong>, bi\u00f3logo molecular na University of Utah School of Medicine, em Salt Lake City, e autor de <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10738-7\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">um dos artigos<\/a>. \u201cNo fundo, \u00e9 uma quimioterapia program\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Uma terapia que segue esta abordagem para atacar cancros da cabe\u00e7a e do pesco\u00e7o causados pelo<strong> v\u00edrus do papiloma humano (HPV)<\/strong> est\u00e1 j\u00e1 em fase inicial de desenvolvimento na tecnol\u00f3gica alem\u00e3 Akribion Therapeutics.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 obter os primeiros dados de ensaios cl\u00ednicos at\u00e9 2030, diz o cofundador da empresa, <strong>Paul Scholz<\/strong>, diretor de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da empresa e coautor de um dos artigos.<\/p>\n<p>Defensores bacterianos<\/p>\n<p>Os sistemas CRISPR ocorrem naturalmente em bact\u00e9rias e noutros microrganismos, onde funcionam como um mecanismo imunit\u00e1rio de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns destes sistemas usam mol\u00e9culas de ARN que orientam as <strong>enzimas Cas<\/strong> (associadas ao CRISPR) para segmentos de ADN em v\u00edrus e noutros invasores.<\/p>\n<p>A enzima Cas corta ent\u00e3o o ADN e <strong>destr\u00f3i o intruso<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada que os cientistas aproveitam e modificam sistemas destes para editar genomas, ao criarem os seus pr\u00f3prios <strong>ARN-guia<\/strong> para dirigir as enzimas Cas at\u00e9 ao local pretendido para edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nem todas as enzimas Cas s\u00e3o iguais.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase dez anos, <strong>Ryan Jackson<\/strong>, bioqu\u00edmico na Utah State University, em Logan, e os seus colegas propuseram-se estudar o mecanismo de uma prote\u00edna Cas, chamada <strong>Cas12a2<\/strong>. Partiam do princ\u00edpio de que a enzima funcionaria de forma muito semelhante \u00e0s outras prote\u00ednas Cas usadas na edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Mas, no laborat\u00f3rio, os ensaios falhavam um atr\u00e1s do outro. \u201cDissemos: \u2018Bem, isto n\u00e3o se est\u00e1 a comportar como queremos&#8217;\u201d, conta Jackson. \u201c<strong>Acusei os meus alunos<\/strong> de terem contaminado a prote\u00edna\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, Jackson e os seus colegas perceberam que a Cas12a2 era diferente.<\/p>\n<p>Depois de reconhecer as sequ\u00eancias de ARN correspondentes ao seu ARN-guia, a Cas12a2 descontrolava-se e triturava o ADN de forma indiscriminada, o que impedia a c\u00e9lula infetada de crescer.<\/p>\n<p>Na natureza, isto poderia limitar a propaga\u00e7\u00e3o de uma infe\u00e7\u00e3o pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo raio \u00e9 que a natureza inventa um truque destes?\u201d, pergunta <strong>Rene Bernards<\/strong>, geneticista do cancro no Netherlands Cancer Institute, em Amesterd\u00e3o. \u201cMas, enfim. Podemos aproveit\u00e1-lo bem\u201d.<\/p>\n<p>Um assassino de precis\u00e3o<\/p>\n<p>Agora, duas equipas de investigadores fizeram exatamente isso: viraram a aten\u00e7\u00e3o para o cancro e, em particular, para tumores impulsionados por prote\u00ednas mutantes que os cientistas t\u00eam tido dificuldade em atacar pelos meios convencionais.<\/p>\n<p>Um dos grupos dirigiu a sua Cas12a2 contra o ARN produzido pelas c\u00e9lulas, incluindo as que t\u00eam uma muta\u00e7\u00e3o no gene TP53, alterado em at\u00e9 metade de todos os cancros.<\/p>\n<p>O outro grupo visou o ARN produzido a partir de uma vers\u00e3o mutada do gene KRAS. As<strong> prote\u00ednas KRAS mutantes<\/strong> podem levar as c\u00e9lulas a crescer sem controlo e s\u00e3o respons\u00e1veis por alguns dos cancros mais mort\u00edferos.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, a Cas12a2 revelou uma especificidade not\u00e1vel, ao matar <strong>seletivamente<\/strong> as c\u00e9lulas com as muta\u00e7\u00f5es associadas ao cancro, mesmo quando essa muta\u00e7\u00e3o diferia do ARN normal por apenas uma letra.<\/p>\n<p>A abordagem resultou em c\u00e9lulas humanas cultivadas em laborat\u00f3rio e, em ratinhos vivos, reduziu tumores provocados por <strong>TP53 mutado<\/strong> ou causados pelo HPV.<\/p>\n<p>H\u00e1 um longo caminho a percorrer entre estas experi\u00eancias e uma terapia pronta a ser testada em pessoas, afirma <strong>Baojun Wang<\/strong>, especialista em biologia sint\u00e9tica na Zhejiang University, em Hangzhou, na China. Mas o trabalho constitui uma prova de conceito \u201chist\u00f3rica\u201d para uma tecnologia promissora, diz.<\/p>\n<p>Liu afirma que as aplica\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ir al\u00e9m do cancro e abranger doen\u00e7as autoimunes e neurol\u00f3gicas. \u201cMuitas coisas poder\u00e3o ser visadas\u201d, diz, desde que envolvam um ARN \u00fanico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sangharsh Lohakare \/ Unsplash Os primeiros testes sugerem que a prote\u00edna pode ser dirigida a alvos com muta\u00e7\u00f5es&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":475046,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1207,10560,2217,116,32,33,117],"class_list":["post-475045","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cancro","tag-crispr","tag-genetica","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117042044890806932","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=475045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475045\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/475046"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=475045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=475045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=475045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}