{"id":47600,"date":"2025-08-27T17:21:15","date_gmt":"2025-08-27T17:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/47600\/"},"modified":"2025-08-27T17:21:15","modified_gmt":"2025-08-27T17:21:15","slug":"fissura-em-placa-tectonica-pode-explicar-sismos-de-lisboa-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/47600\/","title":{"rendered":"Fissura em placa tect\u00f3nica pode explicar sismos de Lisboa \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A 200 quil\u00f3metros ao largo do Cabo de S\u00e3o Vicente (Sagres) h\u00e1 uma fissura na placa tect\u00f3nica a formar-se h\u00e1 pelo menos cinco milh\u00f5es de anos, que foi agora descoberta e que pode explicar os grandes sismos de Lisboa.<\/p>\n<p>A Plan\u00edcie Abissal da Ferradura, uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica no oceano Atl\u00e2ntico n\u00e3o muito distante da montanha submarina do Banco de Gorringe, na fronteira entre as placas tect\u00f3nicas Euro-asi\u00e1tica e Africana, \u00e9 a origem geogr\u00e1fica do sismo de magnitude pr\u00f3xima de 8 na escala de Richter que em 1969 abalou Lisboa e outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O facto de ser uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica plana, <strong>sem grandes falhas s\u00edsmicas conhecidas<\/strong>, <strong>alimentava<\/strong> \u201c<strong>um enigma<\/strong>\u201d <strong>na comunidade cient\u00edfica <\/strong>de como poderia ter sido poss\u00edvel uma regi\u00e3o com estas caracter\u00edsticas provocar sismos de grande magnitude, mas um estudo da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa publicado esta quarta-feira na revista Nature Geosciences traz uma nova poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naquela zona nunca tinha sido encontrada \u201cnenhuma falha \u00f3bvia\u201d que explicasse um sismo com a magnitude do de 1969, disse Jo\u00e3o Duarte, um dos investigadores coautores do estudo, ge\u00f3logo, professor da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto Dom Luiz.<\/p>\n<p>A juntar a este enigma como motiva\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 tamb\u00e9m o facto de nunca se ter encontrado \u201cuma falha com dimens\u00f5es suficientes para gerar um sismo como o de 1755\u201d, que se acredita ter tido uma magnitude pr\u00f3xima de 9 na escala de Richter.<\/p>\n<p>De acordo Jo\u00e3o Duarte, o que agora \u00e9 revelado e que pode ser a explica\u00e7\u00e3o da origem de ambos os sismos \u00e9 que \u201c<strong>h\u00e1 uma por\u00e7\u00e3o da placa tect\u00f3nica que est\u00e1 a separar-se<\/strong>\u201c, num processo chamado delamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa delamina\u00e7\u00e3o implica que a placa esteja a sofrer uma fratura horizontal, como se a rocha fosse separada por uma l\u00e2mina, abrindo uma fissura que leva a que a parte inferior esteja a afundar,<strong> tendo j\u00e1 atingido uma profundidade de 200 quil\u00f3metros em dire\u00e7\u00e3o ao manto da Terra<\/strong>, quando o normal \u00e9 situarem-se nos 100 quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>A parte superior da placa mant\u00e9m-se numa posi\u00e7\u00e3o horizontal inalterada, tornando imposs\u00edvel perceber pela observa\u00e7\u00e3o do fundo do mar qualquer altera\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica naquele local, explicou o investigador \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>Este processo de separa\u00e7\u00e3o horizontal da placa, que <strong>est\u00e1 a acontecer de forma lenta h\u00e1 j\u00e1 cinco a 10 milh\u00f5es de anos<\/strong>, foi identificado com recurso a uma esp\u00e9cie de \u201cecografia da Terra\u201d, explicou o professor sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de tomografias s\u00edsmicas e do som captado, o som dos pr\u00f3prios sismos, para perceber o que se passa abaixo do fundo do mar.<\/p>\n<p>\u201cFizemos um estudo que colocou sism\u00f3metros no fundo do mar durante oito meses a registar pequenos sismos. Percebemos que naquela zona havia um cluster, um conjunto de pequenos sismos a grande profundidade, a cerca de 30 a 40 quil\u00f3metros de profundidade, o que \u00e9 um bocadinho anormal. E, portanto, h\u00e1 aqui uma combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias observa\u00e7\u00f5es que apontam para que est\u00e1 ali a acontecer um processo que est\u00e1 a gerar sismicidade\u201d, explicou o investigador.<\/p>\n<p>Ao trabalho de observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de dados juntou-se a cria\u00e7\u00e3o de modelos computacionais que permitiram simular o processo de delamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o atrito criado e a energia libertada no movimento das placas tect\u00f3nicas que explicam os sismos. O facto de esta estrutura geol\u00f3gica descrita no estudo, n\u00e3o sendo uma falha s\u00edsmica, <strong>ter capacidade de gerar sismos explica-se pelo facto de o espa\u00e7o criado pelo corte laminado na placa n\u00e3o ficar vazio<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que a placa Africana est\u00e1 tamb\u00e9m a mover-se muito lentamente, a convergir com a placa Euroasi\u00e1tica. \u00c9 como se n\u00f3s imagin\u00e1ssemos que temos dois livros e um come\u00e7a a entrar por dentro do outro. <strong>As placas est\u00e3o a convergir<\/strong> e, na realidade, essa zona onde a placa come\u00e7a a separar, ela comporta-se um bocadinho como uma folha, porque come\u00e7a a meter-se por dentro da outra placa. H\u00e1 sempre um contacto, mas <strong>\u00e9 um contacto mais horizontal<\/strong>. Ou seja, <strong>n\u00e3o fica um buraco<\/strong>, n\u00e3o fica um espa\u00e7o. Esse espa\u00e7o depois \u00e9 ocupado por outra rocha\u201d, explicou Jo\u00e3o Duarte.<\/p>\n<p>Deste estudo, Jo\u00e3o Duarte espera resultem investiga\u00e7\u00f5es futuras mais detalhadas sobre aquela zona. Com o que j\u00e1 se sabe diz ser inevit\u00e1vel que este processo de delamina\u00e7\u00e3o venha a ser tido em conta \u201cna caracteriza\u00e7\u00e3o da perigosidade e do risco s\u00edsmico\u201d no pa\u00eds, j\u00e1 considerado numa \u00e1rea de risco elevado, pela conflu\u00eancia das duas placas tect\u00f3nicas nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na instala\u00e7\u00e3o de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cabos submarinos, cabos de comunica\u00e7\u00f5es que ligam os dois lados do Atl\u00e2ntico, passando pelos arquip\u00e9lagos dos A\u00e7ores e da Madeira e tamb\u00e9m pela zona da Plan\u00edcie Abissal da Ferradura, o investigador v\u00ea uma oportunidade.<\/p>\n<p>\u201cEles v\u00e3o ter sensores s\u00edsmicos, portanto, os cabos v\u00e3o passar naquela zona, <strong>vai ser poss\u00edvel monitorizar melhor<\/strong> e caracterizar aquela sismicidade. E, provavelmente, podemos ter tamb\u00e9m mais dados, mais registos\u201d, disse.<\/p>\n<p>A previsibilidade dos sismos continua a ser uma quimera, mas Jo\u00e3o Duarte acredita que a<strong> intelig\u00eancia artificial pode vir a permitir um passo em frente<\/strong>, mesmo que o modelo de aprendizagem com base em eventos e dados anteriores seja neste caso uma dificuldade, por os grandes sismos serem fen\u00f3menos raros.<\/p>\n<p>A chave poder\u00e1 estar num estudo mais sistem\u00e1tico dos sismos mais pequenos, que acontecem todos os dias, inclusivamente em Portugal, \u201ccom alguma esperan\u00e7a\u201d de conhecer o processo de sismicidade e \u201cfazer algumas infer\u00eancias e usar a estat\u00edstica para compreender os sismos de maior magnitude\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A 200 quil\u00f3metros ao largo do Cabo de S\u00e3o Vicente (Sagres) h\u00e1 uma fissura na placa tect\u00f3nica a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":47601,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[964,27,28,442,1431,2023,14199,15,16,7833,14,25,26,21,22,1009,12,13,19,20,32,23,24,33,349,17,18,29,30,31,14200,540],"class_list":{"0":"post-47600","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-ambiente","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-ciu00eancia","12":"tag-desastres-naturais","13":"tag-educau00e7u00e3o","14":"tag-estudo-cientu00edfico","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-geologia","18":"tag-headlines","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-natureza","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-sismo","33":"tag-top-stories","34":"tag-topstories","35":"tag-ultimas","36":"tag-ultimas-noticias","37":"tag-ultimasnoticias","38":"tag-universidade-de-lisboa","39":"tag-universidades"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47600\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}