{"id":476145,"date":"2026-08-06T01:34:12","date_gmt":"2026-08-06T01:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/476145\/"},"modified":"2026-08-06T01:34:12","modified_gmt":"2026-08-06T01:34:12","slug":"dormir-pouco-pode-matar-especialistas-respondem-05-08-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/476145\/","title":{"rendered":"Dormir pouco pode matar? Especialistas respondem &#8211; 05\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Muitas pessoas convivem com dificuldades para dormir ao longo da vida. \u00c0s vezes, a percep\u00e7\u00e3o de uma noite mal dormida \u00e9 apenas uma sensa\u00e7\u00e3o; em outras, ela \u00e9 refor\u00e7ada por dados fornecidos por <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/06\/smartwatches-ajudam-na-saude-mas-metricas-ainda-sao-limitadas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">dispositivos de monitoramento<\/a>.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, a tecnologia criada para ajudar a acompanhar o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sono\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sono<\/a> tamb\u00e9m pode aumentar a preocupa\u00e7\u00e3o com ele. Alertas constantes sobre hor\u00e1rio de dormir e avalia\u00e7\u00f5es negativas da qualidade do sono podem elevar os n\u00edveis de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ansiedade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ansiedade<\/a>, acelerar os batimentos card\u00edacos e dificultar ainda mais o adormecer.<\/p>\n<p>Mesmo assim, nem sempre uma noite considerada ruim pelos indicadores se traduz em cansa\u00e7o ou preju\u00edzo no dia seguinte. Muitas vezes, a percep\u00e7\u00e3o do sono e o funcionamento real do organismo n\u00e3o coincidem completamente.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea est\u00e1 privado de sono, seu julgamento piora&#8221;, afirma Catia Reis, pesquisadora do sono da Universidade de Lisboa, em conversa com a DW.<\/p>\n<p>Dormir mais tempo aos fins de semana, mesmo quando nos sentimos bem durante a semana, \u00e9 um sinal claro de d\u00e9ficit acumulado de sono, diz ela.<\/p>\n<p>O que a ci\u00eancia sabe sobre quem precisa de poucas horas de sono<\/p>\n<p>Catia Reis estuda diferentes condi\u00e7\u00f5es relacionadas ao sono, incluindo os efeitos do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/04\/jet-lag-social-entenda-o-efeito-de-dormir-tarde-e-acordar-cedo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">jet lag<\/a> (desconforto f\u00edsico e mental causado por viagens entre fusos hor\u00e1rios diferentes, geralmente em voos longo) e da priva\u00e7\u00e3o de sono em atletas.<\/p>\n<p>Em uma de suas pesquisas, ela comparou os n\u00edveis de sonol\u00eancia de pacientes com apneia do sono, condi\u00e7\u00e3o em que a respira\u00e7\u00e3o para repetidamente durante a noite, com os n\u00edveis de sonol\u00eancia de pessoas que trabalham em turnos.<\/p>\n<p>A pesquisadora confrontou avalia\u00e7\u00f5es subjetivas feitas pelos pr\u00f3prios participantes da pesquisa e os testes cl\u00ednicos objetivos aplicados por ela.<\/p>\n<p>Ela identificou uma discrep\u00e2ncia intrigante: quanto mais sonolentas as pessoas estavam, menos capazes se tornavam de avaliar com precis\u00e3o o pr\u00f3prio n\u00edvel de sonol\u00eancia. Em outras palavras, o c\u00e9rebro deixa de funcionar adequadamente. E isso \u00e9 preocupante, j\u00e1 que ele desempenha um papel central no sono.<\/p>\n<p>Enquanto dormimos, o organismo realiza diversas fun\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o. Ele elimina toxinas absorvidas pelos alimentos e pelo ambiente, restaura energia e consolida processos essenciais para a aprendizagem e a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;O sono envolve muitas partes do c\u00e9rebro&#8221;, afirma Ying-Hui Fu, pesquisadora do sono da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco. &#8220;Quase todas as doen\u00e7as cerebrais, incluindo as neurol\u00f3gicas e psiqui\u00e1tricas, podem estar associadas a problemas de sono.&#8221;<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, uma pessoa precisa de 7,5 a 8,5 horas de sono por noite.<\/p>\n<p>Ainda assim, de tempos em tempos surgem relatos de pessoas que se orgulham de dormir poucas horas por noite, como se isso demonstrasse dedica\u00e7\u00e3o extrema ao trabalho. Um exemplo recente \u00e9 o da primeira-ministra do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/japao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Jap\u00e3o<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sanae-takaichi\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Sanae Takaichi<\/a>, que afirmou dormir entre zero e tr\u00eas horas por noite desde que assumiu o cargo.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo que a priva\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica de sono seja volunt\u00e1ria ou resultado de um h\u00e1bito, n\u00e3o se trata de uma estrat\u00e9gia saud\u00e1vel no longo prazo.<\/p>\n<p>No melhor dos cen\u00e1rios, um d\u00e9ficit prolongado de sono pode levar ao ac\u00famulo de toxinas no organismo, aumentando o risco de doen\u00e7as card\u00edacas e cerebrais. No pior, pode ser fatal.<\/p>\n<p>&#8220;Existem apenas duas coisas mais importantes para a nossa <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> do que o sono&#8221;, diz Fu \u00e0 DW. &#8220;Uma \u00e9 o ar. Sem ar, morremos em poucos minutos. A outra \u00e9 a \u00e1gua. Sem \u00e1gua, morremos em poucos dias. Sem comida, conseguimos viver por meses. Mas sem sono provavelmente sobreviver\u00edamos apenas algumas semanas.&#8221;<\/p>\n<p>E isso vale para todos os animais, acrescenta ela. &#8220;Se n\u00e3o dormimos, morremos.&#8221;<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o: quem naturalmente dorme pouco<\/p>\n<p>Existem, por\u00e9m, exce\u00e7\u00f5es. Algumas pessoas conseguem dormir menos de seis horas por noite e n\u00e3o apenas se sentem bem como realmente apresentam boa sa\u00fade, disposi\u00e7\u00e3o e qualidade de vida. S\u00e3o os chamados &#8220;dormidores naturais de curta dura\u00e7\u00e3o&#8221; (natural short sleepers).<\/p>\n<p>Pesquisadores acreditam que essas pessoas tenham varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que lhes permitem prosperar com menos horas de sono. Fu cita o caso de uma pessoa de 80 anos com essa caracter\u00edstica que continuava competindo em provas de triatlo.<\/p>\n<p>Em 2009, o laborat\u00f3rio de Fu identificou a primeira dessas varia\u00e7\u00f5es, no gene DEC2. Dez anos depois, os pesquisadores publicaram um estudo sugerindo uma liga\u00e7\u00e3o entre a s\u00edndrome do sono curto natural e o gene ADRB1. Posteriormente, outras variantes gen\u00e9ticas associadas ao fen\u00f4meno foram encontradas nos genes NPSR1, GRM1 e SIK3, entre outros, que ainda est\u00e3o sendo investigados.<\/p>\n<p>Os cientistas preferem falar em &#8220;varia\u00e7\u00f5es&#8221; gen\u00e9ticas, n\u00e3o em &#8220;muta\u00e7\u00f5es&#8221;, j\u00e1 que o segundo termo costuma estar associado a efeitos negativos para a sa\u00fade. At\u00e9 o momento, o sono natural de curta dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece trazer os mesmos riscos observados em pessoas que dormem pouco por h\u00e1bito ou porque sofrem de priva\u00e7\u00e3o de sono.<\/p>\n<p>As fun\u00e7\u00f5es desses genes s\u00e3o variadas. DEC2 ajuda a regular a dura\u00e7\u00e3o dos ciclos de sono e vig\u00edlia; ADRB1 participa da sinaliza\u00e7\u00e3o card\u00edaca e neuronal; NPSR1 contribui para regular estados de alerta e ansiedade; GRM1 est\u00e1 ligado ao funcionamento cerebral e pode ter rela\u00e7\u00e3o com a depress\u00e3o; e SIK3 participa da regula\u00e7\u00e3o celular, metab\u00f3lica e inflamat\u00f3ria. Cada uma dessas descobertas exigiu anos de pesquisa.<\/p>\n<p>&#8220;Cada indiv\u00edduo possui entre 500 e mil varia\u00e7\u00f5es exclusivas em seu genoma. Identificar qual delas realmente causa determinado efeito \u00e9 extremamente dif\u00edcil&#8221;, explica Fu.<\/p>\n<p>Sono melhor impacta a humanidade<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas identificadas como &#8220;dormidoras naturais de curta dura\u00e7\u00e3o&#8221; ainda \u00e9 pequeno. Mesmo assim, Fu diz acreditar que o fen\u00f4meno seja mais comum do que estudos atuais indicam.<\/p>\n<p>Grande parte das descobertas da pesquisadora se baseia em fam\u00edlias que compartilham a mesma varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. O motivo \u00e9 metodol\u00f3gico: se v\u00e1rios parentes apresentam a mesma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e todos permanecem saud\u00e1veis dormindo apenas entre quatro e seis horas por noite, h\u00e1 uma forte indica\u00e7\u00e3o de que aquela varia\u00e7\u00e3o esteja relacionada ao fen\u00f4meno. Ainda assim, a pesquisa est\u00e1 apenas come\u00e7ando.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que essas pessoas t\u00eam melhor desempenho e s\u00e3o mais saud\u00e1veis. A explica\u00e7\u00e3o mais l\u00f3gica \u00e9 que a qualidade do sono delas \u00e9 superior&#8221;, diz Fu.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Catia Reis tamb\u00e9m pede cautela. Para ela, ainda existem poucos estudos sobre os chamados &#8220;dormidores naturais de curta dura\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quando avaliamos pessoas que dormem pouco por h\u00e1bito e aumentamos seu tempo de sono, percebemos que elas melhoram seu desempenho&#8221;, afirma. &#8220;O problema \u00e9 que ainda n\u00e3o temos estudos de longo prazo suficientes com os dormidores naturais.&#8221;<\/p>\n<p>Fu concorda. Mas ressalta que obter financiamento para esse tipo de pesquisa continua um desafio.<\/p>\n<p>&#8220;Meu objetivo \u00e9 ajudar todas as pessoas a terem um sono de qualidade. Porque, se conseguirmos isso, a incid\u00eancia de todas as doen\u00e7as diminuir\u00e1&#8221;, diz. &#8220;Todo o espectro de doen\u00e7as seria reduzido. Voc\u00ea consegue imaginar o impacto disso para a humanidade?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Muitas pessoas convivem com dificuldades para dormir ao longo da vida. \u00c0s vezes, a percep\u00e7\u00e3o de uma noite&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":476146,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4843,7277,1714,21847,4325,236,116,1208,32,33,117,1030,536],"class_list":["post-476145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ansiedade","tag-deutsche-welle","tag-dormir","tag-dw","tag-estresse","tag-folha","tag-health","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-sono"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117045996217839303","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=476145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476145\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/476146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=476145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=476145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=476145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}