{"id":476355,"date":"2026-08-06T07:13:37","date_gmt":"2026-08-06T07:13:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/476355\/"},"modified":"2026-08-06T07:13:37","modified_gmt":"2026-08-06T07:13:37","slug":"perdas-de-urina-um-tabu-que-afeta-milhares-de-mulheres-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/476355\/","title":{"rendered":"Perdas de urina: um tabu que afeta milhares de mulheres \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Um espirro, uma gargalhada, um ataque de tosse. Situa\u00e7\u00f5es banais do dia a dia, mas que, para muitas mulheres, podem traduzir-se em epis\u00f3dios de perda involunt\u00e1ria de urina. E em vergonha.<\/p>\n<p>A incontin\u00eancia urin\u00e1ria \u00e9 uma realidade comum a milhares de mulheres, que continua a ser vivida em sil\u00eancio e embara\u00e7o, prejudicando a qualidade de vida, sobretudo nas mulheres acima dos 50 anos. No entanto, esta n\u00e3o tem de ser uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel da idade: \u00e9, isso sim, uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade com tratamento. S\u00f3 que \u00e9 necess\u00e1rio virar costas \u00e0 vergonha para dar o primeiro passo: procurar ajuda.<\/p>\n<p>                     61%<\/p>\n<p>das mulheres portuguesas com mais de 50 anos j\u00e1 teve epis\u00f3dios de incontin\u00eancia urin\u00e1ria<\/p>\n<p>Foi a vontade de compreender melhor o impacto da incontin\u00eancia urin\u00e1ria na vida das mulheres portuguesas, que levou a Ausonia Discreet a promover um estudo nacional sobre o tema, conduzido pela Spirituc \u2013 Investiga\u00e7\u00e3o Aplicada junto de uma amostra de\u00a01.200 mulheres com mais de 50 anos residentes em Portugal. E os n\u00fameros confirmam o que j\u00e1 se esperava: 61%\u00a0das mulheres portuguesas com mais de 50 anos j\u00e1 teve epis\u00f3dios de incontin\u00eancia urin\u00e1ria. Um retrato que confirma a elevada preval\u00eancia desta condi\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m evidencia um paradoxo: continua a ser um problema de sa\u00fade sobre o qual ainda se fala pouco e envolto num enorme estigma social.<\/p>\n<p>De acordo com este estudo, os dados mostram que a preval\u00eancia da incontin\u00eancia urin\u00e1ria aumenta com a idade. Entre as mulheres dos 50 aos 54 anos, 57,8% j\u00e1 tiveram epis\u00f3dios; entre os 55 e os 64 anos, a percentagem sobe para 59,4%; e, a partir dos 65 anos, atinge os 64,4%.<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o. Para muitas mulheres, n\u00e3o se trata de uma situa\u00e7\u00e3o pontual: 39% referem perdas de urina pelo menos uma vez por semana e, entre estas, 18% relataram epis\u00f3dios di\u00e1rios.<\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es em que estes epis\u00f3dios acontecem s\u00e3o igualmente reveladoras da forma como a condi\u00e7\u00e3o se cruza com os gestos mais simples do quotidiano. Tossir ou sentir uma vontade s\u00fabita de ir \u00e0 casa de banho s\u00e3o as circunst\u00e2ncias mais referidas (65%), seguindo-se os espirros (55,5%).<\/p>\n<p>Apesar de a incid\u00eancia aumentar com a idade, os resultados do estudo ajudam a desmontar uma ideia ainda muito enraizada: envelhecer n\u00e3o significa ter inevitavelmente de viver com perdas de urina. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 frequente, mas isso n\u00e3o a torna uma consequ\u00eancia incontorn\u00e1vel da idade.<\/p>\n<p>A incontin\u00eancia urin\u00e1ria n\u00e3o afeta apenas o corpo. Tem tamb\u00e9m um impacto profundo na forma como muitas mulheres vivem o seu dia a dia, seja no campo social, profissional e at\u00e9 \u00edntimo.<\/p>\n<p>                     1 em cada 5<\/p>\n<p>mulheres deixou de fazer atividades de que gostava por causa da incontin\u00eancia urin\u00e1ria<\/p>\n<p>Os n\u00fameros ganham ainda maior significado quando traduzidos em comportamentos concretos. Uma em cada cinco mulheres deixou de fazer atividades de que gostava por causa da incontin\u00eancia urin\u00e1ria. Entre as atividades abandonadas destacam-se o exerc\u00edcio f\u00edsico (38,3%), os passeios (24,2%) e os conv\u00edvios (10,1%).<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o acaba, assim, por limitar rotinas, reduzir momentos de lazer e favorecer o isolamento. A vergonha continua a ser um dos principais fatores que alimenta este sil\u00eancio: entre as mulheres que nunca falaram sobre os epis\u00f3dios, quase metade admite sentir desconforto em abordar o tema.<\/p>\n<p>A incontin\u00eancia urin\u00e1ria \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o amplamente conhecida. Segundo este estudo, 98,3% das mulheres dizem conhecer esta condi\u00e7\u00e3o e 89% afirma saber que existe tratamento. Ainda assim, metade das mulheres com incontin\u00eancia urin\u00e1ria nunca procurou ajuda profissional.<\/p>\n<p>                     29%<\/p>\n<p>das mulheres nunca falaram com ningu\u00e9m sobre os epis\u00f3dios de incontin\u00eancia urin\u00e1ria que experienciam<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, 29% nunca falaram com ningu\u00e9m sobre os epis\u00f3dios que experienciam \u2013 nem com amigas nem com familiares, preferiram o isolamento do sil\u00eancio. Entre estas mulheres, tr\u00eas em cada quatro justificam este sil\u00eancio por considerarem que as perdas s\u00e3o pouco frequentes ou simplesmente uma \u201ccoisa da idade\u201d. Outras admitem que a vergonha continua a impedir estas conversas.<\/p>\n<p>Os dados revelam, ent\u00e3o, que o maior obst\u00e1culo j\u00e1 n\u00e3o parece ser a falta de informa\u00e7\u00e3o, mas antes a resigna\u00e7\u00e3o e a normaliza\u00e7\u00e3o de um problema feminino que continua a ser encarado como inevit\u00e1vel e \u201cnormal\u201d. A pergunta imp\u00f5e-se ent\u00e3o: se tantas mulheres sabem que existe solu\u00e7\u00e3o, o que continua a impedi-las de dar o primeiro passo rumo a uma vida com mais qualidade onde rir \u00e0 gargalhada n\u00e3o tem de implicar sentir medo?<\/p>\n<p>Numa condi\u00e7\u00e3o que continua envolta em vergonha e sil\u00eancio, o maior desafio \u00e9 precisamente quebrar esse sil\u00eancio. \u00c9 necess\u00e1rio entender que falar sobre a incontin\u00eancia urin\u00e1ria e procurar aconselhamento m\u00e9dico n\u00e3o significa resigna\u00e7\u00e3o. Bem pelo contr\u00e1rio: significa dar o primeiro passo para recuperar qualidade de vida.<\/p>\n<p>De acordo com este estudo, entre as mulheres que j\u00e1 falaram sobre os epis\u00f3dios de incontin\u00eancia urin\u00e1ria, 75% escolheram o m\u00e9dico de fam\u00edlia. O estudo revela ainda que este profissional \u00e9 a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade \u00edntima feminina para 74% das inquiridas e o primeiro recurso procurado por 70% dos casos.<\/p>\n<p>Ora, se o problema est\u00e1 identificado e o caminho para a solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, \u00e9 fundamental ultrapassar a vergonha e vencer o estigma, para conseguir recuperar uma qualidade de vida \u00e0 qual todas as mulheres deveriam ter direito.<\/p>\n<p>NOTA: Os dados citados neste artigo prov\u00eam de um estudo nacional promovido pela Ausonia Discreet e conduzido pela Spirituc \u2013 Investiga\u00e7\u00e3o Aplicada, com uma amostra de 1.200 mulheres portuguesas com mais de 50 anos (margem de erro: \u00b12,8%; intervalo de confian\u00e7a: 95%). O trabalho de campo decorreu entre fevereiro e mar\u00e7o de 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um espirro, uma gargalhada, um ataque de tosse. 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