{"id":476427,"date":"2026-08-06T08:55:19","date_gmt":"2026-08-06T08:55:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/476427\/"},"modified":"2026-08-06T08:55:19","modified_gmt":"2026-08-06T08:55:19","slug":"por-que-mosquitos-picam-mais-algumas-pessoas-do-que-outras-estudo-investigou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/476427\/","title":{"rendered":"Por que mosquitos picam mais algumas pessoas do que outras? Estudo investigou"},"content":{"rendered":"\n<p>Se voc\u00ea tem a impress\u00e3o de que \u00e9 um &#8220;\u00edm\u00e3&#8221; para mosquitos enquanto outras pessoas parecem passar despercebidas, saiba que essa cisma tem respaldo cient\u00edfico. Um estudo publicado na revista iScience mostrou que n\u00e3o existe uma pessoa irresist\u00edvel para todos os mosquitos. Na pr\u00e1tica, cada esp\u00e9cie \u00e9 atra\u00edda por uma combina\u00e7\u00e3o diferente de odores produzidos pelo corpo humano, influenciada principalmente pelas bact\u00e9rias que vivem naturalmente na pele.<\/p>\n<p>A pesquisa ajuda a esclarecer uma d\u00favida que permanecia em aberto h\u00e1 anos. Vale lembrar que estudos anteriores j\u00e1 haviam relacionado o odor corporal \u00e0s\u00a0picadas\u00a0de mosquito, no entanto, eles normalmente avaliavam apenas uma esp\u00e9cie de cada vez. Com isso, ainda n\u00e3o estava claro se algumas pessoas atra\u00edam todos os tipos de mosquitos ou se cada esp\u00e9cie possu\u00eda prefer\u00eancias pr\u00f3prias.<\/p>\n<p><strong>Condu\u00e7\u00e3o da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Para investigar a quest\u00e3o, pesquisadores da Universidade Internacional da Fl\u00f3rida recrutaram 119 volunt\u00e1rios em Miami, nos Estados Unidos. Cada participante colocou um dos bra\u00e7os em um equipamento chamado &#8220;olfat\u00f4metro uniport&#8221;, uma c\u00e2mara que permite analisar como os insetos reagem aos odores humanos.<\/p>\n<p>Na outra extremidade do aparelho estavam tr\u00eas esp\u00e9cies de mosquitos: o Aedes aegypti, respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o de dengue, zika, chikungunya e febre amarela; o Aedes albopictus, mais conhecido como mosquito-tigre asi\u00e1tico; e o Culex quinquefasciatus, popularmente conhecido como pernilongo dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os cientistas coletaram amostras do ar ao redor dos bra\u00e7os dos participantes para identificar os compostos qu\u00edmicos presentes no odor corporal. Tamb\u00e9m fizeram coletas na pele para mapear as bact\u00e9rias presentes por meio de sequenciamento de DNA, t\u00e9cnica que permite identificar os microrganismos com precis\u00e3o, lembra o site Phys.org.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe um &#8220;\u00edm\u00e3 universal&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Um dos principais resultados foi a constata\u00e7\u00e3o de que nenhuma pessoa figurou entre as mais atrativas para as tr\u00eas esp\u00e9cies ao mesmo tempo. Em outras palavras, n\u00e3o existe um \u201calvo preferido\u201d comum para todos os mosquitos.<\/p>\n<p>O Aedes aegypti apresentou uma leve prefer\u00eancia por participantes do sexo masculino, enquanto as outras duas esp\u00e9cies n\u00e3o demonstraram diferen\u00e7a relevante relacionada ao sexo. Al\u00e9m disso, a equipe tamb\u00e9m identificou diferen\u00e7as nos compostos qu\u00edmicos associados \u00e0 atra\u00e7\u00e3o dos insetos.<\/p>\n<p>Pessoas com maiores concentra\u00e7\u00f5es de certos \u00e1lcoois c\u00edclicos e monoterpenos \u2014 subst\u00e2ncias arom\u00e1ticas encontradas com frequ\u00eancia em\u00a0\u00f3leos essenciais\u00a0e plantas \u2014 despertaram menos interesse do\u00a0Aedes aegypti\u00a0e do\u00a0Culex quinquefasciatus. J\u00e1 o\u00a0Aedes albopictus\u00a0mostrou maior atra\u00e7\u00e3o por pessoas que liberavam compostos chamados cetonas.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, as bact\u00e9rias que vivem naturalmente na pele t\u00eam papel fundamental nesse processo. Elas se alimentam do suor e da oleosidade produzidos pelo organismo e transformam essas subst\u00e2ncias em compostos vol\u00e1teis, respons\u00e1veis pelo odor corporal que os mosquitos conseguem detectar.<\/p>\n<p>Ao todo, foram identificados 246 tipos diferentes de microrganismos na pele dos volunt\u00e1rios. Entre eles, tr\u00eas bact\u00e9rias apareceram com frequ\u00eancia nos perfis considerados mais atrativos para as tr\u00eas esp\u00e9cies analisadas: Corynebacterium kefirresidentii, Cutibacterium granulosum e uma variante de Staphylococcus epidermidis.<\/p>\n<p>Por outro lado, pessoas menos atraentes para o Aedes aegypti e para o Culex quinquefasciatus apresentavam n\u00edveis mais elevados da bact\u00e9ria Pseudomonas aeruginosa, ausente nos perfis dos volunt\u00e1rios mais suscet\u00edveis \u00e0s picadas dessas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p><strong>Implica\u00e7\u00f5es dos achados<\/strong><\/p>\n<p>Embora o estudo n\u00e3o permita afirmar que seja poss\u00edvel mudar deliberadamente a microbiota da pele para evitar picadas, os pesquisadores acreditam que compreender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre bact\u00e9rias, odor corporal e comportamento dos mosquitos poder\u00e1 contribuir para o desenvolvimento de novos repelentes.<\/p>\n<p>\u201cCada esp\u00e9cie de mosquito apresentou respostas distintas a cada indiv\u00edduo, enfatizando sinais tanto \u00fanicos quanto compartilhados para a identifica\u00e7\u00e3o de seus hospedeiros\u201d, escrevem os autores no artigo. Assim, desvendar essa complexidade poder\u00e1 auxiliar na cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias capazes de reduzir os odores que atraem os insetos ou aumentar a produ\u00e7\u00e3o de compostos naturalmente repelentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se voc\u00ea tem a impress\u00e3o de que \u00e9 um &#8220;\u00edm\u00e3&#8221; para mosquitos enquanto outras pessoas parecem passar despercebidas,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":476428,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1896,7593,1346,5725,76233,76237,1347,4480,116,6541,76234,76235,76232,32,33,67455,117,76236,18495],"class_list":["post-476427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-aedes-aegypti","tag-aedes-albopictus","tag-bacterias","tag-chikungunya","tag-compostos-quimicos","tag-culex-quinquefasciatus","tag-estudo","tag-febre-amarela","tag-health","tag-mosquito","tag-odor-corporal","tag-olfatometro","tag-pernilongo","tag-portugal","tag-pt","tag-repelentes","tag-saude","tag-universidade-internacional-da-florida","tag-voluntarios"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117047730340627573","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=476427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476427\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/476428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=476427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=476427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=476427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}