{"id":477119,"date":"2026-08-06T19:19:14","date_gmt":"2026-08-06T19:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/477119\/"},"modified":"2026-08-06T19:19:14","modified_gmt":"2026-08-06T19:19:14","slug":"investigadores-estudam-como-os-musculos-envelhecem-e-descobrem-uma-possivel-forma-de-reverter-esse-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/477119\/","title":{"rendered":"Investigadores estudam como os m\u00fasculos envelhecem e descobrem uma poss\u00edvel forma de reverter esse processo"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>Correr para apanhar o autocarro, levantar uma caixa de cart\u00e3o de leite com cada bra\u00e7o ou levar os animais de estima\u00e7\u00e3o a passear s\u00e3o ac\u00e7\u00f5es que, aos 30 anos, n\u00e3o representam um grande esfor\u00e7o para a maioria das pessoas.<\/p>\n<p>Mas<strong> aos 70 ou 80 anos<\/strong>, o panorama muda bastante. Os m\u00fasculos s\u00e3o um dos tecidos que come\u00e7am a deteriorar-se primeiro com o passar do tempo, o que acarreta uma perda de for\u00e7a. Mais concretamente,<strong> as fibras mais afectadas s\u00e3o as de contrac\u00e7\u00e3o r\u00e1pida<\/strong>, respons\u00e1veis por realizar movimentos c\u00e9leres e potentes.<\/p>\n<p>Mas esta <strong>perda muscular <\/strong>poder\u00e1 ter os dias contados. Recentemente, uma equipa de investigadores liderada pelo professor <a href=\"https:\/\/ag.kyushu-u.ac.jp\/english\/organization\/teacher\/prof\/r_tatsumi\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ryuichi Tatsumi<\/a>, da Faculdade de Agricultura da Universidade de Kyushu (Jap\u00e3o), <a href=\"https:\/\/www.lifescience.net\/publications\/2119364\/enhanced-hgf-with-increased-receptor-affinity-and-\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">identificou uma <strong>mol\u00e9cula<\/strong><\/a><strong> respons\u00e1vel por activar os mecanismos de repara\u00e7\u00e3o muscular<\/strong>. E, com algumas pequenas modifica\u00e7\u00f5es, esta mesma mol\u00e9cula poder\u00e1 tamb\u00e9m <strong>prevenir o envelhecimento<\/strong>.<\/p>\n<p>A mol\u00e9cula chama-se<strong> factor de crescimento hepatocit\u00e1rio, ou HGF<\/strong>, e \u00e9 uma prote\u00edna que, em condi\u00e7\u00f5es normais, se encontra inactiva \u00e0 volta das fibras musculares. No entanto, <strong>quando o tecido muscular sofre uma les\u00e3o ou \u00e9 submetido a uma carga mec\u00e2nica durante algum exerc\u00edcio intenso, o HGF \u00e9 libertado e recruta as chamadas c\u00e9lulas sat\u00e9lite<\/strong>. Estas c\u00e9lulas s\u00e3o, na realidade, c\u00e9lulas estaminais que permitem manter e reparar o m\u00fasculo esquel\u00e9tico e, sem a ac\u00e7\u00e3o do HGF, encontram-se inactivas. Mas <strong>quando detectam o sinal, multiplicam-se, amadurecem e passam a fazer parte das fibras musculares danificadas<\/strong>. No entanto, na velhice, o sistema come\u00e7a a falhar.<\/p>\n<p>&#13;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/e56a6a31-da99-4207-820f-4dd5f6c16606_e38b5598_260730095751_800x800.webp\" alt=\"e56a6a31 da99 4207 820f 4dd5f6c16606\" class=\"image lazyload\" width=\"800\" height=\"800\" data-aspectratio=\"800\/800\"\/>O tempo muda tudo<\/p>\n<p>&#8220;O HGF n\u00e3o desaparece necessariamente \u00e0 medida que envelhecemos&#8221;, explica Ryuichi Tatsumi, autor do estudo. &#8220;Em vez disso, <strong>sofre altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas<\/strong> ap\u00f3s a sua s\u00edntese.&#8221; Mais concretamente, como demonstra o estudo, ocorre uma<strong> nitra\u00e7\u00e3o<\/strong>, que consiste na adic\u00e7\u00e3o de um grupo nitro (-NO\u2082) a dois amino\u00e1cidos chamados tirosina que comp\u00f5em o HGF. Assim que a nitra\u00e7\u00e3o ocorre, <strong>o HGF deixa de se ligar eficazmente ao seu receptor <\/strong>e, por isso, embora esteja presente, j\u00e1 n\u00e3o consegue desempenhar a sua fun\u00e7\u00e3o. Os investigadores comparam a prote\u00edna danificada a <strong>uma chave enferrujada que j\u00e1 n\u00e3o encaixa na fechadura<\/strong>.<\/p>\n<p>Para tal, recorreram a dois dos compostos que est\u00e3o a suscitar maior interesse na ind\u00fastria farmac\u00eautica dos antioxidantes: o<strong> trissulfureto de glutationa <\/strong>(GSSSG) e o <strong>trissulfureto de \u00e1cido lip\u00f3ico<\/strong> (LASSS). A chave destes compostos reside no trissulfureto, ou seja, em mol\u00e9culas que cont\u00eam<strong> tr\u00eas \u00e1tomos de enxofre ligados em sequ\u00eancia<\/strong>. Gra\u00e7as a esta estrutura, as mol\u00e9culas conseguem reduzir a nitra\u00e7\u00e3o no HGF e, por conseguinte, poder\u00e3o aumentar a repara\u00e7\u00e3o muscular.<\/p>\n<p>A surpresa surgiu com o LASSS<\/p>\n<p>Durante os primeiros testes, nenhum dos compostos conseguiu restabelecer completamente a capacidade da prote\u00edna de se ligar ao seu receptor, mas <strong>o LASSS teve um efeito ligeiramente superior <\/strong>\u00e0 mesma concentra\u00e7\u00e3o que o GSSSG. Por isso, decidiram duplicar as doses e mistur\u00e1-lo directamente com a prote\u00edna. Ent\u00e3o, aconteceu algo inesperado. &#8220;Os resultados superaram as nossas expectativas&#8221;, comenta Tatsumi. &#8220;Sab\u00edamos que os trissulfetos tinham diversas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, mas nunca esper\u00e1vamos que o simples facto de misturar o HGF com o LASSS produzisse um efeito t\u00e3o marcante.&#8221;<\/p>\n<p>&#13;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/shutterstock_30db0fb4_1359575708_260523112150_800x800.webp\" alt=\"shutterstock\" class=\"image lazyload\" width=\"800\" height=\"800\" data-aspectratio=\"800\/800\"\/><\/p>\n<p>O que observaram foi que <strong>o HGF recuperava completamente a sua fun\u00e7\u00e3o<\/strong> e, al\u00e9m disso, tornava-se mais<strong> resistente \u00e0 nitra\u00e7\u00e3o<\/strong>. &#8220;O que isto nos indica \u00e9 que o LASSS faz mais do que simplesmente neutralizar mol\u00e9culas reactivas. Pode interagir directamente com o HGF e<strong> induzir uma altera\u00e7\u00e3o estrutural subtil, criando uma forma melhorada de &#8216;Super HGF&#8217;<\/strong>\u00a0que se liga com maior for\u00e7a ao receptor e resiste \u00e0 nitra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>E os resultados<strong> n\u00e3o se limitavam \u00e0s c\u00e9lulas em cultura, mas verificavam-se tamb\u00e9m no tecido vivo<\/strong>. Quando testaram o composto em ratos com atrofia muscular na cauda, os que receberam o composto recuperaram muito mais cedo do que os que n\u00e3o o receberam. Por isso, dado que o composto tem uma maior capacidade de potenciar a repara\u00e7\u00e3o muscular, os investigadores j\u00e1 est\u00e3o a conceber as pr\u00f3ximas experi\u00eancias, nas quais ir\u00e3o utilizar modelos animais envelhecidos para verificar se este efeito promissor se mant\u00e9m na velhice murina.<\/p>\n<p>O mais interessante deste estudo \u00e9 que, <strong>por se tratar de um mecanismo t\u00e3o conservado nos mam\u00edferos, este tipo de terapias tem um grande potencial<\/strong>, tanto em seres humanos como em animais de companhia, para tratar os problemas musculares que surgem com a idade. Assim, correr para apanhar o autocarro, levantar duas embalagens de leite ou passear com os animais de estima\u00e7\u00e3o poder\u00e3o voltar a ser actividades muito mais f\u00e1ceis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. Correr para apanhar o autocarro, levantar uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":477120,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[109,734,116,736,733,735,32,33,117,737],"class_list":["post-477119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ciencia","tag-geographic","tag-health","tag-historia","tag-national","tag-naturaleza","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-viajes"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117050184651664084","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/477119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=477119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/477119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/477120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=477119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=477119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=477119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}