{"id":477145,"date":"2026-08-06T19:38:46","date_gmt":"2026-08-06T19:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/477145\/"},"modified":"2026-08-06T19:38:46","modified_gmt":"2026-08-06T19:38:46","slug":"a-ucrania-fabrica-dez-milhoes-de-drones-entao-porque-precisa-dos-portugueses-da-tekever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/477145\/","title":{"rendered":"A Ucr\u00e2nia fabrica dez milh\u00f5es de drones. Ent\u00e3o porque precisa dos portugueses da Tekever?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Tekever<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-758465 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3-5-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Plataforma AR3-EVO da Tekever<\/p>\n<p><strong>Nenhum pa\u00eds fabrica tantos drones militares como a Ucr\u00e2nia, diz Volodymyr Zelenskyy. E, mesmo assim, Kiev continua a contar com os AR3 da portuguesa Tekever para uma parte da guerra. Parece contradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uns dias, o ZAP deu a not\u00edcia de que a R\u00fassia dizia ter <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/russia-diz-ter-abatido-drone-portugues-ar3-da-tekever-e-quer-estuda-lo-758219\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">abatido um drone<\/a> de reconhecimento ucraniano AR3, fabricado pela portuguesa Tekever, na regi\u00e3o fronteiri\u00e7a de Briansk, junto \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>A Tekever <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/portuguesa-tekever-vai-fornecer-drones-ar3-a-ucrania-541791\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fornece estes drones \u00e0 Ucr\u00e2nia<\/a> desde 2022, atrav\u00e9s de um fundo internacional liderado pelo Reino Unido, e a pr\u00f3pria empresa, embora \u201cmuito limitada na informa\u00e7\u00e3o\u201d que podia transmitir, confirmou o seu envolvimento em 2023.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem sido not\u00edcia frequente no ZAP a forma como a Ucr\u00e2nia mudou a face da guerra, ao mostrar-se capaz de produzir<strong> drones em massa, de todos os tipos<\/strong> \u2014 montados, se for preciso, por \u201c<a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/donas-de-casa-a-brincar-com-legos-a-melhor-defesa-contra-os-drones-da-ucrania-e-o-insulto-734584\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">donas de casa na cozinha a brincar com legos<\/a>\u201c, como diz o CEO da alem\u00e3 Rheinmetall.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, porque precisa dos portugueses da Tekever?<\/p>\n<p>A palavra \u00e9 a mesma, \u201c<strong>drone<\/strong>\u201c, mas serve para coisas muito diferentes \u2014 no pre\u00e7o, no tamanho e naquilo que fazem. Das f\u00e1bricas ucranianas saem sobretudo aparelhos pequenos e baratos, os <strong>FPV<\/strong>, feitos para atingir um alvo e desaparecer com ele.<\/p>\n<p>O <strong>AR3 \u00e9 o oposto<\/strong>: descola, cumpre a miss\u00e3o e volta para casa (se n\u00e3o for abatido, como parece ter acontecido h\u00e1 dias). Passa horas no ar \u00e0 procura de alvos e depois entrega-os \u00e0 artilharia e aos m\u00edsseis.<\/p>\n<p>Onde a Ucr\u00e2nia domina \u00e9 na quantidade. Os drones da Tekever trazem outras valias, que n\u00e3o se contam pelo n\u00famero de aparelhos.<\/p>\n<p><strong>Volodymyr Zelenskyy<\/strong> garantiu, a 15 de julho, que o pa\u00eds j\u00e1 fabrica dez milh\u00f5es de drones por ano, e que quer chegar ao dobro, com a ajuda dos parceiros europeus.<\/p>\n<p>Um respons\u00e1vel do programa de drones do Pent\u00e1gono, citado pela <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/aerospace-defense\/pentagon-says-us-industry-still-years-matching-ukraines-wartime-output-2026-07-27\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Reuters<\/a>, calcula que s\u00f3 os FPV ucranianos cheguem a<strong> seis ou sete milh\u00f5es <\/strong>este ano. \u00c9 mais do que os Estados Unidos conseguem fazer.<\/p>\n<p>FPV \u00e9 a sigla inglesa de \u201c<strong>vis\u00e3o na primeira pessoa<\/strong>\u201c: o operador pilota o aparelho como se fosse a bordo, atrav\u00e9s de uma c\u00e2mara montada \u00e0 frente. Custa uma fra\u00e7\u00e3o de um m\u00edssil, leva normalmente explosivos e, quase sempre, fica destru\u00eddo no impacto.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2025, as tropas ucranianas receberam tr\u00eas milh\u00f5es destes drones. Em junho, o Minist\u00e9rio da Defesa <a href=\"https:\/\/mod.gov.ua\/en\/news\/95-of-drones-procured-for-the-defence-forces-are-ukrainian-made\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">dava conta<\/a> de que 95% dos que a sua ag\u00eancia compra j\u00e1 saem de f\u00e1bricas ucranianas.<\/p>\n<p>Os \u201colhos\u201d que encontram os alvos<\/p>\n<p>A guerra do AR3 \u00e9 outra: n\u00e3o vai contra um tanque ou trincheira. Fica no ar, durante horas, a vigiar uma \u00e1rea enorme: localiza posi\u00e7\u00f5es, segue movimentos, aponta coordenadas. \u00c9 o olho que encontra o alvo, que depois entrega aos \u201cdrones baratos\u201d, \u00e0 artilharia ou aos m\u00edsseis.<\/p>\n<p>A bordo, cabe quase tudo: c\u00e2maras de alta resolu\u00e7\u00e3o, sensores t\u00e9rmicos, radares, equipamento para apanhar as comunica\u00e7\u00f5es do inimigo. Descola sem pista e aguenta-se no ar mesmo quando o GPS e as liga\u00e7\u00f5es est\u00e3o a ser empastelados.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o mais recente, o <a href=\"https:\/\/www.tekever.com\/ar3-evo\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">AR3 EVO<\/a> em configura\u00e7\u00e3o convencional de asa fixa chega \u00e0s 22 horas de voo e mant\u00e9m liga\u00e7\u00e3o a 230 quil\u00f3metros, garante a Tekever.<\/p>\n<p>Estes drones s\u00e3o substancialmente mais caros, mas s\u00e3o normalmente reaproveitados, miss\u00e3o ap\u00f3s miss\u00e3o. N\u00e3o est\u00e3o a competir com os milh\u00f5es de FPV montados na Ucr\u00e2nia: s\u00e3o complementares.<\/p>\n<p>Nos contratos conhecidos, n\u00e3o \u00e9 Kiev que compra \u00e0 Tekever: as aquisi\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas pelo Reino Unido para entrega \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da invas\u00e3o, o Reino Unido j\u00e1 encomendou \u00e0 empresa cerca de 270 milh\u00f5es de libras (<strong>315 milh\u00f5es de euros<\/strong>) em drones para entregar aos ucranianos. Parte desse dinheiro vem de outros pa\u00edses, atrav\u00e9s de um fundo internacional montado para apoiar a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>A Tekever diz que o AR3 j\u00e1 passou das<strong> 10 mil horas de voo em combate<\/strong> na Ucr\u00e2nia e que a guerra obrigou a mais de cem altera\u00e7\u00f5es no aparelho.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o \u00e9 simples. De um lado, a quantidade e a rapidez ucranianas. Do outro, uma m\u00e1quina que n\u00e3o se improvisa numa f\u00e1brica montada \u00e0 pressa. N\u00e3o competem: <strong>fazem falta os dois<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tekever Plataforma AR3-EVO da Tekever Nenhum pa\u00eds fabrica tantos drones militares como a Ucr\u00e2nia, diz Volodymyr Zelenskyy. 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