{"id":477613,"date":"2026-08-07T04:08:49","date_gmt":"2026-08-07T04:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/477613\/"},"modified":"2026-08-07T04:08:49","modified_gmt":"2026-08-07T04:08:49","slug":"os-misterios-de-revolver-disco-dos-beatles-que-faz-60-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/477613\/","title":{"rendered":"Os mist\u00e9rios de Revolver, disco dos Beatles que faz 60 anos"},"content":{"rendered":"<p> <img width=\"1024\" height=\"677\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/the-beatles-1966-live-billboard-1548-1024x677.webp\" class=\"attachment-large size-large wp-post-image\" alt=\"Beatles em 1966\" decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\"  \/> Imagem: Billboard \/ Redferns<\/p>\n<p>No universo do quarteto de Liverpool, nada \u00e9 linear. Em outubro de 2022, por exemplo, o QG dos <a href=\"https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/o-dia-mundial-dos-beatles\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Beatles<\/strong> <\/a>colocou nas lojas virtuais e f\u00edsicas um box set com vers\u00f5es nunca ouvidas dos cl\u00e1ssicos do \u00e1lbum <strong>Revolver<\/strong>, que completa hoje (5\/08) 60 anos.\u00a0<\/p>\n<p>S\u00f3 para ser controversa, a Apple\/Universal Music pulou o ano de 2025 e decidiu anunciar a vers\u00e3o comemorativa de seis d\u00e9cadas de <strong>Rubber Soul<\/strong> para o final de 2026. Como at\u00e9 outubro ainda teremos muito tempo para falar de Rubber Soul, o Music Non Stop aproveitou esta data festiva para dissecar o LP que marcou o fim das turn\u00eas dos Fab Four, assim como o in\u00edcio das aventuras no est\u00fadio de <strong>John Lennon, <a href=\"https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/o-encontro-inusitado-dos-beatles-com-fas-em-liverpool\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Paul McCartney<\/a>, George Harrison e Ringo Starr<\/strong>.<\/p>\n<p><b>O citar m\u00e1gico de George Harrison<\/b><\/p>\n<p>Depois de estrear seu citar em <strong>Norwegian Wood<\/strong>, George Harrison expandiu os estudos sobre a m\u00fasica indiana em Revolver. Em <strong>Love You To<\/strong>, ele usa novamente o instrumento adquirido no ver\u00e3o ingl\u00eas de 1965 em uma pequena loja chamada <strong>Indiacraft<\/strong>, que ficava na Oxford Street, em Londres, entre Park Lane e Edgware Road.\u00a0<\/p>\n<p>O instrumento, ali\u00e1s, acabou sendo presenteado ao empres\u00e1rio Vere Drummond, propriet\u00e1rio de uma mans\u00e3o em Barbados, onde George e sua primeira mulher, Pattie Boyd, passaram sua lua-de-mel em 1966. Mais de 58 anos depois, o citar foi leiloado por US$ 66 mil pela Nate D. Sanders, em Los Angeles.<\/p>\n<p>Para dar os toques finais \u00e0 grava\u00e7\u00e3o que hoje conhecemos em <a href=\"https:\/\/www.abbeyroad.com\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Abbey Road<\/strong>,<\/a> George convocou um grupo de talentosos m\u00fasicos liderados por Ani Bhagwat em 13 de abril de 1966, para temperar a can\u00e7\u00e3o com as devidas especiarias \u2013 ou melhor \u2013 os instrumentos indianos apropriados.\u00a0Al\u00e9m do citar de George, ouvimos no arranjo uma tabla (instrumento de percuss\u00e3o), uma tamboura e outro citar. Cortesia do Asian Music Circle.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b> Why Did It Die: o nascimento de For No One<\/b><\/p>\n<p>Antes de iniciar as sess\u00f5es de Revolver em abril de 1966, Paul McCartney e sua ent\u00e3o noiva, <strong>Jane Asher<\/strong>, deixaram o Reino Unido no dia 3 de mar\u00e7o rumo \u00e0 Alemanha Ocidental, a bordo do Aston Martin DB6 de propriedade do beatle. Ap\u00f3s uma breve estadia no Hotel Storchen, em Rheinfelden, o casal decidiu esquiar na Su\u00ed\u00e7a, mais precisamente em um vilarejo pr\u00f3ximo a Klosters, situado a 200 quil\u00f4metros da cidade alem\u00e3. Seria neste aconchegante esconderijo que Paul McCartney viria a compor o embri\u00e3o de For No One. Originalmente criada com o nome de Why Did It Die?, a m\u00fasica foi elaborada com os seguintes versos:<\/p>\n<p>Why did it die? \/ You\u2019d like to know \/ Cry \u2013 and blame her<\/p>\n<p>Why did it die? \/ I\u2019d like to know \/ Try \u2013 to save it<\/p>\n<p>Aparentemente, pelo tom da letra composta no chal\u00e9 montanh\u00eas, Paul e Jane j\u00e1 n\u00e3o eram mais aquele casal ideal. \u201cSuspeito que (For No One) foi escrita sobre uma discuss\u00e3o que (eu e Jane Asher) tivemos. Francamente, nunca experimentei relacionamentos f\u00e1ceis com as mulheres. Geralmente, sou bastante franco\u201d,\u00a0comentou Paul.\u00a0<\/p>\n<p><b>O livro Tibetano dos Mortos<\/b><\/p>\n<p>Com uma boa ajuda de Paul McCartney, a Indica Book Store foi inaugurada em mar\u00e7o de 1966 na Mason\u2019s Yard, em Londres, com a miss\u00e3o de introduzir os principais atores do cen\u00e1rio cultural Ingl\u00eas a um universo pop alternativo.\u00a0O empreendimento (idealizado por Barry Miles, Peter Asher (irm\u00e3o de Jane) e John Dunbar cumpriu seu prop\u00f3sito bem no in\u00edcio das atividades da livraria. Foi exatamente em 1 de abril daquele ano que John Lennon sentiria-se atra\u00eddo pelo intrigante t\u00edtulo A Experi\u00eancia Psicod\u00e9lica: Um Manual baseado no<strong> Livro Tibetano dos Mortos<\/strong> \u2013 por <strong>Timothy Leary, Richard Alpert e Ralph Metzne<\/strong>r. Ao folhear o livro, Lennon sacou sua carteira e levou a obra para sua casa em Weybridge. Menos de 5 dias depois, nasceria a m\u00fasica conhecida como Tomorrow Never Knows. Al\u00e9m de explorar os recursos do livro psicod\u00e9lico, John deixou bem claro que a origem da letra havia sido o LSD.<\/p>\n<p>\u201cWhen in doubt, relax, turn off your mind, float downstream.\u201d<\/p>\n<p>\u201cLeary (Timothy) era quem falava \u201cTomem, tomem, tomem\u201d. E n\u00f3s seguimos as instru\u00e7\u00f5es do livro dele, \u201cComo fazer uma viagem\u201d. Eu fiz exatamente como ele dizia no livro, e a\u00ed escrevi Tomorrow Never Knows, que foi quase a primeira m\u00fasica sobre \u00e1cido: \u201cAbandone todos os pensamentos, renda-se ao vazio\u201d, e toda aquela baboseira que o Leary tinha roubado do Livro dos Mortos\u201d \u2013\u00a0John Lennon, \u00e0 revista Playboy (1980).<\/p>\n<p><b>Daisy Hawkins, Ola Na Tungee ou Eleanor Rigby?<\/b><\/p>\n<p><b\/>Quando Yesterday apareceu em Help!, os f\u00e3s mais radicais dos Beatles estranharam que apenas um integrante do quarteto fora creditado como m\u00fasico na grava\u00e7\u00e3o, cantando e tocando o seu viol\u00e3o 1964 Epiphone FT-79 Texan.\u00a0Em Revolver, as forma\u00e7\u00f5es passaram a ser ainda mais incomuns e ousadas. Desta vez, nenhum dos Beatles seria creditado como instrumentista em pelo menos uma das faixas do disco: a misteriosa <strong>Eleanor Rigby<\/strong>.\u00a0Quest\u00f5es t\u00e9cnicas \u00e0 parte, o mais interessante sobre a soturna composi\u00e7\u00e3o idealizada por Paul se refere \u00e0s poss\u00edveis origens de seu nome.\u00a0A primeira delas \u00e9 a mais bizarra. O bi\u00f3grafo <strong>Barry Miles<\/strong> conta em Many Years From Now que o primeiro t\u00edtulo experimental de Eleanor Rigby foi Ola Na Tungee. Ap\u00f3s observar Paul compor a melodia ao piano, o amigo (e cantor-compositor escoc\u00eas) Donovan revelou que ele teria usado tal uni\u00e3o sil\u00e1bica, com sabor indiano, como base para relembrar como seria a cad\u00eancia da m\u00fasica:<\/p>\n<p>\u201cOla Na Tungee\/ blowing his mind\/ in the dark\/ with a pipe\/ full of clay\u201d<\/p>\n<p><b>Daisy Hawkins em cena<\/b><\/p>\n<p>O \u201carranjo oriental\u201d n\u00e3o sobreviveu por muito tempo, como o pr\u00f3prio Paul contaria ao jornalista Hunter Davies em agosto de 1966. \u201cEstava com um nome na minha cabe\u00e7a\u2026\u2019Daisy Hawkins recolhe o arroz na igreja depois de um casamento\u2019\u2026. Mantive isso enquanto n\u00e3o achava um t\u00edtulo mais apropriado\u201d.<\/p>\n<p>E esse t\u00edtulo \u201capropriado\u201d tamb\u00e9m passaria por diversas muta\u00e7\u00f5es.\u00a0Eleanor, por exemplo, pode ter sido inspirado pela atriz <strong>Eleanor Bron<\/strong>, principal coadjuvante no filme Help! (1965). J\u00e1 o sobrenome fict\u00edcio Rigby \u00e9 quase uma certeza. Rigby &amp; Evans \u00e9 uma famosa loja de vinhos (hoje extinta), localizada em Bristol, cidade inglesa onde Jane Asher atuava pela companhia teatral Old Vic. Tudo resolvido? Mesmo com todas as pistas e provas apresentadas, algo ainda mais surpreendente pode derrubar todas as teorias a respeito da origem da can\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Nos anos 1980, uma l\u00e1pide encontrada no cemit\u00e9rio da Par\u00f3quia de St. Parish, em Woolton (regi\u00e3o de Liverpool onde Paul conheceu John Lennon) se transformou na principal evid\u00eancia de uma \u201cEleanor Rigby da vida real\u201d. No t\u00famulo, descobrimos inclusive sua data de \u00f3bito: 10 de outubro de 1939, aos 44 anos de idade.\u00a0<\/p>\n<p>All the lonely people where do they all come from?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65759\" class=\"size-medium wp-image-65759\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eleanor-rigby-died-in-the-church-and-was-buried-along-with-v0-tgb1vq747npb1-300x400.webp\" alt=\"T\u00famulo da Eleanor Rigby &quot;real&quot;\" width=\"300\" height=\"400\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-65759\" class=\"wp-caption-text\">imagem: reprodu\u00e7\u00e3o Reddit.<\/p>\n<p><b>O que seria Laxton\u2019s Superb?<\/b><\/p>\n<p>Em Rubber Soul \u2013 acredite se quiser \u2013 os Beatles trabalharam sob press\u00e3o da gravadora <strong>EMI\/Parlophone<\/strong> para entregar todo o material a tempo de atender o per\u00edodo de compras de Natal. Ao todo, o quarteto finalizou 14 m\u00fasicas in\u00e9ditas gravadas em duas semanas, al\u00e9m do single We Can Work It Out\/Day Tripper que n\u00e3o fez parte do LP. Com Revolver, a corrida n\u00e3o foi t\u00e3o intensa assim, mas I Want To Tell You foi uma das can\u00e7\u00f5es que chegou de \u00faltima hora para completar os dois lados do LP.\u00a0Originalmente batizada como Laxton\u2019s Superb (um tipo de ma\u00e7\u00e3 inglesa) George Harrison s\u00f3 escolheu o nome definitivo de sua cria durante a mixagem, seguindo o exemplo de Love You To, tamb\u00e9m apelidada com o nome da fruta (no caso, uma ma\u00e7\u00e3 verdinha chamada Granny Smith).<\/p>\n<p>\u201cA can\u00e7\u00e3o fala sobre a dificuldade de se comunicar usando apenas palavras. Eu sabia tamb\u00e9m que os acordes que eu conhecia n\u00e3o seriam capazes de transmitir essa mensagem. Por isso, fiz v\u00e1rias tentativas at\u00e9 encontrar um som dissonante (E7\/F) no piano. Tenho muito orgulho desse arranjo, porque eu praticamente inventei esse acorde\u201d, disse Harrison \u00e0 Guitar World (1992)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/author\/claudio\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Claudio Dirani\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/claudio-dirani-150x150.jpeg\" class=\"lazy avatar avatar-96 photo\" height=\"96\" width=\"96\"\/> <\/a><\/p>\n<p class=\"author-name\"><a href=\"https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/author\/claudio\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Claudio Dirani<\/a><\/p>\n<p class=\"author-description\">Claudio D.Dirani \u00e9 jornalista com mais de 25 anos de palcos e autor de MASTERS: Paul McCartney em discos e can\u00e7\u00f5es e Na Rota da BR-U2.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Imagem: Billboard \/ Redferns No universo do quarteto de Liverpool, nada \u00e9 linear. 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