{"id":478993,"date":"2026-08-08T08:13:10","date_gmt":"2026-08-08T08:13:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/478993\/"},"modified":"2026-08-08T08:13:10","modified_gmt":"2026-08-08T08:13:10","slug":"o-que-acontece-com-o-cerebro-de-um-homem-que-vira-pai-08-08-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/478993\/","title":{"rendered":"O que acontece com o c\u00e9rebro de um homem que vira pai &#8211; 08\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Em 2024, um estudo foi publicado na revista Nature, refer\u00eancia nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas, com um raro mapeamento. Os cientistas encabe\u00e7ados por Laura Pritschet acompanharam uma mulher antes, durante e dois anos depois da gesta\u00e7\u00e3o. Esse processo incluiu mais de 20 resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas num estudo que indicou <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/09\/estudo-mostra-como-o-cerebro-da-mulher-se-reorganiza-durante-a-gravidez.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">os impactos da gravidez no c\u00e9rebro das mulheres<\/a>.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo foram que a gesta\u00e7\u00e3o de fato muda a composi\u00e7\u00e3o cerebral das mulheres, com uma poda sin\u00e1ptica que afina as habilidades de cuidado. O volume da massa cinzenta pode diminuir cerca de 4%. A mudan\u00e7a coincide com aumentos nos n\u00edveis de estradiol e progesterona.<\/p>\n<p>Os estudos sobre as mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas da maternidade s\u00e3o importantes, mas, para a neurocientista americana Darby Saxbe, n\u00e3o contam a hist\u00f3ria completa. \u00c9 por isso que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ela se debru\u00e7a sobre o outro lado dessa equa\u00e7\u00e3o: os pais.<\/p>\n<p>Professora de psicologia da University of Southern California, a USC, ela procurou entender se os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/08\/como-a-paternidade-muda-o-cerebro-masculino.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">homens tamb\u00e9m sofrem mudan\u00e7as neurol\u00f3gicas com a paternidade<\/a>. Sem que uma gesta\u00e7\u00e3o dispare uma mudan\u00e7a hormonal, a hip\u00f3tese de Saxbe \u00e9 que o cuidado na pr\u00e1tica \u00e9 o que transforma o c\u00e9rebro dos homens.<\/p>\n<p>As d\u00e9cadas de pesquisa no tema deram origem ao livro &#8220;O C\u00e9rebro do Pai&#8221;, que chega ao Brasil pela HarperCollins em setembro.<\/p>\n<p>Saxbe \u00e9 uma defensora da ideia de que a paternidade, diferentemente da maternidade, \u00e9 constru\u00edda de uma forma mais social do que f\u00edsica. &#8220;Alguns homens causam uma gravidez e depois nunca mais veem a m\u00e3e, e, portanto, nunca chegam nem a conhecer o pr\u00f3prio beb\u00ea. Apenas causar uma gravidez n\u00e3o seria suficiente para mudar horm\u00f4nios ou o c\u00e9rebro&#8221;, diz em entrevista por videoconfer\u00eancia \u00e0 <strong>Folha<\/strong>.<\/p>\n<p>A neurocientista diz acreditar que, num cen\u00e1rio de ressurgimento da ideia de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2024\/01\/na-geracao-z-mulheres-sao-mais-progressistas-e-homens-mais-conservadores.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pap\u00e9is tradicionais de g\u00eanero<\/a>, a paternidade pode oferecer um modelo de masculinidade mais saud\u00e1vel e interessante para os homens.<\/p>\n<p><strong>Fiquei bastante curiosa para entender melhor por que a senhora acredita que a ci\u00eancia ignorou a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/paternidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">paternidade<\/a> por tanto tempo enquanto dedicou muito tempo e recursos ao estudo da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/maternidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">maternidade<\/a>? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nIsso vai na contram\u00e3o do que sabemos sobre as ci\u00eancias biom\u00e9dicas, que colocam o foco em corpos e experi\u00eancias masculinas, porque muitos cientistas foram homens. Acho que isso refletiu o entendimento cultural de que o cuidado infantil \u00e9, principalmente, trabalho feminino.<\/p>\n<p>Nas culturas ocidentalizadas e industrializadas, o trabalho foi feito por cientistas homens que tinham esposas donas de casa que faziam a maior parte dos cuidados. Essa suposi\u00e7\u00e3o acaba sendo incorporada \u00e0 pesquisa. S\u00f3 depois que as mulheres come\u00e7aram a fazer algumas dessas perguntas \u00e9 que esse ponto cego em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paternidade foi desafiado.<\/p>\n<p>E tanto mulheres que talvez tenham amigos ou parceiros mais envolvidos na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, quanto homens que s\u00e3o eles mesmos pais envolvidos, estiveram \u00e0 frente desse novo campo de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>E o que a senhora acha que mudou para direcionar o foco ao estudo da paternidade? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nParte disso \u00e9 que agora temos ferramentas melhores para olhar dentro do c\u00e9rebro e para os horm\u00f4nios. Isso impulsionou muito o campo de pesquisa do c\u00e9rebro parental de modo geral. Mas acho que tamb\u00e9m tem a ver com o fato de que o papel dos pais mudou na sociedade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o sabemos que o envolvimento dos homens no cuidado infantil di\u00e1rio e pr\u00e1tico aumentou dramaticamente na segunda metade do s\u00e9culo passado. E parte disso foi influenciada pela entrada das mulheres no mercado de trabalho remunerado. Parece que a pesquisa \u00e0s vezes fica atr\u00e1s da cultura, mas finalmente isso \u00e9 refletido na pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Sabemos h\u00e1 um tempo que a gravidez e o cuidado mudam significativamente o c\u00e9rebro das mulheres e que os horm\u00f4nios t\u00eam um papel importante nisso tudo. No caso dos pais, existe a possibilidade de que o pr\u00f3prio ato de cuidar seja o principal fator de mudan\u00e7a? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nSim, acho que \u00e9 uma bela ilustra\u00e7\u00e3o da plasticidade dependente da experi\u00eancia: \u00e0 medida que os homens passam mais tempo com seus beb\u00eas vemos uma mudan\u00e7a mais profunda. O que nos mostra que \u00e9 essa pr\u00e1tica, esse tempo e esse investimento que est\u00e3o sendo refletidos no c\u00e9rebro. E vemos em nossos estudos que o tempo de cuidado dos pais e suas motiva\u00e7\u00f5es para cuidar s\u00e3o preditores da magnitude da mudan\u00e7a em seus c\u00e9rebros.<\/p>\n<p><strong>Sabemos que o tamanho de partes espec\u00edficas do c\u00e9rebro das m\u00e3es muda bastante. O que \u00e9 diferente entre as mudan\u00e7as no c\u00e9rebro das m\u00e3es e no c\u00e9rebro dos pais?<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nExistem algumas mudan\u00e7as semelhantes, mas nos pais elas s\u00e3o de menor magnitude, mais vari\u00e1veis e mais sutis. O c\u00e9rebro perde um pouco de volume de massa cinzenta. E, com isso, ele fica podado de uma forma que ajuda a funcionar de modo mais eficiente. E \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo tanto no c\u00e9rebro da m\u00e3e quanto no c\u00e9rebro do pai. A dire\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a \u00e9 a mesma, \u00e9 uma perda de volume.<\/p>\n<p>Tanto em m\u00e3es quanto em pais, vemos grandes mudan\u00e7as no que chamamos de rede de mentaliza\u00e7\u00e3o, que nos ajuda a imaginar as motiva\u00e7\u00f5es das outras pessoas. Tamb\u00e9m vemos mudan\u00e7as na rede visual, o que faz sentido porque estamos atentos \u00e0s express\u00f5es faciais e gestos do nosso beb\u00ea. O que \u00e9 um pouco diferente \u00e9 que, nas m\u00e3es, tamb\u00e9m vemos mudan\u00e7as no subc\u00f3rtex do c\u00e9rebro, que \u00e9 a parte do c\u00e9rebro mais moldada por horm\u00f4nios e que se considera que impulsiona sensa\u00e7\u00f5es viscerais, como medo e recompensa. N\u00e3o vimos mudan\u00e7as nessa parte do c\u00e9rebro dos pais.<\/p>\n<p>E, nas m\u00e3es, as mudan\u00e7as em todo o c\u00e9rebro foram t\u00e3o profundas que se voc\u00ea colocar imagens de c\u00e9rebros de mulheres com e sem filhos num mecanismo de intelig\u00eancia artificial, ele poderia identificar facilmente as m\u00e3es.<\/p>\n<p>E, nos pais, o c\u00e9rebro de alguns encolheu um pouco, o volume de outros aumentou um pouco. Isso est\u00e1 muito mais ligado ao tempo e \u00e0 experi\u00eancia deles na paternidade.<\/p>\n<p><strong>As mudan\u00e7as acontecem em todos os pais ou s\u00f3 naqueles que est\u00e3o ativamente envolvidos no cuidado dos filhos? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nEssa \u00e9 uma das coisas que \u00e9 um pouco \u00fanica para os pais. Alguns homens causam uma gravidez e depois nunca mais veem a m\u00e3e. Portanto, nunca chegam nem a conhecer o pr\u00f3prio beb\u00ea. Apenas causar uma gravidez n\u00e3o seria suficiente para mudar horm\u00f4nios ou o c\u00e9rebro do homem. N\u00e3o \u00e9 apenas se voc\u00ea \u00e9 o pai biol\u00f3gico, \u00e9 se voc\u00ea est\u00e1 participando desse cuidado intensivo e repetitivo que os beb\u00eas exigem.<\/p>\n<p><strong>Sabemos que os horm\u00f4nios da gesta\u00e7\u00e3o e todas as mudan\u00e7as no corpo nas mulheres t\u00eam um grande impacto na percep\u00e7\u00e3o da maternidade. Mas fiquei curiosa se e como o processo da gravidez e toda a tecnologia que agora temos, por exemplo, o ultrassom em 3D, pode afetar a forma\u00e7\u00e3o de um pai. <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nDefendo no livro que as m\u00e3es sentem que conheceram o beb\u00ea ao longo de um per\u00edodo de v\u00e1rios meses na gesta\u00e7\u00e3o, enquanto o pai est\u00e1 realmente apenas conhecendo o beb\u00ea pela primeira vez quando o parto acontece. Ele corre atr\u00e1s para se atualizar, mas pode sentir que est\u00e1 atrasado. Isso cria alguns desafios tanto para as m\u00e3es quanto para os pais.<\/p>\n<p>Mas existe mais tecnologia que permite que os pais se sintam conectados. Eu falo no livro sobre um estudo de ultrassom em 3D em que fizeram pais praticarem intera\u00e7\u00e3o com o beb\u00ea antes do nascimento, e descobriram que isso aumentou a sensibilidade paterna. Eu realmente acho que existe um limite de quanto se pode conseguir s\u00f3 de ver uma fotografia ou at\u00e9 mesmo um v\u00eddeo.<\/p>\n<p>No fundo, somos mam\u00edferos, respondemos ao toque e ao cheiro. Na gravidez, a m\u00e3e sente o beb\u00ea chutar. Esse tipo de experi\u00eancia corporificada \u00e9 mais dif\u00edcil de conseguir para os homens, mesmo com muita tecnologia.<\/p>\n<p>Mas com certeza a cultura, a tecnologia, as narrativas e os pais compartilhando experi\u00eancias, e os pais estarem conectados com suas parceiras, tudo isso ajuda bastante.<\/p>\n<p><strong>A senhora tamb\u00e9m fala um pouco no livro sobre <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/depressao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">depress\u00e3o<\/a> p\u00f3s-parto e como ela tamb\u00e9m pode afetar os homens. Sinto que existe um certo tabu em rela\u00e7\u00e3o a esse assunto. A senhora acha que a paternidade \u00e9 um fator de risco para a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude-mental\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade mental<\/a> dos homens? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nIsso tem sido controverso. Houve uma rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria vinda das m\u00e3es, o que para mim \u00e9 bem compreens\u00edvel, porque elas est\u00e3o dizendo: lutamos tanto para defender a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> mental materna, e ela foi t\u00e3o ignorada por tanto tempo. Os m\u00e9dicos n\u00e3o nos levaram a s\u00e9rio. Finalmente temos esse reconhecimento, e agora todos esses homens est\u00e3o vindo reclamar das experi\u00eancias deles.<\/p>\n<p>Eu entendo essa rea\u00e7\u00e3o, mas realmente acho que existem muitos fatores de risco compartilhados em torno da transi\u00e7\u00e3o para a paternidade\/maternidade, o que significa que os desafios n\u00e3o s\u00e3o exclusivos das m\u00e3es.<\/p>\n<p>Com certeza as m\u00e3es est\u00e3o passando por uma experi\u00eancia hormonal e biol\u00f3gica diferente, mas, muitas das partes que podem estar ligadas \u00e0 depress\u00e3o p\u00f3s-parto, como se preocupar com as finan\u00e7as ou com a moradia, ou com o papel social e sentir que sua identidade est\u00e1 mudando, perder sono e estar exausto pelas demandas do cuidado, s\u00e3o compartilhadas.<\/p>\n<p>Se os pais est\u00e3o envolvidos ativamente como cuidadores, eles v\u00e3o ter todos os mesmos sentimentos e experi\u00eancias. Existem esses fatores de risco. Para responder \u00e0 sua pergunta de forma mais ampla, eu diria que nem sempre a paternidade \u00e9 fator de risco para depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A paternidade pode ser ben\u00e9fica para a sa\u00fade mental dos homens. Os homens tamb\u00e9m podem ganhar um senso maior de prop\u00f3sito e conex\u00e3o. E tudo isso \u00e9 protetor para a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 ideia do tabu social em torno disso, a senhora acha que parte dessa rea\u00e7\u00e3o pode ter algo a ver com o fato de que a paternidade e o cuidado est\u00e3o distantes dessa ideia de masculinidade que temos nas sociedades ocidentais? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n\u00c9 interessante porque, de certa forma, os homens est\u00e3o participando muito mais do cuidado infantil di\u00e1rio, e, por outro lado, temos esse ressurgimento de pap\u00e9is de g\u00eanero neotradicionais. Nos <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a>, o governo Trump tem essa no\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/12\/entenda-o-que-e-a-chamada-masculinidade-toxica.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">masculinidade<\/a>. Por isso acho que pode ser desafiador para homens que talvez se sintam desconfort\u00e1veis em assumir um papel de cuidador principal, confortar um beb\u00ea, tirar um tempo do trabalho para se dedicar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>Tudo isso pode desafiar nossas suposi\u00e7\u00f5es sobre o que significa ser m\u00e1sculo. Acho que temos essa estrutura cultural de que ser m\u00e1sculo \u00e9 ser forte, nunca admitir vulnerabilidade, ser dur\u00e3o, ser feroz, ser agressivo, ser um provedor muito bem-sucedido que ganha muito dinheiro. Essas coisas podem entrar em conflito com a no\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m cuja prioridade \u00e9 cuidar de crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n<p>Eu argumento no livro que existe uma vers\u00e3o positiva de masculinidade que \u00e9 realmente sobre proteger, proteger os vulner\u00e1veis, cuidar dos jovens, ensinar, liderar, como um l\u00edder comunit\u00e1rio. Existe a necessidade de um reenquadramento para ajudar os homens a sentir que isso pode ser congruente com os ideais de masculinidade deles.<\/p>\n<p><strong>A paternidade pode potencialmente reduzir os n\u00edveis de testosterona. E esse \u00e9 um horm\u00f4nio muito fortemente associado a essa ideia de masculinidade agressiva que est\u00e1 tendo esse retorno estranho. <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nExiste um verdadeiro fasc\u00ednio pela <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/07\/mais-testosterona-nao-faz-de-alguem-um-melhor-soldado-nem-um-homem-mais-forte.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">testosterona <\/a>agora. E existe esse entendimento simplificado de que testosterona \u00e9 igual \u00e0 masculinidade. Na verdade, os homens t\u00eam n\u00edveis variados de testosterona que deveriam estar se adaptando e se ajustando aos seus diferentes objetivos ao longo da vida. Voc\u00ea precisa de testosterona alta em certos contextos, mas n\u00e3o quer manter uma testosterona muito alta ao longo de toda a sua vida. Isso pode comprometer seu humor, seu funcionamento imunol\u00f3gico, seu funcionamento card\u00edaco. Ironicamente, tamb\u00e9m pode diminuir sua contagem de espermatozoides.<\/p>\n<p>Esse fasc\u00ednio pela testosterona reflete talvez um entendimento prec\u00e1rio sobre horm\u00f4nios. Esse \u00e9 um horm\u00f4nio imperfeitamente correlacionado com o comportamento. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como se fosse igual \u00e0 agress\u00e3o, mas pode impulsionar comportamentos mais agressivos em certas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>No livro, a senhora menciona a import\u00e2ncia da licen\u00e7a-paternidade. A senhora acha que, para um homem, mergulhar na paternidade pode ser uma forma de construir uma vis\u00e3o mais saud\u00e1vel de masculinidade? <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nEu realmente acho que um homem pode ter muito poder e trazer muito valor para o mundo por meio do seu papel paterno. No livro, falo um pouco sobre as estruturas que temos em torno da pol\u00edtica, da religi\u00e3o e da cultura, de que a ideia do papel do pai \u00e9 muito importante ao longo da nossa hist\u00f3ria cultural.<\/p>\n<p>O argumento que estou tentando fazer \u00e9 que, quando os pais est\u00e3o envolvidos no cuidado, isso beneficia as crian\u00e7as, pode beneficiar as m\u00e3es, e tamb\u00e9m pode ser ben\u00e9fico para os pr\u00f3prios homens. Quando voc\u00ea olha para o senso de prop\u00f3sito deles, quando voc\u00ea olha para o senso de integra\u00e7\u00e3o social deles. Se voc\u00ea perguntar aos homens: Quais s\u00e3o as coisas mais importantes na sua vida? Com o que voc\u00eas se importam mais? Onde voc\u00eas sentem que t\u00eam um senso de legado? Frequentemente eles v\u00e3o falar sobre seus relacionamentos e v\u00e3o falar sobre seus filhos.<\/p>\n<p>Acho que podemos realmente celebrar isso pensando em como investir em pol\u00edticas que realmente apoiem os homens a se posicionarem como pais. Vejo nisso uma posi\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3-masculina, mas pr\u00f3-masculina de uma forma que permita aos homens talvez ter uma vida plena, rica e mais complexa.<\/p>\n<p>    Todas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Discuss\u00f5es, not\u00edcias e reflex\u00f5es pensadas para mulheres<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2024, um estudo foi publicado na revista Nature, refer\u00eancia nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas, com um raro mapeamento. 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