{"id":479497,"date":"2026-08-08T18:02:25","date_gmt":"2026-08-08T18:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/479497\/"},"modified":"2026-08-08T18:02:25","modified_gmt":"2026-08-08T18:02:25","slug":"a-geoengenharia-no-artico-funciona-a-experiencia-historica-que-aumentou-a-espessura-do-gelo-em-32-cm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/479497\/","title":{"rendered":"A geoengenharia no \u00c1rtico funciona: a experi\u00eancia hist\u00f3rica que aumentou a espessura do gelo em 32 cm"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/la-geoingenieria-en-el-artico-funciona-el-historico-experimento-que-engroso-el-hielo-32-cm-178464545.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"A experi\u00eancia procurava uma forma de mitigar os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.\" title=\"geoingenieria\" data-image=\"oe7pgo35tdss\"\/>A experi\u00eancia procurava uma forma de mitigar os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1786212145_381_cindy-fernandez.jpg\" alt=\"Cindy Fern\u00e1ndez\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/cindy-fernandez\/\" title=\"Cindy Fern\u00e1ndez\" data-mrf-recirculation=\"pre_article_author\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cindy Fern\u00e1ndez<\/a> Meteored Argentina       08\/08\/2026 15:28   6 min    <\/p>\n<p>O gelo marinho do \u00c1rtico tem vindo a diminuir h\u00e1 d\u00e9cadas e os modelos clim\u00e1ticos indicam que poder\u00e1 desaparecer quase por completo durante os ver\u00f5es, ainda antes de meados do s\u00e9culo. Enquanto o mundo tenta reduzir as emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa, alguns cientistas exploram e questionam-se: <strong>ser\u00e1 poss\u00edvel proteger diretamente o gelo<\/strong> para ganhar tempo face ao aquecimento global?<\/p>\n<p>Um estudo publicado na revista Earth&#8217;s Future apresenta agora<strong> a primeira evid\u00eancia <\/strong>obtida em condi\u00e7\u00f5es reais de que uma t\u00e9cnica proposta h\u00e1 anos pode funcionar.<\/p>\n<p>Durante o inverno de 2024-2025, uma equipa internacional realizou uma experi\u00eancia em Cambridge Bay, no \u00c1rtico canadiano, onde <strong>inundou setores do gelo marinho com \u00e1gua<\/strong> bombeada do oceano. No final da \u00e9poca, as zonas tratadas apresentavam at\u00e9 32 cent\u00edmetros a mais de espessura do que aquelas onde n\u00e3o foi realizada qualquer interven\u00e7\u00e3o, uma diferen\u00e7a equivalente ao afinamento registado nessa regi\u00e3o nos \u00faltimos 50 anos.<\/p>\n<p>Por que \u00e9 que deitar \u00e1gua sobre o gelo pode torn\u00e1-lo mais resistente?<\/p>\n<p>A ideia parece contradit\u00f3ria, mas tem uma <strong>explica\u00e7\u00e3o f\u00edsica<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando o oceano come\u00e7a a congelar durante o outono, o gelo aumenta gradualmente de espessura \u00e0 medida que perde calor para a atmosfera. No entanto, <strong>a neve que cai sobre a sua superf\u00edcie atua como um isolante<\/strong>, semelhante ao de uma casa, reduzindo a perda de calor e travando o crescimento do gelo.<\/p>\n<p>Os investigadores aproveitaram esse mecanismo.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\">\n<p lang=\"en\" dir=\"ltr\">A savage summer of heat in the Arctic has taken 2020 to the second lowest sea ice extent on record.<\/p>\n<p>The summer 2020 melt season has been summarised in a few seconds. The orange line is the long term average.<\/p>\n<p>In short, we have lost an enormous amount of ice.<\/p>\n<p>[1\/5] <a href=\"https:\/\/t.co\/GT0O570IPt\" rel=\"nofollow\">pic.twitter.com\/GT0O570IPt<\/a><\/p>\n<p>\u2014 Scott Duncan (@ScottDuncanWX) <a href=\"https:\/\/x.com\/ScottDuncanWX\/status\/1303007202702168068?ref_src=twsrc%5Etfw\" rel=\"nofollow\">September 7, 2020<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Em vez de removerem a neve, bombearam \u00e1gua do mar sobre o gelo. A \u00e1gua encharcou a camada de neve e congelou rapidamente, <strong>formando uma nova camada s\u00f3lida<\/strong>. Ao mesmo tempo, essa transforma\u00e7\u00e3o permitiu que o frio penetrasse com maior facilidade e favorecesse um crescimento adicional a partir da parte inferior do gelo.<\/p>\n<p>Para verificar se a t\u00e9cnica funcionava, a equipa transformou um quil\u00f3metro quadrado de gelo marinho num <strong>laborat\u00f3rio ao ar livre<\/strong>. Dividiram a \u00e1rea em onze setores: alguns permaneceram intactos e outros foram alvo de uma ou duas inunda\u00e7\u00f5es em diferentes momentos do inverno. No total, bombearam cerca de 30 000 metros c\u00fabicos de \u00e1gua do mar e, em seguida, realizaram mais de mil medi\u00e7\u00f5es da espessura do gelo, al\u00e9m de observa\u00e7\u00f5es com drones, sensores e sat\u00e9lites.<\/p>\n<p>Os resultados confirmaram que as parcelas inundadas duas vezes alcan\u00e7aram o maior crescimento, com <strong>aumentos entre 30 e 32 cent\u00edmetros<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s zonas de controlo.<\/p>\n<p>Um efeito inesperado: o gelo tamb\u00e9m ficou mais brilhante<\/p>\n<p>O aumento da espessura era o principal objetivo da experi\u00eancia. No entanto, <strong>surgiu outro resultado<\/strong> que surpreendeu os investigadores.<\/p>\n<p>Durante a primavera, o gelo tratado permaneceu muito mais branco do que o gelo natural.<\/p>\n<p><strong>Essa mudan\u00e7a implica um aumento do albedo, ou seja, da capacidade de refletir a radia\u00e7\u00e3o solar para o espa\u00e7o. Quanto maior for essa refletividade, menor \u00e9 a energia absorvida e mais lentamente come\u00e7a o degelo.<\/strong><\/p>\n<p>As imagens obtidas com drones e sat\u00e9lites mostraram que <strong>as zonas tratadas destacavam-se claramente pelo seu maior brilho<\/strong>, um efeito que os modelos utilizados at\u00e9 agora nem sequer contemplavam. Os autores acreditam que o novo gelo possa conter uma estrutura interna diferente, com pequenas bolhas de ar capazes de dispersar melhor a luz, embora ainda seja necess\u00e1rio investigar esse mecanismo.<\/p>\n<p>A equipa tamb\u00e9m<strong> testou uma segunda estrat\u00e9gia<\/strong>. Quando o degelo primaveril come\u00e7a, a \u00e1gua costuma acumular-se em po\u00e7as na superf\u00edcie do gelo. Como essas po\u00e7as s\u00e3o muito mais escuras, absorvem mais radia\u00e7\u00e3o solar e aceleram a fus\u00e3o. Os investigadores perfuraram pequenos orif\u00edcios para drenar parte dessa \u00e1gua e verificaram que, em poucos dias, a superf\u00edcie recuperou grande parte do seu brilho.<\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/actualidade\/especialistas-inspecionam-pela-primeira-vez-o-gelo-glaciar-do-monte-ararat-onde-noe-atracou-apos-o-diluvio-universal.html\" title=\"Especialistas inspecionam pela primeira vez o gelo glaciar do Monte Ararat, onde No\u00e9 atracou ap\u00f3s o Dil\u00favio Universal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/especialistas-inspecionam-pela-primeira-vez-o-gelo-glaciar-do-monte-ararat-onde-noe-atracou-apos-o-d.jpeg\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p>Mesmo assim, os pr\u00f3prios autores mostram-se cautelosos. <strong>O estudo demonstra que a t\u00e9cnica funciona em pequena escala<\/strong>, mas ainda h\u00e1 quest\u00f5es importantes a esclarecer antes de se pensar numa aplica\u00e7\u00e3o mais ampla. Ser\u00e1 necess\u00e1rio avaliar os seus custos, a enorme complexidade log\u00edstica de intervir em grandes superf\u00edcies e, acima de tudo, os seus poss\u00edveis impactos nos ecossistemas \u00e1rticos e nas comunidades que dependem do gelo marinho.<\/p>\n<p>Longe de se apresentar como uma alternativa \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, os investigadores defendem que este tipo de interven\u00e7\u00f5es s\u00f3 poder\u00e1 tornar-se, no futuro, <strong>uma ferramenta complementar para conservar zonas especialmente vulner\u00e1veis<\/strong>. O que esta experi\u00eancia realmente muda \u00e9 que, pela primeira vez, uma ideia que at\u00e9 agora s\u00f3 existia em simula\u00e7\u00f5es por computador demonstrou funcionar no mundo real.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia da not\u00edcia<\/p>\n<p class=\"article-reference__body\">Blanchard-Wrigglesworth, E., Ceccolini, A., Smith, A., Woods, A., Sherwin, C., Borowski, K., et al. (2026). <a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2025EF007894\" target=\"_blank\" data-mrf-recirculation=\"end_article_citation\" rel=\"nofollow noopener\">Artificial flooding leads to thicker and brighter Arctic sea ice<\/a>.<\/p>\n<p> <script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A experi\u00eancia procurava uma forma de mitigar os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. 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