{"id":480799,"date":"2026-08-09T20:43:13","date_gmt":"2026-08-09T20:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/480799\/"},"modified":"2026-08-09T20:43:13","modified_gmt":"2026-08-09T20:43:13","slug":"ia-ja-desenha-virus-que-nao-havia-na-natureza-abriu-se-a-caixa-de-pandora-da-biosseguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/480799\/","title":{"rendered":"IA j\u00e1 desenha v\u00edrus que n\u00e3o havia na natureza. Abriu-se a Caixa de Pandora da biosseguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Samuel H. King et al. \/ Science<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-758986 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/e4da3b7fbbce2345d7772b0674a318d5-5-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Imagem 3D de um dos v\u00edrus desenhados pelo Evo<\/p>\n<p><strong>Um novo estudo mostra que uma intelig\u00eancia artificial semelhante ao ChatGPT \u00e9 capaz de estudar a \u201cgram\u00e1tica do ADN\u201d e conceber genomas. O modelo de IA, chamado Evo, conseguiu produzir 16 novos v\u00edrus funcionais nunca antes observados na natureza.<\/strong><\/p>\n<p>Uma intelig\u00eancia artificial capaz de interpretar o ADN como se fosse uma linguagem deu um passo que, at\u00e9 agora, parecia pertencer ao dom\u00ednio da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aec2657\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> publicado na semana passada na Science, investigadores da Universidade de Stanford e do Arc Institute usaram o <strong>Evo<\/strong>, um modelo de IA conceptualmente semelhante ao ChatGPT, para conceber genomas completos, que deram origem a <strong>16 v\u00edrus <\/strong>funcionais nunca antes observados na natureza.<\/p>\n<p>O ponto de partida foi uma ideia aparentemente simples: se modelos como o ChatGPT aprendem as regras da linguagem atrav\u00e9s da an\u00e1lise de enormes quantidades de texto, uma intelig\u00eancia artificial poderia talvez descobrir tamb\u00e9m a <strong>\u201cgram\u00e1tica\u201d particular do ADN<\/strong>.<\/p>\n<p>Os genes s\u00e3o formados por longas sequ\u00eancias constru\u00eddas a partir de quatro <strong>nucle\u00f3tidos, A, C, G e T<\/strong>, cuja combina\u00e7\u00e3o determina as instru\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O Evo foi inicialmente treinado com cerca de <strong>9,3 bili\u00f5es <\/strong>de pares de bases de ADN provenientes de animais, plantas, microrganismos e v\u00edrus, para identificar padr\u00f5es que os investigadores n\u00e3o tinham programado explicitamente.<\/p>\n<p>Depois de confirmarem que o sistema conseguia gerar genes com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, os investigadores colocaram uma quest\u00e3o muito mais ambiciosa: seria a IA capaz de escrever um genoma completo que funcionasse realmente?<\/p>\n<p>A equipa centrou a experi\u00eancia no Phi X-174, um bacteri\u00f3fago conhecido h\u00e1 quase um s\u00e9culo e constitu\u00eddo por apenas 11 genes.<\/p>\n<p>Os investigadores voltaram ainda a treinar o modelo com cerca de 15.000 v\u00edrus aparentados, uma escolha deliberada que permitiu trabalhar apenas com organismos que infetam bact\u00e9rias como a <strong>Escherichia coli<\/strong>.<\/p>\n<p>De 700.000 projetos a 16 v\u00edrus funcionais<\/p>\n<p>O Evo produziu cerca de 700.000 poss\u00edveis genomas virais, mas os investigadores selecionaram apenas aqueles que pareciam ter maior probabilidade de funcionar.<\/p>\n<p>Por fim, sintetizaram mol\u00e9culas de ADN correspondentes a 285 propostas e introduziram-nas em bact\u00e9rias cultivadas em placas. A maioria n\u00e3o produziu qualquer resultado, mas algumas amostras come\u00e7aram a revelar zonas transparentes entre as col\u00f3nias bacterianas. Era o sinal de que novos v\u00edrus se estavam a multiplicar, destruindo as c\u00e9lulas infetadas e a propagar-se pela cultura.<\/p>\n<p>Os testes permitiram identificar 16 sequ\u00eancias concebidas pela intelig\u00eancia artificial que deram origem a v\u00edrus vi\u00e1veis. Alguns conseguiram mesmo reproduzir-se mais rapidamente do que o Phi X-174.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um marco importante\u201d, disse ao <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/08\/06\/science\/ai-viruses-bacteria-arc.html\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">The New York Times<\/a> <strong>Patrick Cai<\/strong>, investigador em biologia sint\u00e9tica da Universidade de Manchester, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o simplesmente vers\u00f5es doentias de coisas que j\u00e1 existem\u201d, acresentou <strong>Oliver Crook<\/strong>, qu\u00edmico especializado em prote\u00ednas da Universidade de Oxford.<\/p>\n<p>Crook adverte que estes organismos n\u00e3o representam uma rutura absoluta com a natureza, uma vez que mant\u00eam uma grande semelhan\u00e7a com esp\u00e9cies conhecidas e recorrem aos mesmos princ\u00edpios biol\u00f3gicos fundamentais.<\/p>\n<p>Potencial m\u00e9dico e riscos desconhecidos<\/p>\n<p>A capacidade de conceber v\u00edrus atrav\u00e9s de <strong>intelig\u00eancia artificial generativa<\/strong> aplicada ao ADN poder\u00e1 ter aplica\u00e7\u00f5es importantes na medicina e na biotecnologia.<\/p>\n<p>Os v\u00edrus j\u00e1 s\u00e3o utilizados como ferramentas para transportar material gen\u00e9tico at\u00e9 determinadas c\u00e9lulas, uma estrat\u00e9gia aplicada em tratamentos dirigidos a doen\u00e7as gen\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Ainda assim, ser\u00e1 necess\u00e1rio verificar se o Evo consegue obter resultados semelhantes quando aplicado a outras fam\u00edlias de v\u00edrus.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o reacendeu tamb\u00e9m o debate sobre os riscos de combinar intelig\u00eancia artificial e biologia sint\u00e9tica, nota o <a href=\"https:\/\/www.elconfidencial.com\/tecnologia\/2026-08-07\/chatgpt-base-datos-adn-16-nuevos-virus-no-vistos-tierra-1qrt_4402601\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">El Confidencial<\/a>. Os autores exclu\u00edram deliberadamente do treino os v\u00edrus que infetam <strong>seres humanos<\/strong>, bem como organismos aparentados capazes de afetar animais, plantas e fungos.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos apenas ser extremamente cautelosos\u201d,<strong> Brian Hie<\/strong>, diz bi\u00f3logo computacional de Stanford e autor principal do estudo.<\/p>\n<p><strong>Moritz Hanke<\/strong>, investigador do Johns Hopkins Center for Health Security, considera que as medidas de seguran\u00e7a atuais est\u00e3o a avan\u00e7ar mais lentamente do que a tecnologia. \u201cQual \u00e9 o risco de algo que nunca vi antes?\u201d, questiona o investigador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Samuel H. 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