{"id":480959,"date":"2026-08-09T23:59:10","date_gmt":"2026-08-09T23:59:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/480959\/"},"modified":"2026-08-09T23:59:10","modified_gmt":"2026-08-09T23:59:10","slug":"porque-e-que-as-cataratas-de-sangue-da-antartida-jorram-agua-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/480959\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que as Cataratas de Sangue da Ant\u00e1rtida jorram \u00e1gua vermelha?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Blood_Falls_aerial_view_2013-12-21.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Peter Rejcek, NSF  \/ Wikipedia <\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-758994 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1679091c5a880faf6fb5e6087eb1b2dc-3-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">\u201cCataratas de Sangue\u201d da Ant\u00e1rtida<\/p>\n<p><strong>As \u201cBlood Falls\u201d da Ant\u00e1rtida cont\u00eam \u00e1gua salgada rica em ferro, que oxida e fica vermelha quando entra em contacto com o ar. Micr\u00f3bios d\u00e3o novas pistas sobre as origens antigas deste fen\u00f3meno geol\u00f3gico.<\/strong><\/p>\n<p>Num dos vales des\u00e9rticos e secos da Ant\u00e1rtida Oriental, um fen\u00f3meno natural conhecido como <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/desvendado-misterio-das-cataratas-sangue-da-antartida-158365\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cataratas de Sangue<\/a> (Blood Falls) liberta ocasionalmente \u00e1gua salgada de uma impressionante tonalidade vermelho-alaranjada.<\/p>\n<p>A salmoura escorre do glaciar Taylor para o lago Bonney e \u00e9 rica em ferro, que oxida e adquire uma cor semelhante \u00e0 ferrugem quando entra em contacto com o ar. O tom carmesim \u00e9 t\u00e3o intenso que pode ser visto nas imagens de sat\u00e9lite do Google Maps.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio ensanguentado, juntamente com a paisagem \u00e1rida que o rodeia, dificilmente parece um ambiente acolhedor para a vida.<\/p>\n<p>Um novo estudo centrou-se agora num complexo ecossistema microbiano que prospera no gelo, na lama e nos sedimentos manchados de vermelho, e refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que os antepassados destes organismos tenham percorrido uma longa dist\u00e2ncia para ali chegar.<\/p>\n<p>Os resultados do <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-026-02054-6\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, publicados na semana passada na Nature Geoscience, permitiram aos autores identificar, no material avermelhado junto \u00e0 frente do glaciar Taylor, uma comunidade microbiana com numerosos organismos associados a ambientes marinhos, apesar da grande dist\u00e2ncia que separa o local do oceano.<\/p>\n<p>As descobertas refor\u00e7am a hip\u00f3tese de que as cataratas sejam alimentadas por uma <strong>massa de \u00e1gua marinha<\/strong> isolada h\u00e1 muito tempo e ajudam a compreender a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o dos micr\u00f3bios.<\/p>\n<p>\u201cEncontrar aquilo que \u00e9, na pr\u00e1tica, um o\u00e1sis marinho em pleno funcionamento num deserto polar, a mais de 32 quil\u00f3metros do oceano, foi extraordin\u00e1rio\u201d, explicou \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/blood-falls-marine-life-antarctica\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Popular Science<\/a> <strong>Andrew Allen<\/strong>, bi\u00f3logo marinho da Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Calif\u00f3rnia, e autor principal do estudo.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade microbiana diversificada que encontr\u00e1mos mant\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica a um antigo ambiente marinho, ao mesmo tempo que demonstra a extraordin\u00e1ria resili\u00eancia e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o da vida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Allen e os colegas analisaram 167 amostras de sedimentos, \u00e1gua e ar recolhidas na regi\u00e3o dos <strong>Vales Secos de McMurdo<\/strong>, bem como numa enseada pr\u00f3xima coberta de gelo, utilizada como refer\u00eancia.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises gen\u00e9ticas revelaram que as amostras recolhidas em torno das Cataratas de Sangue continham numerosos <strong>eucariotas microbianos<\/strong>, organismos constitu\u00eddos por c\u00e9lulas com n\u00facleo e outros organelos delimitados por membranas, associados a ambientes marinhos.<\/p>\n<p>Entre os grupos identificados encontram-se diatom\u00e1ceas, dinoflagelados, haptofitas e ciliados. Mais de 60% das diatom\u00e1ceas encontradas nas amostras de lama vermelha e sedimentos tinham, de facto, liga\u00e7\u00f5es ancestrais a formas de vida oce\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Alguns dos procariotas analisados, organismos unicelulares sem n\u00facleo nem organelos delimitados por membranas, tamb\u00e9m apresentavam origens marinhas.<\/p>\n<p>Nos locais pr\u00f3ximos, pelo contr\u00e1rio, predominavam comunidades microbianas terrestres e de \u00e1gua doce, o que sugere que algo de particular est\u00e1 a acontecer nas Cataratas de Sangue.<\/p>\n<p>\u201cPensamos que esta descarga peri\u00f3dica de salmoura cria um habitat onde os micr\u00f3bios marinhos conseguiram persistir\u201d, explicou Allen \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/how-antarcticas-blood-falls-came-to-be\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Scientific American<\/a>.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 forma como ali chegaram, \u201ca origem destes micr\u00f3bios marinhos espec\u00edficos parece ser mais compat\u00edvel com a hip\u00f3tese de antigas inunda\u00e7\u00f5es do que com a dispers\u00e3o pelo vento\u201d.<\/p>\n<p>Investiga\u00e7\u00f5es anteriores indicam que, h\u00e1 milh\u00f5es de anos, quando a Ant\u00e1rtida era mais quente do que atualmente, o oceano poder\u00e1 ter inundado esta regi\u00e3o da parte oriental do continente.<\/p>\n<p>Quando as \u00e1guas recuaram, uma parte ter\u00e1 ficado <strong>aprisionada<\/strong> sob o glaciar Taylor \u00e0 medida que este avan\u00e7ava, h\u00e1 cerca de 2,5 milh\u00f5es de anos, segundo um comunicado sobre o estudo.<\/p>\n<p>Os cientistas j\u00e1 tinham descoberto anteriormente bact\u00e9rias associadas a ambientes marinhos, um tipo de <strong>procariota<\/strong>, na \u00e1gua salgada das Cataratas de Sangue. Alguns investigadores, por\u00e9m, suspeitavam que os sedimentos e organismos marinhos pudessem simplesmente ter sido transportados at\u00e9 ali por ventos fortes.<\/p>\n<p>A recente descoberta de <strong>eucariotas<\/strong> cujos antepassados viviam no mar refor\u00e7a a hip\u00f3tese de uma antiga origem oce\u00e2nica para a \u00e1gua das Cataratas de Sangue.<\/p>\n<p>O novo estudo tamb\u00e9m permitiu conhecer melhor os pr\u00f3prios micr\u00f3bios.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises sugerem que alguns dos eucariotas existentes nas proximidades apresentam um enriquecimento de vias celulares relacionadas com a fotoss\u00edntese, a resposta ao stress, a repara\u00e7\u00e3o celular e a capacidade de sobreviver em ambientes com elevada salinidade.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 \u201cdigno de nota\u201d pelas provas de que estes micr\u00f3bios \u201cse adaptaram a ambientes muito diferentes dos habitats em que evolu\u00edram\u201d, explicou \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/smart-news\/why-does-antarcticas-blood-falls-spew-ruby-red-water-microbes-offer-new-clues-about-the-geologic-features-ancient-origins-180989271\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Smithsonian<\/a> <strong>Brent C. Christner<\/strong>, microbi\u00f3logo ambiental da Universidade da Florida que n\u00e3o participou na investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs micr\u00f3bios que documentaram desenvolveram estrat\u00e9gias que lhes permitem sobreviver nos vales secos, apesar de as condi\u00e7\u00f5es serem muito diferentes das do ambiente marinho ancestral\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se limitaram a adaptar-se a um ambiente diferente. O local onde hoje vivem \u00e9 extremamente hostil, o que evidencia a impressionante resist\u00eancia destes microrganismos.<\/p>\n<p>No futuro, os eucariotas marinhos poder\u00e3o ajudar os investigadores a determinar com maior precis\u00e3o quando ficou isolada a \u00e1gua salgada das Cataratas de Sangue, conclui Allen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Peter Rejcek, NSF \/ Wikipedia \u201cCataratas de Sangue\u201d da Ant\u00e1rtida As \u201cBlood Falls\u201d da Ant\u00e1rtida cont\u00eam \u00e1gua salgada&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":480960,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[964,4850,109,107,108,7833,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":["post-480959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ambiente","tag-antartida","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-geologia","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/480959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=480959"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/480959\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/480960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=480959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=480959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=480959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}